Elementos de transmissao

Elementos de transmissao

(Parte 2 de 4)

Os tipos, características e resistência à tração dos cabos de aço são apresentadas nos catálogos dos fabricantes.

  1. Correias e Polias

2.1 Introdução

Às vezes, pequenos problemas de uma empresa podem ser resolvidos com soluções imediatas, principalmente quando os recursos estão próximos de nós, sem exigir grandes investimentos. Por exemplo: com a simples troca de alguns componentes de uma máquina, onde se pretende melhorar o rendimento do sistema de transmissão, conseguiremos resolver o problema de atrito, desgaste e perda de energia. Esses componentes - as polias e as correias, que são o assunto da aula de hoje.

2.2 Polias

As polias são peças cilíndricas, movimentadas pela rotação do eixo do motor e pelas correias.

Uma polia é constituída de uma coroa ou face, na qual se enrola a correia.

A face é ligada a um cubo de roda mediante disco ou braços.

2.3 Tipos de Polia

Os tipos de polia são determinados pela forma da superfície na qual a correia se assenta. Elas podem ser planas ou trapezoidais. As polias planas podem apresentar dois formatos na sua superfície de contato. Essa superfície pode ser plana ou abaulada.

A polia plana conserva melhor as correias, e a polia com superfície abaulada guia melhor as correias. As polias apresentam braços a partir de 200 mm de diâmetro. Abaixo desse valor, a coroa é ligada ao cubo por meio de discos.

A polia trapezoidal recebe esse nome porque a superfície na qual a correia se assenta apresenta a forma de trapézio. As polias trapezoidais devem ser providas de canaletes (ou canais) e são dimensionadas de acordo com o perfil padrão da correia a ser utilizada.

Essas dimensões são obtidas a partir de consultas em tabelas. Vamos ver um exemplo que pode explicar como consultar tabela.

Imaginemos que se vai executar um projeto de fabricação de polia, cujo diâmetro é de 250 mm, perfil padrão da correia C e ângulo do canal de 34º.

Como determinar as demais dimensões da polia?

Com os dados conhecidos, consultamos a tabela e vamos encontrar essas dimensões:

Além das polias para correias planas e trapezoidais, existem as polias para cabos de aço, para correntes, polias (ou rodas) de atrito, polias para correias redondas e para correias dentadas. Algumas vezes, as palavras roda e polias são utilizadas como sinônimos.

2.4Correias

As correias mais usadas são planas e as trapezoidais. A correia em. V. ou trapezoidal é inteiriça, fabricada com seção transversal em forma de trapézio.

É feita de borracha revestida de lona e é formada no seu interior por cordonéis vulcanizados para suportar as forças de tração.

O emprego da correia trapezoidal ou em. V. é preferível ao da correia plana por que:

· praticamente não apresenta deslizamento;

· permite o uso de polias bem próximas;

· elimina os ruídos e os choques, típicos das correias emendadas (planas).

Existem vários perfis padronizados de correias trapezoidais.

Outra correia utilizada é a correia dentada, para casos em que não se pode ter nenhum deslizamento, como no comando de válvulas do automóvel.

2.5 Material das correias

Os materiais empregados para fabricação das correias são couro; materiais fibrosos e sintéticos (à base de algodão, pêlo de camelo, viscose, perlon e náilon) e material combinado (couro e sintéticos).

2.6 Transmissão

Na transmissão por polias e correias, a polia que transmite movimento e força é chamada polia motora ou condutora. A polia que recebe movimento e força é a polia movida ou conduzida. A maneira como a correia é colocada determina o sentido de rotação das polias. Assim, temos:

· sentido direto de rotação - a correia fica reta e as polias têm o mesmo sentido de rotação;

· sentido de rotação inverso - a correia fica cruzada e o sentido de rotação das polias inverte-se;

· transmissão de rotação entre eixos não paralelos.

Para ajustar as correias nas polias, mantendo tensão correta, utiliza-se o esticador de correia.

Já vimos que a forma da polia varia em função do tipo de correia.

2.7 Relação de transmissão

Na transmissão por polias e correias, para que o funcionamento seja perfeito, é necessário obedecer alguns limites em relação ao diâmetro das polias e o número de voltas pela unidade de tempo. Para estabelecer esses limites precisamos estudar as relações de transmissão.

Costumamos usar a letra i para representar a relação de transmissão. Ela é a relação entre o número de voltas das polias (n) numa unidade de tempo e os seus diâmetros.

A velocidade tangencial (V) é a mesma para as duas polias, e é calculada pela fórmula:

Como as duas velocidades são iguais, temos:

Na transmissão por correia plana, a relação de transmissão (i) não deve ser maior do que 6 (seis), e na transmissão por correia trapezoidal esse valor não deve ser maior do que 10 (dez).

  1. Correntes

3.1 Correntes

As notas a seguir relacionadas são recomendações gerais para a seleção, instalação e manutenção de uma transmissão por corrente, com o objetivo de atingir um rendimento satisfatório e longa vida útil de transmissão.

3.2 Relação de Transmissão

É o resultado da divisão da velocidade (RPM) das rodas dentadas, menor pela maior, cuja relação máxima permitida e de 7:1. Para relações maiores é recomendado o desmembramento.

3.3 Número de Dentes das Rodas

Para assegurar uma distribuição uniforme de desgaste tanto na corrente como nas rodas é aconselhável utilizar rodas com número ímpar de dentes.

3.4 Número Mínimo de Dentes

Para uma adequada relação de potência e durabilidade da corrente, a roda dentada deve ter no mínimo 19 dentes e a soma de dentes de ambas as rodas impulsionadas pela mesma corrente não deverá ter menos que 50 dentes. Estas recomendações se devem ao fato da corrente formar um polígono sobre a roda dentada, provocando uma variação cíclica regular na velocidade linear; a porcentagem de variação cíclica diminui rapidamente conforme se adiciona mais dentes.

3.5 Número Máximo de Dentes

Aconselhamos não utilizar rodas com mais de 120 dentes.

3.6 Distância entre Centros

Para uma melhor vida útil da transmissão, a distância entre centros de duas rodas deve ser normalmente dentro de 30 a 50 vezes o passo da corrente.

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