Dicionário de Pediatria

Dicionário de Pediatria

(Parte 1 de 10)

1Dicionário da AIDPI 1Dicionário da AIDPI

2Dicionário da AIDPI 2Dicionário da AIDPI

3Dicionário da AIDPI

Concepção gráfica

Foto capa: Rayna Victoria por Marilena Santiago

4Dicionário da AIDPI

Este dicionário apresenta os termos mais comuns da estratégia de Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância – AIDPI. Não pretende substituir os livros textos, mas sim ser uma referência rápida sobre a estratégia.

Os autores gostariam de receber críticas e sugestões, com vistas a melhorá-lo, pois pretendem mantê-lo atualizado com novas edições e, assim contribuir para o avanço dessa estratégia.

Fortaleza, janeiro de 2005

5Dicionário da AIDPI

Pesquisar em crianças pequenas (abaixo de um ano) que ainda não apresentam fechamento da fontanela anterior. Para examinar a fontanela, a criança não deve estar chorando. Observar e palpar para verificar se existe abaulamento e aumento da pressão.

Aumentar a oferta de líquidos. Para os menores de seis meses em fase de aleitamento materno exclusivo, oferecer o peito mais vezes. Nas outras crianças utilizar mel de abelha ou outra medida caseira culturalmente aceita.

ÁCIDOS GRAXOS ESSENCIAIS Gorduras que são necessárias para o desenvolvimento da visão e do sistema nervoso central da criança. Esses ácidos estão presentes no leite materno, mas não estão presentes em quantidades adequadas no leite de vaca e, na maior parte dos leites preparados para crianças.

ÁCIDO NALIDÍXICO Conhecido como a primeira quinolona de uso clínico, é a droga de escolha para as infecções gastrintestinais produzidas por cepas resistentes de Shigella (disenteria com comprometimento do estado geral da criança). A dose média recomendada é de 40 mg/Kg/dia, administrada de seis em seis horas por cinco dias.

Implica avaliar a forma pela qual a criança está sendo alimentada e proceder às recomendações a serem feitas à mãe sobre os alimentos e líquidos que devem ser dados à criança, assim como ins- truí-la quanto ao retorno ao serviço de saúde.

NO SERVIÇO DE SAÚDE São os tratamentos utilizados na própria unidade básica de saúde, como, por exemplo, terapia de hidratação oral (TRO), nebulização e aplicação de vacinas.

ANTES DE REFERIR A CRIANÇA AO HOSPITAL Como a primeira dose de um antibiótico, uma dose de vitamina A, uma injeção de quinina ou o tratamento para evitar uma hipoglicemia, antes de referir a criança.

ALEITAMENTO MATERNO É quando a criança recebe o leite materno e outros alimentos ou líquidos.

ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO É quando a criança recebe apenas o leite materno, sem nenhum outro tipo de alimento, água ou outros líquidos.

ALIMENTAÇÃO ATIVA Encorajar a criança para que ela se alimente sozinha, sentando-se com ela, levando-lhe a colher à boca.

OU ALIMENTOS COMPLEMENTARES São alimentos administrados à criança que está sendo amamentada, a partir dos seis meses de idade. Toda criança a partir dos seis meses de idade deve receber alimentos complementares pastosos e nutritivos, como cereal misturado com azeite e pedacinhos de carne, verduras ou peixes. Esses alimentos eram, anteriormente, denominados “alimentos de desmame”.

ALIMENTAÇÃO DILUÍDA Alguns alimentos oferecidos à criança (sopinhas, mingaus ralos e sucos), principalmente se a mamadeira é utilizada, podem apresentar baixa consistência e ter, portanto, uma quantidade baixa de energia por grama de alimento (baixa densidade energética), não se constituindo assim alimentos adequados.

Entende-se por alimentação adequada para crianças menores de dois anos a pratica do aleitamento materno e a introdução em tempo oportuno (seis meses completos) de alimentos complementares adequados (que supram os requerimentos energéticos e nutricionais), seguros (livre de contaminação no preparo, oferta e armazenamento) e oferecidos de modo apropriado.

6Dicionário da AIDPI

ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR A partir dos seis meses, oferecer de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo o leite materno até os dois anos de idade.

ALIMENTO PRINCIPAL OU DE BASE Em geral, eles são cereal, grão, tubérculo ou raiz. São exemplos arroz, macarrão, trigo, fubá de milho, farinha de mandioca, etc. Esses alimentos de base são excelentes para preparar os primeiros alimentos da dieta complementar.

ALIMENTOS COMPLEMENTARES Os bons alimentos complementares são ricos em energia e nutrientes e devem respeitar os hábitos culturais da família. São alimentos da safra recente, de boa qualidade e acessíveis ao nível socioeconômico familiar. São exemplos deles os cereais, frutas, verduras e legumes; carnes, vísceras, ovos, peixe e produtos lácteos (leite, coalhada, iogurtes naturais e queijos).

ALTO CONTEÚDO ENERGÉTICO Alimentos ricos em energia (ou calorias), como os amidos ou óleo.

AMAMENTAÇÃO EXCLUSIVA Quando a criança recebe apenas leite materno, sem nenhum outro tipo de alimento, água ou líquidos (com exceção dos remédios e vitaminas, caso necessário).

AMOXICILINA A amoxicilina é a droga de escolha para o tratamento das infecções agudas do trato respiratório superior e inferior de gravidade leve a moderada, como, entre outras, otite, sinusite e pneumonia. A dose média recomendada é de 40mg a 50mg/kg/ dia, administrada em três tomadas durante sete a dez dias.

ANALGÉSICO/ANTITÉRMICO Medicação utilizada para dor e febre quando a temperatura axilar for igual ou superior a 38,5 C.

ANEMIA Clinicamente identificada pela palidez palmar leve e laboratorialmente por níveis de hemoglobina inferior a 1 gr/dl na criança.

ANEMIA FERROPRIVA Anemia causada pela deficiência de ferro.

ANEMIA GRAVE Clinicamente identificada pela palidez palmar grave e laboratorialmente por níveis de hemoglobina inferior a seis gr/dl

APARECIMENTO OU PIORA DA FEBRE Orientar as mães de todas as crianças, as quais estão indo para casa como um sinal indicativo de gravidade, que, caso a criança apresente ou piore da febre, tem de ser levada urgentemente ao serviço de saúde.

APNEIA Considera-se apnéia quando na criança existe a ausência da respiração espontânea por mais de vinte segundos, acompanhada de cianose e bradicardia.

ARTEMETER Droga antimalárica derivada da artemisina indicada para as formas graves de malária (malária cerebral). É esquizonticida sangüíneo de ação rápida, apresentando atividade contra os parasitas resistentes à cloroquina.

ASMA Doença inflamatória crônica caracterizada por hiper-responsividade das vias áereas inferiores e por limitação variável do fluxo aéreo, reversível espontaneamente ou com tratamento, manifestando-se clinicamente por episódios recorrentes de sibilância, dispnéia, aperto no peito e tosse, particularmente à noite e pela manhã ao despertar.

AVALIAR A CRIANÇA Implica a preparação de um histórico de saúde da criança, mediante perguntas adequadas formuladas à mãe ou acompanhante, e um exame físico criterioso.

OU DIFICULDADE PARA RESPIRAR É avaliada perguntando há quanto tempo a crian-

7Dicionário da AIDPI ça está com tosse ou dificuldade para respirar, se a criança apresenta sibilância ocasional ou freqüente; e observando se a criança tem respiração rápida; tiragem subcostal; estridor e sibilância.

DE DOIS MESES COM DIARRÉIA As fezes, normalmente freqüentes ou amolecidas da criança que mama no peito, não constituem diarréia. A causa mais comum de diarréia com sangue nessa faixa etária é a doença hemorrágica do RN, secundária à deficiência de vitamina K. Nesta faixa etária, todas as crianças com sangue nas fezes e com diarréia persistente devem ser referidas para investigação urgentemente.

AVALIAR A DESNUTRIÇÃO E ANEMIA Sistematicamente, todas as crianças atendidas devem ser avaliadas quanto ao estado nutricional e à presença ou não de anemia. Para isto, utilizamse sinais clínicos (emagrecimento acentuado visível; edema em ambos os pés; palidez palmar grave ou palidez palmar leve) e a evolução do peso na curva do cartão da criança (peso/idade e evolução do peso no cartão da criança).

AVALIAR A DIARRÉIA Uma criança com diarréia se avalia para saber se há sinais de desidratação; se há sangue nas fezes para determinar se a criança tem disenteria, e por quanto tempo a criança tem tido diarréia para determinar se a diarréia é aguda ou persistente.

OFERECER LÍQUIDOS À CRIANÇA Peça à mãe que ofereça à criança um pouco de água em um copo ou colher. Observe a criança beber. Uma criança não consegue beber se, ao levar o líquido à boca, ela não conseguir engolir. Uma criança bebe mal se está débil e não pode beber sem ajuda. Uma criança tem o sinal bebe avidamente, com sede se é evidente que a criança quer beber. Observe se a criança trata de alcançar o copo ou a colher quando a água lhe é oferecida. Quando a água é retirada, veja se a criança está descontente porque quer beber mais.

VERIFICAR O SINAL DA PREGA NO ABDÔMEN Peça à mãe que coloque a criança na mesa de exame de modo que esteja deitada de barriga para cima com os braços encostados junto ao corpo (não sobre a cabeça) e as pernas estendidas; ou peça à mãe que fique com a criança no colo, com ela virada de barriga para cima. Localize a região do abdome da criança que está entre o umbigo e o costado do abdome. Para verificar o sinal da prega na pele, use o polegar e o indicador. Não belisque com a ponta dos dedos porque causará dor. Coloque a mão de modo que, quando fizer o sinal da prega na pele, ela estará no sentido longitudinal ao corpo da criança e não no horizontal. Levante firmemente todas as camadas da pele e o tecido debaixo delas. Segure a pele por um segundo e solte em seguida. Quando soltar, certifique-se de que, ao sinal da prega, a pele voltou ao seu estado anterior.

OU MUITO LENTAMENTE

Caso a pele ainda fique levantada por um breve momento depois de soltá-la, decida que, ao sinal da prega, a pele volta ao seu estado anterior lentamente e, se demorar mais de dois segundos, considere muito lentamente.

OBSERVAR SE OS OLHOS ESTÃO FUNDOS Os olhos da criança desidratada podem parecer fundos. Se estiver em dúvida, pergunte à mãe se acha que os olhos da criança estão diferentes do habitual. Sua confirmação o ajudará na decisão. Apesar de o sinal “olhos fundos” poder estar presente nas crianças gravemente desnutridas, mesmo sem apresentarem desidratação, este sinal deve ser considerado como presente para o diagnóstico da desidratação.

AVALIAR A FEBRE A febre deve ser avaliada em todas as crianças quando referida pelas mães, determinada pelo profissional de saúde pelo toque ou pela medição da temperatura axilar (igual ou superior a 37,5 C). Decida o grau de risco de malária (áreas com risco alto, baixo ou sem risco). A seguir, avalie a criança com febre para averiguar a quanto tempo tem

8Dicionário da AIDPI tido febre; e determine se tem rigidez da nuca ou petéquias ou abaulamento da fontanela.

(Parte 1 de 10)

Comentários