Educação Ambiental

Educação Ambiental

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MEC / 8 2.3. Materiais em EA

Os materiais são de suma importância ao processo de formação em EA, essencialmente se o curso oferecido, ou a metodologia privilegiada for através da modalidade da educação aberta e a distância. No projeto EDAMAZ (Educação Ambiental na Amazônia), houve a criação de um centro de documentação, lotado na biblioteca setorial do Instituto de Educação da UFMT. Muitas publicações foram adquiridas e @s participantes do projeto tiveram acesso ao acervo, através de empréstimos das publicações. Além disso, o centro de documentação também dispunha de vídeos, CDROM educativos, kit de reciclagem de papel, máquina fotográfica, quebra cabeças, jogo de memória e outros materiais pedagógicos que foram subsídios importantes na implementação da EA.

No contexto deste tipo de subsídio, acreditamos que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN)1 possam ser um bom subsídio à implementação da EA. Não acreditamos que os PCN devam ser seguidos fielmente, pelo contrário, incentivamos @s professor@s a serem críticos com os documentos lidos, principalmente aqueles que vêm em forma de pacote, e com propostas generalizadas à toda nação, negligenciando a diversidade local. Perguntas críticas que convidem @ leitor@ a compreender a proposta e ter uma leitura mais elaborada faz-se fundamental. Assim, é possível “deixar emergir n@s educador@s suas próprias temporalidades, com sotaques culturais próprios, liberados da forma massificadora e repressiva da sociedade dominante que tenta via indústria cultural de massa impor modelos estereotipados duma cultura popular genérica e disforme para todos. Isso construiria uma escola, mediada por relações de respeito e interesse por modos culturais diferenciados entre as pessoas, plural e solidária, que identifique tod@s e cada um/a como pessoas de direitos iguais (...)

Há que construir e permitir emergir uma temporalidade educativa, onde o âmbito da ação privilegiada contagie a cultura escolar pelo cotidiano. E a escola seja o espaço da vivência temporal não totalitária, em que alun@s servidores/as do ensino e toda a comunidade estabeleçam no debate, com vozes diferenciadas e plurais, uma

1 BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC, 1996.

MEC / 9 pedagogização do discurso que permita a todos dizerem sua palavra no projeto em processo. Há que se superar a fragmentação do tempo e a produtividade, para compreender a indissolubilidade desta dimensão emancipatória para o ser humano. Há que impor uma derrota às grades de curriculares, principalmente quando estas migram de necessárias diretrizes gerais, para compor parâmetros generalistas e etnocêntricos como estes que nos deram, que vem de fora e por cima - não servem a educação e à democracia”12.

Assim, os PCN representam um subsídio a mais, que devem ser cuidadosamente lidos e compreendidos, para gerar posturas críticas e reflexão, para um debate no interior das escolas, e fundamentalmente, para subsidiar o processo da elaboração de uma proposta curricular da própria escola, frente à diversidade e cultura local, adequada ao cotidiano escolar.

2.5. Avaliação em EA

Quanto à avaliação, embora este assunto não consiga ser encerrado neste texto, é fundamental “pincelar” alguns aspectos que temos tido no processo da formação de professor@s em EA. Em Mato Grosso, a maior parte dos projetos executados são ancorados na perspectiva da pesquisa. Em outras palavras, incentivamos para que @s professor@s sejam sujeitos de sua própria investigação e ação, ao invés de serem passiv@s estudantes de um curso de licenciatura, ou de um curso qualquer de capacitação. Assim, a avaliação utilizada deve ser processual, iluminativa e contextual, podendo ser ancorada em duas grandes tendências, chamadas de “avaliação naturalista” e “avaliação positivista”.

A avaliação positivista é determinada por início, meio e fim, visando uma análise dos resultados obtidos. Há uma consideração institucional e caminhos metodológicos traçados, mas fundamentalmente, os produtos finais são verificados em consonância com os objetivos propostos. Uma outra vertente, intitulada “naturalista”, vem a desafiar a primeira, num enfoque mais natural da situação – daí a razão do nome “naturalista”.

12 PASSOS, Luiz Augusto Viagem no/s tempo/s da escola – da escola seriada à escola de ciclos. Cuiabá: Instituto de Educação / UFMT, 2000 (não publicado).

Em outras palavras, nesta segunda análise, os processos e os meios são considerados com mais veemência, dando créditos ao litígio, do que ao produto em si. No caso da formação de professor@s através da pesquisa, a melhor avaliação parece ser a junção destas duas vertentes, que através de avanços e recuos, possibilita uma melhor avaliação do estado da arte dos projetos em execução pelas escolas e suas comunidades.

Na proximidade do nosso desfecho, lembramos que a crise d@s professor@s inicia no fenômeno mundial conhecido como “banheira de Costanza13”, que assola todos @s professor@s: o primeiro passo ocorre na universidade, quando há um forte desmonte do conservadorismo político e social, com incremento liberal progressivo para @s futur@s professor@s. O segundo passo, durante a práxis profissional (já nas escolas), produz um efeito contrário, conduzindo @ licenciad@ a retornar ao nível anterior da sua carreira, perdendo o “idealismo dos tempos de estudante”. Considerando que o cerne do problema educativo está na profissionalização d@s professor@s compreendemos que devemos romper com a prática desvinculada da teoria, promovendo a possibilidade da ação-reflexão-ação dentro do próprio programa de formação14. Assim, há necessidade de se buscar um elo entre a teoria educativa e a prática pedagógica. Se @ professor@ quiser romper com as meras convenções e experiências fortuitas de seu cotidiano, necessita também de uma reflexão científica e crítica sobre a educação. Nesse sentido, a formação permanente de professor@s além de ser uma exigência da sociedade, torna-se uma obrigação.

O debate de qualquer modelo para a formação de professor@s deverá enfrentar as questões verificadas pelas pesquisas e suas implicações políticas, especialmente no que diz respeito à “liberdade, eqüidade e solidariedade” expressos na nossa LDB. É nesse contexto que temos o compromisso com a EA, na formação e na qualificação de profissionais, na continuidade dessa formação e na ousadia de incorporar a EA como um dos grandes temas das nossas

13 Do espanhol, bañera de Costanza BRINKMANN, W. El profesor entre teoría y praxis. In Educación, v. 28, 7 - 17, 1983. 14 SATO, Michèle Educação Ambiental no Ensino Superior. Palestra proferida no Encontro Temático Educação Ambiental na UFPB. João Pessoa: PRODEMA & REA/PB, 16 e 17 de Setembro de 1999 (a ser publicado em anais do evento).

políticas educacionais. Acreditamos que já lançamos a estrela, e para quem souber enxergar, poderá viver abraçad@ nela15.

Bibliografia

BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: MEC, 1996.

BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC, 1996.

BRINKMANN, W. El profesor entre teoría y praxis. In Educación, v. 28, 7 - 17, 1983.

CALVACHE, Salomón. Institucionalización de la educación ambiental. In Taller de Investigación y Formación EDAMAZ. Montréal: UQÀM, projecto EDAMAZ, 1999.

CURY, Jamil. Diretrizes Curriculares Nacionais Para Educação de Jovens e Adultos. São Paulo: AEC, 2000.

FREIRE, Paulo & SHOR, Ira. Medo e ousadia – o cotidiano do professor. Rio de Janeiro: Paz e Terra, tradução de Adriana Lopez, 1992, 224 p.

GRÜN, Mauro. Ética e Educação Ambiental – a conexão necessária. São Paulo: Papirus, 1996.

MATO GROSSO, SEDUC. Política de Educação Ambiental. Cuiabá: SEDUC-MT, 1998, 4 p.

PASSOS, Luiz Augusto. Viagem no/s tempo/s da escola – da escola seriada à escola de ciclos. Cuiabá: Instituto de Educação / UFMT, 2000 (não publicado).

SATO, Michèle. Educação para o Ambiente Amazônico. São Carlos: Tese de Doutorado, PPG-ERN/UFSCar, 1997, 235 p.

SATO, Michèle. Educação Ambiental no Ensino Superior. Palestra proferida no Encontro Temático Educação Ambiental na UFPB. João Pessoa: PRODEMA & REA/PB, 16 e 17 de Setembro de 1999 (a ser publicada em anais do evento).

15 Pablo Milanês & Chico Buarque de Holanda: Canción por la Unidad Latino América.

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