Acolhimento nas Práticas de Produção de saúde

Acolhimento nas Práticas de Produção de saúde

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Secretaria de Atenção à Saúde Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização

2.ª edição Série B. Textos Básicos de Saúde

Brasília − DF 2006

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Série B. Textos Básicos de Saúde Tiragem: 2.ª edição – 2006 – 10.0 exemplares

Elaboração, distribuição e informações: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção à Saúde Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização Esplanada dos Ministérios, bloco G, Edifício Sede, sala 954 70058-900, Brasília – DF Tels.: (61) 3315-3680 / 3315-3685 E-mail: humanizasus@saude.gov.br Home page: w.saude.gov.br/humanizasus

Coordenação da PNH: Adail de Almeida Rollo

Texto: Cláudia Abbês Baeta Neves Adail de Almeida Rollo

Impresso no Brasil / Printed in Brazil Ficha Catalográfi ca

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização.

Acolhimento nas práticas de produção de saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. – 2. ed. – Brasília: Ministério da Saúde, 2006. 4 p. : il. color. – (Série B. Textos Básicos de Saúde)

ISBN 85-334-1268-1 1. SUS (BR). 2. Política de saúde. 3. Prestação de cuidados de saúde. I. Título. I. Série.

NLM WA 30 DB8 Catalogação na fonte – Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS – OS 2006/1138

Equipe editorial:

Normalização: Vanessa Kelly

Revisão: Paulo Henrique de Castro e Vânia Lucas Diagramação: Sérgio Ferreira

EDITORA MS Documentação e Informação SIA, trecho 4, lotes 540 / 610 CEP: 71200-040, Brasília – DF Tels.: (61) 3233-2020 / 3233-1774 Fax: (61) 3233-9558 E-mail: editora.ms@saude.gov.br Home page: w.saude.gov.br/editora

Títulos para indexação: Em inglês: Reception in Practices of Health Production Em espanhol: Acogida en las Prácticas de Producción de Salud

Organização da série cartilha da PNH – 1.edição: Eduardo Passos

Coordenação de revisão das cartilhas da PNH – 2.ª edição: Alba Lucy Giraldo Figueroa

Colaboração: Ricardo Teixeira Gustavo Cunha Alba Lucy Giraldo Figueroa Maria Auxiliadôra da Silva Benevides

Elaboração de texto, diagramação e layout: Cristina Maria Eitler (Kita)

Fotos: Delegados participantes da 12.ª Conferência Nacional de Saúde (realizada em Brasília, de 7 a 1 de dezembro de 2003), fotografados no estande do HumanizaSUS.

Fotógrafo: Cléber Ferreira da Silva

Reedição atualizada do trabalho elaborado em 2002, sob o título “HumanizaSUS: acolhimento com avaliação e classisfi cação de risco: um paradigma ético-estético no fazer em saúde”

O Ministério da Saúde implementa a Política Nacional de Humanização (PNH) HumanizaSUS

Muitas são as dimensões com as quais estamos comprometidos: prevenir, cuidar, proteger, tratar, recuperar, promover, enfi m, produzir saúde.

Muitos são os desafi os que aceitamos enfrentar quando estamos lidando com a defesa da vida e com a garantia do direito à saúde.

No percurso de construção do Sistema Único de Saúde (SUS), acompanhamos avanços que nos alegram, novas questões que demandam outras respostas, mas também problemas ou desafi os que persistem, impondo a urgência seja de aperfeiçoamento do sistema, seja de mudança de rumos.

O padrão de acolhida aos cidadãos usuários e aos cidadãos trabalhadores da saúde, nos serviços de saúde, é um desses desafi os.

O acolhimento como postura e prática nas ações de atenção e gestão nas unidades de saúde favorece a construção de uma relação de confi ança e compromisso dos usuários com as equipes e os serviços, contribuindo para a promoção da cultura de solidariedade e para a legitimação do sistema público de saúde. Favorece, também, a possibilidade de avanços na aliança entre usuários, trabalhadores e gestores da saúde em defesa do SUS como uma política pública essencial da e para a população brasileira.

Este texto se referencia nos princípios, nos métodos e nas diretrizes da Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão (PNH) e em experiências “do SUS que dá certo” na implementação da sistemática de acolhimento em redes ambulatoriais como Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Aracaju (SE) e em hospitais como o Hospital Municipal “Dr Mário Gatti”, de Campinas (SP), os do Grupo Hospitalar Conceição, de Porto Alegre (RS), e o Hospital Municipal Odilon Berhens, de Belo Horizonte (MG), entre outros.

O presente texto está organizado nos seguintes tópicos: 1. O que entendemos por “acolhimento”?

2. Como transpor essas refl exões para o campo da saúde? Ou qual é o sentido dessas refl exões para as práticas de produção de saúde?

3. O acolhimento no SUS: um pouco de história;

4. O acolhimento como um dos dispositivos que contribui para a efetivação do SUS;

5. O acolhimento como estratégia de interferência nos processos de trabalho;

6. O acolhimento com avaliação de risco como dispositivo tecnológico e as mudanças possíveis no trabalho da atenção e da produção de saúde;

7. Algumas sugestões e refl exões sobre a implantação do acolhimento nos serviços de saúde;

8. Algumas maneiras de fazer; 9. Alguns dispositivos (tecnologias);

10. Na situação concreta do serviço, algumas questões a considerar;

1. Referências bibliográfi cas.

Cartilha da PNH Acolhimento nas Práticas de Produção de Saúde6

O que entendemos por “acolhimento”?

Acolher é dar acolhida, admitir, aceitar, dar ouvidos, dar crédito a, agasalhar, receber, atender, admitir (FERREIRA, 1975). O acolhimento como ato ou efeito de acolher expressa, em suas várias defi nições, uma ação de aproximação, um “estar com” e um “estar perto de”, ou seja, uma atitude de inclusão.

Essa atitude implica, por sua vez, estar em relação com algo ou alguém. É exatamente nesse sentido, de ação de “estar com” ou “estar perto de”, que queremos afi rmar o acolhimento como uma das diretrizes de maior relevância ética/estética/política da Política Nacional de Humanização do SUS:

ética no que se refere ao compromisso com o reconhecimento do outro, na atitude de acolhê-lo em suas diferenças, suas dores, suas alegrias, seus modos de viver, sentir e estar na vida;

Cartilha da PNH Acolhimento nas Práticas de Produção de Saúde7

estética porque traz para as relações e os encontros do dia-a-dia a invenção de estratégias que contribuem para a dignifi cação da vida e do viver e, assim, para a construção de nossa própria humanidade;

política porque implica o compromisso coletivo de envolver-se neste “estar com”, potencializando protagonismos e vida nos diferentes encontros.

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