Concepções de ead e de tutor na experiência do pró-licenciatura em geografia da uepg

Concepções de ead e de tutor na experiência do pró-licenciatura em geografia da...

Alex Caetano da SILVA* Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG

Renato PEREIRA** Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG

Resumo: A sociedade pós-moderna exige, cada vez mais, pessoas capacitadas, atualizadas e familiarizadas com os novos tipos de conhecimento, com a educação não é diferente, cada vez mais se exige que o profissional domine as novas tecnologias. Atualmente se encontram em experiência, no Brasil, cursos de graduação e especialização a distância, ofertadas por instituições públicas e privadas. O presente trabalho tem a intenção de trazer reflexões sobre a EaD, pensar o papel do professor tutor em educação a distância, sua influência, contribuição e as características necessárias para atuar nessa modalidade. Como ponto focal, trouxe-se para análise a experiência da UEPG através do Programa Pró-Licenciatura em Geografia. Assim, sabese que a educação a distância não é mais uma inovação passageira, além de expandir os horizontes para a prestação de serviços em educação, se constitui em mais uma opção para romper as fronteiras e diminuir as distâncias para que se atendam também os esquecidos e excluídos do processo educacional.

Palavras-chave: Educação a distância. Tutoria. Formação profissional.

Refletir sobre o ensino e seus elementos não é tarefa das mais simples.

Todas as evoluções técnicas e tecnológicas impostas pelo pós-moderno (HARVEY, 1996), trouxeram vários pontos de interrogação neste início de século/milênio. O contraste tempo-espaço em que vive a escola desde a sua concepção – salvo as transformações ocorridas nos métodos – faz com que professor e aluno idealizem uma nova forma de pensar o ensino. A educação a distância vem ao encontro desses agentes, pois permite que se flexibilize tempo e espaço, permitindo que se estude e pesquise tanto presencial quanto virtualmente. Moran (2008) salienta que com a flexibilidade procura-se adaptar-se as diferenças individuais, respeitar os diversos ritmos de aprendizagem, integrar as diferenças locais e os contextos culturais.

* Professor da Rede Estadual de Ensino de Santa Catarina. Tutor de polo pelo Programa Pró-

Licenciatura em Geografia da UEPG.

** Acadêmico do Curso de Licenciatura em Geografia da UEPG. Atua no Núcleo de Tecnologia e

Educação Aberta e a Distância – NUTEAD, da UEPG.

Este trabalho, por ter caráter teórico-prático, não se restringe apenas a trazer de maneira sistematizada os elementos que compõe um artigo científico convencional, mas busca trazer reflexões importantes para que se desmitifique o papel do tutor nessa nova e velha forma de ensinar – a Educação a Distância (EaD). Nova, por que faz uso de novas tecnologias e velha, porque mudam apenas os meios, mas, traz em seu bojo as mesmas finalidades.

A pesquisa, também, tem o intuito de revelar de maneira pormenorizada alguns nuances dos novos rumos da educação, trazendo como foco de análise a EaD pelo viés do Curso de Licenciatura em Geografia – Programa Pró- Licenciatura, ofertado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) em parceria com o Ministério da Educação (MEC).

Para Moran (2002), a educação a distância é um “processo de ensino-

A opção do estudo a distância está em grande crescimento no Brasil, acompanhando a evolução tecnológica da Internet. Segundo levantamento feito pelo Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância (ABRAED), em 2008, ocorreu, no período entre 2004 e 2007, um crescimento de 213% na oferta de cursos na modalidade a distância e um crescimento superior a 215% no número de discentes matriculados. É preciso lembrar que essa evolução está atrelada ao crescente número de pessoas que tem acesso a rede mundial de computadores. aprendizagem mediado por tecnologias, onde professores e alunos estão separados espacial e/ou temporalmente”. Em consonância, Vianney et al (2003, p. 48), diz que a EaD é um processo de desenvolvimento pessoal e profissional no qual professores e estudantes interagem virtual ou presencialmente, por meio da utilização didática de tecnologias da informação e da comunicação, bem como de sistemas apropriados de gestão e avaliação, mantendo a eficácia do ensino e da aprendizagem.

educação a distância também “estabelece uma rede entre pessoas e recursos,

Seguindo o mesmo raciocínio, Tarouco et al (2003, p. 3) mostra que a utilizando as tecnologias de informação e de comunicação para fins de aprendizagem”.

De acordo com Sá (1999), percebe-se que esta modalidade passa a ter um papel social decisivo no atendimento aos “excluídos” da educação regular. Ribas (2008) assevera que a educação a distância sintetiza preceitos da democratização da educação, surgindo para responder uma série de necessidades educacionais, principalmente a formação de um público cuja escolarização foi interrompida, disperso geograficamente e impossibilitado de se deslocar para os centros de formação. (op cit.).

No Brasil, atualmente, encontram-se em experiência vários cursos de graduação e especialização a distância ofertados por instituições tanto públicas como privadas. O portal ABRAEAD (2008) indica que, em 2007, verificou-se a existência de 438 cursos em nível de graduação na modalidade de EaD nas 257 instituições de ensino superior do país.

Pode-se dizer que esse modelo de ensino tem as características e são marcas da sociedade pós-moderna, como apresenta Harvey (1996), pois segue as características do mercado de trabalho atual, exigindo pessoas dinâmicas, capacitadas, atualizadas e familiarizadas com as novas tecnologias. Assim, a educação a distância se constitui em um grande desafio tanto por parte da instituição proponente como do aluno e do professor.

Dos programas ofertados pela Universidade Estadual de Ponta Grossa

(UEPG) em parceria com o Ministério da Educação (MEC), encontra-se o Pró- Licenciatura, que oferece além do Curso de Licenciatura em Geografia, os cursos de História, Educação Física e Letras: Português/Espanhol. Nestes programas, são envolvidos diversos atores desde a produção até a chegada do material na mão do aluno. Nesse processo é preciso que estejam em sintonia autores, revisores, diagramadores, secretários, coordenador do curso, dentre outros. Ressalta-se neste trabalho, a figura do tutor, que pode ser responsável pelo polo ou pelas atividades on line. Esses profissionais podem recebem a denominação de tutor de polo ou tutor on line, respectivamente.

“O que é um tutor?”; “Quais as contribuições do tutor para a educação a distância?”; “Que habilidades são necessárias para se tornar um tutor?”; “Como acontece a formação do tutor?” são questões que passam pela cabeça de quem pretende exercer essa atividade. É crescente a procura por pessoas que possam atuar neste ramo do conhecimento, mas, afinal, quem se encontra habilitado? Não se trata apenas do profissional que saiba fazer uso do computador, navegar na web ou utilizar o e-mail. O tutor é responsável por grande parte do processo, tem a função de orientar, acompanhar e estimular, compreendendo ainda o contato com os estudantes no procedimento avaliativo.

Sobre as atividades do tutor, é preciso salientar que ambos exercem funções distintas, entretanto de extrema importância para o bom desenvolvimento do curso. O tutor on line, apesar de estar distante fisicamente, precisa estar pronto para sanar dúvidas pedagógicas ou referentes às disciplinas, constitui-se num “facilitador da aprendizagem”, tendo com principal forma de contato a plataforma, o e-mail e o telefone (NUTEAD, 2009).

O tutor de polo, ou presencial, está mais ligado aos aspectos administrativos e burocráticos, não lhe compete tirar dúvidas referentes ao conteúdo (NUTEAD, 2009). Não obstante, pela proximidade, torna-se um amigo e se destaca no suporte às questões referentes à plataforma ou ao ambiente virtual de aprendizagem.

Para o bom andamento das atividades, é indispensável para esses profissionais o pleno domínio das ferramentas utilizadas.

Com o mundo globalizado, o cidadão está acostumado a assistir à televisão, via internet, com centenas de opções de canais, a escutar sua emissora de rádio preferida pelo celular e ao mesmo tempo estar “teclando” ou batendo papo em tempo real com vários amigos em outro país sem precisar pagar altas taxas por isso. Há uma compressão nas dimensões do tempo e de espaço, pois tudo se torna mais perto e mais rápido (HARVEY, 1996).

A EaD apresenta essas características em um ambiente propício a aprendizagem, além de proporcionar inúmeras possibilidades para a universalização e democratização do ensino, assim como na superação dos limites do tempo e do espaço (FRAGALE FILHO, 2003). Enquanto na aprendizagem presencial se aproveita a infra-estrutura de um prédio com salas de aula, quadros, giz, carteiras e bibliotecas, a educação a distância utiliza ferramentas on line, sendo para isso necessário um ponto de acesso à internet e um computador.

Outro aspecto a se considerar é que a educação a distância, além de ampliar a oportunidade de formação inicial e/ou continuada, também gera mais emprego para os profissionais que estão aceitando este novo desafio. Não se pode esquecer que a educação a distância não é mais uma inovação passageira e nem mais um modismo, ela vem se tornando “uma autêntica revolução de expansão pela sua capacidade de liberar as limitações tradicionais das salas de aula, reduzir os custos e tornar-se uma fonte de esperança para difundir criticamente os conhecimentos, formar, capacitar e qualificar profissionais” (MARTINS, 1999, p. 85).

ABED. Associação Brasileira de Educação a Distância. Disponível em: < www2.abed.org.br >. Acesso em: 1 out. 2009.

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FRAGALE FILHO, R. (Org.). Educação a distância: análise dos parâmetros legais e normativos. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.

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TAROUCO, L. M. R.; MORO, E. L. S.; ESTABEL, L. B. O professor e os alunos como protagonistas na educação aberta e a distância mediada por computador. Educar,

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VIANNEY, J.; TORRES, P.; FARIAS, E. Universidade virtual: um novo conceito na EAD. In: Ead.Br, experiências inovadores em educação a distância no Brasil, reflexões atuais, em tempo real. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2003.

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