NBR 14063 - 1998 - Óleos e Graxas - Tratamento em Efluentes de Mineração

NBR 14063 - 1998 - Óleos e Graxas - Tratamento em Efluentes de Mineração

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ABNT-Associação Brasileira de Normas Técnicas

NBR 14063ABR 1998

Óleos e graxas - Processos de tratamento em efluentes de mineração

Palavras-chave: Óleo e graxas. Tratamento de efluentes.Mineração. Meio ambiente 10 páginas

Origem: Projeto 01:602.07-007:1997 CEET - Comissão de Estudo Especial Temporária de Meio Ambiente CE-01:602.07 - Comissão de Estudo de Poluição das Águas na Mineração NBR 14063 - Oil and grease - Processes of treatment in mining effluents Descriptors: Oil and grease. Treatment of effluents. Mining environment Válida a partir de 01.06.1998

mento de oleos e graxas na mineração

Sumário Prefácio 1 Objetivo 2 Definições 3 Requisitos ANEXOS A Níveis de tratamento de óleos e graxas B Descrição dos níveis e técnicas do sistema de trata- C Seqüência de tratamento de óleos e graxas D Tratamento dos resíduos sólidos impregnados de óleos e graxas E Bibliografia

Prefácio

A ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas - é o Fórum Nacional de Normalização. As Normas Brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros (CB) e dos Organismos de Normalização Setorial (ONS), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas por representantes dos setores envolvidos, delas fazendo parte: produtores, consumidores e neutros (universidades, laboratórios e outros).

Os Projetos de Norma Brasileira, elaborados no âmbito dos CB e ONS, circulam para Votação Nacional entre os associados da ABNT e demais interessados.

Os anexos A, B, C, D e E desta Norma são de caráter informativo.

1 Objetivo

Esta Norma caracteriza processos de remoção de óleos e graxas, de origem mineral, visando fornecer subsídios à elaboração de projetos de tratamento de efluentes de mineração, atendendo aos padrões legais vigentes (máximo de 20 mg/L), às condições de saúde ocupacional e segurança, operacionalidade, economicidade, abandono e minimização dos impactos ao meio ambiente.

2 Definições

Para os efeitos desta Norma, aplicam-se as seguintes definições.

2.1 afluente do sistema de tratamento: Fração líquida, sólida e gasosa que entra em um sistema.

2.2 dispersões mecânicas: Distribuições de pequenas gotículas de óleo, cujo diâmetro pode variar desde micras até frações do milímetro, e que apresentam estabilidade devido a forças de interações elétricas e forças outras que as devidas à presença de materiais que modificam a tensão superficial.

2.3 efluente do sistema de tratamento: Fração líquida, sólida e gasosa emergente do sistema.

2.4 emulsão: Mistura líquida heterogênea de duas ou mais fases, normalmente não miscíveis entre si, mas mantidas em suspensão uma na outra, por forte agitação ou por emulsionantes que modificam a tensão superficial.

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2.5 emulsões estabilizadas quimicamente: Distribuições de gotículas de óleo, semelhantemente às dispersões mecânicas, mas que apresentam uma estabilidade adicional devido às interações químicas, tipicamente causadas por agentes que modificam a tensão superficial, presentes na interface óleo/água.

2.6 flotação: Arraste da matéria em suspensão no meio líquido até a superfície do mesmo.

2.7 óleos e graxas: Grupos de substâncias, de origem mineral, que incluem gorduras, graxas, ácidos, graxas livres, óleos minerais e outros materiais graxos, determinados em ensaios padronizados.

2.8 óleo dissolvido: Gotículas de óleo verdadeiramente dissolvidas na água do ponto de vista químico, mais as gotículas dispersas de óleo (geralmente menores que 5 µ), de tal modo que a remoção pelos processos físicos normais (tais como filtração, coalescência, repouso gravimétrico) é impossível.

2.9 óleo livre: Óleo com tamanho de gotículas na faixa de 10 µ a 2 0 µ, que ascende rapidamente à superfície da água, passado um pequeno tempo de repouso.

2.10 óleo emulsionado: Mistura de óleo e água, com tamanho de gotículas menor ou igual a 10 µ, cuja separação não se faz facilmente e é ajudada por processos químicos e filtros de coalescência.

2.1 sedimentação: Processo de deposição, por gravidade, dos sólidos suspensos nas águas residuárias. É obtido, normalmente, pela redução da velocidade do líquido, abaixo do ponto a partir do qual pode transportar o material suspenso.

2.12 separação de óleos e graxas: Retirada de óleos e graxas da superfície das águas residuárias por processos físicos e químicos.

2.13 separador API: Tanque separador de óleo mineral, tipo “American Petroleum Institute”, projetado de tal forma que o material flutuante (de baixa densidade) ascenda e permaneça na superfície para ser removido.

2.14 sistema de tratamento: Conjunto de estruturas, dispositivos, instalações, equipamentos e aparelhos diversos, de maior ou menor complexidade, para tratamento de águas contendo óleos e graxas.

2.15 virtualmente ausente: Geralmente se refere a limite de concentração de óleos e graxas menor que 1 mg/L. Entretanto, cabe ao órgão competente, quando necessário, quantificá-los para cada caso.

3 Requisitos 3.1 Condições gerais

Óleos e graxas lançados no meio ambiente podem apresentar odor questionável e aparência indesejável, o perigo em potencial de se queimar na superfície dos efluentes e com isto causar acidentes, além de consumir o oxigênio necessário a muitas formas de vida na água, caso o efluente seja lançado em cursos d’água. Óleos e graxas, normalmente, contêm compostos metálicos solúveis e insolúveis. Esta Norma não trata das respectivas extrações destes compostos.

3.2 Condições específicas

Esta seção trata das recomendações e condicionantes específicos de caráter orientativo, visando atender aos objetivos desta Norma.

Na elaboração e implantação do projeto de remoção de óleos e graxas, devem ser atendidos os padrões estabelecidos na legislação ambiental para lançamento de efluentes e de qualidade de água. Devem ser observados os seguintes condicionantes:

a)controle dos produtos químicos empregados na lavagem e limpeza de equipamentos e máquinas contaminados com óleos e graxas, tais como os detergentes, desingraxantes e surfatantes biodegradáveis. Deve-se exigir do fornecedor um certificado de qualidade comprovado do produto, incluindo a listagem dos componentes químicos dos mesmos e parâmetros técnicos necessários para armazenamento e descarte final, que devem ser compatíveis com os critérios de não agressividade à saúde humana e meio ambiente; b) uso de um pré-sedimentador como parte do sistema de tratamento para a redução dos sólidos sedimentáveis; c) desvio de águas pluviais para fora do sistema de tratamento de óleos e graxas; d) o sistema de tratamento de óleos e graxas deve ser, preferencialmente, coberto; e) é importante que o esgotamento do afluente não sofra movimento brusco e que seja garantido movimento laminar; f) o movimento turbulento deve ser evitado, tais como os causados por bombas e desníveis; g) o sistema de tratamento deve ser monitorado; h) recomenda-se a implantação da pré-lavagem com tratamento primário do efluente, em separado das demais unidades geradoras de óleos e graxas, tais como as oficinas e postos de abastecimento; i) o óleo usado contém compostos contendo metais solúveis e insolúveis e para se atender a padrões ambientais internacionais vigentes, tais como RCRA (Resource Conservation and Recovery Act) do EPA (Environmental Protection Agency), recomenda-se a desmetalização do mesmo, antes de reciclá-lo.

3.3 Dificuldades metodológicas

A principal dificuldade em estabelecer orientações para projetos de norma em óleos e graxas reside na complexidade química e interações mecânicas da água e substâncias contendo óleos e graxas. As cinco categorias abaixo descrevem os diferentes modos nos quais óleos e graxas podem existir na água: óleo livre, dispersões mecânicas, emulsões estabilizadas quimicamente, óleo dissolvido e o óleo que adere à superfície de partículas sólidas e que é referido nesta Norma como “material sólido encharcado de óleo”.

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O grau de dificuldade de um problema de separação óleo/ água é, então, uma função da distribuição granulométrica do óleo (distinguindo-se óleo livre de dispersões de óleo), da presença de agentes surfatantes, de óleos dissolvidos e sólidos encharcados de óleo. A maior parte dos problemas envolve mais a parte química diferenciada do óleo, e eles têm uma gama de diferentes efeitos no tratamento necessário.

3.4 Sistemas de tratamento de efluentes contendo óleos e graxas

Os sistemas de tratamento de efluentes contendo óleos e graxas podem envolver vários níveis de tratamento. No nível primário, um tratamento inicial é usado para separar o óleo livre do óleo disperso, emulsificado e frações solúveis. É também usado para remover os sólidos encharcados de óleos/graxas.

Os processos comuns de separação utilizam as técnicas de sedimentação, flotação e técnicas relacionadas com a centrifugação.

No nível secundário de tratamento são usadas técnicas que visam a quebra das emulsões óleo/água e também para remover o óleo disperso. As técnicas mais comuns empregadas no nível secundário consistem no tratamento químico e na coalescência.

Existe um nível terciário de tratamento, que consiste na remoção de frações de óleo finamente dispersas e solúveis. O tratamento terciário inclui a ultrafiltração e o tratamento biológico.

A tabela A.1 do anexo A apresenta os níveis de tratamento mais utilizados na prática corrente, as técnicas envolvidas por nível de tratamento, bem como uma descrição sucinta da faixa de aplicabilidade das respectivas técnicas por nível de tratamento.

O anexo B apresenta uma descrição pormenorizada dos níveis e técnicas comumente usados no sistema de tratamento dos óleos e graxas na mineração. O anexo C apresenta sugestão de seqüência de tratamento de óleos e graxas na mineração, objetivando-se a obtenção de um efluente final com concentração de óleos e graxas menores que 20 mg/L.

O anexo D apresenta técnicas de tratamento dos resíduos sólidos impregnados de óleos e graxas.

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