Organização Industrial USP - Notas de Aula - Cap 01 Introdução

Organização Industrial USP - Notas de Aula - Cap 01 Introdução

1- INTRODUÇÃO

Organização Industrial para engenheiros é o estudo do trabalho nas empresas que se destinam à produção de bens e serviços. É um conjunto de procedimentos que busca a transformação de matérias primas e insumos em bens de consumo, com vistas a atender um mercado consumidor cada vez mais exigente e seletivo em preço, qualidade e novas tecnologias.

Esse curso de Organização Industrial foi elaborado para ser oferecido em escolas de engenharia, abrangendo suas diversas modalidades e focando preferencialmente os processos de fabricação industrial. Ele busca dinamizar o entrosamento da técnica de produção com a administração e mesclar as diferenças do conhecimento entre engenheiro e o administrador de empresas. O engenheiro é formado para transformar, através do trabalho, bens primários em bens de consumo, com técnica e precisão, enquanto o administrador busca os meios mais econômicos, a execução mais adequada do trabalho.

Geralmente o engenheiro, um técnico na concepção da palavra, exerce sua profissão exclusivamente como tal no início da carreira, período em que ele é denominado de estagiário e/ou trainee. Esse período leva em média de 4 a 5 anos, após sua inserção no mercado de trabalho, dependendo ainda de cada profissional. A partir do momento em que, além de suas funções técnicas, passa a se envolver com funções administrativas como as de custos, compras, vendas, de pessoal e de gerenciamento financeiros, passa então a ser mais um administrador, ou melhor, em engenheiro senior, ocupando cargos

de supervisão, gerente e diretor de empresasO profissional de engenharia não perde com isso as características da

graduação, soma a elas os conhecimentos da administração e da economia, exercendo então a profissão de Engenheiro Pleno, seja ele formado em engenharia mecânica, química, elétrica, naval, aeronáutica, de materiais, bioquímica, eletrônica ou de outras modalidades. O engenheiro acelera sua asserção em cargos e salários na empresa sempre que buscar especialização de conhecimentos em Administração de Empresas e em Economia, se transformando em um profissional que, além de trabalhar os bens, também sabe administrar esse trabalho com qualidade e a custos compatíveis com o mercado consumidor.

Este curso de Organização Industrial compila os conceitos básicos de administração e economia, enfatizando conhecimentos em:

administração de custos, administração de materiais, administração de pessoal, gerenciamento de projetos, gerenciamento de transportes, gerenciamento da produção, técnicas de planejamento, informação e controle, e noções de economia de mercado. O curso busca acelerar os conhecimentos do profissional em engenharia para inseri-lo melhor preparado no mercado de trabalho.

1.1- Empreendedor X Empregado – Uma tomada de decisão.

Nos últimos meses no banco escolar, a cabeça do estudante de engenharia passa por incertezas quanto ao destino profissional. Ele se pergunta:

Trabalhar como empregado ou montar uma empresa própria?

Essa é uma decisão que tem que ser tomada o quanto antes possível. A maioria dos jovens, no início de carreira não tem uma opinião bem formada a respeito. São poucos aqueles que ao se formarem numa escola de engenharia teem o desenvolvimento profissional planejado e traçado.

É primordial que se tome uma postura entre ser um empregado de uma empresa ou ser um empreendedor. As duas posturas não se misturam muito bem. Há pessoas que se dedicam a um trabalho como empregado, hoje chamado de colaborador, em uma empresa qualquer e se destaca na carreira, atingindo com o tempo a elevados cargos de chefia e direção. Só depende de competência, dedicação e busca por melhores cargos e salários. Outras, não conseguem viver como empregado, dentro de um mundo de obediência a ordens e cumprimento de rotinas. São pessoas que teem o dom do empreendedorismo e só se sentirão realizadas se estiverem no domínio do ramo de negócios. Não é raro tomar-se conhecimento de profissionais competentes que ao se aposentarem, no ímpeto de se coroarem profissionalmente, abrem uma empresa própria para fazer aquilo que passaram a vida toda fazendo com presteza e conhecimento. Transformam todos seus bens em recursos, inclusive os de parentes e, dão início ao sonho empreendedor. Grande parte das empresas assim fundadas fecha as portas logo nos 2 ou 3 primeiros anos de existência. A perda é lamentável e geralmente irrecuperável. Os vastos conhecimentos técnicos do profissional se chocam com a falta de conhecimentos administrativos dos negócios e com a inexistência das características de uma pessoa empreendedora. Existem vantagens e desvantagens em ambos os caminhos profissionais que precisam de uma análise apurada e cuidadosa. Para um profissional empregado, pode ser citado como vantagem o fato de trabalhar 8 horas por dias, 5 ou 6 dias por semana, 1 meses por ano, enquanto um profissional empreendedor tem que se dedicar até 18 horas diárias, 7 dias por semana e 365 dias por ano, muitas vezes se privando de férias e fins de semana, para estar a frente de seus negócios. Por outro lado, é desvantajoso para o profissional empregado se adequar a um salário, geralmente fixo, quando comparado com as retiradas “pro labore” dos empreendedores que, de modo geral, nisso levam vantagens. É evidente que o fator tempo de permanência no emprego ou no gerenciamento da empresa tem muita influência. Um profissional empregado precisa de alguns anos para se firmar e ser sua competência reconhecida, bem como o empreendedor também necessita de anos para ter sua empresa aceita no mercado.

Citam-se como exemplos de desenvolvimento profissional os talentos: João Marcelo Ramires, empregado, e Soichiro Honda um empresário, para mostrar que competência e persistência são fundamentais para o sucesso profissional.

O Sr. João Marcelo Ramires, brasileiro do Rio de Janeiro, aos 25 anos de idade foi nomeado diretor financeiro da Norsa, empresa do grupo Coca-Cola que atua no Nordeste. Aos 3 anos foi empossado gerente-geral da Refrescos

Guararapes, maior engarrafadora no Brasil da marca americana, após o que, aos 36 anos, em disputa com outros profissionais do mundo inteiro, foi escolhido para liderar 2 200 pessoas na Coca-Cola Cingapura, na Ásia. Por outro lado, um outro homem, o Sr. Soichiro Honda, investiu tudo o que tinha em uma pequena oficina. Trabalhou por anos dia e noite, inclusive aos domingos, na própria oficina empenhando também as jóias da esposa. Quando apresentou o resultado de seu trabalho a uma grande empresa, disseram lhe que seu produto não atendia aos padrões de qualidade exigida. Desistiu? Não! Voltou para a escola por mais dois anos, foi motivo de chacotas de colegas e professores que o tacharam de “visionário”. Após dois anos a empresa que o recusou finalmente fechou contrato com ele. Durante a guerra sua fábrica foi bombardeada e destruída por duas vezes. Reconstruiu, mas um terremoto novamente a arrasou. Essa foi a gota d’água? Desistiu? Não! Após a guerra, segui-se um período de grandes dificuldades com falta de combustíveis impedindo o deslocamento das pessoas com automóvel. Criativo, ele adaptou um pequeno motor em sua bicicleta e sai às ruas. Todos que o viram ficaram maravilhados e o procuraram para adquirir a novidade. Resolveu montar uma fábrica de pequenos motores. A demanda aumentou muito e logo ele fica sem recursos para atender às encomendas.

Como a idéia era boa, conseguiu apoio de mais ou menos cinco mil lojas para investimentos na sua fábrica. Hoje a Honda Corporation é um dos maiores impérios da industria automobilística japonesa, conhecida e respeitada no mundo inteiro. Tudo porque o Sr, Soichiro Honda, seu fundador, não se deixou abater pelos terríveis obstáculos que encontrou pela frente. Cursos e treinamentos para formação de empreendedores e lideres profissionais para empresas existem a centenas, qualquer pessoa pode ser preparada por eles, entretanto, uma boa dose nata das qualidades: vontade, competência, dom e perseverança são a porta de entra para o sucesso profissional.

1.2- A Origem da Organização Industrial

A partir de 1920, com o crescimento dos conflitos entre nações em disputa por poderes e riquezas, o homem passou a ter necessidades de gerar bens em quantidades cada vez maiores para atender a crescente atividade econômica do planeta. Hoje, se verifica que o mundo teve picos de desenvolvimento nos tempos de guerras e de reconstrução pós- guerras. Tempos em que as fábricas buscaram se organizar para atender as necessidades de abastecimento, obrigadas a produzir grandes quantidades de todo tipo de produtos em tempos recordes. Foi a partir da 2ª Grande Guerra Mundial que o homem mais acelerou as atividades econômicas gerando novas tecnologias, tendo como principal fator facilitador o

Computador, como fonte de informações e redutor do tempo. A figura abaixo editada pela Federal Reserve Board mosta a oscilação irregular do desempenho industrial nos últimos 80 anos.

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