Revista UFO - Máscaras de chumbo

Revista UFO - Máscaras de chumbo

(Parte 3 de 10)

VARELA — A principal razão com certeza é a visão ainda um pouco crédula que esses segmentos têm da Ufologia. Mesmo com as evidências obtidas através de testemunhos idôneos é possível também constatar fortes dúvidas quanto à sua veracidade. Os registros fotográficos são sempre fracos, de luzes fora de foco ou objetos que podem ser associados a qualquer coisa que tenha asas e voe. Infelizmente, o fator dúvida é bem forte no meio ufológico. Os estudiosos afirmam que a FAB não revela seus arquivos sobre o assunto por temer o pânico da população. Essa visão é bem simplista. As implicações tecnológicas do fenômeno podem muito bem definir uma posição de extremo poder em relação à nossa sociedade. Aí sim, o total despreparo de nossas Forças Armadas em lidar com todo esse paradigma desconhecido é que as impede de divulgar seus dados.

UFO — Mas as Forças Armadas de alguns governos já admitiram a realidade dos UFOs. Chile, Bélgica e Uruguai, por exemplo, são países onde o governo dá atenção ao assunto. Recentemente, o Peru também entrou nesse time.

VARELA — Essa atitude mostra amadurecimento desses governos e de suas forças armadas. A França, apesar de ter sido uma atitude isolada de alguns pesquisadores e militares de alta patente, também liberou um relatório muito interessante. Já a Bélgica e a Espanha não possuem um grupo oficial de pesquisas ufológicas como o Chile. Esses governos apenas liberaram alguns casos e a Bélgica, em particular, fez estudos aprofundados sobre a onda de UFOs triangulares ocorrida há alguns anos, e os relatos apresentados pela Espanha são interessantíssimos. Eu entendo a relutância em se divulgar alguma coisa. Aqui no INPE, por exemplo, praticamente todos os relatos que chegam são encaminhados para minha análise, e é bom ressaltar que, apesar da cara-feia da comu- nidade científica quanto à minha participação na pesquisa ufológica, a direção do instituto não impõe qualquer restrição ao assunto.

UFO — Você acha que esses países já detêm informações seguras sobre a origem e intenção dos extraterrestres?

VARELA — Acho que mesmo em países como a Bélgica e Espanha o acesso a informações é bem difícil. Não houve uma continuidade nas divulgações do que eles começaram a fazer na área. O Uruguai, por exemplo, mantém um pequeno grupo de militares investigando casos esporádicos. Aparentemente, o Peru pretende fazer o mesmo. Já o Chile deveria servir de exemplo a todos os países. Os militares de lá montaram uma estrutura de cooperação entre a Força Aérea Chilena e a Universidade de Santiago e até controladores de vôo estão sendo treinados para reportar e gravar contatos com UFOs. Pilotos são instruídos a relatarem seus avistamentos. Tive a oportunidade de visitar o Comite de Estudios de Fenómenos Aereos Anómalos (CEFAA) e fiquei estupefato com a seriedade e, principalmente, a forma como o assunto é tratado entre os militares e civis envolvidos no projeto, em cooperação com os ufólogos chilenos.

UFO — Você falou que recebe relatos no INPE. De que tipo são?

VARELA — Muitas pessoas trazem vídeos ou fotos de supostos UFOs para eu examinar. Elas impedem que se faça cópia do material e ainda exigem um laudo ou relatório. Quando afirmo tratar-se de um erro de interpretação, as pessoas ignoram minhas análises, e procuram alguém que possa validar “seu” disco voador.

UFO — Sendo um ufólogo que se considera cético, você acredita nas muitas afirmações que existem no meio ufológico, de que há UFOs resgatados em acidentes sendo recuperados testados em locais como a Área 51?

VARELA — As informações sobre o assunto são muito vagas e as provas, como sempre, fracas. Porém, minha postura é reforçada pelo ditado espanhol: “Yo no creo en brujas...” As evidências da recuperação de naves são fracas, principalmente se levarmos em conta que até o momento os possíveis retornos tecnológicos de tais operações não existem. Pelas características que observamos através dos relatos de disco voadores – identificados –, a tecnologia que empregam está além da nossa compreensão e, assim, dificilmente poderia ser incorporada à nossa. Toda a evolução tecnológica terrestre tem seguido parâmetros bem definidos, ou seja, as novas tecnologias aparecem baseadas em inovações anteriores. Nunca ocorreu algum grande “pulo” nesse processo, que pudesse ser associado a uma tecnologia alienígena. Os relatos das testemunhas do Caso Roswell são inconclusivos mas fortes. O mesmo com relação à cobertura sigilosa dada pelo governo norte-americano referente ao Projeto Majestic.

UFO — E quanto a ETs supostamente capturados em quedas de naves espaciais, que alguns ufólogos garantem que estão ou foram mantidos cativos pelo governo dos EUA?

VARELA — Os relatos descrevendo sobrevôos de discos voadores apresentam esses objetos sem qualquer restrição a trajetória ou velocidade, quando aparentemente não possuem obstáculos quanto à fronteiras ou defesas. Assim, acho que seria extremamente difícil capturar um tripulante. Basicamente, os relatos de abdução mostram que alguns desses seres possuem total controle sobre nossas respostas sensoriais e, inclusive, nenhum respeito por nossos sentimentos. Assim, dificilmente conseguiríamos mantê-los aprisionados. E aqui volto à questão anterior: não existe qualquer evidência palpável que possa sustentar essas afirmações.

Philipe Kling David

UFO TRIANGULAR semelhante aos que foram registrados na onda belga

Maio 20031010Maio 2003Maio 200310 o dia 20 de agosto de 1966, sábado, dois homens foram encontrados mortos no alto do Morro do Vintém, no bairro Santa Rosa, em Niterói, Rio de

Janeiro. Nenhum sinal de violência ou luta corporal foi registrado. Os corpos estavam próximos, um ao lado do outro, deitados de costas no chão, em cima de uma espécie de cama feita com folhas de pintoba [Tipo de palmeira], cortadas com faca ou algo similar. Estavam bem vestidos com ternos limpos e capas de chuva. Já se encontravam em adiantado estado de putrefação quando foram achados e, ao seu lado, havia vários objetos interessantes: um estranho marco de cimento, uma garrafa de água mineral magnesiana, uma folha de papel laminado (que foi usada como copo) e um embrulho de papel com duas toalhas. Mas o que mais chamou a atenção da polícia foram outros itens: um par de óculos pretos com uma aliança em uma das hastes, um lenço com as iniciais M. A. S., duas toscas máscaras de chumbo e um papel com equações básicas de eletrônica. Uma delas era a Lei de Ohm, envolvendo potência, tensão, corrente e resistência.

Junto disso estava um curioso pedaço de papel com a seguinte escrita: “16h30 – Estar no local determinado. 18h30 – Ingerir cápsula. Após efeito, proteger metais. Aguardar sinal – Máscara”. No bolso de Manuel, um dos mortos, foi encontrado um maço de cigarros da marca Continental, praticamente quase no fim. Quem é fumante entende que a experiência que levou os dois à morte estava programada para ser curta, pois se fosse longa e tivessem que passar a noite no alto do morro, com certeza Manuel teria levado um maço extra. A autópsia realizada nos cadáveres, pelo médico legista doutor Astor Pereira de Melo, nada revelou como causa mortis, pois não havia sinais de violência, envenenamento ou distúrbios orgânicos, além da total ausência de contaminação por radioatividade.

EXAMES TOXICOLÓGICOS — Foram realizados diversos exames toxicológicos em várias amostras das vísceras dos mortos, e todos deram negativos. Os documentos que portavam permitiram facilmente identificar que eram os radiotécnicos Miguel José Viana, 34 anos, e Manoel Pe-

NNo morro de um subúrbio de Niterói, ainda uma cidade calma nos anos 60, dois humildes radiotécnicos se envolveram numa misteriosa e fatal experiência. Embora não se tenha explicação para ela, ainda, há indícios da presença de UFOs no lamentável episódio

11Maio 200311Maio 2003Foto Cortesia Elaine Villela 11Maio 2003 reira da Cruz, 32 anos, moradores da cidade de Campos dos Goytacazes, no interior daquele Estado, e sócios num pequeno negócio. Os exames grafotécnicos realizados nos bilhetes encontrados provaram que a caligrafia era de Miguel, mas as palavras utilizadas não faziam parte do vocabulário de nenhum dos dois, o que levou a polícia a acreditar que alguém ditou tais palavras para as vítimas.

Para complicar ainda mais o quadro de mistério que se apresentava às autoridades que os encontraram, na mesma noite e horário que os radiotécnicos morreram, em 17 de agosto de 1966, quarta-feira, várias testemunhas viram um objeto discóide no alto do Morro do Vintém. Ele foi descrito como tendo forma arredondada, com um halo de luz alaranjada intensa e um anel de fogo soltando raios azuis. O objeto sobrevoou por alguns instantes o local exato onde foram encontrados os corpos. Até hoje a polícia não soube explicar o que realmente aconte- ceu. Seria um simples latrocínio [Roubo seguido de assassinato] ou uma experiência parapsicológica mal sucedida? Uma experiência psicotrônica com um fim trágico ou um encontro fatal com tripulantes de um disco voador?

Para tentar entender o que pode ter acontecido, vamos detalhar passo a passo o que Miguel e Manoel fizeram desde que saíram de Campos, até que foram encontrados mortos em Niterói. Para começar, em agosto de 1966, as duas máscaras de chumbo foram feitas pelos radiotécnicos em sua oficina, pois lá foi encontrado o restante do material utilizado para confeccionar os artefatos. Na noite de 16 de agosto, terça-feira, Manoel informou a sua esposa Neli que iria para São Paulo, juntamente com Miguel, também casado, para comprar um carro usado e alguns componentes de eletrônica para o estoque da oficina. Ele embrulhou dois milhões e trezentos mil cruzeiros – cerca de mil dólares na época, aproximadamente – para levar na viagem. No dia seguinte, às 09h00, os radiotécnicos tomaram o ônibus na rodoviária de Campos com destino a Niterói – e não a São Paulo, como haviam informado às suas famílias.

CAPAS DE CHUVA — Eles foram acompanhados pelo amigo Élcio Correia Gomes até a rodoviária e lá se despediram. Às 14h30, chegaram na estação de Niterói. Deste horário até o instante em que morreram, a polícia descobriu que Miguel

VÍTIMAS FATAIS de uma misteriosa experiência no Morro do Vintém, em Niterói (RJ): Miguel José Viana [Esquerda] e Manoel Pereira da Cruz. O fato envolveu radioatividade e discos voadores

Paola Lucherini Covo e Claudeir Covo, co-editorPaola Lucherini Covo e Claudeir Covo, co-editor

Fotos Cortesia Claudeir Covo

Maio 200312 e Manoel passaram na loja de componentes eletrônicos Fluoscop, onde eram fregueses, situada na Travessa Alberto Vitor, no centro da cidade. Foram também a uma loja de roupas e compraram capas de chuva. Num bar situado na Avenida Marquês do Paraná eles compraram uma garrafa de água mineral magnesiana, não esquecendo de pegar o comprovante do vasilhame, para poder devolver depois. A pessoa que os atendeu neste último estabelecimento disse que Miguel parecia estar nervoso e a todo momento consultava as horas. Aquele dia estava chuvoso e escurecendo rapidamente.

O vigia Raulino de

Matos, morador do local, viu quando Manoel e Miguel chegaram ao Morro do Vintém em um jipe, juntamente com outras duas pessoas, até hoje não identificadas. As vítimas desceram do veículo e subiram o morro a pé, o que chamou a atenção de Raulino, pois já estava perto do anoitecer e o tempo piorava a cada minuto. Na manhã seguinte, 18 de agosto de 1966, quinta-feira, o jovem Paulo Cordeiro Azevedo dos Santos estava caçando passarinhos no morro quando viu os corpos e avisou o guarda Antônio Guerra, que servia na Companhia de Radiopatrulha.

FORTE MAU CHEIRO — Posteriormente, esse policial foi ouvido pelo delegado Venâncio Bittencourt, que comandou as investigações, para saber por que demorou dois dias para ir ao local onde foram achados os corpos. Pensava que Antônio ou outra pessoa teria revistado os cadáveres para se apropriar de algum dinheiro, mas nada ficou comprovado. Dois dias depois do falecimento de Miguel e Manoel, em 20 de agosto, sábado, por volta das 18h00, o garoto Jorge da Costa Alves estava procurando sua pipa junto com outros meninos no morro, quando todos sentiram um forte mau cheiro e localizaram os corpos. Jorge avisou a Segunda Delegacia de Polícia (2ª DP), de Niterói. Somente no domingo de manhã, 21 de agosto, a polícia, os bombeiros, jornalistas e curiosos subiram o Morro do Vintém para resgatar os corpos. No bolso de um deles foi encontrada a quantia de

157 mil cruzeiros – 68 dólares – e, no do outro, quatro mil cruzeiros – menos de dois dólares. Seus relógios tinham sido tirados dos pulsos e também acomodados nos bolsos.

Assim, com os fatos em mãos, a polícia iniciou as investigações. Um dos bilhetes e o sumiço de boa parte dos dois milhões e trezentos mil cruzeiros que portavam ao saírem de Campos, reforçaram a hipótese de um terceiro personagem. Igualmente, a ausência de uma faca ou objeto cortante, que teria sido usado para aparar as folhas de pintoba, estimulou essa hipótese. Mas as máscaras de chumbo encontradas não combinavam com a situação e nem a estranha nota escrita. A tese de uma terceira pessoa indicava que ela teria dirigido o eventual experimento que Manoel e Miguel realizariam em cima do morro – mas não teria participado. Uma coisa é certa:

os dois radiotécnicos foram ao local por livre e espontânea vontade. Dias mais tarde da descoberta dos corpos, a polícia prendeu o amigo dos falecidos, Élcio Correia Gomes, que os acompanhou até a rodoviária de Campos.

Ele era espírita e introduziu os dois radiotécnicos em estranhas experiências. Numa delas, tempos antes do incidente, os três causaram uma enorme explosão na Praia de Atafona, no interior do Rio de Janeiro. O estrondo foi tão grande e causou um clarão tão impressionante que a população pensou que estava ocorrendo um terremoto. Esse acidente foi objeto de investigação por parte da Marinha Brasileira. Mas quanto a Élcio, como a polícia não encontrou provas de nada que o incriminasse, ele acabou sendo libertado.

OBJETO MULTICOLORIDO — Após os jornais terem anunciado com estardalhaço as duas estranhas mortes, surgiu uma testemunha. Gracinda Barbosa Coutinho de Sousa informou que, na noite de 17 de agosto, pouco antes de 20h00, juntamente com seus três filhos, duas meninas e um rapaz, estava passando de carro pela Alameda São Boaventura, no bairro Fon-

AS MÁSCARAS DE CHUMBO usadas na experiência no Morro do Vintém. Acredita-se que eram para proteger as vítimas de radiação. Não funcionaram

O COMPLEXO DE MORROS que compõe a região de São Lourenço, em Niterói, onde está o Morro do Vintém. Hoje é uma área de grande periculosidade. No detalhe, o caminho de acesso

Rosenvaldo da Silva Ribeiro

Arquivos Policiais 12

13Maio 2003 seca, quando Denise, a filha de sete anos, chamou a atenção de todos para algo no alto do morro. Viram então, um objeto multicolorido e discóide, com um halo de luz alaranjada intensa e o tal anel de fogo de onde saíam raios azuis em várias direções. O depoimento de Gracinda também foi publicado pelos jornais, o que atraiu outros testemunhos de fatos inusitados naquele dia e local. Várias pessoas se encorajaram e ligaram para a polícia informando que também tinham visto o objeto luminoso.

Técnicos em eletrônica consultados na época fundamentaram a hipótese de que Manoel e Miguel haviam sido mortos por um raio, pois naquela noite chovia muito. Argumentaram que estariam num local alto e com uma máscara de chumbo no rosto, o que aumentaria as possibilidades de serem atingidos por uma descarga. Mas seus corpos sofreram apenas ligeiras queimaduras, confirmadas pelo médico legista, e estas só não foram constatadas na autópsia porque as marcas se desfizeram com a decomposição dos cadáveres. Como pode se ver, o incidente estava envolto em muita polêmica e suposições. As circunstâncias da morte eram obscuras e não havia indícios concretos que pudessem levar as autoridades a uma conclusão. Enquanto perdurava a incerteza, a imprensa explorava o caso sensacionalisticamente.

Atraído por este estardalhaço, o padre Oscar González Quevedo, professor de parapsicologia na época, deu um depoimento ao jornal O Globo informando que máscaras de chumbo eram usadas em testes mortais de ocultismo. Disse que essa prática admitia que emanassem de novos mundos irradiações luminosas capazes, por exemplo, de afetar aquilo a que chamava de “terceiro olho”. Quevedo assinalou que estas experiências poderiam fulminar seus praticantes, mas as máscaras serviriam para dar-lhes alguma proteção. Nesse tipo de experimento, a pessoa deve ingerir uma quantidade de determinada droga que lhe permita entrar em transe, e deve estar em jejum para provocar dese- quilíbrio físico e mental. Esses rituais são conhecidos como psigama e hiperestesia. No primeiro caso, o experimentador procura liberar a alma para conseguir captações espirituais, e no segundo, seus nervos hiperexcitados são o instrumento pelo qual procura sentir aspectos sutis da realidade que o cerca. O padre frisou que, “para se conseguir êxito em qualquer uma dessas práticas, são indispensáveis muitos exercícios e perfeito estado físico”.

SINAIS DE TELEVISÃO — A situação ficou ainda mais complicada quando a polícia descobriu uma morte semelhante a dos radiotécnicos, quatro anos antes. José de Sousa Arêas informou que, em 1962, outro profissional da área – desta vez um técnico de televisão – foi encontrado morto no Morro do Cruzeiro, na localidade de Neves, sem qualquer tipo de violência e com todos os seus pertences. Tal como no caso do Morro do Vintém, também havia junto do corpo uma máscara de chumbo. A vítima desse caso se chamava Hermes e ela teria ido ao alto do morro para tentar captar sinais de televisão sem o auxílio de um aparelho eletrônico – apenas mentalmente. Arêas disse que ele engoliu um comprimido redondo e morreu porque não estava fisicamente preparado para a empreitada, que oferecia possibilidade de morte. A polícia investigou o caso, mas nada desco-

FOTOS DOS ARQUIVOS policiais mostram os cadáveres e sua remoção do alto Morro do Vintém

Local da experiência Cortesia Elaine Villela

Fotos Arquivos Policiais

Maio 200314

Coincidências ufológicas uando recebemos essa matéria de nosso co-editor Claudeir Covo, sentimos de imediato a necessidade de publicar junto dela fotos atuais do Morro do Vintém, em Niterói (RJ), onde o Caso Máscaras de Chumbo ocorreu. As que o ufólogo tinha e as de nossos arquivos eram de décadas atrás, veiculadas pela imprensa na época. Assim, decidimos solicitar a alguns colaboradores daquela cidade a gentileza de conseguirem as imagens para esta edição. Não sabíamos – e nem as pessoas a quem pedimos – que o morro fosse hoje um local de extrema periculosidade, dominado pela caótica situação que reina em boa parte do Rio de Janeiro.

Duas pessoas atenderam ao nosso pedido: o advogado e fiscal aposentado da prefeitura de Niterói Rosenvaldo da Silva Ribeiro e a psicóloga clínica Elaine Villela. Ambos arregaçaram as mangas e procuraram o local, obtendo as fotos que ilustram esta matéria. Durante o processo, eles se depararam com uma imensa dificuldade em achar o Morro do Vintém, que já nem é mais conhecido por esse nome. “Foi uma epopéia. Mandei dezenas de emails para várias empresas de turismo da cidade e nenhuma sabia sua localização exata, pois o local pertence ao conjunto do Morro de São Lourenço, que é muito grande”, escreveu Elaine. “O local é assustador, com alguns trechos isolados e outros com residências muito pobres. Não aconselho a ninguém ir até lá sozinho. É um labirinto de caminhos irregulares, subidas tortuosas, entroncamentos e torres de alta tensão”, relatou Rosenvaldo.

briu de concreto sobre ele. Depois de muita investigação e várias hipóteses levantadas, em 25 de agosto de 1967, praticamente um ano depois, os corpos de Miguel e Manoel foram exumados para ser realizada uma nova série de exames, desta vez, simultaneamente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Mas, novamente, nada de concreto foi descoberto sobre a causa mortis.

Dois anos após, em 1969, houve uma reviravolta nos fatos e o bandido Hamilton Bezani, que se encontrava confinado num presídio de alta segurança em São Paulo, disse que esteve envolvido na morte dos dois radiotécnicos, junto de outras três pessoas. Bezani afirmou que ele e seus comparsas deram veneno às vítimas e roubaram seis milhões de cruzeiros. Ante a essas novas informações, o bandido foi levado a Niterói para novos depoimentos, mas caiu em inúmeras contradições na reconstituição dos fatos – a começar pela importância em dinheiro, a posição dos corpos e detalhes de como foram encontrados. Não seria essa a explicação do mistério...

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