Invertebrados terrestres

Invertebrados terrestres

(Parte 1 de 11)

SECRETARIA DE BIODIVERSIDADE E FLORESTAS DIRETORIA DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE PROJETO ESTRATÉGIA NACIONAL DE DIVERSIDADE BIOLÓGICA (BRA 97 G 31)

DIVERSIDADE BIOLÓGICA DO BRASIL COBIO/MMA – GTB/CNPq – NEPAM/UNICAMP

INVERTEBRADOS TERRESTRES Versão Preliminar

2 ÍNDICE

SUMÁRIO EXECUTIVO 3 EXECUTIVE SUMMARY 5 INTRODUÇÃO 7 LEVANTAMENTOS PRECEDENTES 10 DADOS OBTIDOS NO PRESENTE LEVANTAMENTO 12 IMPORTÂNCIA DOS TÁXONS E PRIORIDADES INDICADAS 12 DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA E BIOGEOGRÁFICA DO CONHECIMENTO 15 PRIORIDADES E NECESSIDADES APONTADAS 17 DIVERSIDADE CONHECIDA E ESTIMADA DOS TÁXONS 19

REFERÊNCIAS CITADAS NO TEXTO, AS FORNECIDAS POR COLEGAS E REFERÊNCIAS CHAVE CITADAS NOS FORMULÁRIOS PREENCHIDOS PELOS INFORMADORES 20

TABELAS 1-6 25 GLOSSÁRIO 37

3 SUMÁRIO EXECUTIVO

Apresentamos e discutimos informações detalhadas sobre o estado do conhecimento sobre a fauna de invertebrados terrestres no Brasil em relação às minhocas (Annelida), e Arthropoda Arachnida: aranhas, em geral e sobre Mygalomorphae, em especial, opiliões, ácaros e escorpiões; Myriapoda: centopéias e piolhos-de-cobra; entre os Insecta, as libélulas (Odonata), cupins (Isoptera), besouros em geral (Coleoptera), e Cerambycidae (serra-paus), Elateridae (vaga-lumes) e Curculionidae (bicudos) em especial; entre os Hymenoptera, as vespas Ichneumonoidea (parasitas) e Sphecidae (predadoras) e formigas (Formicidae). A partir de informações de colegas e de publicações recentes, avaliamos ainda os mesmos quesitos em relação a diversos outros grupos de invertebrados terrestres, comentando ainda as melhores coleções no país e as prioridades para melhorar o conhecimento sobre este segmento da fauna brasileira.

Os taxa discutidos neste levantamente incluem espécies consideradas importantes como: pragas agrícolas, no manejo de ecosistemas, como vetores de patógenos em agroecosistemas, como polinizadores e/ou parasitas/predadores de outras prragas, como vetores de patógenos animais ou humanos, como animais peçonhentos ou venenosos, na prospeção de novos fármacos, como espécies raras ou ameaçadas de extinção, como bons indicadores de impacto ambiental e como ferramentas importantes em projetos de educação ambiental.

Todos os especialistas consultados neste esforço consideram seus grupos de interesse como prioritários para programas de pesquisa em Sistemática. Somando as informações coligidas é possível uma avaliação da importância relativa dos táxons sob consideração e a obtenção de indicações sobre como melhorar o conhecimento sobre eles e como estas informações podem contribuir na formulação de políticas de conservação.

O Nordeste brasileiro foi indicado como a região menos conhecida em todos os critérios adotados por todos os especialistas; de forma compatível, a caatinga foi indicada como o bioma menos conhecido no país. A região Centro-Oeste foi classificada em segundo lugar quanto ao grau de conhecimento e grau de coleta para a maioria dos grupos de invertebrados arrolados acima; também concordando com esta avaliação, o Pantanal e os Cerrados foram classificados como pouco conhecidos pela maioria dos especialistas. A região Norte do Brasil apareceu em posição intermediária, já que alguns dos grupos investigados foram considerados relativamente bem conhecidos na Amazônia.

Em relação à região Sul do país, a maioria dos grupos de invertebrados foram considerados razoavelmente bem conhecidos, apesar de alguns taxa jamais terem sido coletados de forma sistemática mesmo nesta região.

A única região em que o número de avaliações positivas supera as negativas em todos os critérios adotados é a Sudoeste, e novamente a Mata Atlântica recebeu classificação compatível. Apenas as formigas já foram estudadas de forma sistemática nos campos de altitude.

Informação em meio eletrônico adicional quanto ao grau de conhecimento sobre outros grupos de invertebrados terrestres no Brasil pode ser obtida nas seguintes páginas w: http://www.bdt.org.br/bdt/biotasp/planaria.htm (planárias) http://www.bdt.org.br/bdt/biotasp/indnema.htm (nemátodos) http://www.bdt.org.br/bdt/biotasp/insecta (insetos em geral) Alguns textos impressos recentemente, Brandão & Cancello (1999) e Guedes (1998), complementam as informações coligidas para este diagnóstico.

Referências Brandão, C. R. F. & Cancello, E. M. (eds) 1999. Invertebrados Terrestres. vol. V

Biodiversidade do Estado de São Paulo. Síntese do conhecimento ao final do século X (Joly, C. A. & Bicudo, C. E. M. orgs). São Paulo, FAPESP. xviii + 279 p.

Guedes, A. C. (coord.). 1998. Relatório do Grupo de Trabalho Temático 3 (GTT3) “Artigo ‘9’

Convenção sobre Diversidade Biológica. Conservação Ex situ. Brasília. Coordenação Nacional de Diversidade Biológica (COBIO) do Ministério do Meio Ambiente. 43 p. (Estratégia Nacional de Diversidade Biológica).

Executive Summary

A Profile of the Knowledge of Terrestrial Invertebrate Diversity in Brazil

We present detailed information and discuss the state of knowledge in Brazil of earthworms (Annelida), and Arthropoda Arachnida: spiders (in general and Mygalomorphae in particular), also harvestmen, mites and scorpions; Myriapoda (centipedes and millipedes); among the Insecta, the Odonata (dragon-flies), Isoptera (termites), Coleoptera (beetles in general), and especially the Cerambycidae (longhorn beetles), Elateridae (click beetles) and Curculionidae (weevils); among the Hymenoptera, the Ichneumonoidea (parasitic wasps), Sphecidae (digger wasps) and Formicidae (ants). Moreover, we add information taken from the recent literature and supplied by colleagues on groups not covered by the questionnaires used for this survey. We comment also on the better collections in the country and the priorities indicated by specialists to improve the study of terrestrial invertebrates.

The taxa discussed here include species considered important as: agroecosystem pests, in managing agroecosystems, as vectors of pathogens in agroecosystems, as pollinators and/or parasites/predators of other pests, as animal parasites, as vectors of human and animal pathogens, as venomous species, as rare or threatened species, as good environmental impact indicators, for the identification of new chemicals and as good tools in education programs.

All specialists that have contributed to this diagnosis considered their groups of specialty as a priority for research programs on Systematics. Reading from the information gathered by each of the consulted specialists, one is able to sum the relative importance of the taxa under consideration and how the improvement on its knowledge can be obtained and used in the formulation of conservation measures.

The Brazilian Northeast was indicated as the poorest known region by all specialists in all criteria; correpondingly the northeastern caatinga biome was also ranked as the worst known. The western region was ranked second lowest as to knowledge and collecting effort for most invertebrate groups; accordingly the Pantanal and the Cerrados have been classified as badly known by most specialists. The Northern region of Brazil appeared in an intermediate position as some of the investigated groups can be considered reasonably well known in the Amazon.

As for Southern Brazil, most invertebrate groups were considered reasonably known, although some taxa have never been methodically collected even there.

The only region with positive rankings on both criteria is Southeastern Brazil, and therefore the Atlantic Forest biome received equivalently high rankings.

Of the emphasized taxa, only ants have been systematically investigated in higher montane environments.

Further electronic information on the Brazilian terrestrial invertebrates can be obtained in the following sites: http://www.bdt.org.br/bdt/biotasp/planaria.htm (on flatworms) http://www.bdt.org.br/bdt/biotasp/indnema.htm (on nematodes) http://www.bdt.org.br/bdt/ biotasp/insecta (on insects in general). Some recent texts can also complement this information: Brandão & Cancello (1999) and

Guedes (1998). References Brandão, C. R. F. & Cancello, E. M. (eds) 1999. Invertebrados Terrestres. vol. V

Biodiversidade do Estado de São Paulo. Síntese do conhecimento ao final do século X (Joly, C. A. & Bicudo, C. E. M. orgs). São Paulo, FAPESP. xviii + 279 p.

Guedes, A. C. (coord.). 1998. Conservação Ex situ. Relatório do Grupo de Trabalho Temático 3 sobre o Artigo 9 da Convenção sobre Diversidade Biológica. Brasília. Coordenação Nacional de Diversidade Biológica (COBIO) do Ministério do Meio Ambiente. 43 p. (Estratégia Nacional de Diversidade Biológica).

Introdução

Os animais ditos invertebrados distribuem-se por 3 filos (número que pode variar dependendo da classificação adotada), reunindo 95% das espécies conhecidas. Os outros 5% pertencem a um único filo - os Vertebrados. A maioria dos filos de animais invertebrados é exclusivamente marinha, alguns são predominantemente marinhos e o restante predominantemente terrestre. É desse último universo que tratamos neste texto - invertebrados que ocorrem em ambientes terrestres: Acanthocephala, Tardigrada, Onychophora, Platyhelminthes, Nematoda, Arthropoda, Annelida e Mollusca.

Acanthocephala reúne exclusivamente parasitas intestinais de vertebrados, em especial peixes ósseos de água doce; até o momento foram descritas pouco mais de 700 espécies no mundo. Tardigrada e Onychophora eram tradicionalmente considerados como formando um grupo a que se atribuía o nome de Pararthropoda. Hoje são considerados filos independentes, ambos reunindo relativamente poucas espécies. Esses três grupos não serão discutidos aqui, por não existirem taxonomistas nem coleções significativas no Brasil.

Existem cerca de l,5 milhão de espécies descritas só de Arthropoda no mundo- o maior grupo entre os aqui analisados, mas acredita-se que esse número traduza apenas uma pequena fração do que deve existir. Os textos tradicionais sobre invertebrados terrestres estimam que o número de espécies deve estar entre l0 vezes (insetos) e 40 vezes (nemátodos) do conhecido até agora.

O grau de conhecimento para um segmento da fauna tão diverso é evidentemente muito variável; também é muito desigual a capacidade instalada no país em termos de pesquisadores atuantes, coleções e/ou bibliotecas especializadas. Ainda a opinião dos pesquisadores consultados para o presente diagnóstico quando confrontada com dados obtidos de publicações, às vezes são significativamente discrepantes. Em alguns casos, foi difícil decidir qual estimativa acatar.

O leitor encontrará lacunas importantes na cobertura dos “Invertebrados Terrestres”, que tentamos sanar sem sucesso por diversos e variados motivos. A diversidade de situações apontada acima se refletiu na dificuldade dos organizadores em conseguir em tempo hábil pesquisadores que fornecessem informações sobre sua especialidade. Em muitos casos não existem estes especialistas mesmo em grupos importantes. Por exemplo, para a superfamília de vespas parasitas Cynipoidea (Insecta Hymenoptera), importantes controladoras de populações de diversos outros insetos, que deve estar representado no Brasil por seguramente milhares de espécies em geral de tamanho muito reduzido, nunca houve especialista no país. Conseqüentemente, as coleções e o conhecimento mais básico sobre taxonomia e biologia são extremamente pobres.

Esperamos que a detecção de grupos animais tradicionalmente pouco estudados em nosso meio sirva de estímulo à abertura ou fortalecimento de linhas de investigação. Acreditamos ainda que as informações e referências coligidas neste esforço formam um conjunto original e extremamente útil de dados, que deve colaborar na formulação de novos projetos de pesquisa e no melhor embasamento de uma política de conservação para os biomas do país.

As lacunas importantes mais evidentes são os “vermes” em geral, com exceção de minhocas, e diversas ordens importantes de insetos, como os Collembola, Orthoptera sensu lato e Diptera. Mesmo para estes táxons apresentaremos alguns dados sobre pesquisadores atuantes no país e literatura básica pertinente, quando existentes. Para a extremamente rica e importante ordem de insetos Collembola, para a qual Brusca e Brusca (1990) registram cerca de 2.0 espécies descritas, por exemplo, não conhecemos especialista atuante no Brasil no momento.

Quanto aos moluscos terrestres, retiramos de Simone (1999) as informações seguintes. O número de espécies descritas no mundo é cerca de 30.0 e no Brasil 670; enquanto o número de espécies estimadas no Brasil é 2.0. Dentre os diversos grupos de pesquisas do Brasil, destacamse pelos estudos taxonômicos os grupos liderados pelo Dr. W. Thomé, (Fund. Zoobotânica, RS e PUC, RS), pelo Dr. J. L. M. Leme (MZSP), pelo Dr. A. C. S. Coelho (MNRJ) e pelo Dr. M. P. Oliveira (UFJF).

As coleções institucionais que abrigam acervo mais expressivo de moluscos terrestres são as do Museu Nacional do Rio de Janeiro, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo e do Museu de Ciências Naturais, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Selecionamos duas referências relativamente recentes retiradas da mesma fonte (Haszprunar, 1988 e Ponder e Lindberg, 1997).

De Brown e Freitas (1999) retiramos dados sobre o estado do conhecimento e coleções de referência para Lepidoptera. Coleções institucionais: Museu de Zoologia da USP, Instituto Butantan, Instituto Biológico, São Carlos (UFSCar), Piracicaba (ESALQ), Museu de História Natural da UNICAMP, Depto. de Zoologia-UFPR, Museu Nacional do Rio de Janeiro, Instituto Oswaldo Cruz, Comp. Vale do Rio Doce em Linhares, Parque Nacional Itatiaia, UFMG em Belo Horizonte e Viçosa (UFV). Especialistas atualmente ativos em estudos de sistemática e faunística no país incluem os Drs. Keith S. Brown Jr., André V. L. Freitas (UNICAMP), Ronaldo B. Francini (UNISANTOS), Olaf Mielke e Mirna Casagrande (UFPr), Vitor Becker (UnB), Manoel M. Dias Filho (UFSCar) e L. Otero e C. J. Callaghan (MNRJ).

As principais referências citadas por esses autores são: Watson & Whalley, 1975; Costa-

Lima, 1945 e 1950; Becker, 1984; Brown, 1992; Tyler et al., 1994 e o "Atlas of Neotropical Lepidoptera" (Heppner, 1984, 1995 e 1996).

Retiramos de Cleide Costa (1999) parte dos comentários sobre os Coleoptera em geral. Ao comentar as principais coleções, em especial a do MZSP, a autora afirma: “Para a identificação da maioria dos coleópteros, sem dúvida alguma é necessária a consulta de coleções européias, em especial a do Museu Britânico e a do Museu de Paris, além de outras, também muito significativas:

Bélgica, Itália, Alemanha, etc. Também são muito importantes as coleções americanas e canadenses, principalmente para determinados grupos.

Existem dois catálogos gerais mais utilizados no estudo dessa ordem: o “Coleopterorum

Catalogus”, publicado no período de 1910-1940, por Junk & Schenkling, em 31 volumes, divididos em 171 partes; e o de Blackwelder, “Checklist of the coleopterous insects of Mexico, the West Indies and South America”, publicado no período de 1944-1947. Catálogos mais recentes existem apenas para determinados grupos e/ou outras regiões zoogeográficas. Livros de texto e trabalhos gerais importantes são os de Crowson (1955; 1960; 1981), Lawrence (1982), Lawrence & Newton (1982) e Lawrence & Newton (1995), que tratam da classificação da ordem. Para a fauna brasileira há dois livros de texto importantes, o de Costa Lima, publicado entre 1952 e 1956, compreendendo 4 volumes, e o de Costa et al., 1988”.

A antiga ordem Orthoptera hoje está dividida em grupos a que se tem atribuído o nível ordinal: Mantodea, Blattaria, Ensifera, Caelifera, Phasmatodea e Grylloblattodea. Reúne insetos de importância agrícola e sanitária. Apesar de não ter sido possível obter informações para este diagnóstico, apresentamos alguns dados retirados de literatura e outros que nos foram fornecidos pela Dra. Alba Bentos-Pereira de Universidad Nacional de Uruguay.

(Parte 1 de 11)

Comentários