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Adubação OrAdubação OrAdubação OrAdubação OrAdubação Orgânicagânicagânicagânicagânica

Pelotas, RS 2006

Agro Práticas ecológicas

Clima Temperado

Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na:

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Comitê de Publicações da Unidade

Presidente: Walkyria Bueno Scivittaro Secretária-Executiva: Joseane M. Lopes Garcia Membros: Cláudio Alberto Souza da Silva, Lígia Margareth Cantarelli Pegoraro, Isabel Helena Vernetti Azambuja, Cláudio José da Silva Freire, Luís Antônio Suita de Castro, Sadi Macedo Sapper, Regina das Graças V. dos Santos Suplentes: Daniela Lopes Leite e Luís Eduardo Corrêa Antunes

Revisores de texto: Sadi Macedo Sapper/Ana Luiza Barragana Viegas Normalização bibliográfica: Regina das Graças Vasconcelos dos Santos Editoração eletrônica: Henrique Sambrano / Oscar Castro Arte da capa: Henrique Sambrano

1ª edição 1ª impressão 2006: 100 exemplares

Organizadores

Marimônio Alberto Weinärtner

Convênio Incra/Fapeg/ Embrapa Clima Temperado

Cézar Fernando Schiavon Aldrighi

Convênio Incra/Fapeg/ Embrapa Clima Temperado

Carlos Alberto Barbosa Medeiros Embrapa Clima Temperado

Apresentação

João Carlos Costa Gomes

Chefe-Geral Embrapa Clima Temperado

Desde 2003, a Embrapa Clima Temperado e o Incra, por meio da

Superintendência Regional do Rio Grande do Sul, com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento Edmundo Gastal - Fapeg, vem desenvolvendo um programa de apoio à Reforma Agrária no Rio Grande do Sul.

Este programa busca o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar da Reforma Agrária, levando tecnologias e conhecimentos produzidos na Embrapa ou produto da experiência de técnicos e agricultores a um público às vezes pouco privilegiado pelas políticas públicas. Durante este período foram realizados vários treinamentos, visitas a campo, seminários técnicos e instalação de uma rede de referência.

Foram distribuídas sementes e mudas de materiais adaptados à agricultura familiar, conhecimentos sobre a produção de insumos agroecológicos, manejo de sistemas de produção, entre outras tecnologias que contribuem para a sustentabilidade da agricultura da reforma agrária. O conjunto das publicações representa o coroamento do programa e grande contribuição para a sustentabilidade da agricultura e da Reforma Agrária.

Especificamente, este documento aborda um tema de grande relevância para a agroecologia: a adubação orgânica.

Esta é uma prática que ao potencializar os ciclos internos à propriedade familiar contribui para a diminuição de dependência à insumos externos e, por conseqüência, para a redução de custos de produção.

1- Adubos orgânicos
1-1- Estercos
a) Esterco de bovino e de eqüino
b) Esterco de suíno
c) Esterco de aves
d) Esterco líquido
1-2 - Húmus
a) Vermicomposto
b) Composto fermentado
c) Húmus enriquecido
2 - Adubação verde
3 - Adubos minerais
a) Calcários
b) Pó de rocha
c) Fosfatos naturais
d) Cinzas

Sumário

PRÁTICAS AGROECOLÓGICAS Adubação Orgânica

1 - Adubos Orgânicos

São materiais de origem animal ou vegetal, alguns considerados resíduos ou rejeitos, que têm grande utilização na agricultura orgânica ou ecológica. São recomendados por sua capacidade de aumentar a fertilidade de solos “pobres”. Sua riqueza nutricional promove a elevação da atividade biológica do solo.

1.1- Estercos

O esterco é a fonte de matéria orgânica mais lembrada quando se fala em adubos orgânicos. É um dos recursos naturais que o agricultor tem a sua disposição e a sua utilização deve ser a mais otimizada possível.

Há diferentes maneiras de utilizar o esterco e são as condições e a realidade de cada propriedade, solo e forma de cultivo que irão determinar qual a mais adequada a cada caso.

Os estercos são utilizados na forma liquida ou sólida, fresco ou pré-digerido, como composto ou vermicomposto.

Marimônio Alberto Weinärtner Cézar Fernando Schiavon Aldrighi Carlos Alberto Barbosa Medeiros

Agro Práticas ecológicas

A melhor opção vai depender do tipo de esterco, das instalações e equipamento do agricultor e do cultivo em que vai ser empregado.

Os estercos possuem características próprias, dependendo do tipo de animal e mesmo oriundo da mesma espécie animal se diferencia conforme a idade, alimentação e manejo.

Independente da origem do dejeto, este deverá passar por um processo de fermentação para que possa ser utilizado. A fermentação elimina alguns organismos indesejáveis para a saúde humana. O esterco fresco, pode também queimar a planta.

a) Esterco bovino e eqüino - São os mais ricos em fibras. Ajudam a desenvolver organismos que são antagonistas de fungos causadores de doença de solo. Uma vaca produz cerca de 15 t de esterco fresco por ano, o que corresponde a aproxidamente a 78 kg de N (nitrogênio), 20 kg de P (fósforo), 93 kg de K (potássio) e 35 kg de Ca (cálcio) + Mg (magnésio).

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c) Esterco de aves - Muito rico em nitrogênio, este tipo de esterco é aplicado normalmente junto com a maravalha (cama) que é colocada para acomodar frangos em aviários. Este material quando bem curtido, apresenta-se bem farelado, escuro e frio, sem excesso de amônia. A madeira da maravalha se decompõe quase totalmente devido a grande quantidade de nitrogênio do esterco. Nem sempre este insumo está disponível ao agricultor e deve-se ter cuidado quanto à origem da madeira que compõe a cama.

b) Esterco suíno - A composição deste dejeto é variável em razão da quantidade de água que o acompanha, tipo de alimentação e idade dos animais.

Este material é caracterizado pela boa quantidade de nitrogênio (N) e de zinco (Zn). Como todos os outros dejetos, deve ser fermentado para uso na agricultura.

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A indústria moveleira, que muitas vezes fornece este material aos aviários, utiliza um conservante de madeira de nome Pentaclorofenol, que é extremamente cancerígeno, e que no processo de fermentação da cama não é degradado.

d) Esterco líquido - Nas propriedades onde predomina atividade de bovinocultura de leite e suinocultura, os agricultores utilizam água para limpeza dos estábulos e pocilgas, fazendo com que o material orgânico seja manejado na forma líquida para as esterqueiras ou lagoas, onde é armazenado e posteriormente utilizado como adubo orgânico.

A mistura de esterco + água + urina é colocada nos tanques onde fica armazenada de 30 a 120 dias dependendo do planejamento da distribuição do esterco no solo, em função da área a ser cultivada pelo agricultor. É importante que as esterqueiras sejam bem revestidas para evitar a poluição das águas utilizadas para consumo doméstico.

Quanto maior o tempo de fermentação dos dejetos de animais nas esterqueiras, melhor a qualidade do produto orgânico.

1.2 - Húmus

É um adubo bastante estável, utilizado como fonte de nutrientes para as lavouras. É um insumo muito rico que pode ser produzido em grande quantidade e com baixo custo pelos agricultores. É obtido através da compostagem ou vermicompostagem do esterco, que poderá ser agregado a outros materiais orgânicos, como palha e restos de culturas.

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