Livro Formação do Engenheiro

Livro Formação do Engenheiro

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uma visão internacional

Marcos Azevedo da Silveira

Copyright 2005 by Marcos Azevedo da Silveira

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Catalogação-na-fonte

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio

Sistema Maxwell - LAMBDA - PUC-RIO / DEE

URL:http://w.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br

Rua Marquês de São Vicente, nº225. Gávea - Rio de Janeiro, RJ

S587Silveira, Marcos Azevedo da
A formação doengenheiro inovador : uma visão

internacional / Marcos Azevedo da Silveira. – Rio de Janeiro PUC-Rio, Sistema Maxwell, 2005. 147 p. : il.

ISBN 85-905658-2-3

1. Formação do engenheiro. 2. Inovação. 3. Papel do engenheiro. I. Título.

CDD 620

O conjunto de idéias apresentadas neste livro é fruto de um trabalho coletivo, produto de um grupo que há mais de dez anos vem discutindo o tema da formação do engenheiro no âmbito nacional e internacional. Fazem parte deste grupo interessado na formação do engenheiro inovador os colegas Célia Novaes, Christian R. Kelber, Isabel Paes e Silva, José A. Aranha, José A. Parise, Luís A. Meirelles, Luiz A. Pimenta-Bueno, Luiz Carlos Scavarda do Carmo, Manoel R. de Freitas, Mauro Schwanke da Silva, Sinval Zaidan Gama e Terezinha Costa. Os artigos que serviram de base à maior parte dos capítulos - e que lá estão extensivamente citados - atestam este caráter coletivo, só quebrado pelo fato de que o texto final é de minha responsabilidade - e daí seus exageros, lacunas ou falhas.

O livro não existiria sem o encorajamento e a amizade de Luiz Carlos

Scavarda do Carmo e de José Alberto Parise. Em especial do último, que, como meu superior hierárquico, passou-me a missão de preparar o livro e foi o constante revisor e crítico ao longo de sua preparação, em muito enriquecendo o texto inicial. Para eles, meu especial agradecimento. E claro, meus agradecimentos e desculpas aos meus alunos de graduação, cobaias e críticos de meus experimentos didáticos.

A concepção gráfica e o trabalho que permitiram seu lançamento em papel e também eletronicamente - dentro das Publicações On-line do Sistema Maxwell - foram executados pela equipe do LAMBDA, laboratório do DEE/PUC-Rio, criado e dirigido pela professora Ana Pavani. A ela e a toda a sua equipe meus sinceros agradecimentos.

Finalmente, meu carinho e admiração para minha esposa e companheira (e co-autora!), Marlise Araújo, com quem muito aprendo ao observar a metodologia didática que desenvolve junto ao Ensino Médio, no Colégio Pedro I, e com quem discuto continuamente as idéias que me assolam as meninges.

A organização do livro alterna capítulos onde os problemas são colocados com capítulos onde os conceitos fundamentais são trabalhados (aparecendo aí o habitus acadêmico do autor), entremeados de seções que apresentam casos reais indicando possíveis caminhos. Uma sugestão é, em primeira leitura, ler pelo alto as seções mais acadêmicas, deixando sua abordagem para quando for necessário, se tal ocorrer algum dia.

Rio de Janeiro, abril de 2005

Todos nós, engenheiros professores, já fizemos essa pergunta em algum momento de nossa vida acadêmica. Mais ainda: se indagarmos a cada docente de nossa instituição quais competências e habilidades devem ser conferidas aos nossos alunos para que, quando formados, atendam adequadamente à sociedade, quais fatores mais afetam seu processo de aprendizagem, nos tantos anos que passam por nossas escolas, ou qual perfil deve ser buscado na formação do engenheiro, ficaremos surpresos com a diversidade de respostas, até dentro de um mesmo departamento.

Em certas ocasiões, notamos, inclusive, que alguns destes perfis são distintos daqueles preconizados no projeto pedagógico dos cursos, como se este já não atendesse à sua função de servir como pano de fundo para as decisões acadêmicas e pedagógicas do corpo docente, suplantado por outros fatores que, eventualmente, se tornam predominantes.

Respostas a estes e a tantos outros questionamentos é que fazem do livro do professor Marcos da Silveira uma importante contribuição ao cenário atual da Educação em Engenharia.

Para entendermos este cenário, é preciso recuar 40 anos, quando teve início um apoio sistemático à pós-graduação e à pesquisa no país, com claros reflexos nos cursos de graduação das engenharias. Hoje, a grande maioria dos professores de Engenharia é qualificada com o grau de mestre ou doutor. Sua atuação, do vestibular à pós-graduação, trouxe, mais do qualquer outro fator, uma contribuição positiva e inegável à qualidade da Engenharia Nacional. Por outro lado, os massivos investimentos realizados na área de pós-graduação e pesquisa – a partir, principalmente, de recursos públicos - jamais foram acompanhados de igual esforço na Graduação. Algumas exceções podem ser destacadas: a fase do programa REENGE, nos anos 90, ainda que efêmera, imprimiu uma vitalidade inédita ao Ensino de Engenharia, disseminando a discussão do tema; um esforço ainda mais notável na medida em que ocorreu, em grande parte, no âmbito de redes regionais e nacionais. Provão e Avaliação das Condições de Ensino, posteriormente substituídos pelo SINAES, também contribuíram para o estabelecimento de uma cultura de diagnóstico e planejamento na Graduação da Engenharia.

Estimulados por estas medidas de âmbito nacional, muitos de nós, professores, aprofundamo-nos no tema de Educação em Engenharia. No entanto, ao contrário de nossa formação como pesquisadores (tipicamente doutores, 2+4 anos, incluindo cursos completos ou estágios no exterior), nosso aprimoramento como mestres formadores de engenheiros limitou-se, em grande parte, a algumas poucas horas de palestras ou seminários sobre o assunto. Igualmente, arrisco-me a afirmar que, baseado em minha própria experiência, grande parte dos que se sentiram atraídos pelo estudo na área de Educação em Engenharia, o foram por contingência de suas atribuições acadêmico-administrativas. O professor Marcos da Silveira, ativo participante do REENGE desde seus primórdios, e com eclética formação em Matemática, Física e Engenharia, foge a este padrão. Por este motivo, suas reflexões sobre a formação do engenheiro, encontradas em expressiva produção acadêmica na área de Ensino de Engenharia, deveriam, necessariamente, estar contidas, de alguma forma, em poucos compêndios: desta necessidade de compartilhamento de conhecimento, tão relevante e enriquecedor, resultou o presente livro.

A literatura sobre o Ensino de Engenharia ainda é insuficiente no Brasil.

Neste sentido, com “A Formação do Engenheiro Inovador”, estudo meticuloso com visão histórica e geográfica do processo de formação do engenheiro - seguido de proposta voltada à Inovação - o professor Marcos da Silveira contribui decisivamente para a discussão sobre o tema.

Resta a todos nós, após a leitura, a responsabilidade de refletir acerca de uma nova questão, ainda mais desafiadora que aquela que inaugura este prefácio: “Qual a melhor formação para nossos professores de Engenharia?” .

José Alberto dos Reis Parise

Decano do Centro Técnico Científico PUC-Rio

Contra Capa i Prefácio do Autor i Prefácio do Parise iv Sumário vi Lista de siglas utilizadas viii I. O PAPEL DO ENGENHEIRO E SUA FORMAÇÃO 1

I.1. Mudanças no campo de atuação do engenheiro 3 I.2. Funções, perfis de formação e papéis do engenheiro 6

O modelo francês 9 O modelo alemão 10 O modelo anglo-saxão 1 O caso brasileiro 16 Uma mudança estratégica nas Américas 19

I.3. Acordos internacionais e o problema da certificação 2 I.4. A construção do currículo de engenharia 26 I. UM QUADRO CONCEITAL PARA A FORMAÇÃO DO ENGENHEIRO 28

I.1. Alguns conceitos fundamentais 29

Competências 29 Saberes, conhecimentos, savoir-faire 31 Habilidade 3 Aptidão, atitude, etc. 3 Voltando às competências 34 Currículo 35

I.2. Um quadro teórico descrevendo as atividades de engenharia 38 I.3. O perfil de formação 4 I.4. A estrutura curricular de um curso de engenharia 48 I.5. Exemplos 52 I. A ESCOLHA DOS PERFIS DE FORMAÇÃO 57

I.1. Ponto de vista do mercado de trabalho 58

Uma observação final 6

I.2. Ponto de vista da sociedade 68 I.3. Ponto de vista da academia 71 I.4. Ponto de vista do aluno 75 Apêndice I. Diretrizes curriculares e perfis de formação citados 79

Lista de competências (skills) da ABET 79 Listas de competências industriais e alguns comentários 79 vii

Lista de recomendações curriculares da ABENGE 81 Diretrizes curriculares nacionais para os cursos de engenharia 83 IV. EDUCAÇÃO PARA A INOVAÇÃO 87

IV.1. A engenharia e as cadeias produtivas 87

A engenharia hoje 89 Os países em desenvolvimento 91

IV.2. Algumas definições referentes à educação e à política de inovações 91

Cadeias produtivas e inovações 92 Modos de financiamento 94

IV.3. Educação para a inovação 96

Mudanças estruturais e de paradigma 98

IV.4. A formação do engenheiro empreendedor: uma nova estrutura universitária 9

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