cicatrização de feridas

cicatrização de feridas

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Na cicatriz normal madura, há equilíbrio entre a síntese de colágeno e sua degradação. Nas cicatrizes hipertróficas e nos quelóides, ocorre aumento da síntese de colágeno ou deficiência da colagenólise.

As regiões com maior acometimento de hipertrofia cicatricial são as peitorais, deltoidianas e a facial, sendo muito comum quelóides nas perfurações de lóbulos de orelhas.

A mesma cicatriz pode apresentar segmentos normais e hipertróficos intercalados. São fatores a serem considerados: a tensão entre as bordas das ferida, a ocorrência ou não de cicatrização por primeira intensão, a ocorrência ou não de infecção, a correta síntese da ferida, ausência de espaços mortos, corpos estranhos e áreas de necrose por pontos muito apertados.

Algumas feridas podem desenvolver malignização de cicatrizes, originando as úlceras de Marjolin.

Quaisquer ulcerações crônicas, como fístulas cutâneas de osteomielite e feridas com cicatrização retardada, são potencialmente propensas à formação de câncer. O tumor mais comum nas ulcerações crônicas é o carcinoma de células escamosas.

4. FORMAS DE CICATRIZAÇÃO

O cuidado das feridas traumáticas é determinado pela forma como são tratadas. Um fator determinante é o tipo de fechamento em função do tempo e riscos de complicações.

Cicatrização por Primeira Intenção: O tipo mais simples, também denominado fechamento de primeira intenção ou cicatrização por primeira intenção. Ocorre quando a pele é cortada de maneira asséptica, limpa, e as bordas são aproximadas pelas suturas ou outros meios. Estas feridas geralmente cicatrizam-se sem complicações e com a formação de discreto tecido cicatricial. Estão presentes as três fases do processo de cicatrização, mas as fases proliferativa e de maturação envolvem modesta reparação e regeneração tecidual, uma vez que pouco tecido de granulação é formado. As feridas cirúrgicas são exemplos de cicatrização por primeira intensão.

Cicatrização por Segunda Intenção: é o processo de cicatrização em feridas abertas com grande espessura ou perda tecidual total, com dano nos tecidos, é denominado cicatrização por fechamento secundário.As feridas abertas que se fecham por segunda intenção demandam mais tempo para cicatrizar, quando comparadas com as de primeira intenção, uma vez que não há aproximação das bordas. Além disso, elas necessitam de grande formação de tecido de granulação no preenchimento do espaço morto até que a contração e a epitelização aconteçam, podendo deixar uma cicatriz exuberante.

Cicatrização por Terceira Intenção: É considerada cicatrização por fechamento primário retardado, ou cicatrização por fechamento de terceira intensão. Este processo de cicatrização assemelha-se ao de primeira e ao de segunda inteção. A ferida é deixada aberta por um determinado período, funcionando como cicatrização por segunda intenção, sendo suturada posteriormente, como ferida de primeira intenção.Este procedimento é empregado geralmente nas feridas cirúrgicas com suspeita de infecção, e faz-se necessário determinar se o processo de cicatrização está evoluindo sem infecção ou se há necessidade de iniciar a intervenção terapêutica específica. Um exemplo desse tipo de fechamento é o caso de remoção de um apêndice rompido associado ao processo de peritonite.

5. FERIDA OPERATÓRIA

A ferida operatória é aquela produzida cirurgicamente por um instrumento cortante.

Para ocorrer o processo natural da cicatrização da ferida operatória, é necessário que as bordas dos tecidos lesados estejam aproximadas pela sutura. Faz-se a sutura por meios de fios cirúrgicos que podem ser absorvíveis, que desaparecem depois de alguns meses, após terem sido absorvidos pelo tecido; e os inabsorvíveis, que não são absorvidos pelos tecidos.

A principal finalidade da cicatrização cirúrgica é a de reconstruir de maneira mais fiel possível, os tecidos lesados. Esta reconstrução consiste em três fases: regeneração celular: no local, ocorre vasoconstrição para controlar a hemorragia e migração de neutrófilos para evitar a infecção; proliferação celular: a nível superficial ocorre epitelização da ferida e na profundidade da lesão dá-se a proliferação capilar e multiplicação dos fibroblastos que sintetizarão o colágeno; produção de colágeno: as fibras colágenas preenchem a ferida originando a cicatrização.

A cicatrização pode ocorrer por:

Primeira intenção: a cicatrização com leve reação tecidual acontece nas feridas feitas assepticamente, com pequena destruição de tecidos e suturadas adequadamente;

Segunda intenção: a cicatrização por granulação acontece nas feridas com pus ou com perda de tecido; após drenagem e limpeza formam-se no local granulações que, mais tarde, formarão o colágeno;

Terceira intenção: a cicatrização profunda e mais larga acontece nas feridas profundas não suturadas, ou quando as suturas se romperam; após a ferida ser novamente suturada, as duas superfícies de granulação opostas serão reunidas.

O processo normal de cicatrização pode ser afetado por alguns fatores, como: a idade avançada a oxigenação inadequada dos tecidos, tratamento com corticóides, anticoagulantes, drogas imunossupressoras e irradiação, doenças como diabetes, insuficiência renal aguda, presença de edemas, técnica inadequada de curativos.

A ferida operatória pode apresentar algumas complicações tais como:

Hemorragia: é a perda sanguínea decorrente de um rompimento de um ou mais vasos. Ela pode ser interna, que é quando o sangramento está oculto que acontece abaixo da incisão cirúrgica, mas que se observa pela presença de hematoma; e a externa na qual o sangramento é visível. O tratamento consiste em aplicações frias, curativo compressivo, compressão leve das bordas da incisão para retirada do coagulo e revisão da sutura.

Infecção: é causada por bactérias. Os fatores de risco para esta infecção são: geral, causada por debilidade ou obesidade excessiva, idade avançada, tempo prolongado de internação e da cirurgia, doenças associadas; e local causada pelo grau da contaminação da ferida, falhas na técnica de cirurgia e do curativo, preparo inadequado da pele no pré-operatório, e presença de corpo estranho, de tecido desvitalizado, de hematoma e de espaço morto.

As feridas infectadas podem ser do tipo supurativas que há presença de secreção purulenta ou necrotizante, que há pouca quantidade de secreção, mas com presença de necrose nas bordas da ferida.

O tratamento consiste na aplicação de calor, elevação da parte afetada, drenagem da secreção, desbridamento e antibioticoterapia.

Deiscência: é uma abertura total ou parcial na incisão operatória provocada por rompimento da sutura, infecção, distensão abdominal e estado nutricional.

Bibliografia

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