A Pedagogia de Rumos Equivocados

A Pedagogia de Rumos Equivocados

(Parte 7 de 7)

A realidade tem revelado que pesquisas e avanços científicos sobre a importância do brincar e da ludicidade na faixa etária anterior aos sete anos não vêm repercutindo no cotidiano das instituições de educação infantil, prevalecendo o entendimento de antecipação dos conteúdos programáticos das séries iniciais do ensino fundamental.

Do mesmo modo, parece, que à criança pequena não tem sido dada oportunidade para construir relações sobre mundo externo, seja através do acesso à cultura acumulada pela humanidade, seja por meio da aquisição do saber produzido por sua comunidade mais próxima. São conteúdos inculcados que apenas reproduzem conhecimentos, sobre os quais pouco as crianças podem operar, cabendo a ela somente a reprodução dos mesmos.

Quando se refere às linguagens artísticas isso parece confirmar-se: música, pintura, literatura, dança aparecem como acessórios durante atividades diversas, com as mais variadas motivações, quase todas elas preparando as crianças pequenas para uma estética formulada pela indústria cultural.

As crianças não se expressam por meio das linguagens artísticas, mas restringemse às imitações de produtos acabados, reproduzindo estereotipias. Com certeza, reconhecemos na maioria das instituições de Educação Infantil, as mesmas práticas musicais, coreográficas, plásticas. São sempre as mesmas melodias que antecedem as refeições, as comemorações da Páscoa; são as indefectíveis quadrilhas juninas; os indiozinhos “caras pintadas” ostentando singelos cocares; os corações, todos igualmente vermelhos dedicados às diferentes mães.

Neste sentido, qual o movimento que tem sido realizado para que se introduza e respeite a arte como base epistemológica para uma Pedagogia da Infância?

Que práticas mencionadas têm propiciado encaminhamentos seguros nesta proposição?

Como alerta e defende Ana Angélica Albano (2004)

...Quando conseguimos perceber a analogia entre falar com as palavras ou com as cores, gestos ou sons, fica mais fácil pensar porque a arte apresenta-se como uma área privilegiada, a partir da qual podemos começar a repensar as bases epistemológicas para uma pedagogia da infância.

Repito: porque a arte reclama o homem inteiro, porque opera a partir de imagens, envolvendo o pensamento, sentimento, sensação e percepção em igual proporção.(...) (p.36)

a função permanente da arte é recriar para a experiência de cada indivíduo a

Albano ainda defende que plenitude daquilo que ele não é, isto é, a experiência de toda a humanidade em geral. A magia da arte está em que, nesse processo de recriação, ele mostra a realidade como passível de ser transformada, dominada e tornada brinquedo.

Mas aqui começa realmente o problema: qual é o universo imagético do professor?

Qual é sua experiência com a arte enquanto receptor? Qual é sua experiência com a criação?

Se a capacidade de criar é o que distingue a espécie humana das outras espécies, não nos concilia com um cotidiano em que repetimos, incessantemente, as mesmas práticas pedagógicas esquecidos da emoção de produzir um conhecimento novo.(...)(p.36)

A razão pela qual a arte pode ser a base para repensarmos uma pedagogia da infância está justamente na inteireza, no modo como constrói conhecimentos. Porque

Grifos da autora.

não compartimenta o sujeito, nem a forma de conhecer. Porque possibilita nos conectar com uma tradição, com o passado e, ao mesmo tempo, abrir-nos para o desconhecido.(p.37)

A construção de práticas educativas exige formação, discurso e estatuto profissional na área, os modos de ser do educador infantil devem considerar as artes e técnicas para o desenvolvimento e inserção do ser pessoa e do ser cultural, inserindo-se no mundo do conhecimento que seguem as normas científicas e são produzidos pelas diferentes áreas e ou campos científicos e que se vinculam a forma de ser e fazer da ação humana um patrimônio de não neutralidade política e histórica. Estamos contribuindo para enfrentar e vencer tal demanda educacional?

ANGOTTI, M. Aprendizagem profissional: os primeiros passos no magistério pré-escolar. São Carlos, 1998. Tese (Doutoramento em Educação) – CECH - Universidade Federal de São Carlos.

ALBANO, A. A. A Arte como base epistemológica para uma Pedagogia da Infância. In: São Paulo: Caderno Temático de Formação 2 – Educação Infantil: Construindo a Pedagogia da Infância no município de São Paulo, 2004. p.31-36

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9493/96. Brasília: MEC, 1996. _. Presidência da República – Lei nº 1.14, de 16 de maio de 2005.

CERISARA, A. B. Por uma Pedagogia da Educação Infantil: desafios e perspectivas para as professoras. In: São Paulo: Caderno Temático de Formação 2 – Educação Infantil: Construindo a Pedagogia da Infância no município de São Paulo, 2004. p.6-12

FERNANDES, J.G.D. O trabalho do educador de creche tal como é compreendido pelos seus formadores. Relatório de Pesquisa, Assis: PIBIC/CNPq, Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, 2004.

NÓVOA, A. Os professores na virada do milênio: do excesso dos discursos à pobreza das práticas. In: Educação e Sociedade. São Paulo, v. 25, n.1, p. 1-20, jan/ jun.1999.

Coordenadora – Maria de Fátima Barbosa Abdalla – UniSantos Vice-Coordenadora – Stela Miller – FFC/UNESP/Marília

Alberto Albuquerque Gomes – FCT/UNESP/Presidente prudente Alda Junqueira Marin – FCL/UNESP/Araraquara Ana Maria da Costa Santos Menin – FCT/UNESP/Presidente Prudente Cyntia Graziella G. S. Girotto – FFC/UNESP/Marília Débora Cristina Jeffrey – IBILCE/UNESP/São José do Rio Preto Iveta Maria Borges Ávila Fernandes – IA/UNESP/São Paulo Maria da Graça Mello Magnoni – FC/UNESP/Bauru Maria de Fátima Salum Moreira – FCT/UNESP Presidente Prudente Maria Rosa Rodrigues M. de Camargo – IB/UNESP/Rio Claro Paula Ramos de Oliveira – FCL/UNESP/Araraquara Renata Junqueira de Souza – FCT/UNESP/Presidente Prudente Viviane Souza Galvão – FFC/UNESP/Marília

Adonai César Mendonça – Prefeitura Municipal de Barretos Ângela Maria Martins – Fundação Carlos Chagas Anna Maria Lunardi Padilha – UNIMEP Anna Regina Lanner de Moura – FE/UNICAMP Elaine Araújo – USP/Ribeirão Preto Eugênio D. Berto – Delegacia de Ensino de Registro/APASE Eva Cristina de Souza Mendes – Conselho Municipal de Santos Francisco A. Moreira Rocha – SEE/SP e SME/SP Manoel Oriosvaldo de Moura – FE/USP Maria Cecília Carareto Ferreira – UNIMEP Marília Costa Basile – Escola de Aplicação/FE/USP Marineide de Oliveira Gomes – Centro Universitário – Fundação Santo André Marisa Aparecida Pereira Santos – Universidade Sagrado Coração de Jesus/Bauru Marli Peixoto Fernandes – CPP, SEE/SP Noeli Prestes Padilha Rivas – USP/Ribeirão Preto Rinaldo Molina – FE/USP, SEE/SP Ruth Ribas Itacarambi – USP-IME Sérgio Antônio da Silva Leite – FE/UNICAMP

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