Usinas de Compostagem de Lixo como alternativa viável à problemática dos lixões no meio urbano

Usinas de Compostagem de Lixo como alternativa viável à problemática dos lixões no...

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Usinas de Compostagem de Lixo como alternativa viável à problemática dos lixões no meio urbano

Rodrigo Couto Santos1; Joliz Fermino Campos; Cauby Donizete Pinheiro; Yamilia Barrios Tolon; Silvia Regina Lucas de Souza; Marta Baracho; Ezequiel Lopes do

Carmo 1Fundação Tricordiana de Educação – MG - e-mail: rodrigo.esacma@fem.com.br

A geração crescente e diversificada de resíduos sólidos nos meios urbanos e a disposição final dos mesmos estão entre os mais sérios problemas ambientais enfrentados pelos países industrializados e em desenvolvimento. Na maioria dos municípios brasileiros de pequeno porte a administração dos resíduos sólidos se limita a varrer os logradouros e recolher o lixo domiciliar depositando-o em locais sem maiores cuidados sanitários. Como alternativa economicamente viável e ecologicamente sustentável, existem as Usinas de Compostagem. Assim, este trabalho tem como objetivo levantar informações sobre as Usinas de Compostagem de médio porte, bem como, quais equipamentos, ferramentas e rotinas são empregados nestes locais, de forma a mostrar que são uma saída viável aos problemas ambientais causados por lixões. O experimento foi realizado em três etapas, sendo a primeira um levantamento de informações sobre como é feito o manejo do lixo dentro da Usina, paralela a esta etapa, a realização de uma revisão de literatura para mostrar que a Usina estudada reflete a realidade das demais usinas de porte médio do país e por último, foi feita uma análise de viabilidade econômica da Usina. Com base neste trabalho, foi possível concluir que a implantação de uma Usina de Compostagem aponta vantagens para o Município do ponto de vista econômico, e também do ponto de vista ambiental, pois reduz drasticamente a necessidade de lixões.

Palavras-chave: Compostagem, reciclagem, meio ambiente.

Rodrigo Couto Santos1; Joliz Fermino Campos; Cauby Donizete Pinheiro; Yamilia Barrios Tolon; Silvia Regina Lucas de Souza; Marta Baracho; Ezequiel Lopes do

Carmo 1Fundação Tricordiana de Educação – MG - e-mail: rodrigo.esacma@fem.com.br

The generation increasing and diversified of solid residues in the urban ways and the final disposal same them is between the most serious ambient problems faced by the industrialized countries and in development. In the majority of the Brazilian cities of small transport the administration of the solid residues if limits to sweep the public parks and to collect the domiciliary garbage depositing it in places without sanitary well-taken care of greaters. As alternative viable and economically ecologically sustainable, the Composting Plants exist. Thus, this work has as objective to raise information on the Composting Plants of garbage of average transport, as well as, which equipment, tools and routines are used in these places, of form to show that they are a viable exit to the ambient problems caused by dumpsters. The experiment was carried through in three stages, having been first a survey of information on as the handling of the garbage inside of the Plant is made, parallel to this stage, the accomplishment of a revision of literature to show that the studied Plant reflects the reality of the too much plants of average transport of the country and finally, was made an analysis of economic viability of the Plant. With base in this work, it was possible to conclude that the implantation of a Composting plant of garbage points advantages with respect to the City of the economic point of view, and also of the ambient point of view, therefore it reduces the necessity of dumpsters drastically.

Word-key: Composting, recycling, environment.

Usinas de Triagem e Compostagem de Lixo como alternativa viável à problemática dos lixões no meio urbano

Rodrigo Couto Santos1; Joliz Fermino Campos; Cauby Donizete Pinheiro; Yamilia Barrios Tolon; Silvia Regina Lucas de Souza; Marta Baracho; Ezequiel Lopes do

Carmo 1Fundação Tricordiana de Educação – MG - e-mail: rodrigo.esacma@fem.com.br

1. INTRODUÇÃO

O tratamento e a destinação final dos resíduos sólidos urbanos sempre foi uma preocupação dos municípios e principalmente das organizações governamentais e não governamentais ligadas a área de saneamento ambiental. Na maioria dos municípios brasileiros de pequeno porte a administração se limita a varrer os logradouros e recolher o lixo domiciliar de forma nem sempre regular depositando-o em locais afastados da vista da população sem maiores cuidados sanitários. Essa situação é provocada ou pela falta de consciência das autoridades municipais com a problemática do lixo urbano ou pelas dificuldades financeiras que impedem a aquisição de equipamentos necessários e disponíveis no mercado para coleta, transporte e destinação final dos resíduos sólidos.

As conseqüências desses procedimentos são graves, podendo citar como exemplo, a contaminação do lençol freático, comprometendo seu uso domiciliar, a poluição da atmosfera, com o desprendimento de gases e o mau cheiro, a proliferação de insetos, roedores, transmissores de doenças e o problema da presença de catadores nos locais onde os resíduos sólidos são depositados nos lixões.

Em função das sérias dificuldades financeiras que os municípios de pequeno porte vem enfrentando, os mesmos não podem desprezar as oportunidades de gerar recursos para o erário público e o bem estar da população. Dentre as oportunidades reais existentes, a reciclagem e compostagem dos resíduos sólidos começam a ser vistas como solução factível tanto para a destinação final do lixo recolhido como para a geração de riquezas, (Chermont,2000).

Segundo Homma (2000), os resíduos sólidos urbanos nas últimas décadas, tem sido estudado no sentido de se obter técnicas mais eficientes e seguras de dispô-lo no ambiente ou torná-lo novamente útil.

De acordo com Bley Jr. (2001), nos domicílios onde normalmente os resíduos orgânicos são misturados a plásticos, vidros e outros materiais que contribuem para a sua contaminação, outras fontes geradoras de resíduos orgânicos ocorrem no meio urbano. São exemplos os restos vegetais gerados em podas, capinas e roçadas, os resíduos de centrais de abastecimento, cozinhas industriais, restaurantes, agroindústrias entre outras que na maioria das vezes, se diferem dos resíduos sólidos domiciliares por serem materiais homogêneos reconhecidos como resíduos orgânicos limpos.

Levantamentos realizados em usinas de triagem e compostagem de resíduos sólidos apontam que em média, depois de devidamente processado, chega-se a uma produção de composto orgânico da ordem de 40% da quantidade inicial de lixo chegada a usina. É certo que a composição do lixo varia de município para município, porém se uma parte desse lixo for utilizada em produção de composto orgânico e outra reciclada em indústrias de papel, metal, plástico e vidro, o volume final com destino a aterros sanitários será bastante reduzido. (D’Almeida,2000).

1.1 – OBJETIVOS

Este trabalho tem como objetivo levantar informações sobre as Usinas de

Triagem e Compostagem de lixo de médio porte, para até 10.0 habitantes, bem como quais equipamentos, ferramentas e rotinas são empregados nestes locais, de forma a mostrar que são uma saída viável aos problemas ambientais causados por lixões.

2- REVISÃO DE LITERATURA

2.1- RESÍDUOS SÓLIDOS

De acordo com NBR 10.004 - ABNT(1987) resíduos sólidos são definidos como “resíduos nos estados sólidos ou semi-sólidos ou que resultam da atividade da comunidade, de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Considera-se também, resíduo sólido, os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle da poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos d’água, exigindo para isso soluções técnicas e economicamente viáveis face a melhor tecnologia disponível”.

A NBR 10.004 - ABNT(1987) também estabelece a metodologia de classificação dos resíduos sólidos quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública com o objetivo exclusivo de adequar o manuseio e o destino final dos mesmos.

2.1.1- VERIFICAÇÃO DAS POLÍTICAS DE GESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS.

Segundo Vailati (2000) a coleta, transporte e destino final dos resíduos sólidos são atividades tipicamente municipais constituindo um ramo importante do saneamento ambiental, do qual é tratado de forma integrada e fazendo parte de um plano diretor municipal de saneamento e meio ambiente. Desde 1981 o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA instituiu a primeira lei (Lei nº 6.938 de 31.08.81, disposto na Lei nº 9.605 de 12.02.98 e no Decreto nº 3.179 de 21.09.9), sobre aproveitamento dos resíduos sólidos, onde considera que a reciclagem dos resíduos sólidos deve ser incentivada, facilitada e expandida no país, para reduzir o consumo de matérias primas, recursos naturais não renováveis, energia elétrica e água. Existem muitas outras resoluções como:

- A Resolução CONAMA nº 258 de 30.06.9 aprova as diretrizes para a formulação de uma política nacional de gestão de resíduos sólidos.

- A Resolução CONAMA nº 275 de 25.04.01 é uma das publicações mais recentes no que se refere aos resíduos sólidos no Brasil, tratando sobre o estabelecimento do código de cores para identificação dos coletores e transportadores de resíduos sólidos.

A legislação brasileira em se tratando de resíduos sólidos não permite a elaboração de uma norma única, de caráter nacional, que obrigue os estados e municípios a adotarem um determinado modelo de gestão, mas pode-se editar normas gerais como vem fazendo para fornecer as diretrizes para os órgãos da administração pública a respeito do assunto sob o aspecto da proteção ambiental e da função pública de interesse comum, levando-se em consideração que muitos estados e / ou municípios já possuem legislação específica sobre a gestão dos resíduos sólidos em vigor.

2.1.2- CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

De acordo com a norma NBR 10.004 - ABNT (1987), os resíduos sólidos são classificados em três categorias:

Resíduos classe I - Perigosos: Resíduos sólidos ou misturas de resíduos que, em função de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade, podem apresentar riscos à saúde pública, provocando ou contribuindo para um aumento de mortalidade ou incidência de doenças e/ou apresentar efeitos adversos ao meio ambiente, quando manuseados ou dispostos de forma inadequada.

Resíduos classe I - Não Inertes: Resíduos sólidos ou mistura de resíduos sólidos que não se enquadram na classe I (perigosos) ou na classe I (inertes). Estes resíduos podem ter propriedades tais como: Combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade em água.

Resíduos classe I -- Inertes: Resíduos sólidos ou mistura de resíduos sólidos que, submetidos a testes de solubilização não tenham nenhum de seus constituintes solubilizados, em concentrações superiores aos padrões de potabilidade de águas, excetuando os padrões: aspecto, cor, turbidez e sabor. Como exemplo destes materiais podemos citar: Rochas, tijolos, vidros, certos tipos de plásticos e borrachas que não são decompostos prontamente.

Segundo GOMES (1989), os resíduos sólidos, são também, classificados de acordo com seus diferentes graus de biodegrabilidade, em: - Facilmente degradáveis: Materiais de origem biogênica;

- Moderadamente degradáveis: Papel, papelão e outros produtos celulósicos;

- Dificilmente degradáveis: Trapos, couro(tratado), borracha, madeira;

- Não degradáveis: Vidros, metais,plásticos.

Conforme JARDIM et al. (1995) os resíduos sólidos urbanos podem ser classificados, em função de sua origem, como: - Residencial ou doméstico: Constituído de restos de alimentação, invólucros diversos, varreduras, folhagens, ciscos e outros materiais descartados pela população diariamente.

- Comercial : Proveniente de diversos estabelecimentos comerciais, como escritórios, lojas, hotéis, restaurantes, supermercados, quitandas e outros, apresentando mais ou menos os mesmos componentes que os resíduos sólidos domésticos, como papeis,papelão, plásticos, caixas, restos de lavagem, etc.;

- Industrial: Proveniente de diferentes áreas do setor industrial, de constituição muito variada, conforme as matérias primas empregadas e o processo industrial utilizado;

- Resíduos de serviços de saúde ou hospitalar: Constituído de resíduos das mais diferentes áreas dos estabelecimentos hospitalares: refeitório, cozinha,área de patogênicos, administração, limpeza; E resíduos provenientes de farmácias, laboratórios, de postos de saúde, de consultórios dentários e clínicas veterinárias;

- Especiais: Constituídos por resíduos e materiais produzidos esporadicamente como: folhagens de limpeza de jardins, restos de poda, animais mortos, mobiliários e entulhos;

- Feiras, varrição e outros: Resultante de varrição regular de ruas, conservação da limpeza de núcleos comerciais, limpeza de feiras, constituindo-se principalmente de papeis, tocos de cigarros, invólucros, restos de capinas, areia, ciscos e folhas;

- De aeroportos, portos, terminais rodoviários e ferroviários: Constituem os resíduos sépticos, ou seja, aqueles que contêm ou podem conter germes patogênicos, trazidos aos portos, terminais rodoviários e aeroportos; basicamente, originam-se de materiais de higiene, restos de alimentação, que podem veicular doenças provenientes de outras cidades, estados ou países. Porém, os resíduos assépticos, nestes locais, são considerados como domiciliares.

2.1.3- GERAÇÃO, TRATAMENTO E DESTINAÇÃO FINAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

A geração crescente e diversificada de resíduos sólidos nos meios urbanos e a disposição final dos mesmos estão entre os mais sérios problemas ambientais enfrentados pelos países industrializados e os em desenvolvimento. A geração é proporcional ao aumento da população e desproporcional à disponibilidade de soluções para o gerenciamento dos detritos, resultando em sérias defasagens na prestação de serviços, tais como a diminuição gradativa da qualidade do atendimento, a redução do percentual da malha urbana atendida pelo serviço de coleta e o seu abandono em locais inadequados. O correto manejo dos resíduos sólidos é certamente um dos principais desafios dos centros urbanos neste início de milênio. Soluções isoladas e estanques que não contemplam a questão dos resíduos desde o momento de sua geração até a destinação final, passando pelo seu tratamento, mesmo sendo boas a princípio, não conseguem resolver o problema como um todo, Reichert(1999).

A conforme Vilhena (1999) antes de iniciar qualquer projeto que envolva tratamento de resíduos sólidos, é importante avaliar qualitativamente e quantitativamente o perfil dos resíduos sólidos gerados no município em estudo permitindo assim estruturar melhor todas as etapas do projeto. O quadro 1 apresenta a caracterização básica desse tipo de resíduo.

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