sonorização ao vivo para igrejas

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(Parte 8 de 10)

Repare: uma mão segura o ferro, outra segura a solda, e uma terceira mão (ou o torno) segura o fio. Seja rápido ao soldar o fio. Se você demorar muito, o isolante de borracha derreterá, e será preciso cortar o pedaço ruim e desencapar tudo de novo.

Feito isso no fio, agora é hora de estanhar os terminais do conector. Prenda o conector no torno, e agora encoste tudo junto: a solda, o terminal e ferro de solda. A solda deverá escorrer

Sonorização ao vivo para Igrejas se espalhando sozinha pelo terminal. Em conectores XLR, “encha” os terminais com solda. Se for um plugue P10, deixe uma pequena camada, não muito fina, não muito grossa. Compare com os seus cabos de referência.

Em alguns casos, A solda não consegue “grudar” nos terminais de alguns tipos de conectores, mesmo sendo novos (acontece muito em conectores de qualidade ruim). Use o estilete para fazer ranhuras no terminal todo, criando sulcos onde a solda conseguirá penetrar e prender.

Não segure o conector com as mãos após estanhá-lo ou limpá-lo. Ele estará aquecido pelo ferro. Espere algum tempo até esfriar.

Agora, observe as posições de soldagem dos fios condutores. Por exemplo, ao fazer a montagem de um cabo coaxial em um conector P10 mono, o condutor interno deve ser soldado sempre no terminal interno (menor) existente no plugue, enquanto a malha de blindagem deve ser soldada no terminal externo (maior). No caso de montagem de cabos balanceados com conectores XLR, cada um dos condutores deve ser soldado nos terminais internos correspondentes (vide norma IEC 268), prestando atenção na cor de cada um, pois no outro plugue (do outro lado do cabo), a posição de soldagem deverá ser igual.

Estanhados tanto o terminal quanto o fio e já ciente das posições de montagem, agora, o trabalho é unir os terminais aos respectivos condutores. Antes, verifique mais uma vez se a tampa do conector, a capa plástica e a mola já estão com o fio passado por dentro. Estando certo, com uma mão segure o ferro, com outra mão segure o fio, o conector prenda no torno. Encoste o fio no terminal, encoste o ferro de solda entre os dois, fazendo um pouco de pressão, e observe. Você conseguirá notar que a solda do fio derreterá, a solda do terminal também derreterá e então formarão uma solda só. Nesse momento, retire o ferro, espere alguns segundos sem mexer e logo a solda endurecerá, ficando pronto o serviço.

Não sopre a solda para endurecer mais rápido. O metal esfria de forma não uniforme e a solda não “gruda” direito. A boa solda fica brilhosa e homogênea. Se a mesma estiver opaca e irregular, retire-a fora e tente novamente. Às vezes, somente esquentar até derreter e deixar a solda esfriar corretamente já resolve.

A solda pronta deve ficar arredondada, mas não como uma bolinha. Ela deve estar bem espalhada pelo conector e pelo fio. Não deve ficar muito alta, atrapalhando o fechamento da tampa do conector. Se estiver, será necessário retirar o excesso.

Por último, teste a resistência mecânica da solda. Após esfriar, faça um pouco de força, tentando remover a solda do terminal. Muitas vezes acreditamos ter feito uma boa solda e, ao menor puxão, a solda se solta do terminal. Se sair, é porque não aderiu bem. Faça mais ranhuras no conector. Repita o serviço até a solda ter boa resistência mecânica.

Feito as soldagens entre condutores e terminais, é hora de prender o isolante externo. Todos os plugues costumam ter uma peça de plástico ou metal que deve ser usada para prender o isolante no conector, dando mais resistência mecânica no conjunto. Observe como isso é feito nos cabos de referência e faça igual. Após isso, é só fechar o plugue e depois testá-lo.

Consertando cabos

Quando for consertar um cabo, preste atenção no defeito que ele apresenta. As falhas mais freqüentes são por causa de interrupção de condução, que pode ser causada por uma solda solta do condutor no plugue ou mesmo pelo rompimento de um condutor. Se o problema é a

Sonorização ao vivo para Igrejas solda, a solução é simples, basta refazê-la. Se aparentemente não há qualquer solda solta, verifique se algum condutor está encostando no outro. Às vezes um dos pequenos fios de um dos condutores está tocando o outro, provocando um curto-circuito entre eles. Se for isso, ou corte devidamente o "fiozinho rebelde", ou refaça a solda do condutor, juntando bem todos os fios dele antes de soldar.

Se nenhuma das evidências citadas for detectada, então o problema pode ser a ruptura interna de condutor, em algum ponto ao longo do cabo. A solução para esse problema é ir cortando pedaços (de cerca de 5 cm) de cada extremidade do cabo, alternadamente, até voltar a haver condução. Calombos, dobras pronunciadas ou falhas visíveis no isolante externo são pontos suspeitos: flexione e entorte o cabo seguidamente, em diversos pontos ao longo do seu comprimento, verificando se a condução é restaurada quando se mexe em algum trecho. Se isso ocorrer, provavelmente a ruptura está naquela região. Mais abaixo veremos como testar o funcionamento da condução.

A soldagem é igual à de cabos novos. Entretanto, conectores que já foram utilizados provavelmente têm solda velha e pedaços de fios ainda presos, então é necessário esquentar a solda antiga, e removê-la fora, até limpar o conector todo. Eu faço assim: seguro o conector no alicate universal e, quando a solda está derretida, balanço ele até a solda e os fios caírem no chão. Para evitar problemas em casa, cubra o chão com jornal velho.

Se o conector ou o fio estiver velho, enferrujado, será preciso limpá-lo. O estilete deve ser passado raspando a sujeira, fazendo voltar a aparecer o brilho do metal que há por baixo. O ideal é trocar o conector.

Observe que essa não é uma aula completa de solda. Há várias dicas e macetes aqui, mas tudo depende de muita prática. Copie os cabos de referência, até conseguir fazer soldas parecidas.

5.1 - Teste de cabos

Se você chegou até aqui, já sabe o fio e o conector certo para cada aplicação. Já sabe até montar seus próprios cabos e com isso economizar um bom dinheiro. E já aprendeu também que cabos defeituosos são a maior causa de problemas no som. Mas é essencial, para um operador de som responsável, testar os cabos antes de cada culto e evento.

efalha! E aí é estalo, tiro, indução (ruídos), todo tipo de problema. Quantos cultos foram

Na maioria das vezes, descobrimos que um cabo está defeituoso quando o mesmo está em uso "perdidos" por causa de cabos defeituosos. E pode ter certeza que os problemas de cabo vão acontecer logo com o cantor solista, com o microfone do pregador, com o instrumento mais importante (lembra-se do sétimo elo da corrente?). E a comunhão da igreja vai embora junto com os "pipocos" nas caixas de som.

Isso não pode acontecer. Não pode haver prejuízo ao culto por causa do som. Muito menos por causa de cabos. Testá-los sempre antes é essencial, é obrigação do técnico de áudio. Teste-os regularmente, uma vez por semana ou a cada 15 dias. E sempre teste tudo antes de um culto importante, como casamentos e ceias, pois é onde o inimigo de nossas almas mais ataca!

Os profissionais que fazem shows e grandes eventos usam testadores profissionais, como o Behringer CT-100. Através de um engenhoso sistema de leds, é possível testar em segundos um cabo, descobrir problemas de soldas quebradas ou ruins (soldas ruins geram problemas

Sonorização ao vivo para Igrejas intermitentes), cabos invertidos, etc. São aparelhos essenciais, mas infelizmente muito caros no Brasil (o CT-10 custa aproximadamente R$ 250,0 mas vale cada centavo). Se puder trazer algum de fora do país, não perca a chance. Nos EUA, o CT-10 custa apenas U$ 30,0.

O primeiro teste que o operador precisa fazer nos seus cabos e conectores é o visual. Conectores enferrujados e amassados provavelmente terão que ser descartados. Um problema muito comum em conectores P10 é o caso da ponta (positivo) rodando independente do restante do plugue (negativo). Conectores assim dão mal-contato e ruídos, e a única solução é a sua substituição por um outro. Os cabos também precisam ser revistos. Calombos ao longo do cabo e rasgos na isolação externa indicam problemas.

Um teste básico, que todo operador de som nas igrejas pode fazer, é simular o uso do cabo, usando a própria estrutura da igreja. Se for um cabo de microfone, instale-o na mesa de som, e vá falando no microfone e ao mesmo tempo vá mexendo, balançando, torcendo o cabo. Faça essas flexões próximas aos dois conectores. Estalos podem surgir por causa de folga nos conectores XLR no contato com o microfone; falhas podem acontecer por causa de soldas ruins, ruídos podem ser causados por inversão em algum dos condutores. O teste pode ser feito com cabos de instrumento. Ligue-os em um teclado, por exemplo, faça o teste enquanto alguém pressiona uma tecla. Evidente que esses testes devem ser feitos quando ninguém mais estiver presente à igreja e com volume baixo, para não danificar as caixas de som.

Encontrado um cabo com defeito, o mesmo deve ser retirado de uso. É inacreditável como muita gente, nas igrejas, encontra um cabo defeituoso, enrola-o novamente e o devolve ao mesmo lugar. Aí outro membro da equipe vem e acha que o cabo está bom, e isso é problema na certa. Não seria muito mais fácil manter uma pequena caixa identificada como "Cabos ruins"? Todo cabo que apresentasse problemas seria colocado ali, à espera de conserto. Se não for possível fazer isso, pelo menos comunique a toda a equipe para dar um nó em uma das pontas do cabo. Quando outro membro vir esse nó, vai saber que é um cabo defeituoso.

Para conserto de cabos defeituosos, ajuda muito ter um multímetro. Aliás, o multímetro é uma das ferramentas essenciais a qualquer técnico de som. É uma ferramenta barata (por volta de R$ 30,0), fácil de encontrar (até em camelôs) e muito útil em sonorização. Recomendo a

Sonorização ao vivo para Igrejas compra de um multímetro digital, de leitura mais fácil, e qualquer modelo barato já serve. Se puder comprar um modelo com indicador sonoro para testes de continuidade, melhor ainda.

Uma das funções de um multímetro é o teste de continuidade. Chamado de teste de impedância (resistência elétrica), é indicado pelo símbolo da ferradura (Ω). Coloque o seletor do multímetro no menor valor possível da escala de impedância (em geral, 200Ω). Feito isso, coloque as pontas de prova (em geral, uma preta e outra vermelha) nos conectores ou fios que você deseja testar a continuidade.

Se quando testarmos o cabo o multímetro indicar o número 1, é porque não há continuidade entre os fios e terminais. Quando ela existe, o valor passa a ser um decimal (valor vírgula alguma coisa). O valor inteiro deve ser entre zero e cinco, dependendo do tamanho do cabo. Um valor alto, acima de cinco, indica uma resistência muito alta no fio, e as soldas devem ser refeitas. Os multímetros com aviso sonoro indicam a condutividade pelo valor e também por um apito, e facilitam o trabalho.

O multímetro é o único meio de se encontrar um problema de fio partido. Se mesmo com os conectores instalados e bem soldados o cabo não funciona, a solução será ir cortando pedaços de cada extremidade do cabo, alternadamente, até voltar a haver condução. O teste para verificar se a condução já voltou é feito com o multímetro.

Mesmo que um cabo esteja funcionando bem no multímetro, ele deve passar pelo teste simulação de uso real. Problemas intermitentes só aparecem no teste sonoro, são raros de serem percebidos no multímetro (mais fácil de detectar nos multímetros com aviso sonoro).

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6 - Captação – os Microfones

O próximo elo da corrente de sonorização é também o princípio de tudo: a captação de som, elo que tem como elemento principal o microfone. Atente bem para esse tópico, pois um erro logo na etapa de captação do som não poderá ser consertado depois. Se o microfone capta o som como o de uma "taquara rachada", o máximo que conseguiremos com compressores, equalizadores e outros equipamentos é o som de uma "taquara rachada" um pouco melhorado. Então, preste bastante atenção nesse tópico, pois ele é o principal elemento para obtermos uma boa qualidade sonora.

Um microfone é um transdutor, uma palavra bem parecida com tradutor. Um transdutor é um dispositivo que recebe um tipo de energia e o converte - traduz - em outro. No caso, o microfone recebe a energia acústica que incide sobre a sua cápsula e a converte em energia elétrica capaz de trafegar pelos cabos e ser processado e amplificado pelos aparelhos.

As caixas de som também são transdutores, mas fazem o caminho inverso dos microfones. Recebem energia elétrica e a “traduz” em energia sonora. Aliás, microfones e caixas de som são muito parecidos, e entender bem as características e o funcionamento dos microfones ajudará a entender também as caixas acústicas.

Existem microfones dos mais variados tipos e formatos, de uso geral e de uso específico. Há microfones que captam melhor os sons graves (especiais para bumbos, violoncelos), outros têm ênfase nos médio-agudos (para pratos, violinos), e outros tentam captar todas as freqüências (servem para todos os tipos de instrumento/vozes). Existem microfones que conseguem captar toda uma orquestra, e outros ainda conseguem captar o som gerado a dezenas de metros de distância. Cada um deles tem uma aplicação, cada um deles tem um uso, e da escolha do microfone dependerá o sucesso ou fracasso do evento.

Disso tiramos uma conclusão: não existe microfone perfeito, bom para tudo. Cada modelo funcionará melhor em determinadas situações. Conseqüentemente, não existe microfone ruim, existe é microfone usado errado!

Dividimos o estudo de microfones em duas partes, assim como fizemos ao estudar os cabos. Estudaremos primeiro uma parte geral, comum a todos os microfones, e depois veremos os modelos específicos. A parte geral inclui o estudo dos aspectos técnicos dos microfones, que são facilmente encontrados nos manuais dos equipamentos, e precisam ser levados em conta na escolha dos mesmos. Vejamos:

Resposta de Freqüência: o ouvido humano consegue captar sons de 20Hertz (20Hz) – os sons mais graves – até 20.0 Hertz* (20KHz, o K = 10, como Kg = 10gramas) – os sons mais agudos. Essas freqüências, de 20 a 20.000Hz são chamadas de espectro audível do ser humano.

*Hertz é o nome do cientista que primeiro descreveu as ondas sonoras.

Os fabricantes desenvolvem os microfones com uma resposta de frequência específica para o tipo de uso a que se destina. Exemplos:

• Microfone de mão Shure SM-58 – Resposta de Freqüência de 50Hz a 15KHz. • Microfone de lapela LeSon ML-70 – Resposta de 20Hz a 20KHz.

• Microfone de mão Le Son SM-58Plus – Resposta de 50Hz a 13KHz.

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• Microfone gooseneck TSI MMF-102 – Resposta de 150 a 14,5KHz. • Microfone CAD para bumbo de bateria – Resposta de 20 a 4KHz.

• Microfone CAD para pratos de bateria – Resposta de 2KHz até 20KHz.

Os microfones específicos (os CAD citados acima) têm resposta de freqüência limitada à função que se destinam. Um bumbo de bateria não "fala" mais que 4KHz, então o microfone que vai captá-lo não precisa captar nada além disso. Os microfones específicos são sempre assim, feitos para um único (ou alguns poucos) instrumentos, e não respeitar isso é uma falha que não pode acontecer. Um desses microfones se usado para vozes, por exemplo, trará um péssimo resultado.

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