Atlas da Biodiversidade de Minas gerais

Atlas da Biodiversidade de Minas gerais

(Parte 1 de 2)

Gláucia Moreira Drummond

Cássio Soares Martins

Angelo Barbosa Monteiro Machado

Fabiane Almeida Sebaio Yasmine Antonini

Fundação Biodiv ersitas

Biodiv ersidade em Minas Gerais

As diferentes formas de relevo em Minas Gerais, somadas às especificidades de solo e clima, propiciaram paisagens muito variadas, recobertas por vegetações características, adaptadas a cada um dos inúmeros ambientes particulares inseridos no domínio de três biomas brasileiros: o Cerrado, a Mata Atlântica e a Caatinga. É possível, assim, entender a ocorrência de vegetações distintas em ambientes semelhantes do ponto de vista topográfico e climático, mas com características locais particulares (Martins, 2000).

Enquanto o domínio do Cerrado, localizado na porção centro-ocidental, ocupa cerca de 57% da extensão territorial do Estado, o domínio da Mata Atlântica, localizado na porção oriental, perfaz mais de 41% da área do Estado. O domínio da Caatinga, restrito ao norte do Estado, ocupa menos de 2% do território mineiro. De modo geral, a paisagem transita para o cerrado ao sul e a oeste, para a região dos campos rupestres ao centro e para a floresta atlântica a leste, exibindo fases de transição de difícil caracterização, ou como manchas inclusas em outras formas de vegetação. As comunidades hidromórficas, como as veredas e os campos de várzeas, aparecem em menor escala, incluídos nos biomas.

Ao longo do processo de ocupação de Minas Gerais, amplas áreas de vegetação de cerrado foram substituídas por culturas agrícolas e florestais ou transformadas para a implantação de atividades agropecuárias. A construção de Brasília estimulou a instalação de uma extensa malha viária ao longo de regiões ocupadas por esse tipo de vegetação, explorado como fonte de matéria-prima para carvoarias que abasteceriam o parque siderúrgico mineiro, em expansão. Como conseqüência, as áreas de cerrado ao sul da rodovia BR-040 (Rio-Brasília) ficaram restritas a remanescentes muito fragmentados e esparsos. A cobertura vegetal desse bioma reduziu-se de maneira drástica, sobrevivendo apenas no norte de Minas Gerais, particularmente nas bacias dos rios São Francisco e Jequitinhonha.

Diante da enorme lacuna de conhecimentos sobre a composição florística do

Cerrado no norte do Estado, a priorização da criação de unidades de conservação nesses locais de vegetação natural não alterada coloca a política conservacionista um passo à frente da alteração das áreas de cerrado pelo atual modelo de desenvolvimento (Meira-Neto, 2001). E, apesar do pouco conhecimento sobre a flora do Cerrado, as estimativas a esse respeito sugerem grande riqueza florística devida especialmente à variedade de paisagens e tipos fitofisionômicos.

Os campos rupestres aparecem como formações bem individualizadas, geralmente em altitudes superiores a 900m, de distribuição descontínua. As veredas constituem cabeceiras de drenagem com características muito especiais e um importante significado ecológico, socioeconômico e estético-paisagístico. A grande maioria dos afluentes da margem esquerda do rio São Francisco e praticamente todos os afluentes do baixo rio Grande têm cabeceiras sob forma de veredas. A demanda intensiva por terras agricultáveis, aliada ao crescimento demográfico, à página anterior: Teia de aranha (Nephilasp.) página ao lado: Bromélia

Fotografias: Miguel Aun expansão da pecuária e à exploração do carvão vegetal, têm causado forte impacto sobre esse ecossistema particularmente sensível às transformações, provocando o ressecamento dessas fontes de água. Além disso, pelo fato de quase sempre se desenvolverem sobre terrenos de alta permeabilidade, as veredas estão sujeitas a contaminações por agrotóxicos, podendo contaminar também os aqüíferos a que estão ligadas. Considerando o estágio atual de sua degradação no Estado, sobretudo nas regiões Noroeste, Alto Paranaíba e Triângulo, uma das medidas mais urgentes é o mapeamento e a seleção de áreas prioritárias para recuperação, em função de sua importância para a manutenção da disponibilidade hídrica regional (Boaventura, 1988).

Na região Central, a Serra do Espinhaço constitui um conjunto orográfico que se estende por cerca de 1.100 km, com altitudes médias entre 800 e 1.200 m e máximas entre 1800- 2000m, formado de um corredor limitado, ao sul, pela Serra de Ouro Branco e, ao norte, pelas áreas de Monte Verde e Montezuma. O corredor do Espinhaço exibe uma grande diversidade de paisagens, dotadas de uma riqueza florística com elevado grau de endemismos, constituindo-se no centro de diversidade de numerosos gêneros de muitas famílias, como as de Compositae, Melastomataceae, Ericaceae, Leguminosae, ou mesmo famílias inteiras, como as de Velloziaceae, Eriocaulaceae e Xyridaceae (Pirani et al., 2003). Destacam-se nesse corredor áreas de importância biológica Especial, como o Quadrilátero Ferrífero, ambiente único com campos ferruginosos, a RPPN Serra do Caraça, a Serra do Cipó, o platô de Diamantina — 47% das espécies de Eriocaulaceae de todo o mundo são endêmicas dessa área — e onde ocorrem 50% das espécies de Encholirium(Bromeliaceae), quase todas endêmicas. Foram consideradas também ambientes especiais as Serras do Ambrósio e de Grão-Mogol, essa última com uma flora vascular composta de 1.073 espécies, segundo Pirani et al.(2003). A Serra do Cabral, situada em posição disjunta, foi priorizada por ser considerada uma das únicas áreas em que ocorrem campos rupestres e veredas.

Apesar da riqueza da biodiversidade existente na Serra do Espinhaço, diversas pressões ameaçam seus ecossistemas, como a extração de sempre-vivas, de canelas-de-ema e de madeiras, a alteração dos campos pelas pastagens e queimadas, as atividades de mineração e o turismo desordenado. É urgente a criação de unidades de conservação, principalmente ao norte do paralelo 18º S, dando preferência àquelas de uso mais restritivo, priorizando áreas de cerrado não alterado, ainda que a composição florística seja desconhecida.

A região noroeste de Minas Gerais engloba áreas com enorme diversidade de ecossistemas: cerrado, veredas, mata seca, caatinga arbórea, caatinga sobre afloramentos calcários, florestas estacionais semideciduais. Nessa região foram priorizadas as áreas de Jaíba, Vale do Peruaçu, Grande Sertão Veredas, Brasilândia de Minas, São Romão, Arinos/Buritis, Urucuia, Santa Fé de Minas, Natalândia, Januária/Bonito de Minas, Manga, Cabeceiras do Rio Coxá, formando um grande corredor. A atividade antrópica sobre os diferentes tipos de vegetação é marcante em toda a região: a agropecuária, o extrativismo, a extração de pedras e o carvoejamento.

No Triângulo, as regiões de cerrado outrora expressivas, localizadas nos chapadões, foram substituídas por lavouras de soja e milho, estando hoje restritas a áreas não mecanizáveis (Brandão, 2000). Destacam-se como áreas de importância biológica as seguintes: a região de Uberaba (Estação Ecológica de Panga e cabeceira do rio Uberabinha); Itumbiara, com ocorrência de floresta atlântica no domínio do Cerrado; RPPN Galheiro, cuja área se propõe ampliar para conexão com remanescentes no entorno. Em Abadia dos Dourados, divisa com Goiás, ocorrem matas secas, campos rupestres e matas de galeria, afloramentos rochosos com intensa atividade de extração mineral e atividades agropecuárias. Em Gurinhatã/Campina Verde ocorrem remanescentes de vegetação nativa de cerrado típico, hoje raro na região do Triângulo, propícios para o estabelecimento de unidades de conservação. Nas margens do rio Araguari e afluentes ocorrem fragmentos de floresta atlântica com grande potencial de conectividade.

Na região do alto São Francisco destaca-se o Parque Nacional da Serra da Canastra, área de importância biológica Especial, onde ocorre a invasão de espécies exóticas. Ressalta-se a área Arcos/Pains/Iguatama, de importância biológica Muito Alta, devido à ocorrência de floresta estacional decidual sobre afloramento calcário e floresta estacional semidecidual, ambas com alta riqueza de espécies em geral e espécies de distribuição restrita à área. A área sofre alto grau de ameaça devido à extração de calcário e à atividade agropecuária, sendo sugerida a criação urgente de unidade de conservação.

No domínio da Mata Atlântica foram identificados quatro regiões que poderiam ser configuradas corredores: leste, sudeste, Mucuri/Jucuruçu e Jequinhonha. O corredor leste envolve as áreas de importância biológica Especial – Serra do Brigadeiro e Parque Nacional do Caparaó,– conectando-se com o grande corredor central da floresta atlântica (sul da BA, ES e MG). Estão incluídas também a APA Pedra Dourada e Santa Rita do Itueto, extensa área ainda bem preservada, porém desconhecida floristicamente. O corredor sudeste engloba remanescentes primários de floresta atlântica com alta conectividade, incluindo as florestas urbanas de Juiz de Fora, as áreas prioritárias do Parque Estadual do Ibitipoca, de Bom Jardim de Minas, de Bocaina de Minas e de Monte Verde – APA Fernão Dias. A região é altamente explorada pela atividade agropecuária e reflorestamento de pinuse ameaçada pela especulação imobiliária. Ambos os corredores unem-se na área Diogo Vasconcelos/Porto Firme, que apresenta alta densidade de fragmentos passíveis de conexão.

A região da floresta atlântica norte, acima do rio Doce, apresenta-se em expressivos fragmentos, em sua maioria desconhecidos floristicamente. O corredor Mucuri/Jucuruçu proposto preserva remanescentes de floresta atlântica onde a agropecuária expande suas fronteiras. O corredor Jequitinhonha inclui áreas de importância biológica Muito Alta, como Santa Maria do Salto, que apresenta remanescente florestal em bom estado de conservação, com alta riqueza específica e com influência florística da floresta atlântica do sul da Bahia e da Serra do Mar, no sudeste do Brasil. As pressões são o desmatamento e a extração seletiva de madeiras. A Reserva Biológica da Mata Escura guarda remanescentes significativos de floresta atlântica e cerrado, de grande importância ecológica.

No domínio da Caatinga, foram priorizadas as áreas de Pedra Azul e Berizal, por ocorrer ali vegetação de caatinga sobre afloramentos graníticos.

Apesar do fortalecimento da consciência ecológica na sociedade e da existência de inúmeros instrumentos legais para a proteção de espécies e ecossistemas, a degradação da flora do Estado continua avançando de forma preocupante. A identificação de áreas e ações prioritárias para conservação da biodiversidade é fundamental para a elaboração de estratégias que permitam concentrar os esforços e recursos disponíveis, de modo a subsidiar as políticas de ordenamento territorial.

Nesse sentido, foram indicados os seis corredores, anteriormente relacionados, nos diferentes biomas do Estado, conectando unidades de conservação, áreas prioritárias de diferentes categorias de importância biológica e remanescentes de vegetação natural ainda pouco conhecidos. O estudo das variações florísticas e estruturais, através de esforços imediatos na realização de levantamentos detalhados da flora em conjunto com outros grupos taxonômicos, considerando também aspectos físicos sócio-econômicos, permitirá a identifição de fragmentos mais bem preservados e ordenará as ações para a instalação desses corredores. As principais ações recomendadas pelo grupo Flora, para a maioria das áreas prioritárias, foram a investigação científica, a criação de unidades de conservação e a promoção de conectividade entre fragmentos de vegetação natural.

página seguinte: Parque Estadual do Ibitipoca

Fotografia: Adriana Moura

1Região de Manga 2 Jaíba 3Vale do Peruaçu 4Cabeceiras do Rio Coxá 5Região de Januária / Bonito de Minas 6Corredor Cerrado Noroeste 7Grande Sertão Veredas 8Região de Arinos / Buritis 9U rucuia 10Região de Natalândia 11Região de Unaí 12Veredas do Rio São Marcos 13Região de Paracatu 14Baixo Córrego Rico 15Região de Brasilândia de Minas 16Região de Santa Fé de Minas 17Região de São Romão 18Região de Campo Azul 19Região de Monte Azul 20Região de Montezuma 21Região de Grão Mogol 2 Corredor Espinhaço 23Parque Estadual Acauã 24Região de Itinga / Araçuaí 25Região de Berizal 26Região de Pedra Azul 27Região de Jequitinhonha 28 Corredor Jequitinhonha 29Região de Bandeira 30Fazenda Santana 31Região de Santa Maria do Salto 32Corredor Mucuri / Jucuruçu 33Região de Novo Cruzeiro / Poté 34Região de Pirapora 35Serra do Cabral 36Região de Lassance / Curvelo 37Região de Pedra Menina / Serra do Ambrósio 38Platô de Diamantina 39Região de Congonhas do Norte /

Santana de Pirapama 40Serra do Cipó 41Florestas da Encosta Sudeste do Espinhaço 42Região Cárstica de Lagoa Santa /

Sete Lagoas 43 Quadrilátero Ferrífero 44Serra da Moeda 45Serra de Ouro Branco 46Parque Estadual do Itacolomi 47APA Cachoeira das Andorinhas

48RPPN Serra do Caraça 49Região de Mariana / Ouro Preto 50Região de Diogo de Vasconcelos /

Porto Firme 51Serra do Brigadeiro 52APA Pedra Dourada 53Parque Nacional do Caparaó 54Corredor Leste / Resplendor 55RPPN Mata do Sossego 56RPPN Feliciano Miguel Abdala 57Região de Santa Rita do Itueto / Resplendor 58RPPN Fazenda Macedônia 59APA Lagoa Silvana 60Parque Estadual do Rio Doce 61Região de Estrela do Indaiá 62Região de Matutina 63Vereda Grande 64Serra da Carcaça 65RPPN Galheiro 66Região de Uberaba 67Região de Gurinhatã / Campina Verde 68Região de Itumbiara 69Região de Araguari 70Vale do Araguari 71Região de Abadia dos Dourados 72Parque Nacional Serra da Canastra 73Região de Arcos / Pains / Iguatama 74Região de Guaxupé 75Região de Campo do Meio 76Região de Furnas 77Região de Poços de Caldas 78Região de Andradas 79Região de Pouso Alegre 80Região de Santa Rita do Sapucaí 81Serra da Pedra Branca 82Região de Luminárias / São Tomé das Letras 83Região de Carrancas 84Serra de São José / Lenheiro 85Região de Barroso 86Corredor Sudeste 87Represa do Grama 88Região de São João Nepomuceno 89Volta Grande 90Região de Além Paraíba 91Região de Santana do Deserto 92Região de Bom Jardim de Minas 93Parque Estadual do Ibitipoca 94Região de Bocaina de Minas 95Região de Monte Verde / APA Fernão Dias

1Região de MangaPotencial 2 Jaíba Especial 3Vale do PeruaçuExtrema 4Cabeceiras do Rio CoxáPotencial 5Região de Januária / Bonito de MinasPotencial 6Corredor Cerrado NoroesteCorredor 7Grande Sertão VeredasExtrema 8Região de Arinos / BuritisAlta 9 Urucuia Alta 10Região de NatalândiaPotencial 11Região de UnaíMuito Alta 12Veredas do Rio São MarcosMuito Alta 13Região de ParacatuAlta 14Baixo Córrego RicoPotencial 15Região de Brasilândia de MinasMuito Alta 16Região de Santa Fé de MinasPotencial 17Região de São RomãoAlta 18Região de Campo AzulPotencial 19Região de Monte AzulAlta 20Região de MontezumaAlta 21Região de Grão MogolEspecial 2 Corredor Espinhaço Corredor 23Parque Estadual AcauãPotencial 24Região de Itinga / AraçuaíAlta 25Região de BerizalPotencial 26Região de Pedra AzulPotencial 27Região de JequitinhonhaMuito Alta 28 Corredor Jequitinhonha Corredor 29Região de BandeiraExtrema 30Fazenda SantanaMuito Alta 31Região de Santa Maria do SaltoExtrema 32Corredor Mucuri / JucuruçuCorredor 33Região de Novo Cruzeiro / PotéMuito Alta 34Região de PiraporaPotencial 35Serra do CabralEspecial 36Região de Lassance / CurveloAlta 37Região de Pedra Menina / Serra do AmbrósioEspecial 38Platô de DiamantinaEspecial 39Região de Congonha do Norte /Muito Alta

Santana de Pirapama 40Serra do CipóEspecial 41Florestas da Encosta Sudeste do EspinhaçoMuito Alta 42Região Cárstica de Lagoa Santa /Muito Alta

Sete Lagoas 43 Quadrilátero Ferrífero Especial

44Serra da MoedaExtrema 45Serra de Ouro BrancoAlta 46Parque Estadual do ItacolomiAlta 47APA Cachoeira das AndorinhasAlta 48RPPN Serra do CaraçaEspecial 49Região de Mariana / Ouro PretoExtrema 50Região de Diogo de Vasconcelos /Muito Alta

Porto Firme 51Serra do BrigadeiroEspecial 52APA Pedra DouradaMuito Alta

Número da Área

Nome da ÁreaCategoriaRecomendações Pressões

Antrópicas

Relação das áreas indicadas para a conservação da flora de Minas Gerais

53Parque Nacional do CaparaóEspecial 54Corredor Leste / ResplendorCorredor 55RPPN Mata do SossegoMuito Alta 56RPPN Feliciano Miguel AbdalaExtrema 57Região de Santa Rita do Itueto / ResplendorPotencial 58RPPN Fazenda MacedôniaMuito Alta 59APA Lagoa SilvanaAlta 60Parque Estadual do Rio DoceEspecial 61Região de Estrela do IndaiáPotencial 62Região de MatutinaPotencial 63Vereda GrandeMuito Alta 64Serra da CarcaçaEspecial 65RPPN GalheiroAlta 66Região de UberabaAlta 67Região de Gurinhatã / Campina VerdePotencial 68Região de ItumbiaraAlta 69Região de AraguariAlta 70Vale do AraguariPotencial 71Região de Abadia dos DouradosAlta 72Parque Nacional Serra da CanastraEspecial 73Região de Arcos / Pains / IguatamaMuito Alta 74Região de GuaxupéPotencial 75Região de Campo do MeioPotencial 76Região de FurnasPotencial 77Região de Poços de CaldasAlta 78Região de AndradasPotencial 79Região de Pouso AlegrePotencial 80Região de Santa Rita do SapucaíPotencial 81Serra da Pedra BrancaAlta 82Região de Luminárias / São Tomé das LetrasMuito Alta 83Região de CarrancasMuito Alta 84Serra de São José / LenheiroExtrema

85Região de BarrosoMuito Alta 86 Corredor Sudeste Corredor 87Represa do GramaMuito Alta 88Região de São João NepomucenoMuito Alta 89Volta GrandeMuito Alta 90Região de Além ParaíbaPotencial 91Região de Santana do DesertoPotencial 92Região de Bom Jardim de MinasAlta 93Parque Estadual do IbitipocaEspecial 94Região de Bocaina de MinasExtrema 95Região de Monte Verde / APA Fernão DiasMuito Alta

Número da Área

Nome da ÁreaCategoriaRecomendações Pressões

Antrópicas

Consulte legenda dos ícones desta tabela na orelha da página 202.

Uma parte significativa da rede de drenagem da região dos cerrados é constituída por um ecossistema peculiar que, na sua forma mais típica, é caracterizado por um substrato de gleissolos, planossolos e organossolos e fundos planos alagados onde cresce a palmeira buriti (Mauritia viniferaMart.), disposta em alinhamentos ou então em agrupamentos. No entorno da área embrejada ocorre uma faixa herbácea menos úmida, que, tradicionalmente, era utilizada como caminho pelos viajantes, tropeiros e pela população local. Essa função de caminho ou vereda serviu então para designar todo o ecossistema.

O reconhecimento de outra importante função das veredas, o de manancial perene e regulador da vazão da rede de drenagem, assegurou-lhes o amparo legal por meio da Lei estadual nº 9.375, de 1986, parcialmente alterada pela Lei nº 9.682, de 1988, que as enquadrou como áreas de preservação permanente (APPs) e estabeleceu faixas de proteção marginal com larguras variáveis em função de sua tipologia.

A classificação das veredas, segundo as suas características morfológicas e evolutivas, foi baseada nos estudos de Boaventura (1981 e 1988), que estabeleceu as seguintes categorias:

•Veredas de encosta:áreas de exsudação do lençol freático,com solo arenoso,eventualmente argiloso,com cobertura vegetal herbácea,com a presença ou não de buritis,que ocorre nas bordas das chapadas,em declives pouco acentuados,em formas semelhantes a meia lua;

•Veredas de superfície aplainada:áreas de exsudação do lençol freático,com solo argiloso,freqüentemente turfoso na zona encharcada e solo arenoso ou siltoso na zona menos úmida,com a presença ou não de buritis e matas de galeria;

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