Miíases

Miíases

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As espécies mais comumente vistas são:

L. cuprina: espécie de ampla distribuição nos trópicos e nas regiões temperadas mais quentes em todo mundo; muito comum em terrenos baldios das cidades. L. exímia: ocorre desde o sul dos EUA até Argentina e Chile. Mais comum em regiões rurais. L. sericata: espécie cosmopolita, mais encontrada na zona urbana.

Chrysomya

As moscas desse gênero são robustas, com aproximadamente 8 m de comprimento, de cor metálica, variando desde verde-brilhante com tons amarelados até azulados. Importantes vetores de patógenos intestinais para o homem; Devido a sua alta capacidade de reprodução superou o nº de outras espécies de moscas; As espécies C. putoria, C. megacephala, C. albiceps e C. rufifacies são agentes eventuais de miíases facultativas em mamíferos; as três primeiras espécies foram provavelmente introduzidas por refugiados das ex- colônias portuguesas da África atualmente, já se espalharam por toda a America do Sul a quarta espécie, foi também encontrada nas Américas Central e do Norte, por volta de 1978. Têm hábitos de se alimentarem de fezes humanas e de outros animais.

Família Sarcophagidae

São moscas médias a grandes, medindo cerca de 6 a 10mm (ou mais) de comprimento. Apresentam cor acinzentada possui três faixas negras no tórax e abdome axadrezado. As fêmeas são larvíporas: desenvolvem-se a partir das larvas; podem depositar até 50 larvas em uma ferida; Prefere depositar as larvas em cadáveres, matéria orgânica vegetal em decomposição, fezes, etc Também pode ovipor em feridas necrosadas. As larvas invadem os tecidos e alimentam-se vorazmente. Dependendo da temperatura e volume de alimento, e cerca de dez dias já estão maduras. Caem no chão e enterram se na terra fofa ou sob folhas, para puparem. No verão, os adultos saem das pupas cerca de 10 a 15 dias depois. Apresenta grande nº de espécies, mas possui classificações controvertidas; Podem ser encontrados, dependendo da espécie, na zona urbana, pastos e matas; A determinação dos gêneros e espécies é baseada em caracteres da genitália masculina.

Subfamília cuterebrinae

A subfamília cuterebrinae reúne um fascinante grupo de moscas que apresenta uma biologia interessantíssima, a qual intrigou os entomologistas por mais de três séculos. Somente entre os anos 1911e 1918 é quem vários aspectos de seu peculiar modo de vida se tornaram conhecidos. Os adultos de modo geral são pouco vistos, pois possuem uma vida curta (5-20 dias apenas suficiente para o acasalamento e a oviposição) e vivem em ambientes florestais; as larvas denominadas “bernes”, “ura” ou “tórsalo”, é que são bem conhecidas.

Os autores brasileiros dividem o gênero cuterebrinae em dois: metacuterebra, com 36 espécies neotropicais, e cuterebra, com 36 espécies neo- árticas. As espécies desses dois gêneros parasitam roedores e coelhos.

A Dermatobia ocorre em vários animais, principalmente bovino, cães e homem.

O gênero Alouattamyia e um parasito habitual de macacos. Mas já foram encontrados casos em humanos na Amazônia (Rondônia, Manaus, Tucurui- Para). Foram encontradas larvas na faringe dos pacientes provocando tosses, anciã de vomito e forte irritação na garganta.

Dermatobia hominis (“mosca berneira”)

É vulgarmente conhecida como mosca-berneira. Ocorre desde o México ate a Argentina. No Brasil, é vista em todos os estados, com exceção das áreas secas do nordeste. Prefere áreas úmidas e montanhosas, mas não acima de 1000 m de altitude. Os adultos apresentam uma biologia muito interessante e em geral, permanecem escondidos em capoeiras e pequenas matas (mesmo de eucaliptos).

Em vôos rápidos, a mosca-berneira captura um inseto hematófago (preferencialmente) e lhe deposita sobre o abdome de 15 a 20 ovos. Esses ficam aderidos ao abdome do inseto e apresentam um opérculo voltado par trás. Uma fêmea pode por 400 a 800 ovos durante sua curta vida, que é cerca de dez dias.

Cerca de seis dias depois, esses ovos já estão maduros e quando o inseto veiculador vai alimentar-se, estimulado pelo calor do homem (ou animal), a larva sai rapidamente do ovo e alcança a pele do hospedeiro. A larva mede um e meio milímetro e em dez minutos penetra na pele sã ou lesada (picada de insetos e etc). Permanecem com os espiráculos respiratórios voltados para fora (nível da pele) e a extremidade anterior (boca) voltada para dentro. Começa a alimentar- se ativamente e após sofrer duas ecdises, já esta madura aos 40 ou 60 dias. Nesta fase, mede cerca de 2 cm de comprimento por 0,5 cm de diâmetro na parte mais volumosa. Em seguida, abandona o hospedeiro e cai no chão. Enterra-se na terra fofa, transformando-se em pupa e permanece nesta fase por 30 dias (nos meses de verão) e então abandona o pupário. Vinte e quatro horas após entra em cópula, que se repete em dias sucessivos. Três dias após a primeira cópula, inicia a ovipação.

quadro. A melhor maneira de se retirar o berne é matando-o por asfixia

Na espécie humana recomenda-se tirar o berne logo que seja percebido. O berne provoca um prurido intenso e depois dor. O orifício aberto possibilita a entrada de larvas de outras moscas e varias bactérias que podem complicar o

A Dermatobia hominis e a principal espécie de cuterebrinae capaz de provocar miíse humana com freqüência.

Responsável pela Berne; Vive em todos os estados do Brasil, com exceção das áreas secas do nordeste;

Prefere áreas úmidas e montanhosas, (permanecem escondidas em capoeiras e matas) Os adultos não se alimentam; seu aparelho bucal não funciona;

Após o nascimento ocorre a cópula;

Durante sua vida pode ovipor de 400 a 800 ovos;

Mede cerca de 12 m de comprimento;

Cabeça e parte superior marrom e parte ventral castanha;

Tórax cinza amarronzado com manchas indistintas e de cor escura; Abdome azul metálico;

Asas grandes e de cor castanha.

Larvas (Dermatobia hominis)

A larva adulta (berne) mede cerca de 2 cm de comprimento. X 0,5 cm de diâmetro; Os espiráculos situam-se na parte mais afilada;

A boca fica localizada na parte mais volumosa;

Possui corpo com várias fileiras de espinhos;

Penetra na pele sã ou lesada (picada de insetos, etc);

Fica madura entre 40 ou 60 dias.

Obs: O ciclo de vida é muito parecido em todas as espécies de moscas aqui citadas, só mudando o tempo de amadurecimento das larvas e o tempo de transformação em adultos. Há diferença da família SARCOPHAGIDAE, que é larvípora, deposita diretamente as larvas no hospedeiro.

Descrição da doença

Miíase primária larvas que se alimentam de tecidos vivos. Forma furunculoíde

Forma migratória.

Miíase secundária depositam os ovos em tecidos necrosados de animais vivos.

Forma cutânea Forma cavitária (oftalmiíase, miíase nasal)

Forma furunculóide: caracterizada por uma lesão nodular de 1 a 3 cm. Apresenta orifício central de onde flui secreção serosa.

Forma migratória: forma clínica primária em que a larva percorre caminhos na pele.

Forma cutânia: ocorre em tecidos necrosados de ulcerações expostas de pele.

Forma cavitária: as larvas podem permanecer localizadas ou serem disseminadas a vários órgãos internos, inclusive o cérebro.

Classificação das miíses Existem varias classificações para miíses, conforme seja a localização, a biologia da mosca e o tipo do tecido em que ocorre. Quando ao local de ocorrência, elas podem ser: cutânea, subcutânea, cavitárias (nariz, boca, seios paranasais), ocular, anal etc. A classificação com base nas características biológicas da mosca e mais aceitas atualmente. Assim temos:

Obrigatótrias: Miíases primárias. As larvas desenvolvem-se sobre ou dentro de vertebrados vivos. Ex: Calliphoridae (gênero Cochliomya).

Facultativas: Miíases secundárias. Geralmente desenvolvem-se em matéria orgânica em decomposição. Podem infestar tecidos necrosados em hospedeiro vivo. EX: Várias espécies das famílias Calliphoridae, Sarcophagidae e

Muscidae.

Pseudomiíases: Ocasionadas por ingestão de alimentos contaminados com ovos, podendo desenvolver larvas no intestino ou trato urinário. É raro ocorrer. EX: espécies: Syrpridae, Muscidae, Tephritidae

Diagnóstico

Visualização das larvas; Anamnese;

Exame físico;

Exame clínico;

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