Manual de segurança biologica em laboratorio

Manual de segurança biologica em laboratorio

(Parte 1 de 6)

Organização Mundial da Saúde

OMS ISBN 92 4 254650 1

Terceira edição

Durante mais de 20 anos, desde que foi publicado em 1983, o Manual de Segurança Biológica nos Laboratórios tem sido uma fonte de orientações práticas sobre técnicas de segurança biológica para os laboratórios de todos os níveis. Boas Técnicas de Microbiologia e a utilização apropriada do equipamento de protecção por parte de um pessoal bem formado continuam a ser os elementos fundamentais da segurança biológica laboratorial. No entanto, a globalização, os progressos consideráveis da tecnologia, a emergência de novas doenças e as ameaças graves que constituem a utilização e libertação intencionais de agentes microbiológicos e toxinas obrigaram a uma revisão dos procedimentos em vigor. Nesta nova edição, o Manual foi portanto alvo de uma ampla revisão e expansão do seu âmbito.

O Manual abrange agora a avaliação dos riscos e a utilização segura da tecnologia de recombinação de ADN, e fornece igualmente orientações para a fiscalização e certificação dos laboratórios. Foram igualmente introduzidos conceitos de biosegurança e os mais recentes regulamentos internacionais para o transporte de substâncias infecciosas. Documentação sobre segurança em laboratórios de unidades de saúde, publicada anteriormente pela OMS noutras publicações, foi igualmente incorporada no Manual.

Esperamos que o Manual continue a estimular os países a introduzir programas de segurança biológica e códigos nacionais de procedimentos para o manuseamento seguro de materiais potencialmente infecciosos.

Manual de segurança biológica em laboratório

Terceira edição

Organização Mundial da Saúde

Genebra 2004

Catalogação pela Biblioteca da OMS

Organização Mundial da Saúde Manual de segurança biológica em laboratório – 3aedição

1.Confinamento de riscos biológicos – métodos2.Laboratórios – padrões3.Infecção em laboratório – prevenção e controlo4.ManuaisI.Título.

ISBN 92 4 154650 6(Classificação LC/NLM:QY 25)WHO/CDS/CSR/LYO/2004.1

Esta publicação foi apoiada com uma subvenção Grant/Cooperative Agreement Number U50/CCU012445-08 dos Centros para Controlo e Prevenção de Doenças (CDC),Atlanta,GA, EUA.A responsabilidade pelas informações contidas nesta publicação cabe exclusivamente aos seus autores e não representam necessariamente o ponto de vista oficial dos CDC.

©Organização Mundial da Saúde 2004

Todos os direitos reservados.As publicações da Organização Mundial da Saúde podem ser pedidas a: Marketing e Divulgação,Organização Mundial da Saúde,20 Avenue Appia,1211 Genebra 27,Suíça (Tel: +41 2 791 2476;fax:+41 2 791 4857;e-mail:bookorder@who.int).Os pedidos de autorização para reprodução ou tradução das publicações da OMS – para venda ou para distribuição não comercial – devem ser endereçados a Publicações,mesmo endereço (fax:+41 2 791 4806;E-mail:permissions@who.int).

As denominações utilizadas nesta publicação e a apresentação do material nela contido não significam, por parte da Organização Mundial da Saúde,nenhum julgamento sobre o estatuto jurídico de qualquer país,território,cidade ou zona,nem de suas autoridades,nem tão pouco questões de demarcação de suas fronteiras ou limites.As linhas ponteadas nos mapas representam fronteiras aproximativas sobre as quais pode ainda não existir acordo completo.

A menção de determinadas companhias ou do nome comercial de certos produtos não implica que a Organização Mundial da Saúde os aprove ou recomende,dando-lhes preferência a outros análogos não mencionados.Com excepção de erros ou omissões,uma letra maiúscula inicial indica que se trata dum produto de marca registado.

A Organização Mundial da Saúde não garante que as informações contidas nesta publicação sejam completas e correctas e não pode ser responsável por qualquer prejuízo resultante da sua utilização.

Desenhado por minimum graphics Impresso em Malta

Prefácio viii Agradecimentos ix

PARTE I.Directivas de segurança biológica5

Código de práticas9 Concepção e instalações do laboratório12 Equipamento laboratorial 14 Vigilância médica do pessoal16 Formação 17 Manuseamento de resíduos18 Segurança química, eléctrica, do equipamento e contra incêndios e radiações 20 4.Laboratório de confinamento – Nível 3 de segurança biológica21

Código de práticas21 Concepção e instalações do laboratório22 Equipamento laboratorial 23 Vigilância médica do pessoal23 5.Laboratório de confinamento máximo – Nível 4 de segurança biológica26

Índice

PARTE I.Equipamento de laboratório51

Isoladores de pressão negativa em plástico flexível64 Material de pipetar66 Homogeneizadores, batedores, misturadores e geradores de ultra-sons67 Ansas descartáveis 67 Microincineradores 67 Equipamento e roupa de protecção pessoal67

PARTE IV.Boas técnicas microbiológicas71

Manipulação segura de amostras em laboratório73 Uso de pipetas e meios de pipetar74 Evitar a dispersão de materiais infecciosos74 Utilização de câmaras de segurança biológica75 Evitar a ingestão de material infeccioso e o contacto com a pele e os olhos75 Evitar a inoculação de material infeccioso76 Separação de soro76 Utilização de centrifugadoras76

Utilização de homogeneizadores, batedores, misturadores e geradores de ultra-sons77

Utilização de separadores de tecidos78 Manutenção e utilização de frigoríficos e congeladores78 Abertura de ampolas contendo material infeccioso liofilizado78 Armazenagem de ampolas contendo material infeccioso79 Precauções de base com sangue e outros fluidos, tecidos e excreções orgânicos 79

Regulamentos internacionais sobre transportes100 O sistema básico de embalagem tripla101 Processo de limpeza de derrames101

PARTE V.Introdução a biotecnologias105

Considerações de segurança biológica para sistemas de expressão biológica 108

PARTE VI.Segurança em relação a produtos químicos, incêndio e electricidade113

Risco de incêndio118 Riscos eléctricos 119 Ruído 119 Radiações ionizantes 120

PARTE VII.Segurança: organização e formação123

19.Responsável da segurança biológica e comissão de segurança biológica 125

Serviços de manutenção de aparelhos e instalações128 Serviços de limpeza128 21.Programas de formação129

PARTE VIII.Lista de controlo de segurança131

Locais 133 Armazenagem 133 Saneamento e instalações para o pessoal134 Aquecimento e ventilação134 Iluminação 134 Serviços 134 Segurança 135 Prevenção e protecção contra incêndios135 Armazenagem de líquidos inflamáveis136

Gases comprimidos e liquefeitos136 Riscos eléctricos 137 Protecção individual 137 Saúde e segurança do pessoal137 Equipamento de laboratório138 Materiais infecciosos 138 Produtos químicos e substâncias radioactivas139

PARTE IX.Referências, anexos e índex141

Referências 143 Anexo 1Primeiros socorros146 Anexo 2Vacinação do pessoal147 Anexo 3Centros Colaboradores da OMS para a Segurança Biológica148 Anexo 4Segurança na utilização do equipamento149

Equipamento capaz de criar riscos149 Anexo 5Produtos químicos: perigos e precauções153

Índice remissivo195

Prefácio

A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece há muito tempo que a segurança,e particularmente a segurança biológica,são questões importantes a nível internacional;a primeira edição do Manual de Segurança Biológica em Laboratório foi publicada em 1983.Este manual estimulava os países a aceitar e introduzir conceitos básicos de segurança biológica e a elaborar códigos nacionais de procedimentos para um manuseamento seguro dos microrganismos patogénicos nos laboratórios dentro dos seus territórios. Desde essa data (1983),numerosos países têm utilizado as orientações fornecidas no manual para elaborar os referidos códigos.Em 1993 foi publicada a segunda edição.

Nesta terceira edição do manual,a OMS continua a desempenhar o seu papel de liderança internacional no campo da segurança,ao abordar as questões de protecção e de segurança biológicas,que temos de enfrentar no novo milénio.Nesta terceira edição sublinha-se devidamente a importância da responsabilidade pessoal;acrescentaram-se novos capítulos sobre a avaliação dos riscos,a utilização segura da tecnologia ADN recombinante e o transporte de materiais infecciosos.Os recentes acontecimentos mundiais revelaram novas ameaças à saúde pública,através da utilização e libertação intencionais de agentes microbiológicos e toxinas;em consequência,nesta edição introduziram-se conceitos de protecção biológica – protecção dos recursos biológicos contra roubo,perda ou desvio que possam levar à utilização inapropriada desses agentes como ameaça à saúde pública.Esta nova edição engloba igualmente informações sobre segurança extraídas da publicação da OMS “Safety in Health Care Laboratories”(1997).

A terceira edição do Manual da OMS sobre Segurança Biológica em Laboratórios é uma referência útil e um guia para os países que aceitam o desafio de elaborar e estabelecer códigos nacionais de procedimentos para um manuseamento seguro dos recursos microbiológicos,assegurando simultaneamente a sua disponibilidade para fins clínicos,epidemiológicos e de investigação.

Dr. A. Asamoa-Baah Director-Geral Adjunto Doenças Transmissíveis Organização Mundial de Saúde Genebra – Suíça

Agradecimentos

A elaboração desta terceira edição do Manual de Segurança Biológica em Laboratório foi possível graças às competências das pessoas a seguir nomeadas e a quem apresentamos os nossos profundos agradecimentos:

Dr.W.Emmett Barkley,Howard Hughes Medical Institute,Chevy Chase,MD, USA

Dr.Murray L.Cohen,Centers for Disease Control and Prevention,Atlanta,GA,USA (reformado)

Dr.Ingegerd Kallings,Swedish Institute ofInfectious Disease Control,Stockholm,

Sweden

Sra.Mary Ellen Kennedy,Consultant in Biosafety,Ashton,Ontario,Canada Sra.Margery Kennett,Victorian Infectious Diseases Reference Laboratory,North

Melbourne, Australia (reformada)

Dr.Richard Knudsen,Office ofHealth and Safety,Centers for Disease Control and

Prevention, Atlanta, GA, USA

Dra.Nicoletta Previsani,Biosafety programme,World Health Organization,Geneva,

Switzerland

Dr.Jonathan Richmond,Office ofHealth and Safety,Centers for Disease Control and

Prevention, Atlanta, GA, USA (reformado)

Dr. Syed A. Sattar, Faculty of Medicine, University of Ottawa, Ontario, Canada Dra.Deborah E.Wilson,Division ofOccupational Health and Safety,Office of

Research Services,National Institutes ofHealth,Department ofHealth and Human Services, Washington, DC, USA

Dr.Riccardo Wittek,Institute ofAnimal Biology,University ofLausanne,Lausanne, Switzerland

Também agradecemos a ajuda das seguintes pessoas:

Sra.Maureen Best,Office ofLaboratory Security,Health Canada,Ottawa,Canada Dr.Mike Catton,Victorian Infectious Diseases Reference Laboratory,North

Melbourne, Australia

Dr.Shanna Nebsy,Office ofHealth and Safety,Centers for Disease Control and Prevention, Atlanta, GA, USA

Dr.Stefan Wagener,Canadian Science Centre for Human and Animal Health, Winnipeg, Canada

Os autores e os revisores também desejam agradecer aos numerosos especialistas que contribuiram para a primeira e segunda edições do Manual de Segurança Biológica em Laboratórioassim como para a publicação da OMS Safety in health-care laboratories (1997).

1.Princípios gerais

Introdução Neste manual,faz-se referência aos perigos relativos de microrganismos infecciosos,por grupos de risco (Grupos de Risco 1,2,3 e 4 da OMS).Esta classificação sódeve ser utilizada em trabalho laboratorial.No quadro a seguir descrevem-se os grupos de risco.

Quadro 1.Classificação de microrganismos infecciosos por grupo de risco

Grupo de Risco 1(nenhum ou baixo risco individual e colectivo) Um microrganismo que provavelmente não pode causar doença no homem ou num animal.

Grupo de Risco 2(risco individual moderado, risco colectivo baixo) Um agente patogénico que pode causar uma doença no homem ou no animal, mas que é improvável que constitua um perigo grave para o pessoal dos laboratórios, a comunidade, o gado ou o ambiente. A exposição a agentes infecciosos no laboratório pode causar uma infecção grave, mas existe um tratamento eficaz e medidas de prevenção e o risco de propagação de infecção é limitado.

Grupo de Risco 3(alto risco individual, baixo risco colectivo) Um agente patogénico que causa geralmente uma doença grave no homem ou no animal, mas que não se propaga habitualmente de uma pessoa a outra. Existe um tratamento eficaz, bem como medidas de prevenção.

Grupo de Risco 4(alto risco individual e colectivo) Um agente patogénico que causa geralmente uma doença grave no homem ou no animal e que se pode transmitir facilmente de uma pessoa para outra, directa ou indirectamente. Nem sempre está disponível um tratamento eficaz ou medidas de prevenção.

As instalações laboratoriais designam-se por:laboratório de base – Nível 1 de segurança biológica;laboratório de base – Nível 2 de segurança biológica,de confinamento – Nível 3 de segurança biológica,de confinamento máximo – Nível 4 de segurança biológica.Estas designações baseiam-se num conjunto de características de concepção, estruturas de confinamento,equipamento,práticas e normas operacionais necessárias para trabalhar com agentes de diversos grupos de risco.No quadro 2 relacionam-se mas não se « equacionam »os grupos de risco aos níveis de segurança biológica dos laboratórios que devem trabalhar com os organismos em cada grupo de risco.

Os países (regiões) devem estabelecer uma classificação nacional (regional) dos microrganismos,por grupo de risco,levando em consideração:

1.A patogenicidade do organismo 2.O modo de transmissão e raio de acção do organismo.Estes podem ser influenciados pelos níveis de imunidade da população local,pela densidade e movimentos da população atingida,pela presença de vectores apropriados e normas de higiene ambiental. 3.A disponibilidade local de medidas de prevenção eficazes,nomeadamente:profilaxia por vacinação ou administração de antisoros (vacinação passiva);medidas sanitárias (higiene dos alimentos e da água);controlo de reservatórios animais ou vectores artrópodes. 4.A disponibilidade local de tratamento eficaz,nomeadamente vacinação passiva, vacinação pós-exposição e utilização de agentes antimicrobianos,antivirais e quimioterapêuticos,levando em consideração a possibilidade de emergência de estirpes resistentes aos medicamentos.

A atribuição do nível de segurança biológica a um agente num trabalho laboratorial deve basear-se numa avaliação dos riscos.Esta avaliação deve levar em conta o grupo de risco e outros factores ao determinar o nível apropriado de segurança biológica.

Quadro 2.Relação dos grupos de risco com níveis de segurança biológica, práticas e equipamento

1Básico –Ensino básico,BTMNenhum; mesa/

Nível 1 depesquisabancada de trabalho segurança biológica

2Básico –Serviços básicos BTM e fatos deBancada de trabalho

Nível 2 dede saúde; serviços protecção, sinal e CSB para aerossóis segurançade diagnóstico, de perigo potenciais biológica pesquisa biológico

3Confinamento –Serviços especiais Como Nível 2, mais CSB e/ou outros

Nível 3 dede diagnóstico, roupa especial, dispositivos primários segurançapesquisaacesso controlado, para todas as biológica ventilação dirigida actividades

4ConfinamentoServiço deComo Nível 3, maisCSB classe I ou fatos máximo –manipulação deentrada hermética,de pressão positiva Nível 4 deagentes saída com duche,em conjunto com CSB segurançapatogénicoseliminação especial classe I, autoclave biológicaperigososde resíduosduas portas (através da parede), ar filtrado

(Parte 1 de 6)

Comentários