Comportamento de Bovinos e Bufalos

Comportamento de Bovinos e Bufalos

(Parte 1 de 2)

1.0 Introdução

O Brasil é o 2º maior produtor mundial de carne bovina e possui o 2º maior rebanho de gado bovino do mundo, sendo o maior rebanho comercial, com cerca de 165 milhões de cabeças. Quanto ao abate mundial de bovinos o Brasil encontra-se em 3º lugar, com 30,4 milhões de cabeças (13,2% dos abates mundiais). No entanto, a taxa de abate no Brasil é de apenas 21%, enquanto nos Estados Unidos da América (EUA) encontra-se em torno de 37%, Nova Zelândia 40%, Austrália 30%, Alemanha e Canadá 30%, e China 28%. O maior rebanho mundial pertence à Índia, porém é um rebanho não comercial (281 milhões de cabeças); a China é o país que mais abate (43 milhões de cabeças); a maior taxa de abate pertence à Itália (63%); e os EUA são os principais produtores mundiais de carne bovina (11,3 milhões de toneladas) (JORGE 2005).

Segundo Jorge, (2005) a população mundial de bubalinos está em torno de 170 milhões de cabeças, sendo que 99,6% desde contingente situa-se em países considerados em desenvolvimento. O Brasil possui um rebanho de 1,20 milhão de cabeças, sendo que deste total 65,9%; 7,1%; 7,5%; 13,3% e 6,2% localizam-se nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste, respectivamente. A despeito das estatísticas oficiais controversas e muitas vezes subestimadas, a criação de búfalos no mundo todo e, em particular no Brasil e países vizinhos do MERCOSUL, tem apresentado um crescimento substancial, rompendo fronteiras, produzindo e se reproduzindo em locais onde outras espécies de ruminantes não têm apresentado índices zootécnicos satisfatórios.

São realizadas simulações de alterações nos coeficientes técnicos de produção dos setores de produção e de abate e preparação de carnes bovina, avícola e suína e de outros animais, nas quais considerou-se que todos os setores de produção animal deverão aperfeiçoar seus respectivos processos de produção, de forma que dentro dos próximos cinco anos esses coeficientes deverão estar alterados em função de alterações nos respectivos processos produtivos. Observa-se que aumentos na eficiência produtiva daqueles setores não afetam de forma significativa suas respectivas participações na economia brasileira, com relação aos níveis de produção, da massa total de salários e das importações. No entanto, apesar dos aumentos de eficiência nos processos produtivos dos setores de produção e de abate e processamento animal não gerarem diretamente impactos sobre a estrutura da economia brasileira, à medida em que aumenta sua eficiência produtiva em geral diminuem os impactos resultantes de alterações nas exportações de carnes, provocadas por alterações em variáveis macroeconômicas, sobre aqueles setores e sobre a economia brasileira de modo geral (JORGE 2005).

O conceito de bem-estar é bastante abrangente, porém algumas referências básicas devem ser consideradas para o seu entendimento, como as condições adaptativas, fisiológicas e comportamentais do animal, considerando as cinco liberdades, dentro do meio em que este se encontra e da sua relação com o homem, seja esta de companhia ou de produção. Em relação à produção animal, existe uma dificuldade na tradução do bem-estar para esta atividade, já que o homem não consegue participar de uma cadeia natural alimentar, ou seja, ele necessita da criação para a sua subsistência. As dificuldades para o bem-estar animal no sistema de criação aceleraram conforme o crescimento da indústria de produção, a qual precisa reestruturar-se para atender a estes conceitos. Os sistemas de criação tradicionais atuais atendem precariamente as necessidades do animal. O dogma de que a alta produtividade não pode estar associada ao bem-estar precisa ser efetivamente quebrado através de uma mudança de consciência do produtor, baseada na educação e na base científica de que animais tratados adequadamente favorecem o aumento da produtividade, como apontam os estudos recentes. A disponibilidade de uma educação sobre a relação homem-animal para a pessoas que trabalham diretamente com os animais é um ponto chave para um sistema de criação saudável. Estes devem receber informações sobre tecnologia segura e adequada, assim como sobre os avanços em entender animal, como estes funcionam e sentem, com relevância para as sua necessidades, não só fisiológicas, mas também comportamentais, as quais geralmente são tratadas com menor valor (LOUREIRO 2007).

Desta forma, o estudo etológico é uma das bases para o bem-estar anima onde se considera a percepção biológica, para cada espécie, da sua relação com o meio em que vive e da expressão dos seus instintos e características naturais, estando este em seu meio originário ou não (PARANHOS DA COSTA, 2002).

Tudo que um animal faz pode ser caracterizado como a parte ou totalidade de um comportamento, por exemplo, quando um animal se alimenta, isso é comportamento um animal caçando, outro fugindo, um voando, outro pairando, um cortejando, outro se esquivando, tudo isso é comportamento. Comportamento pode ser entendido como tudo aquilo que um animal é capaz de fazer. Mas para que essa definição fique ainda mais completa, temos que lembrar que os animais podem exibir comportamentos nos quais deixam de realizar atividades que envolvem movimentações ou deslocamentos. Ao nosso olhar, parece que não estão fazendo nada, por exemplo, dormir, hibernar, congelar-se, fingir-se de morto, o que denominamos Tana tose. Mesmo quando um animal aparentemente não está fazendo nada, esse "não fazer nada", também representa um tipo de comportamento e tem sua função (DEL-CLARO, 2002).

Segundo Figueiredo et al (2005), nos sistemas brasileiros de produção de bovinos de corte, sobretudo naqueles que desenvolvem programas de melhoramento genético, os animais passam por práticas de manejo comuns às fazendas de criação de gado de corte, como por exemplo pesagens, medições diretas e indiretas, visando controles produtivos e reprodutivos. Assim, animais nervosos ou reativos são indesejáveis, principalmente por consistirem fator de risco para as pessoas que os manejam e para si próprio, podendo inclusive gerar custos adicionais na sua produção.

2.0 Comportamentos Característicos

2.1 Visão

A posição dos olhos na lateral da cabeça dos bovinos prussiana uma visão panorâmica de 345, este campo e importante para sua segurança, tornando difícil a aproximação de surpresa de um predador, pois este consegue rapidamente observar o horizonte em busca de possíveis ameaças , pois enxerga bem a distancia.Os bovinos apresentam grande parte da visão monocular (imagens captadas pelo olho direito e esquerdo e que não são caracterizadas de modo independente em nível cerebral), dificultando ao animal avaliar o ambiente quanto a profundidade, porque acontece quando o cérebro forma uma são imagem, captada pelos dois olhos em nível cerebral – visão binocular. Outra particularidade e que os bovinos não gostam de locais escuros ou muito claros (LOUREIRO 2007).

Para focar um objeto, um bovino precisa abaixar a cabeça e move-la lateralmente, para ter certeza da distancia em que se encontra, ou para identificar se uma sombra a sua frente não e um buraco, levando um certo tempo para decidir o que fazer, podendo em situação de pressa, empacar ou refugar. Por esta razão a importância dos currais tenha laterais fechadas, principalmente as mangas de movimentação, que ficam imediatamente antes dos troncos, devendo-se consecutivamente eliminar os possíveis pontos de distração, para que o bovino siga em frente tranquilamente.Excesso de estimulo visual lateral também pode gerar medo e provocar uma parada na movimentação do lote (LOUREIRO 2007)..

2.2 Audição

De acordo com Loureiro (2007), o nível de ruído em um centro de manejo ou em um curral, deve ser sempre o mínimo possível, quem trabalha com bovinos deve falar pouco e baixo, evitar barulhos externos, que atrapalhem a tranqüilidade do gado. A utilização do berrante se assemelha com os sons graves emitidos pelo bovino, dessa maneira sua utilização e ao manejá-los com o tom de voz grave e baixa, acalma os animais.

Loureiro (2007), afirma que o estresse causado pelos sons agudos e gritos, gera aumento do batimento cardíaco, levando os animais a confusão e a assumem atitudes de defesa.

2.3 Memória

LOUREIRO (2007), afirma que o gado guarda na lembrança, por muito meses, eventos dolorosos, como maus-tratos sofridos ou experiências amedrontadoras, portanto, devemos evitar ao maximo atitudes agressivas e experiências que provoquem medo, pois eles tenderão a evitar os locais onde ocorreram e as pessoas que praticam tais agressões. Este mesmo autor, afirma que bovinos manejados com bastão elétrico ficaram cada vez mais resistentes e agitados, tornando o manejo difícil para entrar em um tronco. Os animais respondem sempre melhor a bons tratamentos e tornam-se mais facilmente manejados se estão calmos, e conseguem reconhecer vozes de pessoas conhecidas. Este mesmo autor afirma, que apos a implantação do manejo gentil, o tempo para que os animais se comportem da maneira pacifica e sem medo e em torno de seis meses apos o manejo, diminuindo a reatividade e a diminuição da distancia de fuga.

2.4 Distancia de Fuga

Para Loureiro (2007), a distância de fuga pode ser definida como a distância máxima que um animal permite que um predador, um estranho ou dominante se aproxima antes de iniciar a fuga. Os zebuínos apresentam distancia de fuga maior que taurinos, pois estes, provavelmente pelo maior contato com os humanos, permitem maior aproximação, sendo menos reativos. Animais de pista ou de cocheira não apresentam distancia de fuga, permitindo que os tratadores se aproximem e os toquem.

Um ponto importante a considerar, e que quando os bovinos forem oriundos de sistemas extensivos de criação, se forem mais reativos e estiverem agitados, devendo-se colocar menos da metade da capacidade de animais que caibam na manga ou no curral, e o manejo deve-se manter no limite da distancia de fuga e penetrar nela o mais lentamente possível, do contrario os animais poderão saltar a cerca de contenção ou atacar o peão como defesa motivada pelo medo. O manejo gentil acalma o gado e estabelece confiança entre o bovino e o manejador (LOUREIRO 2007).

2.5 Hierarquia social

A hierarquia social é determinada através de interações agressivas de um animal sobre o outro. Existe uma forte hierarquia social entre bubalinos e nota-se que os animais de maior porte, mais erados e com a presença de chifres exercem posição social de destaque no rebanho. Para atenuar a dominância devemos tomar cuidados especiais de manejo, como a divisão de lotes homogêneos e em caso de instalações (abrigos) para esses animais deve-se respeitar a relação mínima de 5 m²/animal. Uma das razões da mais forte hierarquia entre bubalinos está no fato de todos os indivíduos apresentarem chifres. Neste particular, a presença de chifres aliada ao tamanho corporal pode ser de fundamental importância para a ocorrência desse fato. Isso vem de encontro à afirmação de vários autores que relatam ser o tamanho corporal (peso) e a presença de chifres fatores importantes na determinação do efeito agressivo dos dominantes. O estudando a hierarquia social de bovinos e bubalinos em regime de confinamento, observaram que quando diminuiu-se o espaço de 90 cm de cocho/animal, aumentou-se a competição e seleção do alimento, o que acabou afetando o desempenho dos animais (ganho de peso). Os bubalinos desenvolveram hábitos de consumo de forragem em maior quantidade durante à noite, para que no período diurno pudessem ficar escondidos dos predadores e ao mesmo tempo, digerissem o alimento consumido. Esses hábitos, aparentemente, permanecem até hoje em búfalos domesticados (JORGE, 2008).

2.6 Alimentação

Segundo Jorge (2008), os bubalinos desenvolveram hábitos de consumo de forragem em maior quantidade durante à noite, para que no período diurno pudessem ficar escondidos dos predadores e ao mesmo tempo, digerissem o alimento consumido. Esses hábitos, aparentemente, permanecem até hoje em búfalos domesticados, ao compararem o tempo de ócio em bubalinos e bovinos, observaram que este foi maior nos bubalinos que nos bovinos e esta diferença ocorreu basicamente durante o dia, mostrando que, em relação à alimentação, os bubalinos possuem maior atividade durante à noite. Estas informações concordam com as relatadas por Nascimento & Moreira (1974), que observaram que novilhas bubalinas alimentaram-se 19,1% mais à noite que novilhas bovinas. Por outro lado, os mesmos autores não observaram diferenças quanto à atividade de ruminação entre a espécie bubalina e a bovina. Castro et. al (2002) estudando a porcentagem do tempo gasto por novilhas bubalinas em cada atividade, encontraram valores de 20% para pastejo, 14% para ruminação e 66% para ócio.

De acordo com Ítavo et. al (2008), o comportamento ingestivo de bovinos em pastagens caracteriza-se por períodos longos de alimentação, de 4 a 12 horas por dia, para dietas com baixo teor de energia. O tempo gasto em ruminação é mais prolongado à noite, mas também são influenciados pelo alimento. No entanto, existem diferenças entre indivíduos quanto à duração e à repartição das atividades de ingestão e ruminação, que parecem estar relacionadas ao apetite dos animais, a diferenças anatômicas e ao suprimento das exigências energéticas ou enchimento ruminal.

Atividades comportamentais, a dieta e o sistema de produção, influenciam no desempenho de bovinos. Animais mantidos em confinamento obtêm melhores desempenhos em relação aos animais mantidos em pastagem por ficarem mais tempo em ócio (ÍTAVO et. al, 2008).

2.7 Relações Materno Filiais

No búfalo, a semelhança do que é descrito para bovinos, acredita-se que o estabelecimento do vínculo entre a mãe e o filhote se dê logo nas primeiras horas de vida. O processo de reconhecimento da cria pela mãe sofre forte influência de uma série de comportamentos da mãe e do filhote, destacando-se a ingestão de fluídos amnióticos e membranas fetais que provavelmente auxiliam nesse processo - aparentemente, o odor e o paladar desses fluídos e membranas são importantes para que a mãe aprenda a conhecer o próprio filho (JORGE, 2008).

Além da mãe, o bezerro, por ser precoce, tem um papel ativo na formação dos laços materno-filiais: ele emite e percebe sons, exala e registra odores e apresenta uma série de movimentos que, além de chamarem a atenção da mãe, possibilitam que fique em pé, procure os tetos, mame e acompanhe a mãe pelo pasto já nas primeiras horas após o parto. De acordo com Jorge (2008), o neonato tenta ficar em pé em torno de dez minutos após o nascimento; nesse momento a vaca é geralmente muito ativa, cheirando, lambendo e esfregando o filhote, por isso suas tentativas de levantar e equilibrar-se podem ser dificultadas pelas lambidas. Outros animais do rebanho também podem interferir nesse processo, registrou um fato curioso com relação a isto: 10 minutos após o nascimento de um bezerro, vários membros de um rebanho (principalmente vacas e alguns animais jovens) aproximaram-se do recém-nascido observando-o, cheirando-o e tocando-o. A mãe não manifestou qualquer reação agonística para com os animais que se aproximaram do seu bezerro.

Logo após a primeira mamada, a búfala pode esconder seu bezerro, principalmente se houver vegetação preservada próximo ao local do parto. Esse comportamento, que pode ocorrer durante as primeiras semanas após o nascimento, parece ter valor adaptativo, já que através dele as vacas estariam protegendo os filhotes da aço de predadores (JORGE 2008).

2.8 Comportamento Lúdicos

Em bubalinos esse comportamento é observado principalmente em bezerros, onde é caracterizado por corridas, pulos, cabeçadas, etc, mas pode ser encontrado também em fêmeas primíparas (novilhas). CASTRO et. al (2002) estudando o comportamento de novilhas bubalinas da UNESP-FMVZ-Campus de Botucatu observaram comportamento lúdico, em sua maior parte, no período da tarde, quando os animais estavam deitados ao sol, caracterizado principalmente por rolarem no chão, esfregando-se uns nos outros, e virando-se de ventre para cima. Apesar de não serem bezerros, esses comportamentos foi explicado pelo fato de os animais estarem juntos desde o nascimento.

2.9 Comportamento Agonístico

Esse comportamento é definido como a luta ou conflito entre os machos principalmente pela disputa de território ou de fêmeas, sendo conveniente não colocarmos dois machos para um mesmo lote de fêmeas. Em animais confinados, de mesmo sexo, observa-se a dominância de alguns animais no grupo, porém concentrada no início da manhã, durante o período de ida ao cocho e durante à tarde por influência do comportamento hierárquico também bastante observado, não chegando a comprometer o desenvolvimento dos animais (CASTRO et. al 2002).

2.10 Comportamento Reprodutivo

Segundo Costa e Silva (2004), a conduta sexual de bovinos é estimulada via os centros superiores, através dos sentidos: visão, interação com outras fêmeas ou machos; olfação/gustação, captação do ferôrmonio via órgãovomeronasal, comportamento de lambedura e captação da urina; audição, vocalizações; táctil, pressão sobre a glande estimulando, via sistema nervoso, a ereção e ejaculação.

Costa e Silva (2004), afirma que a abordagem sexual antes de qualquer coisa énecessário que o macho identifique a fêmea receptiva, para tal o bovino utiliza algumas categorias comportamentais, cheirando-a ou lambendo sua genitália, trocando de fêmeas quando não reconhece indícios da presença do ferôrmonio. Após a identificação, caso positivo, inicia-se o cortejo: cheirar e lamber outras partes do corpo principalmente costado, pescoço e escápulas; reflexo de flehmen, protusão do lábio superior com ligeiira abertura labial, permitindo captar agentes quimio-estimulantes voláteis; auto-excitação, contração prepucial geralmente acompanha de gotejamento de liquido seminal, com exposição parcial ou total do sêmen; impulso de monta, o animal encontra-se atrás da fêmea com a cabeça voltada ao posterior, as patas encontra-se fixas no chão, o animal realiza um ligeiro movimento na direção da fêmea , sem no entanto deslocar-se acompanhado de uma vocalização; tentativa de monta, o animal prostra-se atrás da fêmea, salta sobre o posterior sem alcança-la; monta abortada, salta na direção da fêmea mas não realiza a intromissão, serviço completo, o macho salta sobre a fêmea, realiza o abraço pélvico, faz a intromissão e ejacula, podendo ser acompanhado de arranque final ou não, e período refratário, intervalo que o macho não encontr-ase receptivo a cópula, sem não necessariamente sem interesse pela fêmea.(Ver figura 01)

Fonte: http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.mgar.com.br/clinicabuiatrica

Figura 01: Reflexo de Flehmen e Serviço Completo

2.11 Anomalias Comportamentais

Animais que estão submetidos a rotinas estressantes tendem a desenvolver vícios, como a aerofagia (ingestão de ar), comum em eqüinos e suínos mantidos em baias, em restrição de movimento. Bovinos confinados e que recebem dietas de alto concentrado e pouca fibra longa podem desenvolver tongue-rolling, que e uma sucessão de movimentos de rolamento com a língua ao que o animal faz ao ingerir o capim. Mudanças na rotina e na dieta podem recuperá-los de tais anomalias, mas devem ocorrer cedo, antes que se tornem irreversíveis (LOUREIRO, 2007).

Segundo Franco (2008), os bovinos podem apresentar um distúrbio comportamental que se caracteriza quando um animal é repetidamente montado e cavalgado por seus companheiros, podendo levar a injúria ou, em casos extremos, até mesmo a morte. Ocorrem principalmente em bovinos confinados, sendo verificado em diferentes raças, cruzamentos, idades e ambientes. Existem fatores que aumentam esse distúrbio como: comportamento submisso, feromônios, clima quente e tamanho do grupo, entre outros.

Os bovinos jovens, na fase que antecede a puberdade, normalmente montam uns sobre os outros e a reação normal do animal que foi montado é de se movimentar imediatamente e evitar tal situação. Entretanto, alguns bovinos que apresentam comportamento anormal (homossexual) ficam parados enquanto são montados por outros animais, podendo ser injuriados e se persistir até levá-los a morte (FRANCO, 2008). 

As explicações para ocorrência de tal comportamento vão das mais esdrúxulas como um vício homossexual onde alguns animais atraem sexualmente outros animais, como as mais sensatas que classificam esses animais em duas categorias: o “verdadeiro” (50%) o qual assume a posição e se posiciona como uma fêmea em cio e o “vítima” (50%) o qual lhe é imposto esta condição devido a estar abaixo na hierarquia social, estar debilitado, ser novo no lote ou por carregar um odor diferente dos demais. Sugeriu-se ainda, que a origem do problema está nos animais que montam, por serem excessivamente masculinizados devido a castrações tardias (FRANCO, 2008). Segundo Schvarz Sobrinho et. al, (2007), o comportamento excessivamente agressivo, indicam que o indivíduo em questão encontra-se em condições de baixo grau de bem-estar. Doença, ferimento, dificuldades de movimento e anormalidades de crescimento são todos indicativos de baixo grau de bem-estar.

3.0 Avaliação do Bem-estar Animal Utilizando as Cinco Liberdades

De acordo com a definição de bem-estar animal utilizada na Inglaterra pelo Fran Animal Welfare Council’s, citado por Andrade et al (2008),as cincos liberdades essenciais aos animais são, liberdade fisiológica (presença de fome, sede e desnutrição), liberdade ambiental (desconforto térmico e físico), liberdade sanitária (presença de lesões e fraturas), liberdade comportamental (impossibilitado de expressar comportamento normais) e liberdade psicológica (presença de medo, ansiedade, estresse prolongado ou intenso).

Em 1998, a Diretiva do Conselho 98/58/EC, na Convenção Européia para Proteção de Animais, determinou regras para a proteção de animais de todas as espécies. Essas regras refletem a então chamada “cinco liberdades” de bem-estar animal na fazenda: a) liberdade para comer e matar a sede com acesso a água fresca e dieta alimentar para saúde plena e vigor; b) liberdade para descanso com abrigo e repouso confortáveis; c) liberdade para expressar dores, bem como prevenção e tratamento rápido de enfermidades; d) liberdade para expressar comportamento normal, com espaços e instalações adequados em companhia de animais de mesma espécie e gênero; e liberdade para temer e expressar angustia de maneira que seja evitado sofrimento mental (SCHVARZ SOBRINHO et. al, 2007).

4.0 Enriquecimentos Ambiental

A condução dos animais até o curral deve sempre ser realizada com calma, sem correrias ou gritos, deslocando os animais de preferência ao passo. Use sempre um cavaleiro em frente ao gado “chamando” os animais (ponteiro). Não use ferrão e evite usar o bastão elétrico. Quando o pasto for muito distante, conduza os animais na véspera, deixando-os passar a noite em um piquete próximo ao curral. O ideal é que os piquetes tenham água, sombra e cocho, onde deve ser oferecida pequena quantidade de ração para condicionar os animais a virem ao curral. Utilize piquetes próximos ao curral para deixar os animais a serem manejados. Conduza pequenos grupos de animais do piquete para o curral, e logo após o manejo volte a soltá-los nos piquetes. Procure sempre conduzir os animais ao passo. Tenha em mente que é sempre mais fácil trabalhar com lotes menores (PARANHOS DA COSTA et. al, 2006) FIGURA 02.

FONTE: Manual de Vacinação, 2006.

FIGURA 02: Condução Racional dos Animais

5.0 Quais fatores podem influenciar no bem-estar

De acordo com Paranhos da Costa et. al, (2006) a acomodação dos animais no curral deve ser realizada com muita calma, sem gritos e sem uso de ferrões, paus e de bastão elétrico. Não coloque pressão excessiva nos animais para que entrem no curral, pois eles podem se machucar batendo nos palanques da porteira. Vá com calma! No caso de animais mais agitados posicione um vaqueiro para controlar “afinar” o gado na passagem da porteira e para animais menos reativos acompanhe a movimentação dos animais, sem colocar pressão excessiva para que entrem. O curral é uma instalação destinada para o trabalho com os bovinos, portanto, não deve ser usada para mantê-los presos por longo tempo. Currais superlotados aumentam os riscos de acidentes e causam maior dificuldades para o manejo. Para que o manejo ocorra com tranqüilidade trabalhe com pelo menos metade das áreas das divisões (mangas) dos currais livres. FIGURA 03.

FONTE: Boas praticas de manejo de embarque, 2006.

FIGURA 03: Animais alojados em piquetes próximos ao curral.

Internacionalmente são identificada características da produção de bovinos que representam pontos críticos de bem-estar animal (Tabela 1). A maior parte dos pontos críticos é inerente aos sistemas e à carga genética para alta produção. Entretanto, existem problemas de bem-estar, como a subnutrição, que podem permear qualquer sistema e que são diretamente evitáveis. A consideração da tabela 1 abaixo, para o contexto brasileiro exige adaptações, como a inserção da bovinocultura leiteira com acesso a pasto, comum em nível nacional. Adicionalmente, parecem relevantes as restrições relativas ao confinamento em termos de espaço e carência de recursos ambientais (MOLENTO e BOND, 2008).

TABELA 1. Pontos Críticos no Bem Estar de Animais de Produção

FONTE: MOLENTO e BOND, 2008.

6.0 A relação Homem-Animal

O temperamento dos animais está diretamente relacionado com a forma e intensidade de manejo do sistema de produção. Em um sistema com manejo eficiente e regular, que estabelece o contato do animal com o homem, os animais são mais dóceis, principalmente se o contato ocorrer nos primeiros meses de vida do bezerro ou até o início da fase pós-desmama. Adicionalmente, a característica temperamento parece sofrer influência importante de fatores genéticos, que contribuiriam para com as diferenças de comportamento observadas em bovinos (Figueiredo et. al, 2005).

Segundo o experimento de Figueiredo et al (2005), onde foi realizado em uma divisão de curral com aproximadamente 20m2, quando o animal se encontrava isolado, após a pesagem. A descrição detalhada das reações comportamentais pode ser observada na Tabela 02.

Tabela 02 - Escala padrão de escores subjetivos atribuídos em função da reação comportamental típica do animal em relação à aproximação de um avaliador.

Escore

Temperamento

Descrição

1

Muito Reativo

O avaliador tenta tocar o animal, porém o mesmo se mostra arisco, se esquiva e investe contra o avaliador, obrigando-o a se proteger subindo na cerca, sob a qual o animal inibe sua descida;

2

Reativo

O avaliador tenta tocar o animal, porém o mesmo se mostra arisco, se esquiva e investe contra o avaliador, obrigando-o a se proteger subindo na cerca, contudo a o animal permite sua descida;

3

Levemente Reativo

O avaliador tenta tocar o animal, porém o mesmo se mostra arisco e se esquiva, contudo não investe contra o avaliador;

4

Dócil

O avaliador tenta tocar o animal, porém o mesmo se esquiva e não deixa ser tocado, apesar de se mostrar tranqüilo e dócil;

5

Muito Dócil

O avaliador toca o animal, este se mostra tranqüilo e dócil,  permitindo ser tocado.

De acordo com Loureiro (2007), o ponto inicial na implantação de manejo gentil ou bem-estar animal não deve ser o bovino, e sim o homem, o qual esta diretamente ligada ao manejo dos animais, não podendo lhes dizer somente o que fazer, mas como ele pode obter melhores resultados sem o uso da forca e da violência.

Para Loureiro (2007), antes de avaliar as condições físicas dos bovinos, deve-se analisar as condições socioeconômicas das pessoas envolvidas no trabalho, os empregados de uma boa parte das fazendas de pecuária de corte no Brasil ainda estão submetidos às condições precárias, sem acesso a energia elétrica, água potável, banheiro e fossas, alem da baixa escolaridade, contribuindo desfavoravelmente para a implantação do manejo gentil. A pessoa precisa viver bem, ter condições mínimas de sobrevivência digna para conseguir encontrar um sentido para o trabalho que será implantado, pois caso contraria ele ouve e não aplica, porque não vê sentido em tudo aquilo.

Uma das soluções previstas por Loureiro (2007), e a aplicação de treinamentos de manejo gentil, podendo ser aplicado ao mesmo tempo em que ocorrem as mudanças nas condições de trabalho, a utilização de demonstrações praticas de manejo também são essenciais, já que todo o gado, por mais agressivo que seja, acaba se adequando ao manejo gentil. Os peões precisam visualizar todas as técnicas em seu próprio rebanho.

De acordo com Loureiro (2007), os bovinos possuem pontos imaginário de manejo, pois para ele na altura da paleta, e encontrado o ponto de balanço de um bovino, pois quando desejamos que o bovino se mova para a frente, devemos ir do ponto B para o ponto A, se o manejador parar no ponto A, o animal interrompera o seu movimento.Quando nos aproximamos de uma Animal entre a cabeça e o ponto de balanço (paleta), ele se move para trás. Os manejadores podem movimentar os animais sem tocá-los com paus ou bastão elétrico, apenas posicionando seu corpo em relação ao corpo do animal.

(Parte 1 de 2)

Comentários