Olhando o passado e o futuro: revendo pressupostos sobre as inter-relações

Olhando o passado e o futuro: revendo pressupostos sobre as inter-relações

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Além disso, mandar para campo, sobretudo para áreas não familiares e difíceis, assistentes de pesquisa, especialmente estudantes, sem treinamento e supervisão adequados, levanta preocupações éticas que podem ser menosprezadas. É preciso uma instância ética que considere todos os estágios de um estudo, da seleção de tópicos à escolha de métodos, treinamento dos pesquisadores, condução do estudo e publicação dos resultados finais. Uma nova forma de acompanhamento institucional se faz necessária, para se tornar um comitê comunitário permanente para as questões éticas levantadas durante tais estudos, as quais são hoje ignoradas ou relegadas ao discernimento dos pesquisadores. 3. Finalmente, como mencionado antes, precisamos ser lembrados da natureza holística da experiência ambiental. Essa visão sobre a vida das pessoas freqüentemente é omitida na conceituação das pesquisas e na análise dos dados. Ainda que seja útil refletir sobre aspectos individuais da interação ambiental, também é essencial reunir tais partes. Focalizar ambientes de trabalho sem tratar de sua distância da moradia, sua relação com as atividades de lazer e seu papel na educação dos trabalhadores, pode gerar uma análise incompleta do significado desses ambientes.

Olhando o passado e o futuro

Na visão holística, um componente da nova perspectiva se relaciona à dimensão temporal na vida das pessoas, freqüentemente omitida na pesquisa em design, embora a experiência holística seja parte das vinte e quatro horas diárias, dos sete dias da semana, dos meses (que dependem do tipo de calendário utilizado), e da visão do que constitui o ano. Ainda que as pessoas vivam em ciclos de dias, semanas, meses e anos que cobrem suas vidas. Ainda que os pesquisadores costumem coletar seus dados apenas em suas horas de trabalho. Raramente problemas como clima, estações e mudanças na temperatura são abordados como componentes da pesquisa em design, a menos que o estudo seja sobre espaços externos. Este é um assunto que exige reflexão e ação, especialmente para aqueles engajados em teoria e pesquisa ambientais.

Esta jornada através dos primeiros estágios do pensamento em Psicologia Ambiental ofereceu uma oportunidade para revisar velhas e novas perspectivas, e contemplar os caminhos que a Psicologia Ambiental e campos correlatos têm percorrido ao longo dos anos. Em muitos sentidos somos novatos em nossa especialidade, sobretudo quando a comparamos com disciplinas mais antigas com as quais colaboramos. É útil, contudo, realizar uma revisão crítica do trabalho e trazer à tona temáticas e perspectivas que continuam a exigir reformulação. Sou grata por esta valiosa experiência.

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Leanne G. Rivlin, Ph.D. em Psicologia do Desenvolvimento, Columbia University (EUA), é professora titular na Universidade da Cidade de Nova York (EUA). Endereço para correspondência: CUNY Graduate Center, 365 Fifth Avenue, New York, NY 10016. Tel.: (212) 8817-8725. Fax: (212) 817-15533. Email: lrivlin@ gc.cuny.eduTraduzido de original em língua inglesa por Gleice A. Elali, doutora em Arquitetura e Urbanismo pela Univer- sidade de São Paulo (SP), professora adjunta na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Nota

Recebido em 07.jan.03 Revisado em 05.mai.03 Aceito em 16.jun.03

L.G.Rivlin

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