A diaética dos campos sociais na interpretação daproblemática ambiental

A diaética dos campos sociais na interpretação daproblemática ambiental

(Parte 2 de 4)

“existe apenas a natureza colocada diante de nós no conhecimento perceptivo. (...) as leis científicas, se verdadeiras, são enunciados sobre entidades das quais adquirimos conhecimento por estarem na natureza, e que se as entidades às quais se referem os enunciados não forem encontradas na natureza, os enunciados a seu respeito não tem relevância para ocorrência puramente natural”.

Esta característica do conhecimento perceptivo, enquanto reconhecimento posterior de uma estrutura de eventos a qual se dá o nome de natureza, pode ser verificado através da análise dos inúmeros casos de objetivação da problemática ambiental em espaços sociais onde o modo de vida urbano-industrial não tenha ainda se consolidado completamente. Afinal, se se aceitar a afirmação de Chauí (1999: 125), de que “a percepção não é causada pelos objetos sobre nós, nem é causada pelo nosso corpo sobre as coisas: é a relação entre elas e nós e nós e elas”, vê-se como é importante atentar para o fato de que a segregação de subjetividades constitui matéria-prima de toda e qualquer produção cognitiva por parte dos indivíduos, de sistemas de representações, de sensibilidades etc. (GUATTARI, 1996 apud PAIVA, 2000: 35).

No caso específico da temática do meio ambiente como realidade ao mesmo tempo concreta e inventada, Coelho (2002: 32) alerta que,

“por mais que um determinado ator insista em estabelecer a conexão direta entre problemática ambiental e sua condição objetiva, no decorrer do seu discurso, aqui e ali, em suas definições e argumentações, vislumbra-se sua faceta subjetiva. [Entretanto], torna-se explícito que, agregada a tal percepção objetivista, se tem, sempre, uma construção social específica que, no decorrer, materializar-se-á em distintas ‘problemáticas ambientais’”.

Em última análise, visto que “a abstração ou a teoria, enquanto atividades cognitivas, têm (...) uma origem eminentemente prática” (LEVY, 1993, p.71), isto quer dizer que este mesmo sistema de representações sobre o meio ambiente existirá

A dialética dos campos sociais na interpretação da problemática ambiental – C H. G J A não só como discurso, mas se materializará em verdadeiras redes sociotécnicas que, porém, e a despeito desta mesma materialidade, continua sempre se revelando como um formigueiro de sentidos. Tais desdobramentos são visíveis, por exemplo, em casos como: a implantação de uma reserva ecológica; a abertura de um escritório local por uma secretaria estadual do meio ambiente; a instalação de uma organização nãogovernamental; a atuação da fiscalização de um órgão ambiental; a criação de um departamento do meio ambiente por prefeituras locais; os processos erosivos e de assoreamento de rios; e, até mesmo, através da valorização estética, por exemplo, de paisagens rurais compostas de penhascos, desfiladeiros, cachoeiras, lagoas e, porque não dizer, das populações nativas que vivem nestes lugares; enfim, em tantas coisas que, nestas realidades, existem e, acima de tudo, são percebidas em sua concretude e não apenas como realidade imaginada.

Além disso, como mais uma vez revela Levy (1993: 16), os produtos das ações humanas – e até certo ponto as próprias ações humanas – e os dispositivos técnicos20 pelos quais o mundo torna-se algo ordenado e dotado de significado, “longe de adequarem-se apenas a um uso instrumental e calculável, são importantes fontes de imaginário, entidades que participam plenamente da instituição de mundos percebidos”. Isso implica considerar que os seres humanos, ao fazerem uso (ou ao simplesmente tomarem consciência – por exemplo, em pensamento – da sua existência) de qualquer artefato, objeto ou até mesmo ser vivo que esteja a sua volta, não estarão livres da multiplicidade dos efeitos premeditados que tais entidades percebidas possam causar em termos de estruturações mentais, de representações da realidade vivida e, evidentemente, de comportamentos e ações cotidianas.

Neste sentido, fica difícil aceitar que os desdobramentos e os eventos relacionados ao meio ambiente sejam meras invenções sociais abstratas pairando em uma espécie de éter cultural que, por sua vez, venha a determinar as ações humanas. Afinal, a pergunta que fica neste caso é: seria possível agir no mundo social sem que estas ações estivessem baseadas na visualização de situações concretas e sensorialmente perceptíveis?; e onde, a todo o momento, componentes subjetivos e objetivos, a problemática do concreto e do imaginado, da realidade e do pensamento, do objeto em si e da coisa socialmente inventada etc. se ajustam e se amalgamam conforme diferentes sobreposições, distanciamentos, visões e dispositivos? Se a abstração é algo inerente a qualquer pensamento cognoscitivo e, sobretudo, uma operação que permite que alguma coisa seja escolhida como objeto que mereça atenção e observação (e, eventualmente, modificação), é preciso também que esta mesma “coisa” (que, neste caso, por exemplo, pode ser um evento qualquer relacionado a algum processo de “degradação ambiental”) esteja lá, ou melhor, que ela aconteça, efetivamente, para que possa ser percebida e, quem sabe, estudada, pesquisada, transformada, enfim, resolvida.

Ao se refletir sobre os desdobramentos vinculados às três possibilidades de compreensão até aqui explicitadas, pensa-se como alternativa interpretativa que

Ambiente & Sociedade – Vol. VIII nº. 2 jul./dez. 2005 seria possível analisar a problemática ambiental a partir de uma concepção que, por um lado, reconhecesse a efetividade e a influência ativa de certos eventos concretos ligados ao que se convencionou chamar de meio ambiente e que, por outro, considerasse tais fatos como sendo algo observado e filtrado (o que significa empreender escolhas) no pensamento humano de acordo com as condições históricas e socioculturais em que estes mesmos fatos foram produzidos; e isto sem deixar de considerar, evidentemente, que também estão em ação todo o rol de especificidades psíquicas que envolvem a subjetividade própria de cada agente quando este interpreta sua realidade vivida e sobre ela atua. Deste modo, e tendo o cuidado de evitar ler tais acontecimentos como sendo o resultado de um processo já previamente determinado ou inscrito, mesmo que em latência, nas ações de protoambientalistas historicamente incompreendidos, seria possível refletir sobre a problemática ambiental sem negar os elementos objetivos que marcam sua existência, mas tendo o cuidado de perceber que os “fatos” normalmente classificados como ambientalmente importantes são também inventados e permanentemente presentificados através de ressignificações as mais diversas.

De forma análoga, portanto, esta invenção de uma questão ambiental global não se resume apenas à formação de um novo discurso (“ecológico”, “ambiental”, “sustentável” etc.) derivado da conjunção de certas forças etéreas pairando acima da realidade, mas se estrutura e se institucionaliza (se constrói ao mesmo tempo em que se encontra já construída) a partir da constante configuração do que aqui se denominou por campo ambiental em construção. Contudo, este espaço prático/discursivo, estando sempre em processo de formação (o que inclui a possibilidade permanente de desconstrução do próprio campo), funciona com uma certa autonomia relativa21 em relação aos demais campos sociais. Esta característica, aliás, permite inserir como elemento de análise os papéis diferenciados que cada agente participante dos debates ambientais desempenha no sentido da estruturação e valorização de certas práticas e modos de pensamento em detrimento de outras, o que implica, por sua vez, considerar as especificidades existentes em termos das suas trajetórias sociais, posições que ocupam, instituições a que pertencem ou grupos com quem se identificam etc.

Além disso, do mesmo modo que o debate em torno dos temas ambientais não pode ser reduzido nem a simples “tomada de consciência” da população mundial (ou de parte dela) devido às conseqüências nefastas do modo de vida das sociedades contemporâneas, nem a uma espécie de acúmulo histórico de saber e de influência política de ambientalistas bem intencionados, ele não se encontra condicionado a uma lógica ditada por macro-estruturas sobredeterminantes. De fato, se todas estas dimensões devem ser consideradas como tendo um papel importante na conformação de um relativo consenso e de uma preocupação muito mais explícita, integrativa, refletida e instrumentalizada – estabelecendo, portanto, o que se conhece como senso comum – sobre os desdobramentos das relações entre ser humano e o ambiente em que ele vive, seria ao menos prudente reconhecer, em primeiro lugar, os limites e a amplitude que tais posturas apresentam quando tentam explicar transformações ocorridas ao longo do tempo em termos de valores e modos de vida e, sobretudo, o

A dialética dos campos sociais na interpretação da problemática ambiental – C H. G J A caráter intimamente relacional em que se acham culturalmente inseridos e socialmente entranhados.

Neste sentido, apesar do uso do conceito de campo ambiental em construção/ desconstrução permanente apoiar-se na concepção de campos sociais proposta por Bourdieu (1996)2, sua utilização é, no caso do presente trabalho, decorrente, sobretudo, das proposições já desenvolvidas por Carvalho (2001), especificamente para o caso da problemática ambiental. Assim, segundo esta autora:

“Com a noção de campo ambiental interessa circunscrever certo conjunto de relações sociais, sentidos e experiências que configuram um universo social particular. Conforme Bourdieu (1989), a noção de campo social evoca um espaço relativamente autônomo de relações sociais historicamente situadas, que produz um certo conjunto de valores, uma ética, traços identitários de um sujeito ideal, naturaliza certos modos de ver e se comportar que põem em ação as regras do jogo do campo. Enquanto um espaço estruturado e estruturante, o campo ambiental inclui uma série de práticas políticas, pedagógicas, religiosas e culturais, que se organizam de forma mais ou menos instituídas seja no âmbito do poder público, seja na esfera da organização coletiva dos grupos, associações ou movimentos da sociedade civil; reúne e forma um corpo de militantes, profissionais e especialistas; formula conceitos e adquire visibilidade através de um circuito de publicações, eventos, documentos e posições sobre temas ambientais” (CARVALHO, 2001: 5).

Tomando-se esta perspectiva, a problemática ambiental atual institui-se através de um acúmulo de subjetividades cujo processo dá corpo a uma “história incorporada” ou a um habitus (BOURDIEU, 1998). Em decorrência disso, o campo ambiental em formação se reestrutura, ao mesmo tempo em que já se encontra relativamente estruturado, a partir de todo um conjunto de idéias, práticas e princípios (morais, religiosos, ideológicos, econômicos, étnicos etc.) sobre a qualidade das relações que envolvem seres humanos e aquilo que, dependendo do contexto, considerar-se-á algo não-humano (como é o caso típico, por exemplo, da conotação subjacente a termos como “meio natural”, “natureza intocada”, “mundo selvagem”)23. Tais modos de pensar, de agir e de classificar o mundo se encontram já historicamente calcinados no interior destes mesmos habitus, de modo que as delimitações e possibilidades aí circunscritas acabam sendo incorporadas nos agentes através de suas atitudes, ações e discursos. São estes diferentes modos de pensar e de agir – os quais, por sua vez, concorrem permanentemente à hegemonia dos significados sobre a problemática ambiental – que irão, em última análise, dar corpo, forma e permitir aos habitus materializarem-se no fazer cotidiano das pessoas e, se se levar em conta o contexto das sociedades contemporâneas, nas transformações que envolvem o universo das coisas ou dos elementos vivos e não-vivos vistos como não-humanos.

Por outro lado, esta situação implica em também considerar a importância de toda a carga simbólica sobre meio ambiente arraigada no pensamento humano no decorrer do tempo. Isso, porque quando se buscam outros usos e outras valorações morais, por exemplo, para os “elementos da natureza” ou ainda para a “condição

Ambiente & Sociedade – Vol. VIII nº. 2 jul./dez. 2005 humana” nesta mesma natureza, os significados a serem produzidos, além de apropriações criativas, em certa medida inovadoras, são igualmente presentificações de um passado que contém o espaço das significações possíveis de serem construídas. Sobre este processo constante de ressignificação e de extensão de sentidos para o caso da problemática ambiental, poder-se-ia, apenas a título de ilustração, pensar-se, por exemplo, em certas tradições inscritas na concepção de natureza viva e pensante dos gregos pré-socráticos; na compreensão iluminista de uma natureza controlada pela razão; nos sentimentos idílicos e arcadianos de apego à terra no século XVII; nas sensibilidades românticas oitocentistas de (re)encantamento do mundo; na nostalgia cristã à procura do Éden, depois transformado em uma suposta “natureza intocada” pelos preservacionistas norte-americanos do século XIX; nos movimentos contraculturais e contestatórios iniciados nos anos 1960; ou, ainda, na revalorização, sob o signo do Small is Beautiful, de modos de vida praticados pelas populações tradicionais durante a década de 1970 (CARVALHO, 2001; LARRÈRE & LARRÈRE, 1997).

Enfim, isto representa dizer que, no centro das representações sobre a problemática ambiental, subjetividades surgem no digladiar de forças sempre presentificadas que, contrariamente ao que se poderia pensar, nem desaparecem com a possibilidade de construção de um futuro sempre novo, nem se perpetuam como uma espécie de passado que se vai acumulando em direção ao infinito, mas permanecem vivas e ressignificadas através da geração de novos habitus que, por sua vez, são, ao mesmo tempo, realidades instituídas e instituintes de valores, comportamentos, relações de poder, conflitos e, obviamente, ordenamentos, regras, normas, padrões de conduta, etc.24. E, do mesmo modo que o meio ambiente (mas bem poderia ser a razão, a verdade, a realidade etc.) pode ser construído histórica e socialmente, esta invenção materializase objetivamente nas coisas, isto é, na linguagem, nas novas tecnologias, nos desastres ecológicos, nas instituições ligadas à preservação do meio ambiente, na poluição em geral e nas alterações climáticas globais.

Uma comprovação disso revela-se na possibilidade de se conseguir identificar práticas e comportamentos como sendo “ecológicos”. No caso específico, por exemplo, de certos agricultores, mesmo que estes anteriormente já adotassem um manejo semelhante ao que hoje se considera adequado do ponto de vista ambiental, suas ações não eram até bem pouco tempo vistas deste modo. E isto, por sua vez, somente se tornou possível devido a um processo de ressignificação daquilo que até então eram consideradas práticas “ecológicas”25. Afinal, há 30 anos uma pequena roça de milho crioulo consorciado com feijão, feita em um sistema de rodízio em que a área cultivada permanecia em pousio por mais de 10 anos e onde não se usava nenhum tipo de adubação de origem sintética ou controle químico de pragas seria, por um grande número de pessoas, vista como um sinônimo de atraso ou, ainda, como a negação do progresso devido, entre outras razões, à falta de conhecimento, à fraca capacidade de responder às inovações, à incompetência ou à teimosia do agricultor em questão. Porém, a partir deste processo de revalorização, muitas das práticas associadas a este sistema de cultivo puderam passar, para um número crescente de pessoas, a ser vistas agora como positivas se comparadas, por exemplo, a um outro sistema de cultivo baseado

A dialética dos campos sociais na interpretação da problemática ambiental – C H. G J A na ocupação de grandes áreas com monocultivo de soja, e onde se usam elevadas quantidades de agroquímicos (aliás, prática esta que durante muito tempo, foi junto com o trator um dos símbolos mais fortes daquilo que devia ser considerado como sendo técnicas “modernas”).

Mesmo que no campo técnico-científico, as práticas do tipo como as adotadas neste último caso possam, ainda hoje, continuar sendo vistas pela maior parte dos especialistas como técnicas perfeitamente apropriadas do ponto de vista do uso dos recursos naturais (COELHO, 2001), só foi possível, para as vozes dissonantes que se opunham aos sistemas de produção então chamados de “convencionais”, construir “alternativas” e consolidá-las enquanto práticas pertinentes (tanto do ponto de vista econômico-produtivo, como do ponto de vista socioambiental) devido à construção e incorporação de outros modos de pensamento. E estes, por sua vez, representam a instituição – e o reconhecimento como algo pertinente de ser colocado em questão por aqueles que dominam a produção de significados neste mesmo campo – de habitus concorrentes e que se objetivam na formação de novos espaços de disputas prático/discursivas. Ora, se tal ressignificação – que, é importante atentar, resultou e continua ocorrendo em meio a lutas e conflitos, por vezes extremos e dramáticos, muito diferenciados e que se interpenetram – não tivesse se processado, não seria possível aos agricultores, e mesmo àqueles que apostam na possibilidade de construção de um modelo “ecológico” (ou “agroecológico”, “orgânico” etc.) de produção agrícola, promover a consolidação (enquanto prática cotidiana de pensar e de agir) destas outras formas de apropriação do meio físico e biológico. Enfim, não teria sido possível nem mesmo trazer à tona este capital social26 ou, ainda, estes saberes e experiências historicamente já incorporados há muito tempo por uma substantiva diversidade de grupos sociais – e que deve ser o caso, especialmente, de muitos agricultores vivendo em realidades extremamente diferenciadas27.

Dito isso, poderia-se perguntar: mas, afinal, o que concretamente estaria em jogo atualmente dentro do amplo espectro de relações que ao mesmo tempo limitam e abrem o espaço de possibilidades (do dizível e do indizível) instituintes e instituídas, respectivamente, no e pelo campo ambiental em construção? Quais seriam os agentes mais envolvidos e interessados neste processo e que contradições seus participantes buscariam resolver? Segundo a perspectiva apresentada, pode-se dizer, de maneira geral, que está em jogo, na luta ideológica e social travada entre as diferentes posições dentro do campo ambiental, a própria determinação do que deveria ser considerado “relevante” ambientalmente falando e, a partir daí, o que deveria ser visto como “correto” em termos de políticas ambientais. No centro desta luta, a principal oposição que nutre os conflitos decorrentes provém, de um lado, da idéia de que seria preciso preservar alguma coisa (preservação) e, de outro, da premissa de que seria necessário utilizar, para alguma finalidade, esta mesma coisa (utilização)28. E, contemporaneamente, esta “coisa” é normalmente, dependendo do contexto e da conjugação de forças em ação, designada como sendo o “meio natural”, a “natureza”, os “recursos naturais”, a “biosfera”, ou, ainda, algo menos palpável, como “as gerações futuras” e a própria “humanidade”. Sob esta perspectiva, como fica fácil perceber, a polaridade que se

Ambiente & Sociedade – Vol. VIII nº. 2 jul./dez. 2005 instala entre a necessidade de uso de tais recursos disponíveis no meio ambiente29 e a urgência de preservá-los funciona como um componente desencadeador de inúmeros atritos. Enfim, será com base nas disputas dos agentes por maior legitimidade junto à construção de um sentido comum sobre a problemática ambiental que se irá buscar dizer “o quê” deveria ser preservado ou utilizado e “de que forma” deveria ser esta preservação ou utilização (GERHARDT, 2002).

Por outro lado, é evidente que estas escolhas e, é claro, os fatos que deverão ser vistos como ambientalmente relevantes – pois qualquer fenômeno necessita ser reconhecido como “fato” para que possa existir e ser criticamente apreciado – irão agregar significados e relações que se estabelecem de acordo com múltiplas interações que incluem, por exemplo: as percepções/práticas (representações) específicas dos agentes e grupos sociais interessados (o que implica considerar elementos psicológicos próprios de cada um ou, ainda, ligados às especificidades das suas trajetórias sociais); as posições por eles ocupadas nos diferentes extratos sociais (o que pressupõe levar em conta as assimetrias de poder existentes em qualquer núcleo social); as ações e diretrizes das entidades que se acham instituídas (e que têm o poder simbólico reconhecido socialmente do fazer e do dizer) para tratar dos temas ambientais; os interesses econômicos envolvidos (e que tendem a abrandar as prerrogativas dos especialistas ambientais ou mesmo com elas concorrer no que tange ao reconhecimento simbólico de suas competências); bem como as diversas formas organizacionais (ONG’s, movimentos sociais etc.) que, ora se aliam (pois elas mesmas podem exercer o papel de instituição), ora se opõem aos procedimentos destes mesmos órgãos competentes.

Um exemplo interessante sobre este aspecto de conflito derivado da luta por uma definição legítima do que interessa em termos de problemática ambiental pode ser visto em Coelho (2002) para o caso específico do campo técnico-científico ligado à agricultura. Neste estudo, a autora elege como eixo analítico para suas reflexões a identificação de dois padrões discursivos contrários: de um lado, apareceriam aqueles que exaltam o “mau uso da técnica” como gerador dos problemas ambientais e que, como solução, apostam na possibilidade de haver uma “boa ciência” (esta, ideologicamente asséptica) que dê conta destes problemas; de outro, encontrar-seíam aqueles que apóiam seus discursos na crítica ao “modelo de agricultura moderna” visando buscar a sua superação, na consolidação da “agroecologia” como uma ciência, ou ainda na utilização da problemática ambiental como um poderoso arsenal de transformação da sociedade. O que interessa perceber, no entanto, é que este estudo demonstra de uma maneira muito perspicaz como os agentes de ambos os lados irão pretender, baseados em argumentos os mais diversos (cientificidade, eficiência tecnológica, sustentabilidade, segurança alimentar ou ainda racionalidade), a todo o momento definir o que deve ser “a verdade” em relação às práticas agronômicas e suas conseqüências para o meio ambiente. Segundo a autora,

“Dominantes e dominados no campo, através da evolução de argumentos e a conseqüente constituição de estratégias, guiam-se, invariavelmente, pela tentativa de legitimar/afirmar suas proposições, ou seja, proposições

A dialética dos campos sociais na interpretação da problemática ambiental – C H. G J A englobadas no seu espaço de domínio do campo tecnocientífico. (...). Do lado dos dominantes, não é a incorporação de uma “preocupação ambiental” o elemento capaz de provocar o abalo de uma orientação produtivista e da supremacia da “boa ciência” como a instância promotora de legitimidade no campo tecnocientífico. Por sua vez, os opositores tentam se fazer valer da dimensão ambiental como mais um elemento a engrossar o seu arsenal de críticas ao modelo de modernização, bem como uma forma de impulsionar a visibilidade e legitimidade da agroecologia. (...). Para tanto, sua proposição não pode ser contestada pelo viés ambiental, ao contrário, deve assumir a forma ‘ambientalmente correta’” (COELHO, 2002: 135-136).

Em linhas gerais, o principal mecanismo atuante neste processo – o qual pode igualmente ser estendido para o caso da instituição e consolidação de um campo ambiental em permanente formação – reside na própria repetição cotidiana, contínua das principais idéias sobre meio ambiente e sua conseqüente apropriação pelo senso comum. Assim, em se tratando dos inúmeros temas específicos relacionados de alguma forma à problemática ambiental, ou seja, aquilo que está sendo considerado “problema ambiental”, será através desta articulação repetitiva de acostumação dos dizeres discursivos e das ações empreendidas que certas evidências sobre um assunto qualquer poderão ser criticamente partilhadas por todos (e isso vale para o uso de agrotóxicos, o desmatamento das florestas, a caça de animais silvestres, o extrativismo predatório, a destinação do lixo, o efeito estufa, a perda de biodiversidade, o uso de materiais geneticamente modificados e assim por diante). Contudo, tais conflitos subentendem o estabelecimento de um consenso, um lugar comum em que, contraditoriamente, os interlocutores possam apresentar seus argumentos ou fatos, trocar opiniões divergentes ou convergentes e constatar ou refutar evidências em relação a um determinado problema já previamente eleito como relevante. Mas, repare-se que, apesar de tudo, tal problema em questão já não poderá ser simplesmente desqualificado ou negado como não existente. Desta forma, a produção de idéias e de práticas que irão dar consistência a um sentido comum – que, de uma forma paradoxal, mantém-se em meio a uma permanente discórdia e contradição discursiva30 – sobre temas ambientais resultará da repetição contínua dos argumentos utilizados pelos agentes, sendo o seu grau de aceitação dependente não apenas da qualidade e da coerência do discurso proferido, mas, igualmente, da posição ocupada pelo seu proponente e do maior ou menor grau de influência deste junto aos demais agentes.

A comprovação deste fenômeno de acostumação em que se dá a instituição de novos sentidos sobre a problemática ambiental pode ser facilmente observada em inúmeras realidades rurais onde até a pouco mais de 20 ou 30 anos as discussões efetivas sobre meio ambiente eram percebidas apenas de forma fragmentada ou inconsciente. Tal qual como no exemplo, anteriormente já citado, do processo de ressignificação de certas práticas – agora consideradas mais “ecológicas” ou ainda mais “sustentáveis” – executadas por alguns agricultores, até antes deste período, qualquer idéia sobre preservação da natureza ou defesa do meio ambiente era pouco ou muito pouco considerada como “problema” relevante pelos agentes sociais nestes

Ambiente & Sociedade – Vol. VIII nº. 2 jul./dez. 2005 espaços. Contudo, em bem pouco tempo, muitas vezes por conta da atuação de órgãos fiscalizadores, pela vinculação de idéias preservacionistas por parte da mídia em geral, devido à chegada de novos agentes sociais detentores de um capital social diferenciado ou, é claro, por causa mesmo da intensidade dos efeitos indesejados de certas práticas agrícolas até então adotadas, toda uma nova gama de concepções sobre a importância de se preservar o meio ambiente pôde começar a se disseminar e a atingir capilarmente vários extratos sociais. E, como conseqüência direta desta revalorização, tornou-se possível visualizar um quadro bem distinto daquele de três décadas atrás.

Entretanto, ao analisar a instituição e formação de um campo ambiental como lócus privilegiado das discussões que, de alguma forma, se acham referenciadas ao meio ambiente, faz-se necessário proceder com uma certa cautela, visto que é preciso relativizar a amplitude de ação e o grau de autonomia que este mesmo campo possui em relação a outros campos sociais. Neste sentido, torna-se importante estar atento para levar em consideração uma característica muito própria e que singulariza os processos aqui investigados. Isto porque, por ser este espaço de debate e de ação ainda pouco consolidado em termos de delimitação de um nomus, ou seja, de um rol de possibilidades prático-discursivas instituídas e socialmente reconhecidas como pertinentes31, o monopólio da competência ambiental – o qual deveria ser, via de regra, conferido aos agentes encarregados de designar os preceitos “corretos” relativos às políticas ambientais – não pode se manifestar tão visivelmente como em outros campos. Em poucas palavras, a autonomia relativa que o campo ambiental possui em relação aos outros campos é, ainda, pequena.

Ao mesmo tempo, também o “conjunto de pressupostos inseparavelmente cognitivos e valorativos, cuja aceitação é implicada pela própria pertença” (BOURDIEU, 1998: 85) dos agentes, e que este autor chama de doxa, não está ainda suficientemente cristalizado em fazeres e dizeres cotidianos e tautologicamente incorporados. Isto quer dizer que os padrões de pensar e agir que deveriam constituir os princípios norteadores das disputas no campo ambiental, permanecem ainda pouco definidos. O que significa, como conseqüência, que o espaço de discussão legítima que, por sua vez, delimita as “grandes oposições obrigatórias que paradoxalmente unem os que se opõem, uma vez que é necessário ter em comum ou admiti-las para se tornar possível à oposição a seu respeito” (BOURDIEU, 1998: 85), tende a tornar-se disperso. Mais do que isto, devido ao fato de que o reconhecimento simbólico das diferentes posições ocupadas pelos agentes ser ainda um tanto incipiente, o que implica reconhecer que o poder socialmente conferido às instituições e aos órgãos ambientais competentes também se encontra bastante relativizado, a própria autorização para falar e agir legitimamente fica somente em parte outorgada aos agentes e instituições que reivindicam tal status político. Situação esta que, se, por um lado, abre espaço, ainda que reduzido, para que uma gama de agentes teoricamente “menos qualificados” possa também se pronunciar propositivamente (por exemplo, populações indígenas, remanescentes de quilombos, ribeirinhos, pescadores artesanais, moradores de áreas de risco nas zonas urbanas e periferias das cidades etc.), por outro, concede e estende o poder de interferência no âmbito ambiental a interesses muito dispersos, socialmente

A dialética dos campos sociais na interpretação da problemática ambiental – C H. G J A diferenciados e que na maior parte das vezes dizem respeito ou tendem a se orientar conforme assimetrias sociais dominantes (por exemplo, agentes detentores de capitais privados ou empreendimentos com forte poder econômico e influência política).

Como se pode ver, neste ponto, diferenças importantes separam o campo ambiental em formação de outros campos sociais já consolidados. Mormente, se se pode hoje identificar razoavelmente uma tendência de consolidação de um novo ambiente de lutas relativamente bem estruturado, o qual reivindica uma certa autonomia sobre as discussões relativas ao meio ambiente, tem-se que reconhecer, ao mesmo tempo, que tal fenômeno encontra-se ainda em processo de consolidação enquanto espaço de representação. Exemplo disso pode ser visto através da comparação com o campo científico, econômico, cultural ou jurídico, estes muito mais estruturados enquanto processo de produção de significados, lógicas de pensamento e estratégias de ação (para os temas a eles concernentes, evidentemente). Já no caso do campo ambiental, na medida em que sua autorização enquanto espaço de discussão legítima encontra-se pouco consolidada, as deliberações eventualmente produzidas irão apresentar um grau de aceitação deveras menos representativo. Neste caso, dependendo da conjugação de forças existentes em uma dada situação específica e que envolva a mediação ou resolução de algum problema ambiental qualquer, o crédito que, em tese, deveria ser atribuído aos agentes socialmente vistos como qualificados pode vir a ser contestado e posto em questão.

Em termos práticos, esta peculiaridade reversa da problemática ambiental faz com que, apesar dos agentes manifestarem suas posições e atuarem discursivamente com base na oposição preservar/utilizar, muito facilmente eles serão levados a atuar mais segundo motivações propostas por outros campos (o que subentende a intervenção alienígena de modos de pensamento e de ação diferenciados), do que propriamente aquelas vinculadas às disposições estruturadas em torno do campo ambiental. Quer dizer, muito facilmente se estabelecem prerrogativas que fogem aos limites do que se deveria entender por problemática ambiental, sendo seus elementos constituintes cooptados e, às vezes até, totalmente dilacerados, fragmentados e descaracterizados no desenrolar dos debates e dos encontros entre forças sociais desiguais. Além disso, por vezes, o que alguns agentes participantes do campo veriam como sendo, por exemplo, um “problema ambiental” importante, para os demais ou será visto como algo secundário ou, mais grave ainda, sequer virá a ser percebido como concernente à temática ambiental. O que, em outras palavras, pode representar, além da transferência da competência a ser atribuída para a resolução do problema em questão, a própria negação da existência desta mesma questão enquanto fato socialmente relevante.

Contudo, este mecanismo de relativa indeterminação e, de certa forma, de alguma promiscuidade de competências e especialidades, faz com que haja a possibilidade de que atribuições ambientais sejam construídas transversalmente às posições historicamente arraigadas e dominantes no campo social. E é assim, do mesmo modo, que uma extensa gama de agentes, os quais integram e atuam em uma variedade de outros campos, irão poder reivindicar a participação neste processo de constituição de um campo ambiental em permanente construção/desconstrução. Afinal, necessitar-

Ambiente & Sociedade – Vol. VIII nº. 2 jul./dez. 2005 se-á, por exemplo, entre muitos outros agentes, de cientistas que estejam autorizados a observar, testar, explicar, desenvolver e determinar que técnicas deveriam ser usadas na resolução de problemas ambientais; de administradores e legisladores encarregados de propor políticas ambientais e, ao mesmo tempo, determinar e regulamentar leis e legislação relativas ao meio ambiente; de juristas com a incumbência de gerenciar o cumprimento destas mesmas leis e julgar quem está com “a razão” em caso de litígio ou de um suposto dano ambiental; de educadores ambientais e, mesmo, de jornalistas ocupados em escolher e levar ao público em geral informações, práticas e condutas mais “ecológicas” ou ambientalmente desejadas; de fiscais responsáveis por prevenir, zelar e cuidar (se necessário, até mesmo através de meios repressivos) para que as leis ambientais sejam cumpridas.

Além disso, uma das possíveis explicações para parte desta permeabilidade e deste menor rigor no que se refere à variabilidade de tipos e grupos de interlocutores autorizados a participar e se pronunciar sobre problemas ambientais poderia estar vinculada ao caráter (ainda) transversal da problemática que o envolve. Para Jollivet (1994: 95-96), por exemplo, este aspecto instável e não solidificado pode ser traduzido segundo algumas especificidades próprias da problemática ambiental, tais como sua “jovialidade” enquanto um problema social colocado na “ordem do dia”; seu caráter polissêmico e impreciso em termos de produção de significações e simbolismos; sua inadequação às “grandes questões políticas clássicas”; sua capacidade de mobilização e sensibilização social. Indo em uma mesma direção, Alphandèry et al. (1992: 9) chegam a afirmar que “alguns poderiam tranqüilamente sustentar a idéia de que a ‘maionese ecológica’ está, no momento atual, tomando consistência”32.

Entretanto, não obstante a procedência e a exatidão destas afirmações, faz-se necessário ter igualmente a precaução de não fazer uma leitura de modo a conceder a estas características um mero estatuto causal ou ainda reduzi-las a simples efeitos decorrentes do campo ambiental. Mais do que efeitos ou causas verdadeiras da problemática ambiental, estes aspectos são parte integrante de um mesmo processo que se retroalimenta e que, em síntese, inclui, sincrônica e diacronicamente, geração de novas subjetividades produtoras de significados os mais diversos e conseqüências concretas (leia-se: que aparentem, para as pessoas, uma materialidade) que interferem na vida cotidiana das pessoas. E é somente assim que se pode pensar em dizer que, no caso da problemática ambiental, “em geral trata-se de algo que se coloca atravessado à ordem ‘normal’ das coisas – uma repetição contrariante, um dado intensivo que apela a outras intensidades a fim de compor outras configurações existenciais” (GUATTARI, 1990: 28). Ora, uma tal situação implica considerar o fato de que a problemática ambiental se encontra visceralmente instalada dentro de um contexto histórico, social e cultural contestatório, onde a supremacia de outros campos sociais passa a ser colocada em xeque pela capacidade crescente do campo ambiental de realizar ingerências em áreas tão distintas como economia, ética, política, direito, religião e estética. E é justamente o caráter difuso da dimensão ambiental – ou, dito de outra forma, sua peculiaridade de ser, ao mesmo tempo, instituída e instituinte – que permite com que uma tal interferência opere e se efetive.

A dialética dos campos sociais na interpretação da problemática ambiental – C H. G J A

Obviamente, não seria o caso aqui de se aprofundar como estariam se dando as lutas específicas em torno da problemática ambiental. Cabe apenas, para finalizar, constatar que, se o meio ambiente tornou-se algo importante de ser pensado; se a este é conferida uma infinidade de significados; se não se pode hoje enquadrá-lo no espaço de disputas políticas tradicionais; enfim, se a sociedade reconhece na problemática ambiental uma possibilidade de contestação, estas peculiaridades estão imbricadas dentro da própria dinâmica de forças desencadeadoras de um fenômeno que se tem chamado de ambiental. Por conseguinte, estas lutas podem, e devem, ser historicizadas, pois compõem e incorporam, juntamente com outros dispositivos, os habitus, os modos de pensamento específicos que irão ajudar a classificar e a construir os “fatos” perceptivamente observáveis enquanto “realidade” objetivada. É somente sob esta perspectiva que se pode afirmar:

“construção social e histórica de uma rede de significados que se articulam num campo social, (...) o ambiental tem se apresentado como uma questão catalisadora de um importante espaço argumentativo acerca dos valores éticos, políticos e existenciais que regulam a vida individual e coletiva” (CARVALHO, 2001: 4).

Longe de ser apenas um problema decorrente das “externalidades” de um determinado modelo socioeconômico, ou ainda uma nova dificuldade a ser superada através da ciência e do progresso técnico-científico, a invenção da problemática ambiental possui uma historicidade, um passado onde ela se coloca sempre presente. O que, por sua vez, subentende que toda e qualquer interpretação deste jogo de fatos e sentidos carregará consigo algum tipo de enraizamento e, evidentemente, comprometimentos que são da esfera do político, ou mais precisamente das disputas – e dos subseqüentes conflitos – em torno do poder de dizer e de fazer.

Apesar de se concordar com a idéia de que o meio ambiente só teve condição de se constituir efetivamente como problema social e adquirir consistência e corpo junto aos espaços públicos onde múltiplas lógicas estão em jogo, e onde a arte, a política, a ciência e os movimentos sociais podem se comunicar e produzir sentidos comuns devido à conformação dinâmica de forças que regem a produção de novos valores e que organizam a construção de subjetividades, estas forças não permanecem intangíveis ou totalmente contingentes. Pelo contrário, conformam certas estruturas mais ou menos identificáveis, as quais estão imbricadas e sobrepostas umas às outras (o campo ambiental, por exemplo, “bebe” no e é “bebido” por outros campos como os campos político, religioso, ético e/ou econômico).

Em última análise, se o meio ambiente não estava, até recentemente, precisamente definido enquanto “questão”, não é somente porque antes não havia fenômenos como o aquecimento global, a perda de diversidade biológica, a destruição e alteração de habitats ou a poluição em geral. O que ocorre é que se está diante de “um profundo movimento da sociedade, isto é, um novo fato social, um componente novo e duradouro da realidade social” (JOLLIVET, 1994: 184). Mais do que simples produção de novos discursos, estas forças manifestam objetividade na forma de

Ambiente & Sociedade – Vol. VIII nº. 2 jul./dez. 2005 catástrofes ecológicas, novas instituições, políticas públicas, leis e legislações ambientais, novas tecnologias e valores coletivos e individuais. Da mesma forma, os encontros e desencontros entre distintas percepções sobre aqueles problemas, de alguma forma, classificados como ambientais, concretizam-se em espaços microssociais como, por exemplo, inúmeras localidades espalhadas pelo planeta onde confrontos decorrentes das proibições e restrições de uso dos recursos disponíveis se mostram ainda bastante acirrados.

ACOT, P. História da ecologia. Rio de Janeiro, Campos, 1990. ALPHANDÉRY, P. et al. O Equívoco ecológico. São Paulo, Brasiliense, 1992. ALTVATER, E. O preço da riqueza. São Paulo, Ed. da Unesp, 1995. AUDIBERT, E. A. Preservar com ou sem presença humana: a problemática ambiental no contexto de áreas protegidas. Porto Alegre, Programa de Pós-Graduação em Sociologia – UFRGS, Tese de Doutorado, 2005. 390 p. + anexos.

AULETE, C. Dicionário contemporâneo da língua portuguesa. Rio de Janeiro,

Editora Delta, v.2 e v.5, 1980.

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