Pneumonia e dpoc

Pneumonia e dpoc

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1 INTRODUÇÃO

A DPOC é uma doença caracterizada por desenvolvimento progressivo de limitação ao fluxo aéreo que não é totalmente reversível. A limitação do fluxo aéreo está associada à inalação de gases e partículas nocivas.

Apesar do amplo uso da designação DPOC, não há consenso geral sobre sua definição exata. De acordo com alguns, define-se estritamente com base nas provas de função pulmonar e diz-se que existe quando há evidências objetivas de obstrução persistente (e irreversível) do fluxo aéreo. Outros usam o termo de forma mais ampla para incluir duas condições comuns: bronquite crônica e enfisema, reconhecendo que em certos casos pode haver uma dessas condições sem obstrução ao fluxo aéreo.

A pneumonia se caracteriza como sendo uma inflamação dos alvéolos pulmonares, com ou sem infecção. Vírus, fungos, protozoários e bactérias são capazes de provocá-la, sendo mais comuns as pneumonias causadas por pneumococos. Afeta pessoas de todas as idades, desde que estejam com baixa imunidade: é por tal motivo que é comum ouvirmos casos de pessoas que desenvolveram a pneumonia a partir de uma gripe.

2 OBJETIVOS

2.1 Objetivos Gerais

Elaborar um plano de cuidado com base na Sistematização da Assistência de Enfermagem ao paciente com Pneumonia e DPOC.

2.2 Objetivos específicos

Adquirir conhecimentos a cerca da pneumonia e da Doença pulmonar Obstrutiva Crônica.

Propor intervenções de enfermagem, visando à prevenção das complicações, assim como, promover a recuperação do paciente.

3 MATERIAIS E METÓDOS

Para a fundamentação teórica deste estudo de caso, utilizamos o prontuário do paciente, bibliografias contidas na Instituição e busca pela internet. Este estudo de caso foi realizado no Hospital Regional, em Arapiraca - Al, onde o paciente tinha sido admitido no mesmo desde o dia 03/11/09.

4 IDENTIFICAÇÃO

Dados pessoais: J.P.O., 70 anos, sexo masculino, cor parda, natural e procedente de Arapiraca, e residente no lar de idosos (Casa dos Velhinhos).

Dados da internação: Admitido no Hospital Regional (H.R.A ), internado na UTI, leito 4, sem acompanhante, no dia 03 de novembro de 2009, com diagnóstico médico de Pneumonia e DPOC, após realização do exame físico e RX do tórax.

História e relato do problema de saúde atual: De acordo com dados obtidos do prontuário do paciente, ele foi encaminhado à unidade hospitalar por assistentes do lar dos Idosos.

Não foi possível colher informações sobre históricos de saúde e antecendentes familiares bem como alergias e imunizações devido à falta de comunicação verbal do paciente, e ausência de um acompanhante, e dados incompletos no prontuário.

5 SUMÁRIO DE SITUAÇÃO

Paciente no leito, em decúbito dorsal, com os MMSS contidos, consciente sonolento, apresentando disfasia (perturbação da linguagem), verbalizando poucas palavras e não está orientado no tempo e espaço. Ao exame físico, apresenta cabelos curtos, em pequena quantidade, grisalhos, finos e com higienização satisfatória; couro cabeludo com descamação e ausência de cicatriz. Face simétrica, levemente ressecada com presença moderada de pêlos. Pálpebras íntegras e simétricas, pupilas isocóricas e fotorreagentes, escleróticas anictéricas e limpas, conjuntivas descoradas ++ / ++++ , presença de movimentação dos globos oculares. Pavilhões auditivos simétricos, grandes, normoimplantados, permeabilidade e acuidade auditiva preservadas e com higienização satisfatória. Narinas íntegras, simétricas, com adequada higienização, mantendo oxigenoterapia cateter tipo óculos e presença de SNE inserida na narina E, com fixação na base do nariz, pela qual recebe dieta continuamente, controlada por bomba de infusão, a 65ml/h. Mucosa oral íntegra, ressecada, descorada, com higienização insatisfatória, apresentando placas esbranquiçadas na língua e ausência de alguns dentes. Língua saburrosa com higienização insatisfatória, apresentando placas esbranquiçadas. Lábios ressecados com ausência de ulcerações. Região cervical com pele íntegra e sem alteração na coloração; tireóide e gânglios cervicais não palpados e pescoço com movimentação ativa e higienização satisfatória. Respiração eupnéica, tóraco-abdominal. Tórax simétrico, com pele íntegra, ausência de pêlos e abaulamentos e de cicatrizes, expansibilidade simétrica durante os movimentos respiratórios, apresentando eupnéico, com tosse produtiva e sem expectoração, com sibilos e roncos pulmonares em ambos os pulmões, em toda extensão e ausência de mumúrios vesiculares. Mamilos íntegros, simétricos e ausência de nódulos e secreção à expressão. Região dorsal apresenta pele íntegra e lesões ausentes, coluna vertebral aparentemente sem deformidades e não assume posição ereta nem deambula. Abdome globoso, simétrico e normotenso, pele íntegra, ausência de pêlos, manchas e lesões, cicatriz umbilical plana. À ausculta, ausência de R.H.A em todos os quadrantes e, à palpação, doloroso em baixo ventre, onde apresenta discreto abaulamento. MMSS com movimentação e força muscular diminuídas, pele íntegra, pequena quantidade de pêlos, hiperemiados, edemaciados ++/++++ na região cubital do MSD, devido a soroterapia. Pulsos Radial e Braquial D e E palpáveis, com pouco fluxo sanguíneo. Unhas não aparadas, fortes e amareladas, com higienização satisfatória. MMII com movimentação e força diminuídas, apresentando pele íntegra, ressecada, com turgor diminuído, presença de edema, pêlos em pequena quantidade, rachaduras na região plantar e unhas não aparadas, amareladas, com boa higienização. Genitália não observada. Mantendo coletor urinário e fralda geriátrica, com diminuição acentuada da diurese, urina amarelo-claro, sem sedimentos e ausência de evacuações há três dias. Verificação de sinais vitais; PA 120X90 mmHg, aferido em MSD, com paciente em decúbito dorsal. FC: 72 bat/min, aferido em artéria radial esquerda. FR: 16 mov/min, toraco-abdominal. T: 35ºC, axilar direita.

6 FISIOPATOLOGIA DAS DOENÇAS

6.1 PNEUMONIA

A pneumonia é um processo inflamatório que envolve as vias aéreas terminais e os alvéolos pulmonares, causado por agentes infecciosos. Classifica-se de acordo com seu agente causal.

Fisiopatologia e etiologia:

O organismo ganha acesso aos pulmões através da inspiração do conteúdo orofaríngeo, por secreções respiratórias provenientes de indivíduos infectados, por meio da corrente sanguínea ou a partir da disseminação direta para os pulmões como conseqüência de cirurgia ou trauma.

Os pacientes com pneumonia bacteriana podem ter uma doença subjacente que comprometa a defesa do hospedeiro; a pnemonia origina-se da flora endógena da pessoa, cuja resistência foi alterada, ou a partir da aspiração das secreções orofaríngeas. Os pacientes imunocomprometidos incluem os que recebem corticosteróide ou imunossupressores, aqueles com câncer, os que estão sendo tratados com quimioterapia ou radioterapia, aqueles que recebem transplantes de órgãos, alcoólicos, viciados em drogas intravenosas (IV) e os que têm doença pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) e síndrome da imnudeficiência adquirida (SIDA); estas pessoas apresentam uma probabilidade maior de desenvolver infecção crítica. Os agentes infecciosos incluem bacilos gram-negativos aeróbicos e anaeróbicos, Stapylococcus, Nocardia, fungos, Cândida, vírus como o citomegalovírus (CMV), Pneumocystis carini, reativação da tuberculose e outros.

Quando a pneumonia bacteriana ocorre em uma pessoa saudável, há, em geral, uma história de doença viral antecedente.

Os outros fatores predisponentes são as condições que interferem com a drenagem normal do pulmão, como um tumor, anestesia geral e imobilidade pós-operatória, depressão do sistema nervoso central proveniente de medicamentos, distúrbios neurológico ou outras condições, e intubação ou instrumentação respiratória.

A pneumonia pode ser dividida por três grupos: adquirida na comunidade devida a diversos organismos, como Streptococcus pneumoniae; contraída em hospitais ou asilos (nasocomial) devido bacilos gram-negativos e estafilococos, pricipalmente; pneumonia na pessoa imunocomprometida.

As pessoas com mais de 65 anos de idade apresentam alta taxa de mortalidade mesmo com a terapia antimicrobiana apropriada.

Manifestações clínicas:

Para as formas comuns de pneumonia bacteriana:

  • Estabelecimento súbito; calafrios; febre rapidamente ascendente de 39,5 C a 40,5C.

  • Tosse produtiva com escarro purulento.

  • Dor torácica pleurítica agravada pela respiração/tosse.

  • Dispnéia, taquipnéia geralmente acompanhada por gemido respiratório, batimento de asas do nariz, uso de músculos acessórios da respiração, fadiga.

  • Pulso rápido e forte.

Avaliação Diagnóstica:

  • Radiografia do tórax para mostrar a presença/ extensão da doença pulmonar.

  • Coloração de Gram, cultura e exames de sensibilbidade do escarro – podem indicar o organismo agressor.

  • Hemocultura para detectar a bacteremia (invasão da corrente sanguínea) que ocorre com a pneumonia bacteriana.

  • Teste imunológico para detectar os antígenos microbianos no soro, escarro e urina.

Tratamento:

  • Terapia antimicrobiana: depende da identificação laboratorial do agente etiológico e da sensibiliadade e antimicrobianos específicos.

  • Oxigenoterapia, quando o paciente apresenta troca gasosa inadequada.

Complicações:

  • Derrame pleural.

  • Hipotensão mantida e choque, especialmente na doença bacteriana gram-negativa, particularmente no idoso.

  • Superinfecção: pericarditi, bacteremia e meningite.

  • Delírio - considerado emergência médica.

  • Atelectasia – devido aos tampões mucosos.

  • Resolução tardia.

6.2 DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC)

A DPOC è um termo que se refere a um grupo de condições caracterizado por resistência aumentada contínua o fluxo aéreo expiratório. Ela incluiu a bronquite crônica, o enfisema pulmonar. Alguns médicos consideram a asma como parte da DPOC, mas, devido a sua reversibilidade, ela é considerada por muitos como entidade distinta.

A bronquite crônica é uma inflamação crônica do trato respiratório inferior, caracterizada por secreção mucosa excessiva, tosse, dispnéia associada à infecções decorrentes do trato respiratório inferior e quando uma pessoa tem tosse produtiva (com catarro) na maioria dos dias, por pelo menos três meses ao ano, em dois anos consecutivos. Mas outras causas para tosse crônica, como infecções respiratórias e tumores, tem que ser excluídas para que o diagnóstico de bronquite crônica seja afirmado.

O enfisema pulmonar é uma doença pulmonar complexa caracterizada por destruição dos alvéolos, aumento dos espaços aéreos distais e uma ruptura das paredes alveolares. Ocorre deterioração lentamente progressiva da função pulmonar durante muitos anos, antes do desenvolvimento da doença. Os pulmões são compostos por incontáveis alvéolos, que são diminutos sacos de ar, onde entra o oxigênio e sai o gás carbônico.

Fisiopatologia e etiologia:

  1. A pessoa com DPOC pode ter:

  • Secreção excessiva de muco e infecção crônica dentro das vias aéreas (bronquite) – infecção, irritação, hipersensibilidade, hiperemia local, hipertrofia das glândulas mucosas, aumento no tamanho, em número dos elementos produtores de muco nos brônquios (glândulas mucosas e células caliciformes), inflamação e edema, estreitamento e obstrução do fluxo aéreo.

  • Aumento no tamanho dos espaços aéreos distais aos bronquíolos terminais, com perda das paredes alveolares e recolhimento elástico dos pulmões (enfisema).

  • Pode haver superposição dessas condições.

  1. Em conseqüência das referidas condições, verifica-se subseqüente distúrbio da dinâmica da via aérea, por exemplo, obstrução ao fluxo aéreo.

  2. A etiologia da DPOC consiste em: fumo, poluição do ar, exposição ocupacional, alergia, alta imunidade, infecção, predisposição genética e envelhecimento.

  3. A deficiência de alfa-antitripsina é uma causa geneticamente determinada do enfisema e, ocasionalmente, de doença hepática. A alfa-antitripsina serve principalmente como um inibidor da elastase do neutrófilo, uma protease de degradação da elastina liberada por neutrófilos. Quando as estruturas alveolares permanece sem proteção contra a exposição à elastase, a destruição progressiva da elastina dos tecidos resulta no desenvolvimento do enfisema.

Manifestações clínicas:

Bronquite crônica

Normalmente insidiosa, desenvolvendo durante um período de anos, ocorre presença de tosse produtiva que dura, pelo menos, três meses por ano, durante dois anos sucessivos.

Produção de escarro espesso, gelatinoso, maiores quantidades produzidas durante as infecções superpostas.

Sibilância e dispnéia, à medida que a doença progride.

Enfisema

Gradual em seu início e continuamente progressivo ocorre dispnéia, tolerância diminuída ao esforço. A tosse pode ser mínima, exceto com a infecção respiratória.

A expectoração de escarro é branda, o diâmetro antero-posterior do tórax é aumentado (tórax em barril) devido ao aprisionamento do ar com achatamento do diafragma.

Avaliação diagnóstica

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