Caderno de educação básica

Caderno de educação básica

(Parte 4 de 10)

Ausência de fatores de risco ou risco pelo escore de Framingham baixo (<10%/ 10 anos) e ausência de lesão em órgãos-alvo

Presença de fatores de risco com risco pelo escore de Framingham moderado (10-20%/10 anos), mas com ausência de lesão em órgãos-alvo

Presença de lesão em órgãos-alvo ou fatores de risco, com escore de Framingham alto (>20%/ano)

PA normal (<120/80)Reavaliar em 2 anos. Medidas de prevenção (ver Manual de Prevenção).

Pré-hipertensão (120-139/80-89)Mudança de estilode vidaMudança de estilode vidaMudança de estilo de vida

Estágio 1 (140-159/90-9) Mudança de estilo de vida

(reavaliar em até 12 meses)Mudança de estilo de vida ** (reavaliar em até 6 meses)

Tratamento Medicamentoso

Estágios 2 (>160 />100)

TratamentoMedicamentoso TratamentoMedicamentoso

Tratamento Medicamentoso

A maioria dos casos de hipertensão arterial não apresenta uma causa aparente facilmente identificável, sendo conhecida como hipertensão essencial. Uma pequena proporção dos casos de hipertensão arterial é devida a causas muito bem estabelecidas, que precisam ser devidamente diagnosticadas, uma vez que, com a remoção do agente etiológico, é possível controlar ou curar a hipertensão arterial. É a chamada hipertensão secundária (Quadro 6). No nível de atenção básica, a equipe de saúde deve estar preparada para diagnosticar, orientar e tratar os casos de hipertensão essencial, que são a maioria. Por outro lado, os casos suspeitos de hipertensão secundária deverão ser encaminhados a especialistas (Quadro 7).

Quadro 6. Causas de hipertensão secundária

• Doença Parenquimatosa Renal (glomerulopatia, pielonefrite crônica, rins policísticos, nefropatia de refluxo);

• Renovascular (aterosclerose, hiperplasia fibromuscular, poliarterite nodosa);

• Endócrina (acromegalia, hipotireoidismo, hipertireoidismo, hiperparatireoidismo, hiperaldosteronismo primário, síndrome Cushing, hiperplasia adrenal, feocromocitoma, uso de hormônios exógenos);

• Coartação de aorta;

• Hipertensão gestacional;

• Neurológicas (aumento de pressão intra-craniana, apnea do sono, quadriplegia, porfiria aguda, disautonomia familiar);

• Estresse agudo (cirurgia, hipoglicemia, queimadura, abstinência alcoólica, pos-parada cardíaca, perioperatório);

• Exógenas (abuso de álcool, nicotina, drogas imunossupressoras, intoxicação por metais pesados);

• Insuficiência aórtica, fístula arterio-venosa, tireotoxicose, doença Paget e beribéri [hipertensão sistólica].

V.HIPERTENSÃOARTERIAL SECUNDÁRIA 20

21Cadernos de Atenção Básica – nº 15 Hipertensão Arterial Sistêmica

Ao atender um paciente hipertenso, o profissional da rede básica de saúde deve procurar por indícios clínicos de hipertensão arterial secundária, a fim de levantar a hipótese diagnóstica e de fazer o devido encaminhamento a especialistas. O Quadro 7 mostra os principais indícios clínicos que devem ser pesquisados para afastar ou confirmar a presença da hipertensão secundária.

Quadro 7. Achados clínicos sugestivos de hipertensão secundária Potássio sérico inferior a 3,5 meq./-1, na ausência de tratamento com diuréticos Proteinúria Hematúria Elevação da creatinina Sopro abdominal Má resposta ao tratamento Ausência de história familiar

Início abrupto e grave de hipertensão, com retinopatia severa, hematúria e perda de função renal (HAS acelerada ou maligna)

Pressão arterial mais baixa nos membros inferiores

Acentuada oscilação de pressão arterial, acompanhada de rubor facial, sudorese e taquicardia paroxística

Início súbito de hipertensão após os 5 anos de idade ou antes dos 30 anos

Na avaliação do paciente hipertenso, a avaliação do risco cardiovascular é de fundamental importância para orientar a conduta terapêutica e o prognóstico de cada paciente. Para a estratificação do risco cardiovascular, é necessário pesquisar a presença dos fatores de risco, das doenças cardiovasculares e das lesões em órgão-alvo, conforme mostra o Quadro 8. A classificação de risco de cada indivíduo deve ser avaliada pelo calculo do escore de Framingham (Ver Caderno de Atenção Básica nº14-Prevenção Clínica de Doença cardiovascular, cérebrovascular e renal crônica).

Quadro 8. Componentes para estratificação do risco individual dos pacientes em função do Escore de Framinghan e de lesão em órgãos-alvo

Escore de Framingham

CategoriaEvento cardiovascular maior (ECV)

Baixo<10%/ 10 anos

Moderado10 a 20%/ 10 anos Alto>20%/ 10 anos

Lesões em órgãos-alvo e doenças cardiovasculares

• Doenças cardíacas: – Hipertrofia do ventrículo esquerdo.

– Angina do peito ou infarto agudo do miocárdio prévio

– Revascularização percutânea ou cirúrgica miocárdica prévia.

– Insuficiência cardíaca. • Episódio isquêmico ou acidente vascular cerebral.

• Nefropatia

• Doença arterial periférica.

• Retinopatia hipertensiva.

Para a adoção de um esquema terapêutico adequado, o primeiro passo é a confirmação diagnóstica da hipertensão. Em seguida, é necessária a análise da estratificação de risco, a qual levará em conta, além dos valores pressóricos, a presença de lesões em órgãos-alvo e o risco cardiovascular estimado. Com base nestes achados, pode-se estabelecer três graus distintos de risco cardiovascular (Quadro 9).

Quadro 9. Classificação do risco cardiovascular global individual dos pacientes em função do escore de risco de Framingham e da presença de lesão em órgãos-alvo

Basicamente, há duas abordagens terapêuticas para a hipertensão arterial: o tratamento baseado em modificações do estilo de vida (MEV: perda de peso, incentivo às atividades físicas, alimentação saudável, etc.) e o tratamento medicamentoso. A adoção de hábitos de vida saudáveis é parte fundamental da prevenção de hipertensão e do manejo daqueles com HAS. O Quadro 10 indica qual a modalidade de tratamento mais adequada para um determinado paciente, levando-se em consideração a classificação do risco individual e os níveis pressóricos detectados na consulta inicial.

Risco BAIXOAusência de fatores de risco ou risco pelo escore de Framingham baixo (<10%/ 10 anos) e ausência de lesão em órgãos-alvo.

Risco MODERADOPresença de fatores de risco com risco pelo escore de Framingham moderado (10-20%/10 anos), mas com ausência de lesão em órgãos-alvo.

Risco ALTOPresença de lesão em órgãos-alvo ou fatores de risco, com escore de Framingham alto (>20%/ano).

(Parte 4 de 10)

Comentários