Reino Monera

Reino Monera

REINO MONERA

O reino Monera compreende um grupo de organismos muito simples, com estrutura unicelular procarionte, autótrofos ou heterótrofos, isolados, embora algumas espécies podem apresentar-se como coloniais. Tem como representantes as bactérias e as algas azuis ou cianofíceas (cianobactérias).

As evidências evolutivas demonstram que os organismos procariontes primitivos representam os ancestrais de todas as formas de vida conhecidas em nosso planeta. Além da ausência do envoltório nuclear, condição básica de todo procarionte, as células dos Monera não possuem organelas membranosas, como o retículo endoplasmático, o complexo de Golgi, as mitocôndrias ou os cloroplastos.

Apesar de apresentarem uma simplicidade na organização celular, os representantes do reino Monera demonstram um grande potencial biológico, podendo ser encontrados em todos os tipos de ambientes do planeta, sejam terrestres, aquáticos ou aéreos.

O Reino Monera é atualmente dividido em dois ramos distintos: a divisão Schizomycophyta, que compreende as bactérias, e a divisão Cyanophyta, que compreende as algas azuis ou cianofíceas (cianobactérias).

DIVISÃO SCHIZOMYCOPHYTA (Bactérias)

Morfologia bacteriana

As bactérias são microorganismos de tamanho oscilando entre 1 e 5 mícrons. Podem viver isoladas ou formar colônias sem divisão de trabalho. A forma das bactérias é bastante variada: esférica (cocos), bastonetes (bacilos), espiralada (espirilo), vírgula (vibrião) e outras.

C

ocos são bactérias de forma arredondada, cujo tamanho, em geral, situa-se entre 1 e 5 micra de diâmetro. Apresentam-se isoladas ou formando colônias. Segundo a quantidade de bactérias e sua disposição, as colônias são classificadas em:

Diplococos - colônia de dois cocos;

Tétrade - colônia de quatro cocos;

Sarcina- colônia cúbica de oito ou mais cocos;

Estreptococos- colônia de cocos em fileira;

Pneumococos- colônia de dois cocos em forma de chama de vela;

Estafilococos- colônia de cocos dispostos em cacho;

Gonococos- colônia de dois cocos reniformes (em forma de rim).

Bacilos São bactérias em forma de bastonete, que medem, em regra, de 1 a 15 micra.

Espirilos São bactérias que têm a forma de um bastonete recurvado. Os espirilos propriamente ditos, formam filamentos helicoidais.

Vibrião vibriões, como o Vibrio cholerae, causador da cólera, são bactérias curtas, com espirais incompletas, e têm a forma de vírgula.

Estrutura bacteriana

As bactérias apresentam um envoltório externo à membrana plasmática denominado de parede bacteriana, que é permeável, relativamente rígida e espessa. Este envoltório é responsável pela forma característica de cada bactéria. É o que difere da parede celulósica das células vegetais. Além da parede celular, algumas bactérias podem apresentar uma outra camada mais externa de espessura e composição química variada denominada de cápsula gelatinosa. Esta cápsula tem consistência mucosa e provavelmente relaciona-se com a função de adesão e com os mecanismos de defesa bacteriana, pois a maioria das bactérias patogênicas a possui, e os leucócitos fagocitários têm mais dificuldade de destruir este tipo de bactéria. Muitas bactérias possuem mobilidade graças aos movimentos executados pelos seus flagelos. Estes filamentos protéicos ligados à membrana e à parede celular podem distribuir-se por toda a superfície da célula ou concentrar-se apenas nos pólos. Já as fímbrias encontradas em algumas bactérias caracterizam-se por serem mais curtas, mais finas e muito mais numerosas. As fímbrias têm a função de permitir a fixação das bactérias entre si ou a outros tipos de células. A membrana plasmática das bactérias é de constituição lipoprotéica e reveste o citoplasma. É possível surgirem invaginações da membrana plasmática, formando um complexo denominado de mesossomo. Tais invaginações aumentam a superfície da membrana e acumulam enzimas respiratórias, assumindo, portanto, a tarefa das mitocôndrias na respiração celular. O citoplasma bacteriano é um colóide formado por água, proteínas, íons e diversos outros tipos de moléculas. Em seu interior, não se observam organelas membranosas e, sim, pequenos vacúolos e numerosos grânulos de ribossomos responsáveis pela síntese de proteína. Mergulhado no interior do citoplasma encontra-se o material nuclear constituído por moléculas de DNA, cujo filamento cromossômico formado solda suas extremidades a um bloco de proteína, de modo a formar um anel denominado nucleóide. É nele que se encontram todos os genes necessários ao comando da síntese de proteínas, permitindo o funcionamento, o crescimento e a reprodução das bactérias.

Nutrição bacteriana

A maioria das bactérias apresenta nutrição heterótrofa, vivendo principalmente como parasitas de organismos vivos ou decompositores de cadáveres. As bactérias parasitas são responsáveis pelo surgimento de inúmeras infecções em plantas e animais. As bactérias decompositoras são responsáveis pela reciclagem de matéria orgânica na natureza, pois degradam moléculas orgânicas complexas, tornando-as disponíveis para outras formas de vida. Um grupo mais restrito de bactérias é dotado da capacidade de nutrir-se autotroficamente, realizam o processo da fotossíntese, porém este processo não é o mesmo realizado pelos vegetais. As bactérias quimiossintetizantes, não possuem pigmentos fotorreceptores e, portanto, a luz não é fonte de energia para a síntese de seus compostos orgânicos. A energia de que necessitam para as suas sínteses orgânicas é obtida através da oxidação de certos compostos inorgânicos.

Respiração bacteriana

As bactérias aeróbias, vivem somente na presença de oxigênio molecular livre (O2). As bactérias anaeróbias podem ser restritas, ou seja, não suportam o oxigênio, morrendo em sua presença.

Reprodução bacteriana

A reprodução mais comum nas bactérias é assexuadapor bipartiçãoou cissiparidade. Ocorre a duplicação do DNA bacteriano e uma posterior divisão em duas células. As bactérias multiplicam-se por este processo muito rapidamente quando dispõem de condições favoráveis.

Em bactérias, pode-se observar alguns fenômenos de transferência e incorporação de material genético, constituindo provavelmente os primórdios da reprodução sexuada.

1. A transformação em que uma bactéria pode absorver fragmentos de cromossomos de bactérias mortas dispersos no meio. Este novo fragmento recombina-se com o cromossomo da bactéria receptora, formando novas misturas de genes. Quando a bactéria se reproduzir assexuadamente, esta nova combinação de genes será passada para as células-filhas.

2. Na transdução, ocorre a transferência de moléculas de DNA de uma bactéria doadora para outra receptora. A transferência é feita com a utilização do vírus bacteriófago como vetor. Ao se formarem no interior de uma bactéria hospedeira, estes vírus podem trazer um fragmento de DNA bacteriano. Quando for infectar outra bactéria, o vírus transfere o DNA bacteriano junto com o seu. Caso a bactéria infectada sobreviva, incluirá os genes de uma outra bactéria ao seu patrimônio genético.

3. Na conjugação, formam-se pontes citoplasmáticas entre duas bactérias, permitindo a transferência de um fragmento de cromossomo de uma doadora para uma receptora. O DNA transferido incorpora-se ao DNA da bactéria receptora, formando novas combinações genéticas que serão transferidas aos descendentes.

Importância das bactérias

As bactérias representam a maior parcela do material vivo deste planeta e também possuem capacidade extraordinária de reprodução. Deduz-se, portanto, que são as responsáveis pelo maior parte das trocas químicas realizadas entre os seres vivos e o planeta. Se não fosse pela atividade decompositora das bactérias e certos fungos, viveríamos sobre pilhas de fezes e cadáveres. No entanto, esses resíduos apodrecem e desaparecem rapidamente do meio ambiente pela ação dos agentes decompositores, entre eles, as bactérias. A fertilidade dos solos também tem influência direta das bactérias. Certas bactérias participam do ciclo biogeoquímico do nitrogênio, que é um elemento fundamental para a construção das proteínas dos seres vivos. Algumas bactérias podem fixar o nitrogênio atmosférico (N2) em suas estruturas celulares, e outras podem liberar nitratos (NO3) como subproduto do seu metabolismo. A bactéria recebe em troca os carboidratos produzidos pela planta. A indústria de lacticínios utiliza cepas de bactérias dos gêneros Streptococcus e Lactobacillus para a produção de iogurtes, queijos, leites fermentados e outros. As bactérias do gênero Acetobacter são utilizadas na produção de vinagre. O condimento de nome comercial aji-no-moto é obtido a partir da bactéria Corynebacterium.

DIVISÃO CYANOPHYTA (Algas azuis ou cianofíceas)

As cianofíceas ou algas azuis são como todos os moneras, seres de estrutura celular procarionte. Apresentam uma organização semelhante à das bactérias. Podem ser individuais ou formar colônias filamentosas de até um metro de comprimento, como a Anabaena e Nostoc. Apresentam uma parede celular de composição semelhante a das bactérias. Algumas espécies apresentam uma cápsula mucilaginosa externa. A membrana é lipoprotéica e envolve o citoplasma onde estão presentes os ribossomos e os pequenos vacúolos que armazenam substâncias nutritivas e o amido das cianofíceas. Realizam a fotossíntese, embora não apresentem plastos, apenas lamelas fotossintetizantes. A clorofila presente é do tipo a e está localizada sobre as lamelas ou dispersa pelo citoplasma. Outros pigmentos acessórios, como a ficocianina, ficoeritrina e outros carotenóides, podem estar presentes. O material genético, assim como nas bactérias, é constituído por DNA e encontra-se no citoplasma. A reprodução freqüente nas cianofíceas é a bipartição ou cissiparidade. As colônias filamentosas podem reproduzir-se assexuadamente por hormogonia. Este processo consiste na quebra de pequenos fragmentos da colônia original. Os pequenos fragmentos denominados hormogônios originam novos filamentos coloniais. Já os acinetos são esporos resistentes a condições ambientais desfavoráveis que permitem à cianofícea sobreviver em condições especiais. Não são conhecidas as formas de reprodução sexuada entre as cianofíceas, mas é provável que possuam algum mecanismo de recombinação de seus genes. As cianofíceas podem ser encontradas na água doce, salgada ou salobra, no solo úmido, sobre casca de árvores, rochas ou até mesmo em fontes termais com temperatura superior a 80ºC. Assim como certas bactérias elas também possuem a capacidade de fixar o nitrogênio do ar (N2), transformando em nitratos (NO3) disponíveis aos vegetais. As cianofíceas possuem uma extraordinária capacidade de adaptação aos mais variados e extremos ambientes. Por isso, constituem-se em excelentes exemplos de espécies colonizadoras, pioneiras de regiões abióticas.

Nostoc sp.

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