Atividade madeireira na Amazonia Brasileira

Atividade madeireira na Amazonia Brasileira

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A atividade madeireira na

Amazônia brasileira: produção, receita e mercados

Serviço Florestal Brasileiro & Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia

Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva

Vice-Presidente da República José Alencar Gomes da Silva

Ministra do Meio Ambiente Izabella Mônica Vieira Teixeira

Secretário-Executivo do Ministério do Meio Ambiente José Machado

Diretor-Geral do Serviço Florestal Brasileiro Antonio Carlos Hummel

Belém, 2010

A atividade madeireira na

Amazônia brasileira: produção, receita e mercados

Serviço Florestal Brasileiro & Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia

Equipe Técnica SFB

Antonio Carlos Hummel Marcus Vinicius da Silva Alves

Equipe Técnica Imazon

Denys Pereira

Adalberto Veríssimo Daniel Santos

Revisão Gramatical Glaucia Barreto

Projeto Gráfi co e Diagramação

Luciano Silva w.rl2design.com.br

A atividade madeireira na Amazônia brasileira: produção, receita e mercados / Serviço Florestal Brasileiro, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – Belém, PA: Serviço Florestal Brasileiro (SFB); Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), 2010.

20p. 21,5x28 cm

1. SETOR MADEIREIRO 2. ATIVIDADE MADEIREIRA 3. PROCESSAMENTO INDUSTRIAL DE MADEIRA 4. RECURSOS FLORESTAIS 5. AMAZÔNIA I. Hummel, Antonio Carlos I. Alves, Marcus Vinicius da Silva I. Pereira, Denys IV. Veríssimo, Adalberto V. Santos, Daniel. VI. Serviço Florestal Brasileiro - SFB. VII. Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – IMAZON. VIII. Título.

CDD: 3.7509811

Lista de fi guras 4

Produção, empregos e receita bruta do setor fl orestal em 2009 8

Considerações fi nais 19 Bibliografi a 20

Sumário

Lista de Figuras

Figura 1. Tipos de empresa e estabelecimento processadores de madeira nativa na Amazônia Legal: (A) fábrica de compensado, (B) serraria, (C) beneficiadora, (D laminadora e (E) microsserraria. 6

Figura 2. Usos da madeira nativa amazônica pelo setor madeireiro em 2009 (em milhões de m³ de tora). 9

Figura 3. Destino dos resíduos do processamento madeireiro na Amazônia Legal em 2004 e 2009. 10

Figura 4. Zonas e polos madeireiros na Amazônia Legal em 2009. 12

Figura 5. Evolução do consumo de madeira em tora na Amazônia Legal em 1998, 2004 e 2009. 13

Figura 6. Número de operações e multas aplicadas pelo Ibama em fiscalizações de desmatamento e madeira ilegal entre 2003 e 2007 na Amazônia Legal. 14

Figura 7. Evolução da receita bruta (em R$) do setor madeireiro na Amazônia Legal em 1998, 2004 e 2009. 15

Figura 8. Produção de madeira processada na Amazônia Legal, em 1998, 2004 e 2009. 16 Figura 9. Mercados para a madeira processada na Amazônia Legal em 1998, 2004 e 2009. 17 Figura 10. Destino da madeira processada na Amazônia Legal em 1998, 2004 e 2009. 18

Lista de Tabelas

Tabela 1. Número de empresas, consumo de toras, produção processada, empregos e receita bruta da atividade madeireira na Amazônia Legal em 2009. 8

Tabela 2. Evolução do setor madeireiro na Amazônia Legal entre 1998, 2004 e 2009. 15

A atividade madeireira na Amazônia brasileira: produção, receita e mercados

A Amazônia brasileira é uma das principais regiões produtoras de madeira tropical no mundo, atrás apenas da Malásia e Indonésia (OIMT, 2006). A exploração e o processamento industrial de madeira estão entre suas principais atividades econômicas – ao lado da mineração e da agropecuária (Veríssimo et al., 2006). O setor madeireiro impulsiona de forma direta a economia de dezenas de municípios da Amazônia. Segundo Lentini et al., 2005, em 2004 este setor gerou quase 400 mil empregos – o equivalente a 5% da população economicamente ativa da região –, e sua receita bruta foi de US$ 2,3 bilhões.

Por mais de três séculos, a atividade madeireira esteve restrita às fl orestas de várzea ao longo dos principais rios da Amazônia. Durante esse período, a extração de madeira era extremamente seletiva e seus impactos eram bem pequenos. A partir da década de 1970, com a construção de estradas estratégicas de acesso na Amazônia (BR 010 e BR 230), a exploração madeireira tornou-se uma atividade de grande importância econômica na região. Três fatores contribuíram para esse crescimento do setor madeireiro. Primeiro, a construção das estradas possibilitou o acesso a recursos fl orestais em fl orestas densas de terra fi rme ricas em madeiras de valor comercial. Segundo, o custo de aquisição dessa madeira era baixo, pois a extração era realizada sem restrição ambiental e fundiária. E fi nalmente, o esgotamento dos estoques madeireiros no Sul do Brasil, combinado com o crescimento econômico do País, criou uma grande demanda para a madeira amazônica (Veríssimo et al., 1998).

Na Amazônia, as empresas madeireiras foram aglomerando-se em centros urbanos que estavam sendo criados ao longo das rodovias, formando os polos madeireiros. Esses polos ocorrem em áreas que concentram serviços, infraestrutura (energia, comunicação, saúde e sistemas bancários) e mão-de-obra disponível. Uma localidade é considerada um polo madeireiro quando o volume de sua extração e consumo anual de madeira em tora é igual ou superior a 100 mil metros cúbicos (Veríssimo et al., 1998).

O setor madeireiro na Amazônia tem sido estudado desde os anos 1960 (Ros-Tonen, 1993). Entretanto, os estudos empíricos de maior amplitude foram realizados a partir da década de 1990, pelo Imazon. Esses estudos, sobre ecologia, manejo fl orestal, economia e política do setor madeireiro, foram sintetizados e publicados no livro “A expansão madeireira na Amazônia” (Barros & Veríssimo, 1996). Para entender as dinâmicas de ocupação, produção e tendências da atividade madeireira para toda a Amazônia, o Imazon realizou dois grandes levantamentos de campo: em 1998 (Lentini et al., 2003) e em 2004 (Lentini et al., 2005). Em 2009, o Serviço Florestal Brasileiro, em parceria com o Imazon, realizou nova pesquisa de campo. O objetivo foi avaliar o atual cenário madeireiro da região amazônica de modo a subsidiar a formulação e implementação de políticas públicas capazes de estabelecer uma economia de base fl orestal sustentável e duradoura para a Amazônia Legal. Juntos, esses estudos formam a mais completa série sobre a atividade do setor.

Este relatório síntese apresenta um comparativo temporal (1998, 2004 e 2009) da evolução da produção madeireira em termos de volume de toras e de madeira processada, número de empresas, empregos gerados e receita bruta, bem como do mercado do setor madeireiro da Amazônia Legal.

A atividade madeireira na Amazônia brasileira: produção, receita e mercados

Em 2009, foram realizadas entrevistas em 846 madeireiras, o que representou 38% de todas as empresas em funcionamento na região. A produção madeireira estava localizada em 192 municípios na Amazônia Legal, dos quais 75 eram categorizados como polos madeireiros. Isto é, municípios cujo volume de madeira em tora extraído e consumido era igual ou superior a 100 mil metros cúbicos. A coleta ocorreu em todos os Estados da Amazônia Legal, exceto no Tocantins, onde a extração e o processamento de madeira tropical nativa era muito incipiente. Nos levantamentos de 1998 e 2004 a intensidade amostral foi de 4% e 27%, respectivamente.

Coleta de dados primários

Unidade amostral

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