Apostila Microeconomia

Apostila Microeconomia

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MICROECONOMIA Daisy A. N. Rebelatto e Mariana S. O. Lima

Texto elaborado para disciplinas de graduação da EESC-USP São Carlos (SP) 1

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O Mecanismo de mercado

Embora alguns países sejam mais ricos que outros, os recursos de cada economia são limitados. É necessário fazer escolhas. Além disso, há algum grau de especialização em todas as economias, e cada economia precisa de um mecanismo para responder às perguntas fundamentais criadas pela especialização e pela necessidade de fazer escolhas:

1. Quais são os bens e serviços a produzir? 2. Como produzir esses bens e serviços? 3. Para quem produzir os bens e serviços?

para as refeições. Em outras palavras, o mercado dará as respostas fundamentais

Há basicamente duas maneiras de obter respostas a estas perguntas. A primeira é utilizar a “mão invisível” de Adam Smith. Caso os indivíduos tenham liberdade completa na escolha, então o açougueiro, o padeiro e o cervejeiro produzirão a carne, o pão e a cerveja

A segunda maneira de obter estas respostas é utilizar o governo. As funções governamentais podem ser bem restringidas, significando uma mera modificação da operação do mercado. Quando o governo coloca um imposto alto na compra de automóveis que consomem muita gasolina, a procura de automóveis pequenos aumenta. Os fabricantes de automóveis responderão a esta mudança com um aumento na produção de automóveis pequenos e uma redução na produção de automóveis grandes. Assim, o governo pode influir na questão de quais bens a produzir sem ter de se envolver diretamente na fabricação de automóveis.

Os impostos não são a única maneira por meio da qual o governo pode influir na produção. O governo determina uma boa parcela do que a economia produz, mediante as compras que faz, através de leis ou por ser o dono de empresas produtivas. Ele concorre com o setor privado em muitas atividades econômicas no Brasil - serviços bancários, mineração, siderurgia e distribuição de gasolina, por exemplo - e reserva algumas outras atividades exclusivamente para empresas governamentais.

Teoricamente, poderia existir um sistema que dependesse exclusivamente ou do mercado ou do governo para tomar as três decisões fundamentais de o que, como e para quem produzir. Mas o mundo real é um meio-termo. Todas as economias do mundo utilizam uma mistura de mercado e governo para tomar decisões. Assim, o grau de importância do mercado no processo decisório varia muito entre países. No Brasil, o mercado faz a maioria das escolhas. Entretanto, o governo tem um papel muito importante na economia, e esta importância tem crescido muito nos últimos tempos.

A ideologia marxista é contrária à determinação pelo mercado livre de quem receberá os bens e serviços produzidos. Além disso, não permite a acumulação de muito capital por

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vivem de investimentos influem na decisão de quais bens e serviços produzir

Em contrapartida, em economias livres ou capitalistas - como os Estados Unidos - o setor privado controla a maioria do capital da sociedade, e as compras feitas por indivíduos que

Em um país marxista, o governo é dono de quase tudo e envolve-se no dia-a-dia das decisões sobre utilização do capital social. Por exemplo, em Cuba, há uma agência central de planejamento que fixa metas de produção para diferentes setores da economia. Mesmo assim, seria um erro pensar que, nos países da Europa Oriental, o planejamento governamental é um método rígido e ubíquo para responder às três perguntas fundamentais. Existem mercados nestes países, e alguns - como Iugoslávia - permitem que o mercado tome muitas decisões. Portanto, estes países também possuem economias mistas, embora a importância relativa do governo e do mercado seja diferente da encontrada nos Estados Unidos e no Brasil.

Uma economia mista é uma economia em que o governo e o mercado compartilham as decisões de o que, como e para quem produzir.

O nosso objetivo, a partir de então, é explicar como o mercado responde às três perguntas básicas: quais bens produzir, como e para quem?

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CAPÍTULO 1 - TEORIA DO CONSUMIDOR E DA DEMANDA

Em economia, consumidor é todo indivíduo que possui renda e que, portanto, tem condições de participar do “jogo” econômico, que é adquirir mercadorias ou serviços que possuem preços e que são escassos, porque os recursos também são escassos, o que leva a um custo de produção. A satisfação do consumidor é, portanto, em economia, a determinante de ações que, partindo dele, provocarão atos econômicos peculiares.

1) Conceito de demanda – As várias quantidades de um bem ou serviço econômico que o consumidor estará disposto a retirar do mercado, a um certo instante de tempo qualquer, sendo conhecido o preço.

Com os dois pontos A e B da Figura 1, podemos analisar a demanda empregando a equação da reta.

2) Função demanda – Demanda é uma função que explica as várias quantidades que os consumidores estarão dispostos a retirar do mercado, de um produto ou serviço econômico, conhecido o preço, a uma certa unidade de tempo qualquer.

Seu formato matemático normal é do tipo:

Figura 2 A demanda de muitos pontos de observação qx/u.tq1 q0

B Ap1

Estudos de comportamento sobre a demanda são sempre limitadas a um espaço geográfico bem específico e que possa ser facilmente controlado. Considerando-se que tudo o mais permaneça constante (condição ceteris paribus), inclusive a renda que o consumidor destina para adquirir o produto x, se o preço aumentar ele poderá matematicamente demandar uma quantidade menor desse produto. Figura 1 A função demanda y = m - ax O $/(q) qx/u.t

Curva de Demanda

Pontos de Demanda

Função Demanda

Dois pontos de demanda muito próximos, pelos quais passa uma reta tangente à curva de demanda, com uma aproximação satisfatória.

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A equação matemática que explica dois pontos é:

y – y = y – y (x – x) x – x

Substituindo y por p (preço) e x por q (quantidade), para a função ser utilizada com maior simplicidade em economia, teremos:

p – po = p1 – po (q – qo) q1 – qo

Ex.: A demanda de arroz é de 1640 quantidades ao preço de 1,20 u.m.. Após a safra, quando o preço diminuiu para 1,10 u.m., a quantidade consumida alterou-se para 1660 unidades. Qual a função demanda para esse produto?

Os dados disponíveis do problema são:

to t1

p= 9,40p=0
q= 0e se q=1880

Para elaborarmos o gráfico da função demanda, determinaremos as intersecções da função:

3) Fatores que afetam a função demanda

A função demanda pode ser descrita como: qDem = f(a;b;c;d;...;n) onde os principais fatores são:

e Î p = 9,4 – 0,005q e q = 1880 – 200p qx/u.t f (Do) = 1880 – 200p

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Texto elaborado para disciplinas de graduação da EESC-USP São Carlos (SP) 6 a. O preço da mercadoria à disposição dos consumidores b. A renda disponível do consumidor, para adquirir a mercadoria c. O número de consumidores que existem num período de tempo definido na economia d. A quantidade de variações ou tipos de mercadorias à disposição dos consumidores e. O gosto e preferência do consumidor por um determinado produto f. O tipo de relacionamento que existe entre os produtos à disposição dos consumidores

3.1) Preço - O fator mais importante que afeta a função demanda

Pressupondo-se um equilíbrio inicial, em que o preço e a quantidade sejam conhecidos num instante de tempo to e a demanda para o produto seja Do:

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