Parkinsonismo

Parkinsonismo

UNIVERSIDADE AUTÓNOMA DE LISBOA

MESTRADO EM PSICOLOGIA CLÍNICA E ACONSELHAMENTO

TERAPIAS BIOLÓGICAS E PSICOFARMACOLÓGICAS

Parkinsonismo

Docente: Prof. Doutor Raul Guimarães Lopes

Discente: Sara Andreia Nina – Nº 20080427

Resumo: Parkinsonismo é um conjunto de doenças com causas diferentes. É muito semelhante à doença de Parkinson do que toca aos sintomas, como a rigidez, tremor e acinésias e bradicinésias. Existem vários tipos de Parkinsonismo: idiopático, pós-encefálico, produzido por fármacos, arteriosclerótico ou por intoxicação de monóxido de carbono. Veremos também que tipo de medicamentos pode produzir Parkinsonismo ou agravá-lo.

Palavras-chave: Parkinsonismo, Sintomas, Fármacos, Diagnóstico, Tratamentos.

Abstract: Parkinsonism is a group of diseases with different causes. It is very similar to Parkinson's disease in regard to symptoms such as rigidity, tremor, akinesia and bradykinesia. There are several types of Parkinsonism: idiopathic, post-encephalic, produced by drugs, arteriosclerótico or carbon monoxide poisoning. We will also see what kind of drugs can produce Parkinsonism or aggravate it.

Key-Words: Parkinsonism, Symptoms, Drugs, Diagnostic, Treatments.

Parkinsonismo

Segundo Limongi (2001) Parkinsonismo é um termo genérico que designa uma série de doenças com causas diferentes, as quais têm em comum a presença de sintomas parkinsonianos (ou seja, aqueles sintomas encontrados na Doença de Parkinson). A Doença de Parkinson (DP) é uma das muitas formas de Parkinsonismo e também a mais frequente, correspondendo a cerca de 75% de todas as formas de Parkinsonismo. Como não se conhece a causa da DP, ela é também denominada de Parkinsonismo primário, enquanto que o Parkinsonismo é denominado de Doença de Parkinson secundária, visto que é derivado a outras causas sem ser a doença já mencionada.

Os sinais clínicos podem incluir bradicinesia e acinésia, rigidez, marcha parkinsoniana e face de máscara. Em geral, o tremor é menos proeminente no parkinsonismo secundário que na forma primária. (Zaidat & Lerner, 2008).

Pessoas com Parkinsonismo apresentam exames de imagem e sanguíneos normais. (Misulis & Head, 2008).

Acinésia e Bradicinésia

O termo acinésia refere-se à redução da quantidade de movimentos, consiste essencialmente na perda de capacidade do doente para ter iniciativas idiomotoras, ele mantém-se imóvel e inexpressivo, sendo também reduzido o número de movimentos que faz espontaneamente, enquanto bradicinésia significa lentidão na execução do movimento. O paciente apresenta redução da movimentação espontânea em todas as esferas. A mímica facial torna-se menos expressiva (“fácies em máscara”), transmitindo com menor intensidade sentimentos e emoções que, por sua vez, mantêm-se preservados. O paciente anda com passos mais lentos e pode apresentar alguma dificuldade para equilibrar-se. (Limongi, 2001).

De acordo com Terra, Silva & Schimidt (2007), a bradicinésia é dos sintomas mais comuns, traduzido por lentificação dos movimentos voluntários ou dificuldade em iniciá-los (freezing).

Rigidez

Terra, Silva & Schimidt (2007), afirmam que a rigidez é o aumento da resistência aos movimentos passivos e é responsável pela postura flectida para a frente e pela fragmentação dos movimentos.

Segundo Limongi (2001), a rigidez muscular decorre do aumento da resistência que os músculos oferecem quando um segmento do corpo é movido passivamente pelo examinador. Quando um músculo é activado para realizar determinado movimento, em condições normais, o seu antagonista é inibido para facilitar esse movimento. Quando determinado membro é deslocado passivamente pelo examinador, podem-se sentir, sobrepostos à rigidez, certos períodos de liberação rítmicos e intermitentes, fenómeno que recebe o nome de sinal da roda dentada.

De acordo com Ball (1998), a rigidez e a limitação dos movimentos que se podem desenvolver são bastante problemáticas pois, provocam dificuldades em iniciar actividades tais como caminhar, embora uma vez iniciada uma acção repetitiva esta possa ser mantida, mas de forma rígida e desajeitada. Ball (1998) acredita que a rigidez, além de dolorosa, provoca dificuldades em actos como os de abotoar a roupa, atar os sapatos, escrever, balançar os braços ao caminhar e até mesmo falar de modo pausado e claro.

Tremor

Ball (1998), afirma que o tremor constitui-se de forma característica, apresentando-se na forma de tremores não intensos, grosseiros e regulares dos dedos e membros, e que produz um peculiar movimento involuntário de fricção dos dedos polegar e indicador.

O tremor é rítmico, relativamente lento quando comparado a outros tipos de tremores (de quatro a seis ciclos por segundo) e ocorre, principalmente, quando o membro está em repouso, sendo por isso determinado tremor de repouso. Quando o paciente movimenta um membro, o tremor ali presente cessa de imediato para retornar logo após o fim do movimento. (Limongi, 2001).

De acordo com Silva & Valença (2003), a lentidão em realizar os movimentos e a dificuldade em iniciar os mesmos (pobreza do movimentos espontâneos e automáticos), geralmente, surge simultaneamente com a rigidez.

Tipos de Parkinsonismo

(segundo Leça da Veiga, (s.d.)

Parkinsonismo Idiopático

Aparece em homens com idade compreendida entre os 50 e 60 anos. Costuma ser bilateral, ou seja, afecta ambos os lados do corpo. Deve-se a uma degeneração atrófica de certos núcleos cerebrais.

Parkinsonismo pós-encefálico

Dá-se em jovens e em adultos com menos de 50 anos e que já anteriormente tenham sofrido de encefalite vírica. Frequentemente só afecta um lado do corpo. Este parkinsonismo é acompanhado de outros sinais tais como crises de sudoração, movimentos oculares anormais, olhar como que de espanto, etc.

Parkinsonismo arteriosclerótico

Frequente em pessoas com mais de 50 anos e é acompanhado de arteriosclerose cerebral generalizada, com demência e desintegração da personalidade. Nestes casos, o tremor é quase inexistente, mas as dificuldades de marcha estão presentes.

Parkinsonismo por intoxicação de monóxido de carbono

Causada pela acção do monóxido de carbono no cérebro. Os sintomas podem manifestar-se ao fim de dois ou três meses depois de se ter inalado o referido gás. Em muitos casos, o processo da doença é irreversível.

Parkinsonismo induzido por fármacos (ver anexo A e B)

Parece-se com um quadro grave da mais habitual Doença de Parkinson, com o olhar fixo, braços muito flectidos, o arrastamento dos pés ao caminhar. Os movimentos são lentos e existe uma grande rigidez muscular. No entanto trata-se de um processo reversível e que cessa quando se interrompe a medicação que o tiver produzido ou igualmente, com a administração de fármacos anti-parkinsónicos.

Exemplos de Anti-Parkinsónicos descritos no Simposium Terapêutico (1991):

Nome genérico

Nome Comercial

Amantadina

Parkadina

Biperideno

Akineton e Akineton-Retard

Bromocriptina

Parlodel

Levadopa + Benserazida

Madopar

Levadopa + Carbidopa

Sinemet e Sinemet CR

Orfenadrina

Norflex

Tiocolquicosido

Relmus

Trihexifenidilo

Artane

Diagnóstico

O diagnóstico é feito através das características clínicas, com história ou sinais ao exame dos distúrbios precipitantes e também por exames de imagem e laboratoriais normais. (Misulis & Head, 2008).

Tratamento

O tratamento em relação à etiologia (se possível) pode consistir simplesmente na retirada do fármaco precipitante, ao tratamento da infecção (se presente), à prevenção secundária da doença vascular, ou então tratar os sintomas com as mesmas medicações e segundo as mesmas directrizes da DP. (Misulis & Head, 2008).

Referências Bibliográficas

  • Ball, J. (1998). Compreendendo as doenças: pequeno manual do profissional de saúde. Retrieved May 5, 2009 from http://books.google.pt/books?id=oKsAgjmq_iQC&pg=PA238&dq=doen%C3%A7a+parkinson&lr

  • Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa. (1991). Simposium Terapêutico – enciclopédia de especialidades farmacêuticas portuguesas. Lisboa: Edições Simposium.

  • Leça de Veiga, C. (s.d.). Guia Médico – Vol. 9. Brasil: Salvat Editora.

  • Limongi, J. C. P. (2001). Conhecendo melhor a doença de Parkinson: uma abordagem multidisciplinar com orientações práticas para o dia-a-dia. Retrieved May 5, 2009 from http://books.google.pt/books?id=6XWtzr4XdMoC&printsec=frontcover&dq=parkinson#PPA15,M1.

  • Misulis, K & Head, T. C. (2008). Neurologia essencial. (V. R. Varga, Trad.). Rio de Janeiro: Elsevier Editora.

  • Silva, G. E. G. & Valença, M. O. S. (2003). Neurologia Clínica. Retrieved May 5, 2009 from http://books.google.pt/books?id=e5qbJEoGNUsC&pg=PA31&dq=doen%C3%A7a+parkinson&lr=#PPA33,M1.

  • Terra, N. L., Silva, R. & Schimidt, O. F. (2007). Tópicos em Geriatria II. Retrieved May 5, 2009 from http://books.google.pt/books?id=XLZcBfagmDcC&pg=PA113&dq=doen%C3%A7a+parkinson&lr=#PPA121,M1.

  • Zaidat, O. & Lerner, A. J. (2008). Manual Mosby de Neurologia. Brasil: Elsevier Editora.

Anexo A: Medicamentos que podem causar ou agravar o parkinsonismo

Anexo B: Parkinsonismo Fármaco-Induzido

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