o po de pirlimpimpim

o po de pirlimpimpim

ma partícula branca como nuvem e fina como talco utilizada pela indústria petrolífera tem poderes mágicos. Ela promove, em segundos, reações químicas que a mãe natureza levaria milhares de anos para produzir.

A receita parece simples: misture o pó, batizado de catalisador, ao petróleo. A poção, submetida a temperaturas elevadíssimas, atravessa tubos e conexões até se transformar em gás liquefeito (gás de cozinha), óleo diesel ou gasolina. Não se iluda com o procedimento, que, à primeira vista, parece simplório. Por trás desse pó mágico, há uma tecnologia de ponta. Para melhor entender a função dos catalisadores industriais, vale relembrar o papel do mais importante catalisador natural: as enzimas. Moléculas de proteína grandes e complexas, elas são formadas dentro das células de todos os seres vivos. São responsáveis pelo controle de várias funções vitais que convertem nutrientes em energia e em novos materiais para as células. Sem as enzimas, as reações químicas seriam lentas demais para dar suporte à vida. A conversão industrial que tem o mesmo princípio das enzimas é conhecida por craqueamento catalítico fluido (FCC), que requer catalisadores como insumo básico.

Alta tecnologia em catálise

Existem ocorrências catalisadoras na natureza, só que elas são raras e sempre encontradas em pequenas porções. Para atender à demanda por derivados de petróleo, a Petrobras precisa de grandes quantidades de catalisadores. Caro e de avançada tecnologia, ele é essencial para a atividade de refinação. Por isso, deve ser produzido sob medida, levando-se em consideração as características da carga, as limitações das instalações industriais, o perfil da produção e o consumo. “Só os catalisadores sintéticos conseguem acelerar as reações químicas que a indústria necessita”, afirma Eduardo Falabella, consultor técnico e doutor em catálise do Centro de Pesquisas da Petrobras. “Sabemos da importância de termos catalisadores altamente sofisticados e, por isso, estamos buscando sempre novas formulações para o produto.”

No que depender do Centro de Pesquisas da Petrobras, os trabalhos desenvolvidos para os processos de FCC e de hidroprocessamento vão de vento em popa. Seus principais clientes são, além da própria área de abastecimento da empresa, as centrais petroquímicas brasileiras e a Fábrica Carioca de Catalisadores S.A. Esta última é uma joint venture entre a Petrobras, a Akzo Nobel, tradicional fabricante de catalisadores e detentora de tecnologia de ponta, e a Oxiteno Nordeste, conceituada empresa petroquímica brasileira. Graças aos avanços tecnológicos, o Brasil, que há algumas décadas importava o produto, tornou-se auto-suficiente em produção e passou a atender, também, toda a América Latina. Hoje, a Fábrica Carioca, instalada no Rio de Janeiro – a única no país –, produz entre 25 e 30 mil toneladas por ano de catalisadores, das quais até 10 mil podem ser destinadas à exportação.

Catalisador de craqueamento

Assemelha-se a uma partícula de concreto para a construção civil. No concreto, misturam-se cimento, areia e brita de tamanhos relativos. No catalisador temos um ligante (1), uma alumina (2)e uma peneira molecular (3)na mesma proporção de tamanhos relativos, formando uma partícula de razoável dureza.

Peneira molecular

Cada partícula é como um grão de areia, com buracos grandes, médios e pequenos. Essas cavidades funcionam como peneiras moleculares. A primeira peneirada é feita pelas aberturas maiores, onde são retidas as grandes moléculas. Sempre obedecendo a ordem de tamanho, o procedimento se repete com as cavidades médias e pequenas. Até que, na última fase, feita por pequenos buracos, só diminutas moléculas conseguem atravessar. São elas, as de tamanho bem reduzido, que dão origem, por exemplo, à gasolina, ao gás de cozinha ou ao óleo diesel.

Formação da partícula

As partículas passam por um atomizador, se unem e formam a partícula final do catalisador. Tais partículas finais são bem pequenas, fazendo com que o catalisador se assemelhe a uma areia bem fina.

Os catalisadores entram em ação e fazem com que aconteça o espetáculo que transforma em segundos o petróleo em gás de cozinha, diesel ou gasolina

Falabella:

Brasil fabrica catalisadores altamente sofisticados e continua em busca de novas formulações para o produto

Comentários