Produtos de limpeza industrializados X caseiros: Sustentabilidade e saúde pública

Produtos de limpeza industrializados X caseiros: Sustentabilidade e saúde pública

Universidade do Estado de Minas Gerais

Escola de Ciências Naturais e Exatas

Química: 3º Período

Matéria: Estatística Geral e Aplicada

Professor: Kennedy Freitas

Produtos de limpeza industrializados X caseiros:

Sustentabilidade e saúde pública

Ubá (MG), 06 de julho de 2009

Produtos de limpeza industrializados X caseiros:

Sustentabilidade e saúde pública

Alunos:

  • Adriano Ribeiro Cunha

  • Camila Rodrigues Ruffato

  • Débora Guimarães de Oliveira

  • Eduardo de Souza Satiro

  • Juliana Grossi Vieira

  • Naiara Moreira Condé

  • Renato de Oliveira Assis

Ubá (MG), 06 de julho de 2009

SUMÁRIO

RESUMO 3

PALAVRAS-CHAVE 3

1 – INTRODUÇÃO 3

2 – OBJETIVO 5

3 – METODOLOGIA 5

4 – RESULTADOS 6

5 – CONCLUSÕES 9

6 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 10

7 – ANEXOS 11

Resumo:

A realidade do mercado dos produtos de limpeza (aqueles destinados a higienização de casas, locais de trabalho, entre outros) se constrói por uma disputa ampla entre os fabricantes formais e os clandestinos. No Brasil, cabe a Agência Nacional de Saúde (ANVISA) fiscalizar a eficácia e qualidade da demanda de produtos de limpeza, antes de serem vendidos aos consumidores.

Este estudo teve por objetivo avaliar a preferência da população de Ubá/MG e região na hora da compra do produto de limpeza: industrializado ou caseiro, destacar se os mesmos estão cientes dos prejuízos e riscos que os produtos ilegais causam a si próprios e/ou ao meio ambiente. A pesquisa adotou uma abordagem quantitativa, realizada por meio de duzentos questionários.

Os resultados obtidos foram os esperados, nos atentando ao fato de que não podemos mais ter uma relação com a natureza de meros expectadores; somos parte integrante da natureza, e temos o dever de minimizar impactos, buscar alternativas de melhoria de condições de vida e preservação do meio ambiente.

Palavras – Chaves: Produtos de limpeza, Industrializados, caseiros, saúde pública, meio ambiente, fabricantes formais e informais.

1. INTRODUÇÃO

Nestes tempos em que a informação assume um papel cada vez mais relevante, ciberespaço, multimídia, internet, a educação para a cidadania representam a possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas para transformar as diversas formas de participação e qualidade da vida. Nesse sentido cabe destacar a educação ambiental que assume cada vez mais uma função transformadora, tornando-se objetivo essencial para promover um novo tipo de desenvolvimento – o desenvolvimento sustentável (Jacobi, 2003).

A toxicologia moderna estuda as substâncias capazes de contaminar o meio ambiente e provocar danos aos organismos vivos, como os produtos químicos, de higiene e limpeza (Moreira, 2004).

Produtos saneantes classificados quanto à finalidade de uso, como produtos para limpeza geral e afins são definidos na Resolução RDC no184, de22/10/01, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, como aqueles destinados à higienização de objetos inanimados e/ou ambientes domiciliares, coletivos e/ou públicos, tanto para fins domésticos quanto para fins profissionais. Esta resolução, que define os procedimentos adotados para o registro de produtos saneantes, estabelece que as empresas legalmente a produzir ou importar estão sujeitas a verificação do cumprimento das Boas Práticas de Fabricação e Controle. (Bugno, 2003).

Produtos de Limpeza usados no Brasil

Média (Porcentagem)

Água Sanitária

90%

Alvejante

55%

Desinfetante

60%

Sabão em pó

95%

Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)

Os produtos de limpezas englobam os “clandestinos” mais conhecidos como caseiros feitos nas próprias residências e os industrializados. No que se refere ao controle de produtos saneantes, existe uma rivalidade no mercado entre produtos que são regularizados perante a ANVISA e os produtos que são fabricados e vendidos informalmente, ou seja, os produtos clandestinos. Devido a essa grande concorrência a ANVISA disponibilizou em seu site uma cartilha que se denomina: Orientações para os Consumidores de Saneantes (ANVISA, 2003) e na sua introdução afirma:

Produtos que estão à venda e que não passaram pela avaliação do Ministério da Saúde são considerados clandestinos (piratas).

A Vigilância Sanitária é a responsável pela fiscalização desses produtos. São produtos que não têm qualquer avaliação de que dão bons resultados e de que são seguros ao serem usados, manuseados ou armazenados; na maioria das vezes, não têm ação contra os germes e/ou não limpa nas superfícies, porque suas formulações não possuem ingredientes próprios para isto, ou quando os contêm, não estão em quantidades suficientes.

Segundo a Associação Brasileira do Mercado Institucional de Limpeza (Abralimp) estima-se que o comércio clandestino de produtos de limpeza, feito em pequenos estabelecimentos ou por caminhões com água sanitária, sabão, detergente etc., que circulam pelas ruas dos bairros, seja responsável por 30% do mercado atual.

De acordo com a ANVISA quando o consumidor adquire um produto clandestinamente, não tem qualquer tipo de garantia sobre a confiabilidade do que está comprando, uma vez que desconhece o conteúdo das substâncias. Se o item ilegal for um saneante (produtos de limpeza e conservação, como água sanitária, sabão e detergente), além de não haver garantias de qualidade, põe-se em risco a segurança e a saúde de quem compra e de seus familiares. Desintoxicar uma vítima do saneante ilegal é mais difícil, pois não há informações sobre os componentes da fórmula e que procedimentos devem ser adotados. O produto comercializado legalmente reúne várias informações úteis, como sua composição química, número do registro no Ministério da Saúde e um telefone para atendimento de emergência.

Um dos aspectos mais graves do uso de saneantes clandestinos é que boa parcela das vítimas é formada por crianças, atraídas por garrafas de refrigerante utilizadas como recipientes, com líquidos coloridos e perfumados.

2. OBJETIVO

Realizar um levantamento com a população de Ubá/MG e região sobre qual o tipo de produto de limpeza mais utilizado: caseiros ou industrializados. Observar o perfil dos consumidores: como lidam com esses produtos e se sabem os riscos que eles estão expostos.

3. METODOLOGIA

O estudo se realizará na cidade de Ubá – MG e região (Piraúba, Tocantins e Guiricema). Situado na zona da mata mineira. Será feito um levantamento bibliográfico em periódicos científicos, livros e pesquisas de natureza exploratória sobre o tema abordado.

Para a realização deste estudo, a população alvo será os consumidores de produtos de limpeza (na maioria as donas de casa) escolhidos aleatoriamente de acordo com a necessidade de pesquisa.

De acordo com os objetivos deste estudo, optou-se pela utilização da abordagem quantitativa, julgando-a bastante adequada para se obter o conhecimento sobre a realidade.

A técnica de coleta e construção de dados será feita através da aplicação de questionários aos consumidores, com o intuito de verificar a preferência destes em relação aos produtos de limpeza industriais ou caseiros, levando em consideração se eles tem consciência dos danos gerados a si próprios e ao meio ambiente.

Após a aplicação dos questionários os dados obtidos foram organizados, gerando assim gráficos e tabelas para uma análise, entendimento e melhor apresentação dos resultados finais. Tais artifícios foram gerados por meio de softwares estatísticos adequados.

4. RESULTADOS

A

Faixa etária dos entrevistados

IDADE

FREQUÊNCIA

PM

11 — 20

35

15,5

21 — 30

35

25,5

31 — 40

40

35,5

41 — 50

42

45,5

51 — 60

21

55,5

61 — 70

15

56,5

71 — 80

10

75,5

81 — 90

2

85,5

200

*Dados obtidos a partir de questionários.

través dos questionários aplicados foi possível traçar o perfil dos entrevistados em relação à faixa etária e escolaridade.

Formação escolar dos entrevistados

ESCOLARIDADE

Nº DE PESSOAS

ANALFABETOS

5

FUND. INCOMP.

59

FUND. COMP.

42

MÉDIO INCOMP.

23

MÉDIO COMP.

46

SUPERIOR INCOMP.

18

SUPERIOR COMP.

7

200

*Dados obtidos a partir de questionários.

Sendo a maioria dos entrevistados com formação escolar de ensino fundamental incompleto e de idade entre 41 a 50 anos.

Em relação aos produtos de limpeza, os mais utilizados em toda região analisada estão expressos no seguinte gráfico:

Gráfico 1

Sendo que estes produtos são comprados nos estabelecimentos citado no gráfico abaixo:

Gráfico 2

No gráfico de setor abaixo temos a relação entre a porcentagem de utilização dos produtos caseiros e industrializados:

Gráfico 3

Já nesse gráfico, temos a porcentagem da opinião dos consumidores sobre a eficiência desses produtos em suas tarefas domésticas. Observamos que a maioria dos consumidores acha que os produtos de limpeza industrializados são mais eficientes:

Gráfico 4

O gráfico 5 tem a finalidade de demonstrar a preferência das pessoas na hora da escolha do produto de limpeza a ser comprado.

Gráfico 5

Foi perguntado aos consumidores se eles tinham consciência que os produtos de limpeza podem trazer inúmeros danos ao meio ambiente e através das informações colhidas traçamos o seguinte gráfico.

Gráfico 6

Em sequência ao gráfico anterior o gráfico 7 aborda a porcentagem dos consumidores que levam em consideração os danos provocados pelos produtos ao meio ambiente na hora da compra.

Gráfico 7

E foi possível verificar na entrevista a porcentagem dos consumidores que tinham ou tem atenção sobre o assunto abordado: Gráfico 8

E qual a sua opinião no que diz respeito à má divulgação dos ricos corridos por eles:

Gráfico 9

5. CONCLUSÕES

Este projeto trabalhou com uma amostra de 200 entrevistados, sendo sua maioria do sexo feminino, com faixa etária de maior relevância entre 31 a 50 anos de idade, sendo em maioria as donas de casa, já que são elas o nosso público alvo. Pode-se perceber que grande parte dessa amostra trata-se de pessoas com um menor nível escolar, sendo a maioria de ensino fundamental incompleto, o que pode influenciar o conhecimento e opinião dos mesmos sobre o assunto, influenciando portanto nossos dados obtidos .

Foi possível observar que essas pessoas utilizam um número bastante elevado de produtos de limpeza sendo eles de diversas utilidades, comprados em sua maioria nos supermercados, mais não descartando os produtos ditos caseiros, comprados por ambulantes em garrafas reutilizadas (ex.: garrafa pet) e sem nenhum tipo de identificação, fórmula ou número a quem ligar em caso de emergência ou reclamações, já que não possuem rótulo esses produtos “caseiros” quando são comercializados são chamados de clandestinos, pois ninguém tem permissão para vender algo sem registro, mas também existem os que parecem industrializados com rótulo e tudo mais que às vezes também não possuem registro na ANVISA porém são comercializados como se tivessem permissão.

Foi possível analisar que 74% dos consumidores utilizam produtos industrializados e 26% produtos caseiros, e que a maioria acha que os industriais são mais eficientes, contudo alguns entrevistados entendem que ambos são eficientes e até mesmo os caseiros além da vantagem de preço oferecido e certo patamar de qualidade destacado pela porcentagem a seu favor.

Podemos destacar também que em todas as cidades presentes no trabalho, a maioria das pessoas compra de acordo com o preço sem saber às vezes que o barato pode sair muito caro!

O gráfico-6 nos mostra que 67% dos entrevistados tem consciência de que produtos de limpeza podem trazer vários danos ao meio ambiente, como poluição dos cursos hídricos, e consequentemente a morte de vários peixes e outras espécies aquáticas. No gráfico-7, 49% dos mesmos entrevistados confirmam que na hora da compra do produto não levam em consideração os danos ambientais que podem ser provocados, mostrando controvérsias entre a consciência e a atitude dos entrevistados. Podendo ser pelo fato de que quanto menor o grau de escolaridade das pessoas, menos informações elas tem, e às vezes nem sabem o que estão comprando e usando. Outra controvérsia é que 58% dizem já ter atenção sobre o assunto e no gráfico-9 a maioria acha que os riscos que eles estão expostos são mal divulgados.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Produtos de limpeza clandestinos.Disponível em:

< http://www.anvisa.gov.br/conhecimento/index.htm>.Acesso em:14.Maio.2009.

Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional (ABRALIMP).Disponível em: <http://www.abralimp.org.br/modulos/noticias/?notgrp=2>. Acessoem:20.maio.2009.

BUGNO, A. Avaliação da qualidade microbiológica de produtos saneantes destinados à limpeza.Disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/rbcf/v39n3/13.pdf>.Acesso em:20.maio.2009.

Clandestinos são a maior ameaça à saúde pública.Disponível em:< http://www.abipla.org.br/clipping/abiplanoticias200602>. Acesso em:20.maio.2009.

Conselho regional de Química (CRQ). Produtos químicos indispensáveis da limpeza doméstica à esterilização de artigos cirúrgicos. Disponível em: <

http://www.crq4.org.br/default.php?p=texto.php&c=quimica_viva__saneantes>. Acesso em:2.junho.2009.

FERREIRA.S.G.As falhas de mercado para os produtos de limpeza considerando a atuação da ANVISA e a concorrência entre os fabricantes formais e informais. Disponível em: < http://www.bdtd.ufpe.br/tedeSimplificado//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3222>.Acesso em:1.junho.2009. 

 

JACOBI,P. EDUCAÇÃO AMBIENTAL, CIDADANIA E SUSTENTABILIDADE. Disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/cp/n118/16834.pdf >.Acesso em: 21.maio.2009.

MOREIRA,C.S. ANÁLISE RETROSPECTIVA DAS INTOXICAÇÕES ADMITIDAS NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA UFJF NO PERÍODO 2000-2004.Disponível em: <http://www.abrasco.org.br/cienciaesaudecoletiva/artigos/artigo_int.php?id_artigo=740>. Acesso em:21.Maio.2009.

Orientações para os Consumidores de Saneantes. Disponível em:< http://www.anvisa.gov.br/saneantes/cartilha_saneantes.pdf>.Acessoem:2.junho.2009

Produtos de limpeza "piratas" trazem riscos à saúde.Disponível em: <http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=36935>.Acesso em:12.maio.2009.

7. ANEXOS:

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