Organização Industrial USP - Notas de Aula - Cap 07 Gestão de estoque

Organização Industrial USP - Notas de Aula - Cap 07 Gestão de estoque

(Parte 1 de 2)

7. GESTÃO DE ESTOQUES (Suprimentos ou Logística de Materiais) 7.1 – Controle do Estoque.

É a atividade na empresa que consiste em armazenar, abastecer, controlar, e alimentar de informações todos os setores de produção, de vendas, de compras e administrativos, quanto aos estoques disponíveis de matéria prima, insumos e todo tipo de material consumido na empresa. A administração de estoques da empresa é composta de uma cadeias de suprimento, normalmente definidas como o conjunto de empresas que transacionam produtos e informações entre si ao longo do processo produtivo, como fornecedor e comprador de todo tipo de necessidades ligadas à produção.

Apesar da tendência da gestão de estoques ser administrada sob a forma de Logística de Materiais e de sua atuação começar no fornecedor primário (mais próximo a terra) e terminar no varejo (mais próximo ao consumidor final), um grande número de empresas de pequeno e médio porte ainda controlarem seus estoques em almoxarifado, o conceito básico da sua função na empresa de abastecer e controlar pode ser representado por uma analogia de acordo com a Figura 26, conforme exposto a seguir.

Figura 26- Conceito básico de controle de estoque – Analogia com um tanque que recebe e fornece o material para a produção, aplicado para qualquer material, líquidos, sólidos ou gasosos.

A Figura 26 mostra um tanque onde é armazenado um produto (sólido, líquido ou gasoso) para abastecimento da fabricação de um produto qualquer em uma empresa genérica. O controle desse produto passa primeiramente pelo Estoque Máximo (EM) a ser adquirido e armazenado. Esse estoque (quantidade) é definido em função de parâmetros como disponibilidade financeira da empresa (df), disponibilidade do material no mercado (dm), parâmetros definidos pelo PPCP (p), condições de vendas (v), obsolescência do material (ob), vida útil do material, da Carteira de Compromissos de atendimento aos clientes, a curto, médio, e longo prazos (CA), etc.

EM = f (df, dm, p, v, ob, vu, CA,...)(27)

A definição do EM tem muita importância no que se refere aos recursos financeiros aplicados na sua aquisição e ao tempo (“Time is money”), em que esses recursos ficaram parados sob a forma de material dentro da empresa ou, até que, vendido sob forma de produto, o recurso da venda retorne aos cofres da empresa. Assim, a empresa buscará investir o mínimo possível em estoques, disponibilizando seus recursos para outras áreas, como expansão, pesquisas, tecnologias ou aplicar no mercado financeiro, como forma de reduzir os custos de produção. Os EMs de todos os materiais que entram (matéria-prima) e saem da empresa (produto acabado), inclusive os que estão em processo na linha de fabricação (produtos semi-acabados), teem que ser definidos periódica e individualmente.

Liberação para a produção

Estoque Máximo (EM)Abastecimento do estoque

Estoque Mínimo (Em) Estoque de Segurança (ES)

Nível do Ponto de Pedido

Lote de Suprimento ( LS )

O EM é também é agregado aos outros estoques necessários. Outro valor de estoque que deve ser definido e administrado é o Estoque Mínimo, “Em”, que também é uma função de parâmetros como: quantidade necessária para reposição de eventuais perdas na fabricação (rp), disponibilidade financeira da empresa (df), disponibilidade do material no mercado (dm), parâmetros definidos pelo PPCP (p), condições de vendas (v), obsolescência do material (b), sua vida útil, Compromissos de atendimento aos clientes, a curto, médio, e longo prazos (CA), disponibilidade para atendimentos emergenciais (de), etc.

Em = f (rp, df, dm, p, v, ob, vu, CA, de,) (28)

O “Em” definido em termos de recursos aplicados cuida principalmente das eventuais perdas de fabricação e das sobras, que podem ocorrer após o encerramento da fabricação e a não continuidade de fornecimento a clientes. As sobras quando bem planejadas podem se transformar em produtos disponíveis para próximos pedidos, amostras grátis e disponibilidades para atendimentos de emergência, ou em perdas por obsolescência, sucateamento e deterioração da vida útil, o que tem de ser evitado.

As empresas costumam também definir um outro estoque, chamado de Estoque de Segurança, ES, destinado a cobrir eventuais acontecimentos imprevistos, tais como: greves, oscilações prolongadas do mercado, dificuldades com fornecedores e de transportes, aumento de demanda não planejado, etc.

Mesmo as empresas que teem fornecimento com credenciamento “Just in Time”, buscam manter seus ES atualizados. Sempre que o ES for utilizado em parte ou no todo deve ser imediatamente reposto.

Importante também é definir o Nível de Estoque do Ponto de Pedido, NPP, que corresponde à quantidade de estoque que deve indicar o momento de pedir a reposição do estoque. O NPP é uma quantidade de estoque que deve equivaler ao tempo necessário para a reposição, considerando o consumo normal e sem lançar mão do Estoque de Segurança – o que pode ser feito quando necessário, mas não como rotina.

O tempo de reposição do material deve levar em conta os parâmetros: tempos de negociação e compra (tc), tempo de transporte (tp), tempos de inspeção e liberação (til), bem como os de devolução e substituição (tld) quando necessários.

NPP = f (tc, tp, til, tid)(29)

O nível de estoque NPP deve igualar o tempo de reposição do material com o tempo de consumo do material pela produção, isso é, o tempo de reposião tem que ser igual ao tempo para que o estoque sendo consumido atinja ao estoque mínimo, quando então o abastecimento deverá estar ocorrendo. Um pouco mais flexível que a administração do Estoque de Segurança, a administração do NPP tem a liberdade de usar do Estoque Mínimo por um período em que não coloque a continuidade da produção em risco e que sua reposição também seja levada em conta na reposição.

O Estoque de Suprimento, ES, pode ser definido então como aquele em que a quantidade a ser adquirida seja igual ao Estoque Máximo descontado o Estoque mínimo, somado ao Estoque do Ponto de Pedido e colocado a disposição da fabricação no tempo igual ao Nível do Ponto de Pedido.

LS = EM – ( Em + NPP )(30)

7.2- Tipos de Estoques Controlados

Matéria-prima Produtos em fabricação (semi-acabados) Peças acabadas (componentes adquiridos de terceiros) Produtos acabados e Materiais indiretos (insumos diretos e indiretos).

A Gestão desses estoques consiste no controle do estoque em geral, e no fornecimento de dados atualizados para o planejamento e todos os setores envolvidos, de item por item e a qualquer momento.

7.3- Principais Funções da Gestão de Estoques:

1. Fazer o cálculo do Estoque Mínimo. 2. Fazer o cálculo do Lote de Suprimento. 3. Fazer o cálculo do Estoque Máximo. 4. Emitir e manter atualizada a Ficha de Estoque. 5. Replanejar os dados quando necessário. 6. Emitir Pedidos de Compras para os materiais cuja compra lhe for delegada pelo PPCP. 7. Fornecer dados solicitados aos departamentos da empresa, em comum acordo com o PPCP. 8. Receber fisicamente o material junto com a nota fiscal ou nota de entrega e aguardar a liberação qualitativa para dar entrada no estoque e disponibilizar o material. 9. Identificar o material com o código da empresa. 10. Guardar e conservar o material. 1. Lançar entradas e saídas de materiais nas Fichas de Estoque. 12. Entregar materiais mediante Requisições. 13. Reservar materiais por meio de Notas de Empenho. 14. Manter atualizada e guardar a documentação entrada e saída de materiais. 15. Administrar e organizar o Almoxarifado.

7.4- Limitações das Equações de Estoque

acréscimo de custos na reposição urgente

1- Maximizar o Estoque Mínimo, Equação 28, significa trabalhar com valores MÁXIMOS para definir o “Em”, o que implica em maiores investimentos de capital com riscos de ocorrerem sobras de estoque no final da produção. 2- Minimizar o Estoque Mínimo, Equação 28, significa trabalhar com valores MÍNIMOS na equação, o que implica em menores investimentos de capital em estoque, porém com riscos de ficar sem estoque para abastecer a fabricação antes do final da produção. 3- Diminuir o tamanho do Lote de Suprimento, Equação 30, traz como conseqüência seu custo deixar de ser econômico em função da redução da quantidade negociada com o fornecedor. 4- Maximizar o Estoque Máximo, Equação 27, geralmente para aproveitar boas ofertas de matéria prima, implica em maiores investimentos e conseqüentemente riscos de obsolescência e perda em vida útil de materiais. 5- Minimizar o Estoque Máximo, Equação 27, implica em perdas de descontos nas negociações de compras dos materiais. 6- Estoque de Segurança mau dimensionado pode acarretar paradas da produção por falta de matéria prima e 7.5- Logística de Materiais

Palavra Logística vem do francês “Logistique”, é um termo de origem militar aplicado ao mundo dos negócios em tempos de guerras, relativo ao fornecimento e transporte de materiais para as frentes de batalhas. É conhecido como uma ciência militar desde o Exército Persa em 481 a.C. Ganhou importância empresarial no século X como a arte de comprar, transportar, receber, armazenar, separar, expedir o produto / serviço certo, na hora certa, no lugar certo e ao menor custo possível.

A Logística de Materiais deixou as paredes do almoxarifado, enquanto controle de estoques, para expandir-se por toda uma cadeia de negociações de compra x fornecimento que se inicia no produtor primário, na terra, acompanha todo o processo de fornecimento, de fabricação e vai terminar junto ao consumidor final.

Anos 60 já se falava em Logística empresarial na Europa e nos EUA. Na década de 70 o conceito sobre logística foi introduzido no Brasil através da Abertura Econômica com a entrada no País dos competidores externos (o conceito começou a ganhar força) e mais tarde expandiu-se com a estabilidade da moeda e o envolvimento com a Globalização.

Um programa completo de logística de materiais se envolve desde o acompanhamento e controles da produção das matérias primas ainda nos fornecedores primários, nos processos de beneficiamento, transporte e distribuição, recebimento, fabricação do produto, expedição e sua distribuição para consumo. Tem por prioridades a garantia do abastecimento e o custo final para a empresa.

A implantação da logística como hoje é conhecida, teve de passar por iniciativas como; - Informatização e integração do e-commerce na administração;

- iniciativas no setor automobilístico de movimentação e armazenamento de peças.

- Treinamento e educação em softwares específicos;

- Desenvolvimento e privatização de estradas, portos, ferrovias, terminais de contêineres, comunicação e investimentos em monitoramentos de cargas tornado praticável o “Just in Time” e - Integração Estratégica – Supply Chain Management.

As atividades Logísticas englobam as principais áreas de empresas, como: - Compras;

- Planejamento Estratégico;

- Administração e manipulação de materiais;

- Controle de custos;

- Inventários; e

- Serviços ao consumidor.

A logística de materiais envolve todas as áreas de oportunidades de trabalho em praticamente em todos os setores de economia. Afinal, sempre que houver uma operação de compra e venda (de produtos ou serviços), a logística está presente.

7.6- Logística Reversa.

Refere-se à devolução de um produto à sua empresa de origem, como por exemplo, os vasilhames de determinadas bebidas (cervejas), botijões de gás de cozinha, cilindros de gases industriais, palets, contêiners dentre outros produtos que entram no processo novamente. Atualmente, e cada vez mais, o retorno de produtos que contaminam o meio ambiente tendem ser incluído na administração logística reversa das empresas que os produzem, como ocorre com baterias, pilhas elétricas, pneus, sucatas e embalagens recicláveis.

Os custos da logística reversa devem ser minimizados e incluídos nos custos de fabricação tal qual o da logística de produção.

7.7- Posição da Gestão de Estoques no Organograma da Empresa

A posição da Gestão e Planejamento de Estoques no organograma de uma empresa deve ser preferencialmente a de subordinação ou de nivelamento com o da Programação, Planejamento e Controle da Produção (PPCP). Outras posições como as de subordinação a Depto. Comercial, Depto. Contábil-Financeiro, Depto. de Compras

Estoque [und.] Período

Estoque [und.] Período ou Depto. de Produção são as menos recomendas, pois poderá provocar desmandos e descumprimento do planejamento.

Da mesma maneira, a Gestão de Estoques de produtos acabados, prontos para a venda, também deve ser subordinado ao PPCP, não sendo recomendada à subordinação ao Depto. de Vendas, embora sejam intimamente relacionados.

7.8- Giro de Estoque

(Parte 1 de 2)

Comentários