Desenvolvimento sustentável com Abelhas sem ferrão

Desenvolvimento sustentável com Abelhas sem ferrão

(Parte 1 de 4)

INCONFIDENTES 2008

Relatório apresentado como pré-requisito de conclusão do curso de Tecnologia em Gestão Ambiental, da Escola Agrotécnica Federal de Inconfidentes, MG, para a obtenção do título de Tecnólogo em Gestão Ambiental.

Orientador: Prof. Dr. Luiz Carlos Dias Rocha

INCONFIDENTES 2008

DATA DE APROVAÇÃO: 1 de novembro de 2008.

_ ORIENTADOR: Dr. Luiz Carlos Dias Rocha

_ Dr. Bruno Senna Corrêa

_ Dr. Rodrigo Palomo de Oliveira

“Considere o vôo da abelha. Segundo todas as leis razoáveis da física, a abelha não devia voar. A relação asa-peso corporal devia impedi-la de deixar o chão. Mas ninguém contou isso para abelha. Seja como ela. Faça seja lá o que for que as pessoas menos esperam, e faça tudo o que for necessário para realizar uma tarefa.”

Bill Rancic

Agradeço a Deus por ter me dado primeiramente a oportunidade de realizar este estágio e depois, ânimo em continuar e terminá-lo com êxito. Também pelas experiências vividas, pois com elas tenho certeza que cresci e amadureci muito.

Em todo período do estágio, estive em contato com diversas pessoas de personalidades e visões diferentes, as quais me trouxeram a sabedoria que não teria se esta oportunidade me escapasse, por isso agradeço de todo coração a todos, sem distinção, que estiveram comigo desde a viagem à Januária até os estudos realizados em Inconfidentes.

Ao professor Luizinho, que com tanta paciência soube me ajudar com os procedimentos, e como meu orientador, soube me dar o valor necessário, deixando claro que seria um bom trabalho.

Ao meu grande amigo Carlos, que em todos os momentos esteve presente, tanto nas comunidades de Januária como no laboratório da EAFI na classificação das abelhas, na formatação do Relatório e pela casa emprestada, meu muito obrigado e que esta vitória sirva como incentivo.

Ao meu xará Thiago Meireles, estudante da UFLA e membro do PPJ, que esteve comigo na busca dos enxames de abelhas sem ferrão e na aplicação dos questionários aos moradores das comunidades januarenses.

Ao Wellington, membro da CÁRITAS e do Projeto Revitalização do Rio dos Cochos ao qual o projeto que faço parte está incluído, a ajuda no transporte e o zelo para que nos acomodássemos da melhor maneira.

Com muita satisfação agradeço aos moradores das comunidades de Sambaíba,

Mamede, Roda-d’água, São Bento, Cabeceira dos Cochos e Sumidouro pela constante alegria e presteza em nos poder ajudar nas caminhadas, mostrando onde seria possível encontrar uma colméia. Agradeço pelo sorriso no rosto de todas as pessoas em todas as casas que batemos à porta, às conversas e causos contados, ao café e à “dipirona” oferecida. Saibam que apenas de tê-los conhecido já me valeu ter deslocado a lugar tão distante. À senhora Cercina, senhor Lourival, Geraldinho, Augustinho, Valdir e outros que me ajudaram.

A meus pais Maria do Carmo e Gabriel, que por várias vezes souberam me aturar e segurar a barra quando eu não soube ser um bom filho e me apoiaram mesmo não sabendo muito bem o que eu estava fazendo, mas sempre confiaram em mim. Ao Matheus e Filipe, meus queridos irmãos, desejando-lhes sempre lutar por suas realizações.

A meus colegas de curso desejo que se sintam como me sinto hoje: feliz por ter vencido uma batalha!

Aos meus queridos amigos Mirela, Erika, Lívia, Alberto, Celiani, Ana e Bruna pela família que encontrei em Inconfidentes.

Ao Vanderlei Chefe, responsável pelo Laboratório de Biotecnologia, por permitir o seu uso.

Aos professores Rodrigo Palomo e Bruno Corrêa na participação da banca examinadora e pela correção do Relatório e a todos os professores do curso de Tecnologia em Gestão Ambiental da Escola Agrotécnica Federal de Inconfidentes pelos conhecimentos e amizade dispensados a todos nós, alunos. Todos vocês foram muito importantes!

1. INTRODUÇÃO1
2. REFERENCIAL TEÓRICO3
2.1 Januária e seus aspectos sócio-econômicos3
2.2 Abelhas sem ferrão6
2.2.1 Produção de mel8
2.3 Polinização8
2.4 Criação de meliponíneos na questão econômico-social10
3. MATERIAL E MÉTODOS12
3.1 Atividades desenvolvidas12
3.1.1 Levantamento de espécies de abelhas sem ferrão12
3.1.2 Aplicação de questionário13
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES14
4.1 Levantamento das colméias14
4.2 Espécies encontradas16
4.2.1 Jataí (Tetragonisca angustula)16
4.2.2 Borá (Tetragona sp.)16
4.3 Conhecimento popular sobre as abelhas16
4.4 Atividades previstas17
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS18
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS19

SUMÁRIO 7. ANEXOS .............................................................................................................................. 21

A cidade de Januária, localizada no norte de Minas Gerais, local do Projeto do referido Estágio Supervisionado, inserida no semi-árido, conta com um Projeto de revitalização de uma de suas subbacias chamada Rio dos Cochos, afluente do Rio São Francisco, que dentre as suas atividades, se realizará a meliponicultura, criação de abelhas indígenas sem ferrão. O projeto visa à preservação destas espécies, pois trazem muitos benefícios, tanto ao homem como ao meio ambiente. Ao meio ambiente, pois são polinizadoras eficientes de espécies vegetais, que inclusive algumas delas, são polinizadas apenas por esse tipo de inseto. Ao homem, contribuirá com a geração de renda extra, com a produção de mel, cera e própolis. Este trabalho levantou as espécies de abelhas sem ferrão encontradas na região em estudo e as caracterizou através de questionários aplicados aos moradores do local para a verificação de quais seriam as espécies mais encontradas na região e de maior interesse para a comunidade. Através da coleta de alguns indivíduos, pôde-se identificar as diferentes espécies encontradas na região.

Palavras-chave: meliponicultura, polinização, sub-bacia Rio dos Cochos.

1. INTRODUÇÃO

O projeto “Desenvolvimento Sustentável com Abelhas Sem Ferrão”, foco de estudos durante este período de estágio, acontece no município de Januária, Minas Gerais. Seus idealizadores foram os membros da ASSUSBAC (Associação dos Usuários da Sub-bacia do Rio dos Cochos) rio que é afluente do rio São Francisco. O referido projeto tem como financiador o P-ECOS (Programa de Pequenos Projetos Ecossociais), pertencente ao Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF), por meio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que apóia projetos de organizações não governamentais e de base comunitária que promovam meios de vida sustentáveis no Cerrado.

O projeto visa à identificação e preservação das abelhas nativas indígenas da sub-bacia do Rio dos Cochos, o que desencadeará diretamente projetos produtivos que serão garantias de segurança alimentar e o excedente comercializado no mercado local, em convênios com cooperativas, associações, etc.

A sub-bacia hidrográfica em que o projeto atua, no norte do estado de Minas Gerais, apresenta várias dificuldades de ordem econômica e social, sendo um dos principais o êxodo de moradores, principalmente jovens, para cidades maiores em busca de uma vida melhor para suas famílias, assim, várias atividades vêm sendo realizadas na região visando a melhoria da qualidade de vida da população local.

O meio ambiente também é um dos alvos do projeto, visando a preservação das várias espécies de abelhas sem ferrão existentes na região, para que se conservem e aumentem suas populações, que conseqüentemente trarão inúmeros benefícios, já que as referidas abelhas contribuem para a polinização de várias espécies de plantas, sendo algumas polinizadas apenas por este tipo de inseto.

A região enfrenta grandes problemas ambientais, que merecem atenção. Atualmente a sub-bacia do rio dos Cochos, apresenta como características:

Vegetação: alto grau de degradação, com pequeno índice de vegetação ainda em estado primário;

Solo: alto índice de desgaste por erosão laminar, com presença de voçorocas; Rio: bastante assoreado. Em grandes trechos já se encontra sem movimentação hídrica, sem presença de mata ciliar;

Produção agrícola: indica decrescente índice de produtividade nas culturas exploradas, método tradicional de plantio, com culturas de subsistência;

Disponibilidade hídrica: o rio não apresenta possibilidade de abastecimento agrícola e minimamente para dessedentação de animais (ASSUSBAC, 2007).

Já que um ambiente sadio acarreta conseqüências positivas para o bem estar de populações locais, este cenário mostra que é necessário o início de projetos de auxílio ao povo desta região de Minas Gerais, para que possibilite melhorias em vários aspectos de suas vidas.

O presente estágio, realizado no referido Projeto vem como um instrumento de apoio às famílias, sendo possível estar próximo e conviver com a realidade sócio-econômica dos residentes da região.

2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Januária e seus aspectos sócio-econômicos

A cidade de Januária situa-se na região do Médio São Francisco, localizada ao lado esquerdo do Rio São Francisco (Figura 1). Conta com uma população de 67.206 habitantes (IBGE, 2008), área de 7.299, 48 Km2 e altitude média de 434 metros com clima Tropical Aw (KÖPPEN, 1931).

FIGURA 1. Município de Januária em destaque.

Esta região, inclusa no semi-árido brasileiro caracteriza-se como uma das mais pobres do Estado de Minas Gerais e do país. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo dados do IBGE (2000) do município de Januária corresponde a 0,699, sendo que este varia de 0 a 1.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 25,5% da população de Januária é analfabeta, a sede municipal e as comunidades rurais são deficientes em saneamento básico e nas questões relativas à saúde da população. As redes coletoras de esgoto e de distribuição de água tratada atingem apenas a uma pequena parte das casas. Essa situação é mais evidente na zona rural, onde a população normalmente serve-se de água fora dos padrões de potabilidade, sendo às vezes, muito aquém dos índices estabelecidos pelos órgãos de saneamento.

As comunidades rurais de Januária estão inseridas na sub-bacia do Rio dos Cochos (90%), e Cônego Marinho, uma cidade limítrofe (10% da sub-bacia) com IDH de 0,639 (IBGE, 2000), ocupando a sub-bacia uma área total de 159km2, com extensão de 38 km. O rio dos Cochos é afluente do Rio Ipueiras, que por sua vez é afluente do Rio São Francisco. Estima-se, segundo levantamento do Diagnóstico Rápido Participativo (DRP), realizado pela EMATER em 1999, que há por volta de 1.500 habitantes (300 famílias), considerando a média de cinco moradores por família. A maioria é formada por agricultores familiares, sendo que em várias comunidades encontram-se ainda agregados e posseiros.

O semi-árido mineiro, sobre tudo a sub-bacia do Rio dos Cochos, é historicamente marcado pelo desrespeito ao meio ambiente, através de práticas antiecológicas e predatórias que deram a esta região o legado de uma terra com elevado contingente humano obrigado a conviver com o desequilíbrio da natureza e as nefastas conseqüências dele para a vida e a sobrevivência humana. As políticas públicas da região, deixando as Comunidades, inseridas no polígono das secas, desprovidas de qualquer apoio e incentivo ao desenvolvimento local, tanto para os adultos como para os jovens que desencantados com as condições de miserabilidade e restrições que são impostas a seus pais, buscam na cidade a alternativa de sobrevivência, aumentando o êxodo rural (ASSUSBAC, 2007).

A partir da década de 70 e se aprofundando nas décadas subseqüentes, a região dos

Cochos, sofreu inúmeros financiamentos para transformar-se em um centro de agricultura de ponta, inclusive com o plantio de eucalipto. O crescimento desta atividade econômica fez com que mais da metade das áreas de Cerrado sejam consideradas como “altamente modificadas”, e as matas, que serviam dentre outras coisas para alimentar o gado, hoje, quase não existem (ASSUSBAC, 2007).

A pecuária extensiva, no passado, foi outra atividade muito praticada, gerando muitos impactos negativos. O gado era criado solto e o meio ambiente cuidava de sua alimentação, pois encontrava-se muitos alimentos “no mato”. A partir daí foram desencadeados processos de degradação, pois o número de animais se fazia muitas vezes superior à capacidade de suporte dos pastos, ocasionando compactação dos solos, erosão, perda de fertilidade, assoreamento do curso d’água e, por conseqüência, descapitalização, migração e êxodo rural.

Verifica-se que a ação de sensibilização sobre a magnitude destas questões tem sido motivada a partir da crescente preocupação da população local e instituições diversas quanto ao problema do acesso à água, principalmente para o plantio e criação de animais.

Um importante passo foi dado com a implementação do Programa de Recuperação e

(Parte 1 de 4)

Comentários