Formulando xampu com baixa irritabilidade

Formulando xampu com baixa irritabilidade

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Artigo Técnico

FORMULANDO XAMPUS COM BAIXA IRRITABILIDADE ART CS02 – 06/0

Daisy S. de Sanctis, Maria A. Diez e Eduardo J. de Palma Oxiteno S/A Indústria e Comércio

Formular xampus infantis, suaves ou de uso diário, requer componentes que, além de promover a limpeza dos cabelos, garantam baixa irritabilidade dérmica e ocular.

Considerando esta necessidade, foi avaliada a aplicação em xampus do tensoativo Monolaurato de Sorbitan com 80 moles de Óxido de Etileno (EO), que em solução aquosa apresenta índice “zero” de irritabilidade dérmica e ocular.

Tendo em vista esta característica, foram estudadas as propriedades físico-químicas do composto puro e em sistema contendo Lauril Éter Sulfato de Sódio (SLES), como tensoativo principal, e Alcanolamidas, Cocoamidopropil Betaína e Diestearato de Polietilenoglicol 6000, como coadjuvantes.

Os resultados obtidos indicam que o Monolaurato de Sorbitan 80 EO pode ser empregado como co-tensoativo em formulações de xampus, reduzindo drasticamente a irritabilidade ocular do tensoativo principal (SLES) e que, na presença dos coadjuvantes estudados, mantém os demais atributos desejáveis da formulação.

A questão de segurança dermatológica de xampus é de extrema importância. Os xampus devem ser seguros à pele e aos olhos.

Durante o processo de lavagem dos cabelos é comum o contato da formulação de xampus com a face e os olhos. Caso esteja adequadamente diluído, este contato pode não representar perigo, mas se acidentalmente ocorrer contato com o produto concentrado (em função do tipo de tensoativo empregado e sua concentração na formulação), sérios riscos envolvendo irritação da pele ou olhos passam a existir (1).

O reconhecimento deste fato introduziu um novo atributo às formulações de xampus, conhecido como “suavidade”. Este atributo tornou-se tão importante para a formulação quanto aqueles esperados inicialmente, como limpeza e condicionamento.

O conceito de xampu suave foi introduzido inicialmente no desenvolvimento de xampus infantis, sendo estendido posteriormente aos xampus para adultos, dos quais se espera baixa irritabilidade, favorecendo o uso diário ou ainda garantia de segurança a indivíduos com sensibilidade dérmica e ocular.

A suavidade do xampu é decorrente do tipo de associação dos tensoativos empregados na formulação. Cabe ao formulador, portanto, associar de forma adequada tensoativos que garantam formulações dermatologicamente seguras.

Uma amostragem de onze formulações de xampus infantis, disponíveis no mercado brasileiro, aponta a seguinte frequência de uso de tensoativos (tabela 1).

Tabela 1. Frequência de Tensoativos em Xampus Infantis.

Tensoativo %

Cocoamidopropil Betaína 80 Lauril Éter Sulfato de Sódio 80 Diestearato de PEG 6000 70

Monolaurato de Sorbitan 80 EO 45

Dietanolamida de Ácido Graxo de Coco 45

Lauril Éter Sulfosuccinato de Sódio 35 Tridecil Éter Sulfato de Sódio 10

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Em publicação anterior (2), alguns dos tensoativos citados com maior frequência na tabela 1, foram avaliados em solução aquosa (7% de ativo) quanto ao poder espumante, espessamento e irritabilidade.Os resultados obtidos são ilustrados na tabela 2.

Tabela 2 - Propriedades dos Tensoativos

Espuma ( 10,0 g/l ) Viscosidade(a) Irritabilidade

Tensoativo inicial (m) % de retenção em

5 minutos 25° C (cP)

Ocular Dérmica

NE= Não espessa (a) Viscosidade na presença de 6,0% de NaCl.

Conforme podemos observar, dos tensoativos estudados, o Monolaurato de Sorbitan 80 EO apresenta o menor índice de irritabilidade ocular, o que favorece seu emprego em formulações de xampus suaves. Apesar dessa característica, o Monolaurato de Sorbitan 80 EO apresenta poder espumante e espessamento reduzidos, o que limita sua indicação como único tensoativo ou como tensoativo principal da formulação.

Considerando esta limitação, ainda no trabalho já citado (2), o Monolaurato de Sorbitan 80 EO foi associado ao Lauril Éter Sulfato de Sódio, em diferentes proporções. O Lauril Éter Sulfato de Sódio foi escolhido para tal associação devido às suas excelentes propriedades de detergência e espuma, além da disponibilidade e baixo custo (1,3,4).

A proporção 80:20 (Lauril Éter Sulfato de Sódio/ Monolaurato de Sorbitan 80 EO) permite uma redução de 50% no índice de irritabilidade do tensoativo principal, mantendo seu poder espumante, embora com prejuízo do espessamento.

e a irritabilidade ocular

O presente trabalho tem como objeto de estudo a incorporação, neste sistema, dos tensoativos com propriedades espessantes mais comumente empregados no mercado, como a Dietanolamida de Ácido Graxo de Coco, Cocoamidopropil Betaína e Diestearato de Polietilenoglicol 6000, avaliando a influência destes sobre o poder espumante

I. PARTE EXPERIMENTAL I.1. Matérias primas

Para a realização dos testes de avaliação descritos neste trabalho, foram utilizadas as matérias primas relacionadas na tabela 3.

Tabela 3. Matérias primas utilizadas

Produto (nome CTFA) Nº do CAS Abreviação

Utilizada % de Ativos Descrição Química

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I.2. Misturas de Tensoativos Avaliadas

Foi avaliada a incorporação de diferentes quantidades, mais precisamente, 1,0%,2,0% e 3,0% de ativo, de cada um dos tensoativos AMIDA 90, CAPB E PEG-150 DS à uma solução da mistura SLES/PSL-80 na proporção 80:20 a 7% de ativo total.

I.3. Propriedades avaliadas

As propriedades avaliadas, respectivos métodos e equipamentos, estão relacionados na tabela 4. Estas propriedades foram determinadas para as misturas de tensoativos com pH na faixa de 6,5 a 7,0, ajustado com ácido cítrico, à temperatura de 25°C. A medida de poder espumante foi realizada em solução aquosa das misturas de tensoativos, a 10,0g/l, nas mesmas condições.

Tabela 4: Metodologia de avaliação

Propriedade Método Equipamento

Poder espumante ASTM D 1173/ 1980 Ross - Miles

Viscosidade NU 0136.0.86 Viscosímetro Brookfield Mod.LVT

Irritabilidade ocular INCQS 05/85

( Draize Scoring Method ) ------------

Algumas das principais características das formulações dos xampus infantis, citados no item I, foram determinadas e estão relacionadas na tabela 5.

Tabela 5. Características dos xampus infantis

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