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– a noção de que as ações devem se caracterizar pela integralidade (atendimento a todos, sem distinção), resolutividade (capacidade de dar solução aos problemas de saúde da comunidade) e intersetorialidade (colaboração entre os diferentes setores);

– a importância do estímulo à participação social.

Esse é um trabalho complexo, que exige dos profissionais conhecimentos específicos da sua profissão (método clinico e fundamento de enfermagem), além de conhecimento do método epidemiológico. Exige, igualmente, bom senso para trabalhar as relações interpessoais, ou seja, capacidade para lidar com as várias dimensões do ser humano.

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Pólo de Capacitação – o que é e como funciona

2O Pólo de Capacitação é o espaço de articulação de uma ou mais entidades voltadas para a formação e educação permanente de recursos humanos em saúde. Essas entidades são vinculadas às universidades ou instituições de ensino superior e se integram com secretarias estaduais e municipais de saúde para implementarem programas de capacitação destinados aos profissionais de Saúde da Família.

2Os Pólos de Capacitação, portanto, formam uma rede de instituições comprometidas com a integração ensino-serviço, voltadas para atender à demanda de pessoal preparado para o desenvolvimento da estratégia de saúde da família, no âmbito o SUS.

2Os Pólos vêm possibilitando, aos profissionais de Saúde da Família, a adequação e o desenvolvimento de habilidades de forma a capacitá-los para a abordagem da atenção, exercida de forma contínua, integral e coordenada.

2Já estão implantados em todos os estados. Essa rede congrega, atualmente, mais de 100 instituições de ensino superior – Universidades, Faculdades e

Escolas de Medicina e Enfermagem – e vem exercendo um importante papel junto aos gestores do SUS na formulação e operacionalização de uma agenda de trabalho voltada para orientar a formação, capacitação e educação permanente das Equipes de Saúde da Família.

2Os Pólos oferecem um conjunto de ações, voltadas para curto, médio e longo prazo.

Curto prazo –Ofertar capacitação introdutória, cursos de atualização destinados às abordagens coletiva e clínica individuais (com prioridade nas áreas estratégicas da atenção básica), objetivando a melhoria permanente da resolutividade por parte das equipes. Contribuir no processo de acompanhamento e avaliação do desempenho dessas equipes.

Médio e longo prazo –Implantar programas de educação permanente, promover transformações em nível de graduação, cursos de pós-graduação que envolvem especialização em Saúde da Família e residência em caráter multiprofissional.

Os recursos financeiros alocados pelo Ministério da Saúde para essas atividades são provenientes do orçamento federal e de empréstimo internacional, por intermédio do Projeto Reforsus.

O Ministério da Saúde já assinou contratos com várias instituições de ensino superior, de todo o Brasil, para a realização, em 2002, de 70 cursos de especialização (2.100 profissionais beneficiados) e 24 residências multiprofissionais (480 profissionais beneficiados).

84Guia Prático do PSF

Qual a metodologia recomendada?

Os profissionais de saúde, no dia-a-dia de seu trabalho, mantêm contato direto com a população, vêem de pertoa realidade social, econômica e cultural das comunidades inseridas no PSF. Portanto, a metodologia a ser usada para ajudar na compreensão desses problemas deve ter como princípio essa experiência, estimulando a reflexão de meios para a construção das práticas profissionais, buscando novas soluções para as dificuldades encontradas.

Cursos com momentos de concentração e dispersão são sugeridos às equipes de Atenção Básica, uma vez que propiciam momentos de reflexões com foco na realidade vivida pelos profissionais. Recomenda-se que a educação permanente envolva todos os componentes das Equipes da Saúde da Família, o que ajuda a fortalecer o trabalho em equipe e as relações entre as pessoas (veja na página 82 informações mais detalhadas sobre educação permanente).

Os conteúdos específicos de cada categoria profissional devem ser abordados em separado. O conteúdo poderá ser orientado por módulos, segundo as recomendações do Caderno de Atenção Básica Nº 3 – Educação Permanente.

Para cada módulo e objetivo, sugerimos a utilização de técnicas complementares de ensino que poderão ser utilizadas pelo instrutor (facilitador), tais como: exposição oral, dramatização, estudo de caso, trabalho em grupo, colagens, discussões coletivas, atividades práticas, exibição e discussão de vídeos.

Espera-se que o instrutor tenha:

– conhecimento sobre a evolução das políticas públicas de saúde e a estratégia da Saúde da Família como eixo de reorientação da Atenção Básica;

– experiência em articulação e negociação de interesses e conflitos;

– algum domínio de metodologias pedagógicas problematizadoras (em que se dá forma aos diferentes problemas);

– conhecimento da estrutura e funcionamento do sistema de saúde local.

ATENÇÃO!Caso necessário, os instrutores deverão receber uma capacitação técnico-pedagógica, podendo contar com os Pólos de Capacitação e Educação Permanente para Saúde da Família, existentes em todas as Unidades da Federação.

Como realizar a Educação Permanente?

Após o treinamento introdutório, as equipes são inseridas em um processo de educação permanente, para possibilitar o desenvolvimento constante de suas competências como equipe generalista.

As Equipes de Saúde da Família devem estar preparadas para:

– atuar nas áreas já definidas como estratégicas: controle da tuberculose, da hipertensão e da diabete mellitus, eliminação da hanseníase, ações de saúde da criança, saúde da mulher e saúde bucal;

Guia Prático do PSF 85

– prestar atenção integral e contínua a todos os membros das famílias da população adstrita à USF, em cada uma das fases de seu ciclo de vida;

– ter consciência do compromisso de dar atenção integral também aos indivíduos saudáveis da comunidade;

– participar do processo de planejamento das ações de saúde em sua área de abrangência, tendo por base o conhecimento da realidade social, econômica, cultural, e o perfil epidemiológico da população, com enfoque estratégico;

– ter capacidade de agir em sintonia com os demais integrantes da equipe, individualmente e em grupo,

Vigilância nutricional, vacinação, assistência às doenças prevalentes na infância

Ações de promoção de saúde do adolescente

Pré-natal, prevenção de câncer de colo do útero e planejamento familiar

Ações para controle de diabetes Melittus, hipertensão, ações para promoção da saúde do trabalhador

Ações de promoção da qualidade de vida e saúde do idoso

Busca ativa de casos, diagnóstico clínico, tratamento supervisionado dos casos BK+, tratamento e acompanhamento dos casos BK-, e outras ações para prevenção e controle da tuberculose

Busca ativa de casos, diagnóstico clínico, cadastramento dos portadores, tratamento supervisionado dos casos, controle das incapacidades físicas e outras medidas preventivas

Atenção clínica, promoção à saúde e ações de controle e estabilização das patologias bucais com vistas ao auto-cuidado

Módulo Saúde da Criança

Módulo Saúde do Adolescente Módulo Saúde da Mulher

Módulo Saúde do Adulto

Módulo Saúde do Idoso

Controle da Tuberculose

Eliminação da Hanseníase Módulo Saúde Bucal compreendendo o significado do trabalho em equipe, o seu papel e o sentido da complementaridade das ações no trabalho em saúde.

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