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Doenças

Infecciosas e Parasitárias

Doenças Infecciosas e P arasitárias: guia de bolso guia de bolso volume I

3ª edição Brasília / DF junho 2004MINISTÉRIO DA SAÚDE VOL. I w.saude.gov .br/svs

ISBN 85-334-0805-6

Ministério da Saúde Secretaria de Vigilância em Saúde

Departamento de Vigilância Epidemiológica

3ª Edição Vol. I

Série B. Textos Básicos de Saúde

BRASÍLIA / DF JUNHO - 2004

© 2004 Ministério da Saúde. Os textos publicados são de responsabilidade dos autores.

É permitida a reprodução parcial desta obra, desde que citada a fonte.

Série B. Textos Básicos de Saúde Tiragem: 3. edição – 5.0 exemplares

Elaboração, edição e distribuição MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Vigilância em Saúde Coordenação: Departamento de Vigilância Epidemiológica Produção: Núcleo de Comunicação

Endereço Esplanada dos Ministérios, Bloco G, Edifício Sede, 1.º andar CEP: 70058-900, Brasília – DF E-mail: svs@saude.gov.br Endereço eletrônico: w.saude.gov.br/svs

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Ficha Catalográfica

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica.

Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso / Ministério da Saúde,

Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – 3ª ed. – Brasília: Ministério da Saúde, 2004.

236 p. v.: I il. color. - (Série B. Textos Básicos de Saúde)

1. Doenças transmissíveis. 2. Vigilância epidemiológica. 3. Saúde pública. I. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. I. Título. II. Série.

Catalogação na fonte – Editora MS

EQUIPE DE ELABORAÇÃO5
APRESENTAÇÃO1
TRANSMISSÍVEIS NO BRASIL13
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA21
SISTEMA DE INFORMAÇÃO27
1 AIDS3
2 AMEBÍASE43
3 ANCILOSTOMÍASE47
4ASCARIDÍASE....................................................................................................51
5 BOTULISMO / BOTULISMO DO LACTENTE5
6BRUCELOSE........................................................................................................59
7 CANCRO MOLE65
8 CANDIDÍASE69
9 COCCIDIOIDOMICOSE73
10 CÓLERA7
1 COQUELUCHE81
12 CRIPTOCOCOSE85
13 CRIPTOSPORIDÍASE89
14 DENGUE93
15DIFTERIA...................................................................................................101
18 DOENÇA MENINGOCÓCICA119
19 DOENÇAS DIARRÉICAS AGUDAS125
20 DONOVANOSE129
21 ENTEROBÍASE135
2 ESCABIOSE139
23 ESQUISTOSSOMOSE143
24 ESTRONGILOIDÍASE149
25 FEBRE AMARELA153
26 FEBRE MACULOSA159
27 FEBRE PURPÚRICA BRASILEIRA (FPB)165
28 FEBRE TIFÓIDE169
29 FILARÍASE POR WUCHERERIA BANCROFTI175
E CRIANÇA EXPOSTA181
31 GIARDÍASE185
32 GONORRÉIA189
3 HANSENÍASE195
34 HANTAVIROSES203
35 HEPATITE A209
36 HEPATITE B215
37 HEPATITE C221
38 HEPATITE D227

Jarbas Barbosa da Silva Junior Secretaria de Vigilância em Saúde / MS

Maria da Glória Teixeira Instituto de Saúde Coletiva / UFBA

Gerson Oliveira Penna Núcleo de Medicina Tropical da Universidade de Brasília

Maria da Conceição Nascimento Costa Instituto de Saúde Coletiva/UFBA

Susan Martins Pereira Instituto de Saúde Coletiva / UFBA

Expedito Luna Secretaria de Vigilância em Saúde / MS

Eduardo Hage Carmo Secretaria de Vigilância em Saúde / MS

Estela Maria Ramos do Nascimento Secretaria de Saúde do Estado da Bahia

6 | Secretaria de Vigilância em Saúde / MS - Maio de 2004

Aderbal Henry Strugo Arruda Adriana Aguiar Oliveira Alessandra Siqueira Ana Nilce Silveira Maia Elkhoury Antônia Lins Fernandes Carlos Antônio Lima Neto Camila Shiler Carla Magda Allan Santos Domingues Carolina Novaes Carvalho Cristiane Penaforte Dimech Denise Santos Correia de Oliveira Eduardo Marques Macário Emanuel Carvalho Martins Ernesto Isaac Montenegro Renoiner Fan Hui Wen Fernando Ribeiro de Barros Francisco Anilton Alves Araujo Geane Maria de Oliveira Geane Maria de Oliveira George Santiago Dimech Gerson Fernando Mendes Pereira Gerusa Maria Figueiredo Giselle de Moraes Greice Madeleine Ikeda do Carmo Helen Selma de Abreu Freitas Janduhy Pereira dos Santos João Batista Vieira João Eduardo Pereira José Evoide de Moura Junior Joseney R. Pires dos Santos Katia Biscuola de Campos Licia Camilo Melo

6 | Secretaria de Vigilância em Saúde / MS - Maio de 2004Secretaria de Vigilância em Saúde / MS - Maio de 2004 | 7

Lúcia Helena Berto Lúcia Regina Ferraz Lúcia Regina Montebello Pereira Luciane Zappelini Daufenbach Marcelo Santalúcia Marcelo Wada Márcia Leite de Sousa Marcia Lopes Carvalho Márcio Costa Vinhaes Maria Adelaide Millington Maria Alice Fernandes Cadilhe Maria Candida Dantas Souza Maria Carolina C. Quixadá Pereira Maria da Conceição Cavalcanti Magalhães Maria de Fátima Costa Lopes Maria de Lourdes de Sousa Maia Maria de Lourdes Simões Arsky Maria Glória Vicente Maria Lucília Nandio Benatto Maria Salete Parise Maria Selma Soares Marilda Siqueira Marília Ferraro Rocha; Marlene Benfica Matos Marlene Benfica Matos Marli Rocha de Abreu Costa Marly Galdino de Almeida Marly Galdino de Almeida Martha Brito da Cruz Mauro da Rosa Elkhoury Moacir Gerolomo Neusa Gueths Paulo Campos Christo Fernandes Rejane Maria de Souza Alves Ricardo Teixeira da Silva Viana Rômulo Henrique da Cruz

8 | Secretaria de Vigilância em Saúde / MS - Maio de 2004

Ronaldo Amaral Rosa Castália França Ribeiro Soares Rosa Castália França Ribeiro Soares; Rosália Maia Ruth Glatt Sandra de Sousa Ribeiro Petrus; Sara Jany Medeiros da Silva Sirlene de Fátima Pereira; Suely Esashika Suely Nilsa Guedes de S. Esashika Tatiana Miranda Lanzieri Teresa Cristina Segatto Tochiê Massuda Vania Lucia Blois de Souza; Vera L. Gattás Vera Lúcia Carvalho da Silva Wagner Alexandre Costa Wanderson Kleber de Oliveira Waneska Alexandra Alves Wildo Navegantes de Araújo Zirlei Maria Matos Silva Zouraide Guerra Antunes Costa

FIOCRUZ - RJ Armando Schubach

Projeto Gráfico: Lúcia Saldanha / Fabiano Camilo Capas e Estojo: Fabiano Camilo Revisão de Texto: Alberico Carvalho Bouzón

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É com grande satisfação que a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) apresenta a 3ª edição, revista e ampliada, do Guia de Bolso de Doenças Infecciosas e Parasitárias. Assim como nas edições anteriores, essa revisão observou todos os manuais e normas técnicas daquelas doenças que são objeto de intervenção do Ministério da Saúde. Conta, portanto, com a participação da vários técnicos do Ministério e especialistas da área.

A obra é especialmente dirigida aos médicos que necessitam obter, em sua prática do dia-a-dia, informações atualizadas sobre aspectos clínicos, epidemiológicos e medidas de prevenção e controle das doenças que se encontram sob monitoramento devido à sua potencialidade de causar danos à saúde dos indivíduos e de se tornar um problema de saúde pública.

As transformações demográficas, ambientais e sociais que ocorrem no mundo criam condições para o constante surgimento de novas formas de expressão de doenças já conhecidas anteriormente e para emergência de novas doenças. Essa realidade exige o permanente fortalecimento de uma rede de vigilância epidemiológica que incorpore os hospitais de referência para doenças transmissíveis, as unidades hospitalares voltadas para o atendimento pediátrico e de urgências, os laboratórios de saúde pública, centros de saúde e ambulatórios, com capacidade de monitorar os perfis epidemiológicos e suas alterações, detectando prontamente, investigando e adotando medidas eficazes de prevenção e controle. Um dos objetivos deste Guia de Bolso é o de ampliar a participação dos médicos nessas ações, tornando o sistema mais sensível para diagnosticar as doenças com importância epidemiológica, perceber comportamentos inusitados e novas síndromes e que seja mais precioso e oportuno no desencadeamento de medidas de prevenção e controle.

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O Guia de Bolso vem se somar às demais publicações da Secretaria de Vigilância em Saúde, a exemplo do Guia de Vigilância Epidemiológica, obra de referência fundamental para todos aqueles que desenvolvem ações de vigilância epidemiológica e da revista Epidemiologia e Serviços de Saúde, editada trimestralmente com artigos e análises sobre o quadro sanitário do país e os resultados de estudos e pesquisas nas diversas áreas da epidemiologia. Estas e outras publicações da SVS estão disponíveis para que se amplie o conhecimento e a utilização das práticas de vigilância e da metodologia epidemiológica nos serviços de saúde.

Jarbas Barbosa da Silva Jr. Secretário de Vigilância em Saúde

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Os movimentos de emergência de novas doenças transmissíveis como a aids, de ressurgimento, em novas condições, de doenças “antigas” como a cólera ou a dengue, de persistência de endemias importantes como a tuberculose e, de ocorrência de surtos inusitados de doenças como a Febre do Oeste do Nilo nos Estados Unidos demonstram que nem países em desenvolvimento, nem mesmo os desenvolvidos, estão livres das doenças infecciosas.

No Brasil, as alterações ocorridas no perfil de morbimortalidade, no qual ressalta-se uma perda de importância relativa das doenças transmissíveis, principalmente a partir do último quarto do século X, contribuíram para criar uma falsa expectativa de que todo esse grupo de doenças estaria próximo à extinção. Entretanto o seu impacto na morbidade ainda é importante, principalmente aquele produzido pelas doenças para as quais não se dispõe de mecanismos eficazes de prevenção e controle.

No que se refere especificamente à morbidade hospitalar, informações provenientes do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do SUS indicam que a proporção de internações por doenças infecciosas, em relação ao total de internações no país, não apresenta a mesma intensidade na tendência de redução que a verificada para a mortalidade. Nos últimos anos, no país como um todo, as doenças classificadas no capítulo das DIPs têm apresentado valores próximos a 10% do total de internações, sendo estes mais elevados nas Regiões Norte e Nordeste. No ano de 2001, continuaram predominando as doenças infecciosas intestinais, representando 59,6% do total de internações no país, sendo de 69,5% na Região Nordeste.

De acordo com dados de morbidade de base populacional, a situação das doenças transmissíveis no Brasil, no período compreendido entre o início da década de 1980 e da presente década, corresponde a um quadro complexo que pode ser resumido em três grandes tendências: doenças transmissíveis com tendência declinante; doenças transmissíveis com quadro de persistência; e doenças transmissíveis emergentes e reemergentes, conforme apresentadas a seguir.

Doenças transmissíveis com tendência declinante

O Brasil tem apresentado êxitos significativos na redução de um grande número de doenças transmissíveis, para as quais se dispõe de instrumentos eficazes de prevenção e controle, estando as mesmas em franco declínio. A varíola foi erradicada em 1973 e a poliomielite em 1989. A transmissão do sarampo foi interrompida desde o final de 2000 e a taxa

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Secretaria de Vigilância em Saúde / MS - Maio de 2004 | 13 de incidência do tétano neonatal apresenta-se em um patamar muito aquém daquele estabelecido para ser considerado eliminado enquanto problema de Saúde Pública (1/1.0 nascidos vivos). A redução na incidência e a concentração dos casos da raiva humana transmitida por animais domésticos também permitem prever sua próxima eliminação.

Outras doenças transmissíveis com tendência declinante são a difteria, a coqueluche e o tétano acidental, que têm em comum o fato de serem imunopreveníveis; a doença de Chagas, endêmica há várias décadas em nosso país; a febre tifóide, associada a condições sanitárias precárias; e a oncocercose, a filariose e a peste, todas com áreas de ocorrência restritas.

Doenças transmissíveis com quadro de persistência

Não obstante o sucesso alcançado no controle das doenças anteriormente referidas, algumas doenças transmissíveis apresentam quadro de persistência, ou de redução, em período ainda muito recente. Nesse grupo de doenças, destacam-se a tuberculose e as hepatites virais, especialmente as hepatites B e C, em função das altas prevalências, da ampla distribuição geográfica e do potencial evolutivo para formas graves que podem levar ao óbito. No entanto, não podem deixar de ser ressaltados os resultados favoráveis que têm sido alcançados na redução da mortalidade pela tuberculose, com a disponibilidade de tratamento específico de alta eficácia. A implantação universal da vacinação contra a hepatite B, inclusive para adolescentes, no final dos anos 90, também deverá produzir, em médio prazo, impactos positivos na prevenção das formas crônicas da doença.

A leptospirose assume relevância para a Saúde Pública, em função do grande número de casos que ocorrem nos meses mais chuvosos, bem como pela sua alta letalidade, ainda que apresente uma distribuição geográfica mais restrita às áreas que oferecem condições ambientais adequadas para a transmissão. Por sua vez, as meningites também se inserem nesse grupo de doenças, destacando-se as infecções causadas pelos meningococos B e C, que apresentam níveis importantes de transmissão e taxas médias de letalidade acima de 10%. Tem-se observado significativa redução na ocorrência da meningite causada por H. influenzae tipo B, possivelmente em conseqüência da vacinação de menores de um ano, a partir de 1999.

Ainda nesse grupo, estão as leishmanioses (visceral e tegumentar) e a esquistossomose, para as quais, além da manutenção de elevadas prevalências, tem sido observada expansão na área de ocorrência, em geral associada às modificações ambientais provocadas pelo homem, aos deslocamentos populacionais originados de áreas endêmicas e à insuficiente infra-estrutura na rede de água e esgoto ou na disponibilidade de outras formas de acesso a esses serviços.

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A malária que, até recentemente, apresentava níveis de incidência persistentemente elevados na Região Amazônica, onde se concentram mais de 9% dos casos registrados no país, passou a apresentar, a partir de 199, reduções superiores a 40% nessas taxas. O Plano de Intensificação das Ações de Controle da Malária, lançado em julho de 2000, além de garantir a ampliação do acesso ao diagnóstico e tratamento por intermédio da descentralização e da integração com as ações de atenção básica, e um melhor equacionamento das ações seletivas de controle vetorial, possibilitou a implementação de importantes ações extra-setoriais, a partir do estabelecimento de normas específicas voltadas para a instalação de assentamentos rurais e de projetos de desenvolvimento. Entretanto, no ano de 2003 houve um recrudescimento na transmissão em grande parte dos estados da região amazônica, evidenciando descontinuidade de ações de controle, bem como intensificação da transmissão em centros urbanos.

Após a eliminação do ciclo urbano, em 1942, a febre amarela vem apresentando ciclos epidêmicos de transmissão silvestre, como ocorrido em 2000 (Goiás), 2001 e 2003 (Minas Gerais). Entretanto, apesar da ampliação da área de transmissão para estados e municípios situados fora da área endêmica (Região Amazônica), tem havido redução na incidência a partir do ano 2000 até o presente momento. A possibilidade de reintrodução do vírus amarílico no ambiente urbano, pela ampla dispersão do Aedes aegypti, tem motivado uma intensa atividade de vacinação, que resultou em mais de 60 milhões de doses aplicadas entre 1998 e 2003. Na medida em que foram identificados eventos adversos graves associados a essa vacina, a estratégia inicial, de vacinação universal, teve que ser ajustada para uma cobertura mais focalizada, em toda a área de circulação natural do vírus amarílico e também na área de transição.

Esta situação evidencia que, para esse grupo de doenças, é mandatário o fortalecimento de novas estratégias, atualmente adotadas, que propõem uma maior integração entre as áreas de prevenção e controle e a rede assistencial, já que um importante foco da ação nesse conjunto de doenças está voltado para o diagnóstico precoce e tratamento adequado dos doentes, visando à interrupção da cadeia de transmissão. Aliado a isto, enfatiza-se a necessidade de ações multissetoriais para sua prevenção e controle, já que grande parte das razões para a manutenção da situação de endemicidade reside na persistência dos seus fatores determinantes, externos às ações típicas do setor Saúde como urbanização acelerada sem adequada infra-estrutura urbana, alterações do meio ambiente, desmatamento, ampliação de fronteiras agrícolas, processos migratórios, grandes obras de infra-estrutura (rodovias e hidroelétricas), entre outros.

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