Português para Concursos

Português para Concursos

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RECADO AO LEITOR As matérias desta apostila foram reunidas e consolidadas para estudo dos alunos do Instituto Marconi. A leitura e estudo deste conteúdo não exclui a consulta a outras fontes que possam enriquecer e oferecer maior abrangência aos tópicos solicitados em editais de concursos públicos e outras formas de seleção.

Alguns conceitos iniciais Fonemas

É fundamental que o leitor entenda uma parte da fonologia, pois é o princípio de nossa língua. Ou você pensa que o homem já nasce lendo e escrevendo? Quando nascemos, o nosso primeiro contato comunicativo com o mundo é através do choro, que nada mais é do que som. O homem da caverna não articulava as palavras, apenas soltava grunhidos. Gramaticalmente, chamaremos os sons de fonemas e serão sempre representados entre barras para não serem confundidos com as letras. Os fonemas da Língua Portuguesa classificam-se em: vogais, semivogais e consoantes.

saci=> /s/ /a/ /s/ /i/;
tatu=> /t/ /a/ /t / /u/.

• Vogais: são fonemas pronunciados sem obstáculo à passagem de ar, chegando livremente ao exterior, pois são naturalmente fortes. Elas são: A /a/ — E /e/ — O /o/. O “I” e o “U” serão considerados vogais apenas quando estiverem sozinhos e formadores de sílabas. Exemplos: tomate => /t/ /o/ /m/ /a/ /t/ /e/;

• Semivogais: são os fonemas que se juntam a uma vogal, formando com esta uma só sílaba:

Exemplos: couro, baile. Observe que só os fonemas I e U átonos funcionam como semivogais. Para que não sejam confundidos com as vogais I e U serão representados por /y/ e /w/. Exemplos: coisa => /k/ /o/ /y/ /z/ /a/; o I fica na mesma sílaba do O, pois o som /y/ é mais fraco do que o /o/ e, portanto, pronunciados numa única abertura de boca: /k/ /o/ /y/ - /z/ /a/. Outro exemplo: tábua => /t/ /a/ - /b/ /w/ /a/.

• Consoantes: são fonemas produzidos mediante a resistência que os órgãos bucais (língua, dentes, lábios) opõem à passagem de ar. Exemplos: rato, jiló, dúvida.

Encontro Vocálico É quando as vogais e semivogais se encontram. Há três tipos de encontros vocálicos:

• Hiato: é o agrupamento de duas vogais, cada uma em uma sílaba diferente. Ex.: Sa-a-ra, afi-a-do, pi-a-da.

Obs.: quando o “I” e o “U” forem pronunciados tonicamente (fortes) e estiverem isolados, formando uma sílaba, deverão ser devidamente acentuados: vi – ú – va; Pi – au – í, tui – ui – ú. Exceções: quando seguidos por NH (u – nha; ra – i – nha) ou repetidos (xi-i-ta).

• Ditongo: é o agrupamento de uma vogal e uma semivogal (ditongo decrescente) ou de uma semivogal e uma vogal (ditongo crescente) em uma mesma sílaba. Chamaremos ainda de oral e nasal, conforme ocorrer a saída do ar pelas narinas ou pela boca. Às vezes o “N” e o “M” poderão fazer sons vocálicos nasais: lim - po => /l/ / - /p/ /o/; en-xu-to => /Á - /x/ /u/ - /t/ /o/. Existem apenas três ditongos chamados abertos: ói, éi, éu. A acentuação presente força uma abertura maior da boca quando pronunciados. Faça o teste e perceba a abertura de sua boca ao falar, bem pausadamente, as seguintes palavras: boi / cau-bói. Os demais ditongos são considerados fechados.

• Tritongo: é a ocorrência de uma semivogal, mais uma vogal, mais uma semivogal. Também pode ser oral ou nasal, mas não crescente nem decrescente. Ex.: a-güei = /a/ - /g/ /w/ /e/ /y/ (tritongo oral); á-güem = /a/ - /g/ /w/ /e/ /û/ (tritongo nasal).

Encontro Consonantal É o agrupamento de consoantes. Há três tipos de encontros consonantais:

• Encontro próprio: é o agrupamento de consoantes, lado a lado, cada qual com o seu devido fonema, mas na mesma sílaba. Ex.: brasa => /b/ /r/ /a/ - /z/ /a/, planeta => /p/ /l/ /a/ - /n/ /e/ - /t/ /a/.

• Encontro impróprio: é o agrupamento de consoantes, lado a lado, em sílabas diferentes.

Ex.: apto => /a/ /p/ - /t/ /o/; cacto => /k/ /a/ /k/ -

Obs.: não se esqueça de que as letras M e N pós-vocálicas não são consoantes, e sim semivogais ou simples sinais de nasalização.

• Dígrafo (di, em grego, significa dois; grafo, em grego, significa escrita): é o agrupamento de duas letras com apenas um fonema. Os principais dígrafos são: - r /R/ - aroz = ar-roz - /a/ /R/ /o/ /s/.

- sc /s/ - nascer = nas-cer - /n/ /a/ /S/ /e/ /r/.

- sç /s/ - desço = des-ço - /d/ /e/ /S/ /o/.

- xs /s/ - exsudar = ex-su-dar - /e/ /S/ /u/ /d/ /a/ /r/.

- qu /k/ - querida = que-ri-da - /k/ /e/ /r/ /i/ /d/ /a/.

- gu /g/ - sangue = san-gue - /s/ /ã/ /g/ /e/. QU e GU só serão dígrafos, quando estiverem seguidos de e ou i, sem trema. A propósito, muitas pessoas pensam que o trema caiu. Ledo engano, caro leitor! Escrever freqüente, seqüestro, cinqüenta, eloqüente, pingüim sem trema ainda É ERRO! E esta regra gramatical consta do último acordo ortográfico firmado entre todos as nações lusófonas (as que falam a Língua Portuguesa) de 12 de agosto de 1943. Agora me diga: há quanto tempo você vai ao açougue e só vê e compra linguiça? O correto, segundo a norma culta válida, é com trema: lingüiça.

• Dígrafo Vocálico: é o outro nome que se dá ao Ressôo Nasal, pelo fato de serem duas letras com um fonema vocálico. Ex.: sangue = san-gue - /s/ /ã/ /G/ /e/.

Não confunda dígrafo com encontro consonantal, que é o encontro de consoantes, cada uma representando um fonema.

Sílaba

É constituída por um fonema ou por um grupo de fonemas emitidos num só impulso expiratório, ou seja, quando falamos a palavra ela é dividida em segmentos sonoros. Cada segmento é a sílaba: concur-so.

Classificação da sílaba

polissílabas – palavras com quatro sílabas ou mais (apostila,

• Quanto ao número de sílabas: monossílabas – palavras com uma única sílaba (pé, sol, luz, etc.) dissílabas – palavras com duas sílabas (bola, táxi, letra, etc.) trissílabas – palavras com três sílabas (escrita, ônibus, açaí, etc.) rodoviária, paralelepípedo, etc.)

paroxítonas – a penúltima sílaba é a mais forte (revólver,
proparoxítonas – a antepenúltima sílaba é a mais forte (sílaba,

• Quanto à posição da sílaba tônica: oxítonas – a última sílaba é mais forte (urubu, escrever, abacaxi, etc.) caçada, foto, etc.) tônico, átomo, etc.)

Divisão Silábica

1. Não se separam as letras que representam ditongos (cá-rie), tritongos (a-ve-ri-guou) e os dígrafos lh, nh, ch, qu, gu (te-lha, ba-nho, en-cher, quei-jo, guer-ra) e os encontros consonantais próprios (flau-ta, pneu). 2. Os dígrafos r, s, sc, sç, xc e xs têm suas letras separadas silabicamente (car-ro, pês-sego, pis-ci-na, des-ça, ex-ce-to, ex-su-dar). 3. Separam-se as letras que representam os hiatos (sa-í-da, ba-ú). 4. Separam-se os encontros consonantais impróprios (ad-je-ti-vo). 5. Prefixo acompanhado de vogal forma uma sílaba (subentendido => su-ben-ten-di-do). 6. Prefixo acompanhado de consoante deve ser separado (sublinhar => sub-li-nhar).

Acentuação Gráfica

Você sabia que as regras de acentuação foram feitas para que as palavras com terminações raras em Língua Portuguesa ficassem destacadas? Faça um rápido exame e verifique a veracidade do fato. Tenha as palavras MULHER e FÊMUR. Ambas terminam em R, não é mesmo? Mas, então, qual a diferença entre elas? Se você respondeu que a primeira é uma palavra oxítona e a outra é uma paroxítona, acertou! Agora me responda: quantas palavras seguem o modelo de MULHER? Para começar (e só para começar) já temos TODOS os verbos no infinitivo: amar, beber, assobiar, contrapropor, etc. Agora comece a contar as palavras cujas sílaba tônica esteja na penúltima sílaba (paroxítonas) e que terminem em R. Deixe-me ajudar com algumas: repórter, hambúrguer, sóror, cadáver, fêmur, âmbar, caráter, ímpar, mártir, açúcar, éter, dólar, mártir, aljôfar, nenúfar e flúor. Se o caro leitor conseguir mais alguma palavra paroxítona terminada em R, fique à vontade para incluí-la e até me avisar! Entendeu o porquê da existência das regras de acentuação? Apenas para identificar as palavras com terminações raras em Língua Portuguesa e, portanto, em número reduzido. Vamos às regras:

Monossílabas Tônicas

Antes, porém, de veicularmos as devidas regras, tenha em mente a diferença entre um monossílabo átono e um tônico. E muito cuidado para não cair numa teoria que muitos colegas de profissão adoram ensinar: “as monossílabas átonas são aquelas faladas fracamente, enquanto as tônicas são fortes.” Misericórdia! Deste modo, o caro leitor acha que se eu gritar bem alto a palavra LHE, que é átona, ela passa imediatamente à classificação de tônica? Evidentemente que não! A tonicidade dos vocábulos monossilábicos nada tem a ver com a força na qual é empregada para dizê-los. Guarde de uma vez por todas: as monossílabas átonas são palavras de uma só sílaba que, de tão fracas, não respondem perguntas. Já as monossílabas tônicas são palavras de uma única sílaba que, de tão fortes que são, respondem perguntas. De que o ser humano precisa? Respostas prováveis: SAL / LUZ / SOL / FÉ. Embora algumas delas não tenham acento, são todas palavras de uma única sílaba que conseguem responder a perguntas., portanto são monossílabas tônicas. Responda a mesma pergunta usando: LHE / A / EM / TAL. Pode tentar com qualquer que seja a palavra que não dará sentido algum à resposta. São todas fracas demais para isto, são todas átonas.

As monossílabas tônicas que devem ser acentuadas são as terminadas em A(s) / E(s) / O(s).

Repare que só foram consideradas as vogais, o I e o U não entraram por serem semivogais. Assim, temos: pá(s), vá, lá, fé, pé(s), só(s), pó, nós, etc.

Oxítonas

Serão acentuadas as palavras oxítonas terminadas em A(s) / E(s) / O(s). Mas espere aí! Ficou igual à regra anterior! Por isso mesmo incluíram-se as terminações EM / ENS. Pronto, agora ficou diferenciada da regra das monossílabas tônicas: cajá, vatapá, café, ralé, cipó, xilindró, ninguém, amém, parabéns, etc.

Paroxítonas

Serão acentuadas as palavras paroxítonas terminadas em: US – ônus, bônus, vírus, ânus, etc. Ditongo(+ s) – falência, imóveis, eloqüência, régua, etc. UM(ns) – álbuns, fórum, córum, etc. L – útil, volátil, improvável, fácil, etc. I(s) – biquíni, táxi, lápis, etc. R – repórter, hambúrguer, fêmur, etc. Ã(s) – ímã, órfã, etc. ÔO(s) – vôo, enjôo, perdôo, etc. X – tórax, látex, córtex, etc. N – hífen, pólen, elétron, etc. Devo, caro leitor, fazer aqui uma importante observação: as palavras paroxítonas terminadas em EN, ao passarem para o plural, perderão o acento. Já as terminadas em ON permanecerão acentuadas. Mas por quê? Porque há inúmeras palavras paroxítonas terminadas em EM que, ao serem pluralizadas, passarão a ser ENS: homEM / homENS, nuvEM / nuvENS, imagEM / imagENS e não levam acento. Agora veja: hífEN / hifENS, pólEN / polENS, perdem o acento justamente para seguirem a maioria. Uma coisa é terminar em EN e tornar-se ENS, outra coisa é terminar em EM e tornar-se ENS, certo? Mas e as paroxítonas terminadas em ONS? Segue o acento por não ter nenhuma outra palavra paroxítona terminada em OM para pluralizarmos em ONS. Garanto que as palavras que você conhece e que sejam terminadas em OM são todas oxítonas e assim permanecerão no plural: bombom / bombons. Continuemos...

PS – fórceps, bíceps, tríceps, etc. Obviamente pelo fato das paroxítonas apresentarem o maior número de regras, devemos dar um “jeitinho brasileiro” para memorizarmos todas elas. Veja novamente as terminações e forme a frase:

USEI UM LIRÃOO X No Pronto-Socorro.

Sim, isto mesmo: eu usei uma lira (instrumento musical de cordas) enoooorme de uma marca qualquer no pronto-socorro. Observe novamente as terminações:

US EIUM L I R Ã O X No PS

(ditongo)

Proparoxítonas

Se as palavras paroxítonas acentuadas já eram raras como vimos, imagine o que acontece com as proparoxítonas? Palavras com a sílaba tônica localizadas na antepenúltima sílaba são mais raras ainda! Portanto, TODAS as palavras proparoxítonas devem ser acentuadas, sem exceção: ônibus, lágrima,

Acento diferencial

Alguns vocábulos tônicos recebem acento apenas para se diferenciarem dos que possuem a mesma escrita. Observe:

Sem acento Com acento

As palavras estão certas. Ás do volante perdeu a grande corrida.

Siga pela estrada. Péla de borracha.

Pêlo de barba. Entrada pelo portão principal.

Sempre que eu faço brigadeiro, pélo o meu dedo.

Vá para casaO carro pára na esquina.
Ele pode vencer mas é improvávelEle pôde vencer porque se esforçou.
Cidade pólo regionalO pequeno pôlo bateu as asas.
Venha por aquiVamos pôr combustível no tanque.

O uso ainda serve para diferenciarmos o singular do plural de alguns verbos: Ela tem chances na prova. / Elas têm chances na prova. O professor intervém sempre que necessário. / Os professores intervêm sempre que necessário.

Existem algumas palavras que não alteram o acento, mas devem duplicar a vogal E: Ele crê, mas eles não crêem.

Tomara que ele dê atenção a ela, e que eles dêem também. Ele lê notícias importantes, mas eles também lêem. Ele vê o mundo cor-de-rosa, mas eles não o vêem assim.

Entendeu? CRÊDE LEVE.
(crer)(dar) (ler)(ver)

Como guardar isso? Você pode não acreditar, mas todo bom aluno crê de leve nesta situação.

Ortografia (orto = correto; grafia = escrita)

É a parte da gramática que trata da escrita correta das palavras. E, com certeza, não é uma das partes mais fáceis de nossa Língua Portuguesa. Para começar, deve-se saber que o nosso alfabeto oficial é formado por cinco vogais e dezoito consoantes. Estão descartadas, portanto, as letras K, W e Y. Um dos obstáculos na aprendizagem é a interferência do excesso de estrangeirismo. Brasileiro adora modismos e isso não é segredo para ninguém. Colocar nome em filhos, como Kelly, Sheila e Washington, é uma prática constante. Mas, por outro lado, é difícil de se imaginar esses nomes adaptados à nossa ortografia oficial, como Quéli, Uóxinton e Cheila, não é mesmo? Para os substantivos próprios realmente o território é livre para criações. E quanto ao restante, aos comuns? O que muitos não sabem é que há várias adaptações já consagradas (outras ainda não consagradas, mas existentes) e palavras que passaram por uma reforma em 1943 (lembram-se da reforma citada na página 2?). Acredito que a dificuldade maior em aprender ortografia é a influência do cotidiano, carregado de erros. Você vai ao mercado, pega um ônibus, vai ao banco, lê placas de ruas, vai a um restaurante e está tudo errado! O que você será capaz de memorizar? O errado, que passa 24 horas pela sua frente, ou ver o que é certo estudando algumas horas por dia para uma prova? O maior incômodo para o estudante de ortografia é que há regras e regras, mas logo após ele decobre que há uma série de exceções. Então como obter um estudo eficiente? Eu sugiro que você comece a ter o hábito da leitura em sua vida. Durante a leitura de um texto responsavelmente bem escrito aparecerão palavras com X, SC, Z, J, G, Ç, etc. Pegue-as e procure os seus significados no dicionário; volte ao texto e releia o trecho com o significado achado; escreva a palavra umas cinco vezes num caderno reservado para esta finalidade. Faça isto, pelo menos umas três vezes por semana. É uma conhecida técnica de memorização por repetição. Outra maneira é verificar como é o substantivo primitivo da palavra a ser escrita, assim os seus substantivos derivados terão a mesma letra: rijo (enrijecer), gorja (gorjear, gorjeta), cheio (enchente), etc. Mas também é muito perigoso fazer disto uma regra fixa. Veja: anjo (angelical), catequese (catequizar), batismo (batizar), etc. Por esta você não esperava, heim?!?! Como eu já disse, há regras sim, mas há um caminhão de exceções. Seguem mais alguns exemplos.

Distinção Entre J e G 1. Escrevem-se com J: a) As palavras de origem árabe, africana ou indígena: canjica, canjerê, pajé, Moji, jirau, jerimum etc. Exceção: Sergipe. b) As formas dos verbos que têm o infinitivo em -JAR: despejar: despejei, despeje; arranjar: arranjei, arranje; viajar: eu viajei, que eles viajem, etc.

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