Livro Abordagens ética

Livro Abordagens ética

(Parte 2 de 6)

Prudência Justiça

Fortaleza Temperança

A reta noção daquilo que se deve fazer ou evitar, exigindo o conhecimento dos princípios gerais da moralidade e das continências particulares da ação.

É o ato de respeitar os direitos e os deveres; é a disposição de dar a cada um o que é seu de acordo com a natureza, a igualdade ou a necessidade; é a base da vida em sociedade e da participação na existência comum; a Justiça implica a combinação de diversas atividades, com a imparcialidade, a piedade, a veracidade, a fidelidade, a gratidão, a liberdade e a eqüidade.

Firmeza interior contra tudo o que molesta a pessoa neste mundo, fazendo vencer as dificuldades e os perigos que exercem a medida comum.

Regra, medida e a condição de toda virtude; é o meio justo entre o excesso e a falta; exige sensatez baseada num pensamento flexível e firme; encontra-se atrelada à continência, à sobriedade, à humildade, à mansidão e à modéstia.

Quadro 1 - Virtudes Básicas

Fonte: Adaptado de Camargo (2001, p.35)

Abordagens Éticas para o Profissional Contábil

Atrelados às virtudes, existem os vícios que representam ações ou sentimentos contrários à mesma; implica a combinação de diversos sentimentos como o orgulho, a avareza, a gula, a luxúria, a inveja, a preguiça e a ira, que influenciarão e explicitarão o caráter de homem. O Quadro 2 comenta cada um desses sentimentos.

Orgulho Avareza

Gula

Luxúria

Inveja

Preguiça Ira

Procura desordenada de excelência; o orgulhoso se valoriza demais e, normalmente, diminui e menospreza os outros.

Procura desordenada de bens materiais; o avarento acumula riquezas, fazendo uso de meios nem sempre lícitos e, principalmente, centralizando todo o ser neste esforço.

Procura desordenada dos prazeres de comer e beber; causa o estrago da própria saúde, prejudicando, muitas vezes, atividades profissionais e familiares.

Procura desordenada dos prazeres sexuais; vive com fixação e obsessão, procurando satisfações que até implicam desrespeito a si mesmo e a outros.

Tristeza pelo bem alheio como um obstáculo a próprio bem, como se isso impedisse de ele também crescer e aparecer; ele sofre e até gostaria que ninguém fosse superior a si.

Recuo diante do trabalho e do esforço; falta-lhe aquela energia para assumir atividades dentro de métodos adequados que lhe assegurem a construção de valores.

Violência contra aquilo que resiste à sua vontade, procurando vingança; a pessoa irada não raciocina, mas age tempestivamente.

Quadro 2 - Os principais vícios

Fonte: Adaptado de Camargo (2001, p.37)

Peixe (2000, p. 96) relata o ABC da antiética e de valores morais, sendo: a)AMOR – varia conforme o pacto que se estabelece em toda relação.

Conselho Federal de Contabilidade b)BELEZA EXTERIOR – valorizar as aparências como forma de beleza. c)CASA & FAMÍLIA – não respeitar, individualmente, as diferenças: pai ou mãe que, para compensar as frustrações do que não realizou, impõe ao filho carreira que este não desejou... d)CULTURA – usar o nome feito para autopromover-se, mediante lobby, pressão de grupo e até suborno... e)DIREITO – fazer acordo contra o cliente. Falsear, inventar dados e provas. f)ENSINO – arvorar-se de dono da verdade; falar do alto em vez de aprender junto; não preparar para a vida. g)FÉ – utilizar a religião como meio de vida para se manter, economicamente, explorando os humildes, desprovidos do saber, ou seja, pouco instruídos. h)FIDELIDADE – não ser fiel aos seus princípios; não ser leal com a família, amigos, empregados, colegas e com o seu país. i)GRANDEZA – não saber conviver com a vitória, com a glória, para ter humildade para aprender a aprender. j)HONESTO – não ser sincero, franco, enganar... k)IDEALISTA – o falso idealista, que defende princípios enquanto demonstra outra faceta na ação. l)INTEGRIDADE – não ter inteireza moral, retidão, honestidade, imparcialidade, ou seja, agir segundo suas convicções em prol de si mesmo. m)JUSTO – não ser justo e não admitir seus erros. n)JORNALISMO – incentivar preconceitos, prejudicar, perder de vista o bem comum, preocupar-se pouco ou nada com os mais fracos, desprezar valores de sua gente. o)LEI – desobedecer e tentar burlar as leis, como regra natural de comportamento individual na sociedade. p)MEDICINA – tratar o paciente não como ser humano, mas como objeto de estudo... q)NEGÓCIO – agredir a natureza na busca de lucro a curto prazo, sem planejamento e desenvolvimento auto-sustentado, visando as gerações futuras. r)OUVIR – não saber ouvir sem fazer prejulgamento. s)POLÍCIA – julgar e dar julgamento diferente aos cidadãos, conforme a classe social, cor, profissão e etnia. t)PROPAGANDA – usar a mulher como objeto e a criança para vender, criando falsas necessidades. u)QUALIDADE – oferecer produtos que não possuem a qualidade divulgada. v)RESPEITO – não respeitar o próximo na sua individualidade.

Abordagens Éticas para o Profissional Contábil w)SINAL – desrespeitar os sinais de trânsito. x)TRABALHO – encará-lo como emprego e não como trabalho para manter a perenidade do negócio, ou seja, não se esmerar. y)URBANO – degradar áreas pela má utilização do solo. Observa-se então que a ética possui um centro de atenção: o ser humano, moldado de virtudes e vícios, o qual é capaz de agir de acordo com as suas necessidades individuais e coletivas. Esse agir deve ser avaliado dentro de um contexto histórico e evolutivo do homem na sociedade. Assim os conceitos éticos podem ser explicitados utilizando-se de várias teorias pregadas por vários estudiosos em escalas de tempo diversificada na história.

1.3. AS TEORIAS QUE EXPLICAM OS CONCEITOS ÉTICOS

As teorias que explicam os conceitos éticos tentam nortear, cada uma, o pensamento e o comportamento que deve possuir aquele indivíduo que segue essa ou aquela teoria, possuindo assim cada um, no mínimo, uma teoria para respaldo das suas condutas.

A primeira Teoria é o Fundamentalismo, que identifica os preceitos éticos externos ao ser humano, não permitindo que o indivíduo encontre o certo ou o errado por si mesmo. O exemplo típico desta teoria é a Bíblia Sagrada, que funciona como um livro de regra de fé e prática para aqueles que depositam a sua confiança nos seus escritos; os seguidores cumprem as determinações externas sem questionar. Essa teoria também acontece quando grupos de indivíduos definem determinados preceitos a serem seguidos por todos sem a oportunidade e a possibilidade de aceitar ou não; são as regras para serem cumpridas.

A segunda Teoria é a do Utilitarismo, que propõe que o conceito ético seja elaborado com base no critério do maior bem para a sociedade como um todo. Com base nessa teoria, a conduta do indivíduo, diante de determinado fato, dependerá daquela que gerar um maior bem para a sociedade. Podemos tomar como exemplo a Guerra do Iraque, em que o Presidente dos Estados Unidos, George Bush, poderá afirmar que as suas condutas estão dentro dos melhores padrões éticos, pois a presença de Saddam Hussein causa um mal para a sociedade.

A terceira Teoria é a do Dever Ético. Apregoada por Emanuel

Kant (1724-1804), propõe que o conceito ético seja extraído do fato de que cada um deve se comportar de acordo com os princípios universais. Kant propôs que estes conceitos éticos sejam alcançados da aplicação de duas regras: 1) Qualquer conduta aceita como padrão ético deve valer para todos os que se encontrem na mesma situação,

Conselho Federal de Contabilidade sem exceções. 2) Só se deve exigir dos outros o que exigimos de nós mesmos. Como exemplo, pode-se citar que todos os profissionais de contabilidade não deve omitir dados do Balanço Patrimonial por eles elaborados. Esta norma de conduta é universal para todos os profissionais independente do porte da empresa e dos serviços que são prestados. Existem críticas a essa teoria, afirmando da dificuldade em encontrar o caráter universal em algumas relações.

A quarta Teoria é a Contratualista. Tendo como precursores

John Locke (1632-1704) e Jean Jacques Rousseau (1712-1778), parte do pressuposto que o ser humano assume com os seus semelhantes a obrigação de se comportar de acordo com regras morais estabelecidas para o convívio social. Dessa forma, os conceitos éticos seriam extraídos das regras morais que conduzissem à perpetuação da sociedade, da paz e da harmonia do grupo social. Essa Teoria não atentou-se para a mutabilidade das regras morais aplicadas a determinados grupos sociais. Se um grupo de contadores resolvessem omitir as informações contábeis para os seus clientes, teriam as suas ações de acordo com esta teoria, legitimados sob o ponto de vista ético.

A quinta Teoria é a do Relativismo. Com base nessa teoria, cada pessoa deveria decidir sobre o que é ou não é ético, com base nas suas próprias convicções e na sua própria concepção sobre o bem e o mal. Dessa maneira, o que é ético para um pode não o ser para outro. Com essa teoria, muitos tentam justificar os seus próprios erros dentro de uma concepção coletiva. Como exemplo, um profissional de contabilidade poderá informar à diretoria dados distorcidos do Balanço Patrimonial da empresa e achar que é correto agir desta forma para não preocupar o administrador sobre a real situação.

Conclui-se que a ética tem como base fundamental conscientizar o homem em fazer o bem e evitar o mal. O homem ao fazer a opção pelo bem ou o mal irá ponderar o senso comum entre a humanidade como: não roubar, matar, mentir, enganar e destruir, e, ainda, analisar o contexto cultural, ideológico e as tradições que permeiam a sociedade ou o grupo de pessoas o qual está inserido.

1.4. ÉTICA PROFISSIONAL

Ao se buscar o conceito de Ética Profissional poderá chegar a uma série de normas que devem levar o indivíduo à aquisição de hábitos e à formação do caráter, incluindo os deveres e os direitos que cada profissional deve possuir para viver harmonicamente com os seus pares. Passos (2000) acredita que pesquisas têm revelado que “o com-

Abordagens Éticas para o Profissional Contábil portamento ético ainda é o melhor caminho; que a integridade é uma fonte de sucesso para as empresas, que ganharão a confiança dos clientes e o comprometimento dos funcionários.” O que se percebe a cada dia são as empresas interessadas por condutas éticas para o reconhecimento pela sociedade dos seus feitos, aumentando assim a sua lucratividade pela confiança demonstrada pelos clientes, oportunizando maior crescimento das suas vendas ou de seus serviços.

As normas das empresas são criadas pelos indivíduos que nela trabalham, logo, se estas não são respeitadas pela empresa, na realidade, são os profissionais que nela exercem suas atividades que transgridem suas normas éticas, mesmo que em nome da empresa. Essas normas constituídas nas empresas perdem suas qualidades éticas quando visam à conduta de um grupo e não à conduta do geral, momento em que terão suas qualidades éticas aprovadas.

Teixeira (1998, p. 15) comenta que a ética “constitui o respaldo filosófico sobre o qual são desenvolvidos os padrões de comportamentos e as atividades, também representando o parâmetro sob o qual se analisam conceitos, perfis e a relação de compatibilidade entre si e entre eles e a organização.” Os comportamentos e atividades estruturados pela organização para servirem de condutas éticas para todos só terão, por certo, sentido se forem construídos coletivamente e, não, impostos por uma minoria, pois o que acontece, na prática, é fingir que cumpre as regras e o outro fingir que sabe que estão sendo cumpridas.

Chiavenato (2000, p.5) comenta que, historicamente, “A cultura ocidental contém uma marca qualificada como individualista, desde que calcada no interesse por si mesmo e no desenvolvimento de regras neste sentido”. O que se percebe, atualmente, nos Estados Unidos, é um retorno a algumas questões de natureza moral, a partir de fatos que vão desde escândalos financeiros até os negócios de uma maneira geral. Como pode-se lembrar da empresa Enron, e nesse bojo encontram-se dois fatores por demais importantes para a interpretação do modus operandi das organizações: a)os resultados econômicos e financeiros de decisões apenas especulativas; b)o baixo nível e a consciência profissional que se reflete, dentre outros, no desencadeamento de conflitos, quando da avaliação com os valores subjacentes ao indivíduo.

Com essas idéias, as relações entre as organizações e os seus funcionários devem partir de uma ação política e moral, entre bem individual e bem coletivo. Ricoeur apud Teixeira (1998, p.41) defende que “Toda ação em um conjunto organizado deveria se assentar num triplo interesse: o interesse por si próprio, o interesse pelos outros, o interesse pela instituição.”

Conselho Federal de Contabilidade

As organizações, atualmente, têm aumentado o seu interesse por atitudes éticas, pois o que tem sido observado é quando a mesma é negligenciada passa a vigorar a desconfiança entre empresas, a falta de lealdade dos empregados e o uso da tecnologia a serviço da fraude, colocando em jogo o destino da organização.

As organizações precisam, perante os seus funcionários e clientes, apresentar, com clareza, suas regras morais, ou seja, os princípios básicos de conduta que devem orientar as relações interpessoais. Passos (2000) salienta que os empresários tomem consciência que só a intuição não basta, que além dela e do bom senso, precisam de preparação adequada, atualizada e objetiva, isso porque nos momentos de crise torna-se tênue o limite entre as questões morais e as técnicas, entre o que é devido e indevido, o que deve ser feito ou não ser feito, porque se a ética é direito e vontade de justiça, ela é também, arte que deve ser aprendida dia após dia. Diante do exposto, é importante salientar que os profissionais deverão imbuir-se de uma postura ética perante as organizações, não se deixando manipular por atitudes inescrupulosas que venham, mais tarde, prejudicar a sua carreira profissional. Portanto, a educação do caráter do sujeito moral deve dominar, racionalmente, impulsos e desejos, orientando a vontade rumo ao bem e à felicidade, para conduzilo como membro da coletividade sociopolítica, atuando, harmonicamente, entre o caráter do sujeito virtuoso e os valores coletivos.

Lopes Sá (2000, p.40) diz que “Falar sobre Ética é falar de uma parte essencial não só na vida pessoal, como também na vida de qualquer profissional”. Com isso, o profissional contábil precisa ter um comportamento ético invejável e que seja íntegro nas suas relações para que contribua, de forma positiva, com a imagem da classe.

Sem dúvida, a ética é direito e vontade de Justiça, porém, pode ser entendida como arte que deve ser aprendida dia após dia. É um investimento que vale a pena; é um grande patrimônio para os indivíduos, bem como para a vida de uma empresa.

Abordagens Éticas para o Profissional Contábil

O profissional da contabilidade, diante de tantos problemas que se apresentam no cotidiano, precisa de muita perseverança, tenacidade e honradez para não cometer erros que venham a denegrir a imagem de toda uma categoria.

A Discussão Ética para a Profissão Contábil requer um conjunto de regras de comportamento do contabilista no exercício de suas atividades profissionais. Qualquer profissional deve conhecer a sua profissão e não seria diferente para o contabilista, que deve conhecer os aspectos técnicos, as prerrogativas e as regras de conduta moral da profissão, como bem aborda Handel (1994, p. 20).

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