reciclagem geração de entulho

reciclagem geração de entulho

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5(6802 Esta revisão faz parte do trabalho intitulado "$ XWLOL]DomR GR HQWXOKR FRPR DJUHJDGR QD FRQIHFomR GR FRQFUHWR" e foi apresentado no ano de 1997 na Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Engenharia.

%5(9( 5(9,6›2 62%5( $ *(5$d›2 ’( 5(6’826 O fato de muitos países se darem conta de que os métodos organizacionais e produtivos, na construção civil, precisam mudar, acontece não só devido ao elevado desperdício de tempo e materiais e seus conseqüentes e indesejados impactos nos custos finais, mas também porque as áreas urbanas destinadas a deposição de resíduos estão se tornando cada vez mais escassas.

Segundo PERA (1996), a produção anual de resíduos de construção e demolição, na Europa Ocidental chega a estar entre 0,7 e 1 tonelada por habitante, o que representa o dobro do resíduos sólidos municipais gerados naquela região.

De acordo com dados do Departamento de Limpeza Urbana da Prefeitura Municipal de Campinas (CAMPINAS, 1996), o município produz cerca de 1.800 t/dia de resíduos, que são lançados nos locais de “bota-foras”, o que representa a geração de 1,8 t/dia por habitante (população aproximada de 1 milhão de habitantes). Cerca de 70% desses resíduos são originados por residências ou prédios em construção/ demolição, enquanto os 30% restantes constituem resíduos industriais que deveriam estar sendo tratados em unidades específicas.

PINTO (1989) estudou o desperdício em um edifício convencional, de 3.658 m2 de área construída. A partir dos documentos fiscais, o autor levantou todos os materiais que entraram na obra. Foram feitos também, levantamentos a partir do projeto executivo e de medições no canteiro. Para uma massa projetada de 3.110 t (0,85 t/m2), foram adquiridas 3.678 t (1,0 t/m2) para a execução da obra, o que representou um desperdício de 18,3%. No seu estudo, foram feitas 213 remoções de entulho em 18 meses de obra, o que resulta numa média de 2,7 viagens ou 9,45 m3 por semana.

A Tabela 1 mostra os resultados da pesquisa de Pinto, revelando que as argamassas e seus constituintes, representaram cerca de 60% do material retirado do canteiro. Para a determinação da perda total, foram estimados o peso dos materiais previstos e o peso dos materiais adquiridos, resultando numa perda, em peso, de 18,26%, o que representa um acréscimo de 6% na expectativa do custo total, segundo o pesquisador.

Vale ressaltar que alguns itens da Tabela 1, como a cal hidratada e a argamassa colante, são apresentados por Pinto com valores de perdas demasiadamente altos, chegando o primeiro a superar em duas vezes os valores previstos em projeto. Portanto, esses índices devem ser tomados com ressalvas, não podendo ser generalizados, já que se tratam de valores obtidos numa única obra.

PICCHI (1993), realizou um levantamento sobre o entulho produzido em três obras, entre 1986 e 1987. Em duas delas (A e B), o registro foi feito através da contagem das caçambas de entulho retiradas, e na terceira (C), a partir da análise de documentos fiscais, das empresas contratadas para retirar o resíduo da obra. Os resultados são apresentados na Tabela 2.

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D Retiradas de caçambas estacionárias de 3,5 m3 cada. Na obra C, o registro foi feito diariamente em m3; E Adotou-se massa específica do entulho de 1,2 t/ m3; F Quantidade de entulho produzida em relação a massa final projetada do edifício (adotada como 0,85 t/m2)

Segundo o autor, os valores médios encontrados para o volume de entulho produzido é de 0,1 m3/m2, ou 100 l/m2, o que representa 2 caminhões de 5 m3 para cada 100 m2 construídos. Considerando a massa específica do resíduo como 1,2 t/m3 ele chegou a perda de 0,12 t/m2 que corresponde a 15% da massa final do edifício.

A nível de observação, é importante deixar claro que Picchi não justifica, em seu trabalho, a utilização do valor unitário da massa projetada do edifício (apresentado nesta Tabela 2 como 0,85 t/m2). Se o mesmo foi adotado a partir da pesquisa de PINTO (1989), nada garante que as obras estudadas por cada pesquisador possuam os mesmos valores. Além do mais, as metragens dos edifícios em cada trabalho são diferentes. Só em seu trabalho, um dos empreendimentos analisados por Picchi, possui mais do que o dobro de área construída que os demais.

Analisando as pesquisas de PINTO (1989) e de PICCHI (1993), pode-se estimar que o entulho gerado nas obras brasileiras que utilizam sistemas de construção convencionais, com estrutura independente, situa-se entre 10% e 20% da massa total do edifício, com variações em função do elemento de alvenaria utilizado e do grau de organização e controle da obra. Estes resultados porém, devem ser tomados com ressalvas, visto o reduzido número de obras analisadas e a concentração da pesquisa numa única região, no caso, a cidade de São Paulo.

Vale lembrar que, tanto os dados de Pinto como os de Picchi, foram levantados em construtoras que, apesar de utilizarem o processo convencional de construção, mantêm processos de controle de produção de resíduos, que geralmente não são adotados pela grande maioria de empresas existentes no setor.

Também analisando as ocorrências de desperdícios, SOIBELMAN (1993), estudou cinco obras de classe média alta, na cidade de Porto Alegre, RS. A Tabela 3 apresenta a relação entre as perdas e a quantidade de entulho produzido, para cada item avaliado.

a Perdas medidas até a vistoria final (quadros 6.1 a 6.5, pág. 49 a 5) b Índice de perdas médio, em relação à massa adquirida de cada material (quadro 6.6, pág. 59)

As construções analisadas pelo autor, empregaram tecnologias tradicionais: estrutura de concreto armado, paredes com blocos cerâmicos e revestimentos argamassados. O estudo ficou restrito ao cálculo das perdas de tijolos maciços, tijolos furados, concreto, aço, cimento, areia média e argamassa ou cal.

É importante salientar que, os valores dos desperdícios obtidos por Soibelman, não representam a quantidade de entulho produzido, porque eles não foram calculados medindo-se o entulho gerado, mas com base em valores teóricos de consumo utilizados em orçamentos, e pela quantidade de materiais adquiridos. Além do mais, a quantidade de materiais recebidos nem sempre é a que foi pedida, já que os fornecedores, muitas vezes, entregam menos materiais que os comprados. Dessa forma, como em muitas obras não se confere a entrega, esses valores apresentados pelo pesquisador, representam também o “material que não foi entregue” pelos fornecedores, e aquele que acabou ficando na obra na forma de perdas: aterros, espessuras excessivas de revestimentos, materiais usados de improviso, etc.

Na Alemanha, órgãos estatísticos trabalham, desde 1975, com os dados das quantidades de entulho de construção, de terra de escavação e de material gerados na manutenção de estradas, produzidos naquele país. Em 1980, o item “empresas produtoras e outras áreas” contabilizou um total de 141,2 milhões de toneladas de material proveniente das fontes acima citadas (Tabela 4). Esse valor representou o dobro do valor de 1975 (OFFERMANN, 1987).

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* Fonte Statistiches Bundesamt, Wiesbaden ** Distribuição projetada dos tipos de entulho

*** 61,6 milhões de habitantes (1980)

Segundo Offermann, a situação dos aterros e depósitos na Alemanha, também é caracterizada pela redução de seus números e pela diminuição da área total de deposição. Em decorrência, há um forte aumento dos custos de transporte e eliminação. Em razão disso, uma empresa de demolição numa área urbana praticamente não tem mais condições de remover o entulho de construção para um aterro.

Nos Estados Unidos, os dados sobre a geração de resíduos de C&D, também não são precisos, pois os dados existentes se baseiam em estudos que podem estar ultrapassados. Segundo A. Blakey, do Environmental Industry Associations (EIA), uma agência de proteção ambiental dos EUA, dados do congresso norte americano de 1988, indicava que 31,5 milhões de toneladas de resíduos de C & D, eram gerados cada ano, o que representava 2 % do total de resíduos sólidos depositados no ano de 1986 (WORLD WASTES, 1994).

De acordo com dados da Secretaria de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, da Universidade de Illinois, em Chicago, a Tabela 5 apresenta os dados da geração de resíduos em duas construções. A primeira, um edifício de apartamentos de 836m2, e a segunda uma

Segundo levantamentos de PINTO (1987), que analisou a composição do entulho proveniente de canteiros de obras, cerca de 64% do material é formado por argamassa, 30% por componentes de vedação (tijolo maciço, tijolo furado, telhas e blocos) e 6% por outros materiais, como concreto, pedra, areia, metálicos e plásticos (Tabela 6). Com essa composição, pode-se compreender que se trata de um material básico de qualidade.

Argamassas 63,67 Tijolos maciços 17,98 Telhas, lajotas, etc.1,1 Concreto 4,23 Bloco de concreto0,1 Ladrilhos de concreto0,39 Pedras 1,38 Cimento-amianto 0,38 Solo 0,13 Madeira 0,1 papel e matéria orgânica0,20

PINTO (1987), acrescenta ainda, que a quantidade de resíduos liberados pelas atividades construtivas nas cidades é de tal porte que, se prevista uma total reutilização do material gerado, as necessidades de pavimentação de novas vias ou construção de habitações de interesse social, por exemplo, seriam totalmente satisfeitas. Na Tabela 7, o autor apresenta a geração de entulho e a possibilidade de sua utilização, para as finalidades acima citadas, nas principais capitais brasileiras.

É inegável, portanto, que o montante de entulho gerado no país é muito grande e justifica todo esforço no sentido de reaproveitamento deste material. A criação de incentivos aos construtores, coletores de resíduos e proprietários dos imóveis em edificação, é de grande importância para que se inicie um processo amplo de reciclagem deste material. Processo esse que, se bem planejado e estruturado, pode contribuir significativamente para a redução dos custos sociais causados pelo depósito indiscriminado de entulho nos vazios urbanos.

(t)

(unid./ mês)

(m/ mês)

Campinas: a gestão dos resíduos sólidos urbanosCampinas, 1996. 224 p. ISBN

1. CAMPINAS. Secretaria de Serviços Públicos / Secretaria da Administração. 85-86223-01-8.

2. OFFERMANN, E. HO futuro da reciclagem de entulho de construção (Tradução).
3. PERA, JState of the art report - use of waste materials in construction in western
EuropeIn: Seminário sobre reciclagem e reutilização de resíduos como materiais
de construção, 1996, São Paulo$QDLV... São Paulo: PCC - USP, Departamento de
Engenharia de Construção Civil, 1996161 p. p. 1-20.
1993462 p.
5. PINTO3HUGDGHPDWHULDLVHPSURFHVVRVFRQVWUXWLYRVWUDGLFLRQDLV. São Carlos:

Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de São Carlos (Texto datilografado), 1989. 3 p.

6Reaproveitamento de resíduos de construção. 5HYLVWD3URMHWR, n. 98, p. 137-

138, 1987.

Federal do Rio Grande do SulDissertação (Mestrado), 1993. 127 p.
8. WORLD WASTESThe deconstruction of C&D waste: nailing down the numbers.

LQFLGrQFLD H VHX FRQWUROH Porto Alegre: Escola de Engenharia da Universidade v. 37, n. 6, p. 36-38, jun. 1994.

9. ZORDAN, S. EA Utilização do Entulho como Agregado na Confecção do Concreto.
Engenharia Civil, Universidade Estadual de Campinas - UNICAMPDissertação

Campinas: Departamento de Saneamento e Meio Ambiente da Faculdade de (Mestrado), 1997. 140p.

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