Globalização da Economia

Globalização da Economia

FACULDADE DO NOROESTE DE MINAS-FINOM

ENGENHARIA ELÉTRICA

ECONOMIA

GLOBALIZAÇÃO E SEUS IMPACTOS

YUNOKI, SANAY SWE-ELLEN

PARACATU-MG

NOVEMBRO 2008

GLOBALIZAÇÃO E SEUS IMPACTOS

Trabalho apresentado ao Curso de Engenharia Elétrica da Faculdade do Noroeste de Minas, para o aprendizado de Globalização.

PARACATU-MG

NOVEMBRO 2008

Globalização não é um conceito sério. Nós, americanos, o inventamos para dissimular nossa política de entrada econômica nos outros países”.

(John Kenneth Galbraith,

economista norte-americano).

SUMÁRIO

Introdução 5

1. Globalização 6

2. Efeitos da Globalização 7

2.1. Linguagem Mundial 7

2.2. Crescimento das Cidades 7

2.3. Movimento da População 8

2.4. Transnacionalização dos Mercados 9

2.5. Interdependência Econômica 10

2.6. Globalização Financeira 11

Conclusão 13

Referências Bibliográficas 14

Introdução

O objetivo deste trabalho é analisar os aspectos da globalização desde o seu provável início até os dias de hoje. Não se sabe ao certo quando teve início e nem uma definição única do termo.

Na primeira parte temos uma breve definição de globalização e o seu desenvolvimento ao longo dos anos.

Na segunda parte são detalhados alguns de seus efeitos no mundo, como a adoção de uma língua universal facilitando a troca de informações e tecnologias, o crescimento e desenvolvimento das cidades devido à necessidade de se aumentar o mercado de trabalho e a produção com os países, o movimento da população entre a zona urbana e rural, a transnacionalização do mercado abrindo seu mercado ao exterior e acelerando seu crescimento, a interdependência econômica e a globalização financeira com a adoção de uma moeda de troca padrão.

1. Globalização

A palavra globalização não tem um único significado, isto depende da compreensão de cada um, variando com o limite de conhecimento e análise de cada indivíduo.

A globalização começou a evoluir a partir dos Descobrimentos e ao longo da Revolução Industrial até os dias de hoje. As navegações permitiram à humanidade acelerar os contatos, trocas de informações, de técnicas e cultura, expandindo seus mercados.

E nesta época o único objetivo era acumular riquezas para seu reino, devido ao fato de que o poder de um reino era analisado pela quantidade de metal precioso que este possuía. E com esta grande busca por riqueza os países europeus acabam iniciando as duas grandes guerras mundiais.

E de certa maneira até as duas guerras mundiais contribuíram para a globalização, adotando estratégias militares para vencer o inimigo transformando o mundo num grande campo de batalha.

Segundo Giddens (2001:470) são identificáveis quatro tendências tecnológicas fundamentais na compreensão da globalização: o aperfeiçoamento constante das capacidades dos computadores, juntamente com a diminuição dos preços; a digitalização da informação, que torna possível a integração das tecnologias dos computadores e das telecomunicações; o desenvolvimento das comunicações por satélite; as fibras ópticas que permitem que mensagens muito diferentes sejam enviadas por um único e pequeno cabo. Contudo, e para Castells (2002:36), o que caracteriza a atual revolução tecnológica não é a centralidade do conhecimento e da informação, mas a aplicação deste conhecimento e informação na produção de conhecimento e de dispositivos de processamento/comunicação da informação, num ciclo de realimentação cumulativo entre a inovação e o uso.

O mundo que se vê hoje e cada vez menor, as comunicações encurtaram distâncias, integrando economia, política e cultura, no entanto ela não compreende só isso, mas também o desenvolvimento de cada um socialmente e culturalmente.

Rossi, do Conselho editorial da Folha de São Paulo exemplifica sua evolução ao relatar que “a notícia do assassinato do presidente norte-americano Abraham Lincoln, em 1865, levou 13 dias para cruzar o Atlântico e chegar a Europa. A queda da Bolsa de Valores de Hong Kong (outubro-novembro/97), levou 13 segundos para cair como um raio sobre São Paulo e Tóquio, Nova York e Tel Aviv, Buenos Aires e Frankfurt”.

2. Efeitos da Globalização

2.1. Linguagem Mundial

A globalização é um processo que se inicia com a comunicação, as línguas favorecem o relacionamento entre as pessoas e para o desenvolvimento da globalização tornou-se necessário uma língua comum que facilitasse a comunicação entre os povos.

Com isso criou-se um novo processo de ocidentalização, onde se utiliza todo o meio disponível de comunicação na tentativa de reeducar as nações e neste processo a língua inglesa tornou-se a língua universal. Toda a matéria fundamental para a vida pública, no que se refere a questões políticas, econômicas, culturais e sociais é tratada em inglês. Estima-se que 88% de toda literatura científica e técnica é publicada originalmente em inglês. Isto torna o inglês a primeira língua universal diante de quase cinco mil línguas existentes.

Para Ortiz, o fenômeno da globalização é distinto do da internacionalização, daí fazer pouco sentido falar de centralidade difusora: “no contexto da globalização ele [o inglês] deixa de ser estrangeiro, algo que se impõe de fora, para constituir-se num idioma interno, autóctone à condição da modernidade-mundo” (p. 25). A língua inglesa transforma-se em parte estruturante de algo que a transcende, passa a ser expressão de um imaginário coletivo mundial. E, ao mesmo tempo torna-se mundial, liberta-se de seu enraizamento anterior para se territorializar novamente no espaço da modernidade-mundo, torna-se um artefato a ser legitimamente “deformado” pelos falantes de uma mesma galáxia (p. 27).

Então aprender línguas deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade, quem não sabe o inglês está praticamente fora do mundo globalizado e por conseqüência do mercado de trabalho. Dominar uma segunda língua abre as portas para o desenvolvimento profissional e crescimento pessoal e cultural.

2.2. Crescimento das Cidades

Durante alguns anos o Brasil foi um país rural com uma economia baseada na produção de alimentos e matérias primas para os países mais avançados, sendo assim a maioria da população residia no interior.

E de acordo com o aumento da população houve também o desenvolvimento das cidades, e as que se desenvolveram primeiramente também foram pioneiros em se tornarem grandes cidades e megalópoles. Outras regiões do mundo, e outros países seguem atualmente este mesmo processo, movidos por um impulso irresistível de crescimento a todo custo. As concentrações urbanas, representadas por um modelo de formação e crescimento de cidades sem planejamento, muito contribuíram para o aumento dos problemas sociais hoje observados nas grandes cidades.

Os municípios sentem o impacto direto da globalização. A professora de Urbanismo da USP Ermínia Maricato destacou alguns efeitos desse processo. “Embora tenha levado a industrialização para o interior, por meio do agronegócio, a globalização estimulou a guerra fiscal [disputa por empresas, com isenções tributárias] entre as cidades, o que levou ao enfraquecimento dos municípios menores”, afirmou.

No Mercosul, a rede Mercocidades reúne 181 municípios da América Latina. “É uma forma de as cidades trocarem experiências para problemas crônicos em diversas áreas”, afirma Mariana Vasquez, da Universidade de Buenos Aires. “O fórum das cidades do bloco ainda tem um papel apenas consultivo”, acrescenta Karina Mariano, docente do câmpus de Marília.

Na União Européia, um fórum também foi criado para ajudar as cidades em projetos de projeção internacional. “É um órgão que direciona investimentos com o objetivo de permitir um equilíbrio maior no desenvolvimento dos municípios”, afirma Joaquim Brugué, da Universidade Autônoma de Barcelona.

Segundo Saskia Sassen, a condição para que uma cidade tenha capacidade de controle global é a presença de serviços altamente especializados junto a um gerenciamento e controle do sistema de fábricas, escritórios e empresas prestadoras de serviços no nível máximo, além da concentração de conhecimento. Esses lugares funcionam como locais de comando na organização da economia mundial, fundamentais para as indústrias (como campos para a produção de inovações) e empresas (financeiras e de serviços especializados).

2.3. Movimento da População

Devido ao grande crescimento da população brasileira, das transformações na agropecuária, intensificação das migrações internas, a partir da década de 30 do século passado essa expansão se acelerou. Em 1940 a população urbana já representava 31,2% dos residentes do país, mas até 1960 ela ainda era inferior a população rural. Duas décadas mais tarde, porém, com um aumento considerável da velocidade do crescimento das cidades, o Brasil tornou-se predominantemente urbano, como é mostrada na tabela abaixo uma pesquisa feita pelo IBGE à migração da população nacional.

Brasil

Indicador

Unidade

1970

1980

1991

2000

População urbana

hab.

52.097.260

80.437.327

110.990.990

137.953.959

População rural

hab.

41.037.586

38.573.725

35.834.485

31.845.211

IBGE - Censo Demográfico

2.4. Transnacionalização dos Mercados

Com o mercado interno se tornando pequeno para a produção as empresas, elas começam a buscar novos mercados e mais mão de obra. Sem dúvida nenhuma os países que abriram seus mercados ao exterior teve um crescimento econômico acelerado, porque permitiram também a entrada de novas tecnologias.

Segundo Canclini a transnacionalização é um processo que se forma mediante a internacionalização da economia e da cultura, mas que dá alguns passos além a partir da primeira metade do século XX, ao gerar organismos, empresas e movimentos cuja sede não se encontra exclusiva nem predominantemente numa nação (São Paulo, 2003).

Algumas empresas hoje estão presentes em vários países e com a interconexões ainda levam consigo a marca das nações que a originaram, a exemplo disso estão os filmes de Hollywood que transmitem ao mundo a visão americana, as novelas mexicanas e brasileiras que emocionam outros países em que são transmitidas.

E isso só foi possível também por causa dos efeitos migratórios que favoreceram o turismo e a aquisição de línguas facilitando assim a exportação de filmes, novelas e programas para outros países levando também a cultura de seu país para o mundo.

Assim, a idéia de transnacionalização também está intimamente relacionada com a globalização cultural, ou seja, quando se torna possível observar, sem dificuldades, certa homogeneidade no estilo de vida e ou nas tendências no consumo de massa. Um bom exemplo disso é a existência de pessoas que se vestem mais ou menos do mesmo jeito em diversas partes do planeta.

A transnacionalização dos mercados, em pouco mais de uma década, transformou radicalmente as estruturas de dominação política e de apropriação de recursos, subverteu as noções de tempo e espaço, derrubou fronteiras políticas e jurídicas, multiplicou, de modo excepcional, o fluxo de idéias, conhecimento, bens, serviços, valores culturais.

Por tanto, a discussão de conceitos de transnacionalização, os aspectos a serem pensados são os mais diversos. A coexistência do global e do regional traz uma nova ordem ou desordem no mundo todo, uma multiplicidade de sentidos; instala-se uma interculturalidade difícil de analisar até mesmo pelos cientistas sociais.

2.5. Interdependência Econômica

Por três razões a globalização conduz ao crescimento econômico, primeiro porque gera emprego, segundo rápido crescimento leva ao aumento das receitas fiscais, terceiro que as famílias de classe baixa encontram empregos com mais facilidade melhoramento assim a saúde, educação e bem estar dessas famílias.

Após a Segunda Guerra Mundial constituiu-se o GATT uma estrutura organizada e coordenada de regras e instituições que regulam o comércio mundial até hoje. E também um mecanismo multilateral para encaminhamento e resolução de controvérsias comerciais.

Em 1993 o GATT foi substituído pela OMC (Organização Mundial do Comércio) que determinará as regras do comércio internacional nos próximos anos, não só dos grandes parceiros internacionais, mas também dos pequenos e médios parceiros que terão na OMC uma organização de supervisão e apoio para garantir seu acesso aos mercados mais protegidos dos grandes blocos comerciais.

Na atualidade, estão constituídos como blocos econômicos a União Européia, o Nafta, a APEC — Associação de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico, a CEI — Comunidade de Estados Independentes, o Mercosul, o Pacto Andino, a APEC — Associação de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico e o Comesa — Mercado Comum dos Países do Leste e Sul da África.

Nos últimos anos tem havido um grande aumento no número de acordos para remoção mútua das barreiras de comércio e para a constituição de arranjos regionais de comércio. E essa integração regional surgiu como uma alternativa para a gestão da interdependência e de conflitos diante das dificuldades nas negociações multilaterais.

A integração da economia mundial é um dos principais fatores responsáveis pela constituição dos diversos blocos econômicos em várias partes do globo. A sua existência atende ao mais elevado interesse das empresas multinacionais porquanto, por seu intermédio, haverá uma maior liberalização do mercado mundial, principalmente intra-blocos. Em outras palavras, a formação de blocos econômicos abre caminho à constituição de um mercado mundial sem barreiras no futuro sob a ótica das empresas multinacionais.

2.6. Globalização Financeira

É impossível compreender a história do sistema monetário internacional sem entendermos o que foi o padrão ouro. O padrão ouro foi um sistema internacional de taxas de câmbio fixas, ou seja, os países trocavam o seu dinheiro a uma taxa fixa em ouro.

No início do século XIX somente a Grã-Bretanha havia adotado plenamente o padrão ouro, pois os estatutos monetários de muitos países permitiam a cunhagem e a circulação conjunta de moedas de ouro e prata, praticando o que ficou conhecido como padrões bi metálicos ou bimetalismo. O padrão ouro foi seguido por Dinamarca, Holanda, Noruega, Suécia entre outros, atingindo inclusive as América Latinas, cujos interesses ligados à mineração da prata eram muito fortes. Seguiram o rastro do padrão ouro a Argentina, o México, Peru e Uruguai, Inglaterra, França, Alemanha e Estados Unidos. Em outros países a adoção do padrão ouro se dava no sentido de que, sempre que solicitados, seus governos se prontificavam a converter o dinheiro em circulação em ouro a um preço fixo.

No fim da IIª Guerra Mundial todo o sistema monetário internacional foi reconstruído, na conferência que deliberou os acordos de Bretton-Wodds, baseou-se num novo padrão, o ouro-dólar. A nova moeda refletia a consolidação da hegemonia norte-americana, numa situação criada onde os EUA saíram vitoriosos da Guerra, além de possuírem uma moeda credora da economia mundial.

De fato, sob comando norte-americano do “capitalismo de exceção” (“ou atípico”) determinando o novo padrão ouro-dólar, as três peças constitutivas mais importantes do sistema Bretton-Woods foram:

-As taxas de câmbio fixas, porém ajustáveis;

- controle da conta de capital, bloqueando a tendência liberalizante dos fluxos de capitais das duas décadas anteriores;

-O papel do (nascente) FMI como “emprestador de última instância”, intervindo em casos de rombo no balanço de pagamentos.

O que significa dizer: complementava-se a fixidez ajustável do câmbio com o controle dos fluxos de capitais, porque estes protegiam os países que passaram a defender suas moedas contra a volatilidade desestabilizadora; enquanto que os possibilitava manobras para ajustes mais ordenados (controles cambiais). Além disso, o FMI, teoricamente, garantiria recursos extras aos países que seguravam o câmbio sob pressão dos mercados financeiros, agindo assim como um eventual “tapador de buracos” nos balanços de pagamentos.

A globalização do sistema financeiro é caracterizada pela criação de um sistema global de intermediação financeira. Os Sistemas Financeiros Internacional definiram-se como a relação de troca ou negócios entre moedas, atividades, fluxos monetários, bancos e governos, que tem como principal função facilitar o comércio e o investimento internacional transferindo capital para onde for mais lucrativo.

Conclusão

Globalização é um tema muito complexo e polêmico tornando difícil determinar ao certo o seu início e até onde ela vai nos levar, a sua definição também depende muito do ponto de vista e do conhecimento de cada um. Vem então encurtando distâncias e integrando os povos no âmbito social, cultural, político e econômico.

Para o desenvolvimento da comunicação global tornou-se necessário uma língua universal e foi adotado o inglês para ser a língua universal.

O crescimento das cidades é inevitável e isso é bom para o país e para as pessoas que decidem morar nela, o único problema é que as cidades não foram projetadas para tal crescimento e isso acaba acarretando problemas sociais como congestionamento, poluição, aumento da criminalidade. Para que isso não aconteça é preciso um acompanhamento dos governantes com relação ao crescimento populacional.

O crescimento populacional e as migrações são os grandes responsáveis para o crescimento das cidades, no Brasil com o passar das décadas mais de 80% da população passou a morar nos centros urbanos.

Com as pessoas se mudando para as cidades houve um crescimento também de mão de obra para as indústrias que passaram a produzir mais e a procurar novos mercados, com esta busca por novos mercados foi que iniciou a transnacionalização das empresas.

O crescimento econômico trouxe também a formação de blocos para controle do comércio das regiões construindo assim um mercado sem barreiras no futuro.

E para que fosse possível a mobilização das empresas tornou-se necessário a criação de um moeda que servisse de troca entre todos os países, no início adotou –se o ouro, mas após a Segunda Guerra Mundial o sistema monetário foi reconstruído adotando o dólar como nova moeda e nascendo também o FMI como “emprestador” no balanço de pagamentos e financiamento do desenvolvimento dos países mais pobres.

Devemos entender que a globalização em tempos de calmaria trás mudanças positivas e em tempos de crise arrasam economias frágeis.

Referências Bibliográficas

ORTIZ, Renato. Mundialização: saberes e crenças. São Paulo, Brasiliense, 2006. 211 páginas.

CASTELLS, M. (2002) A sociedade em rede, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, VOL.I.

GIDDENS, A. (2001) Sociologia, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.

CANCLINI, Néstor G.A Globalização Imaginada. Iluminuras: São Paulo, 2003.

CUNHA, Isabel Ferin. Os Media entre a Globalização e a regionalização. XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Natal, RN – 2 a 6 de setembro de 2008.

BAUMAN, Zygmunt. Globalização: As conseqüências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999. 

JÚNIOR, João Ribeiro. Globalização, mercado de trabalho e educação. Revista de CIÊNCIAS

DA EDUCAÇÃO Ano 05 – Nº 08 – 2003.

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