sonorização ao vivo para igrejas

sonorização ao vivo para igrejas

(Parte 9 de 10)

Os quatro primeiro modelos vão voltados para captação de vozes, conseguindo captar uma grande parte do espectro audível. Se levarmos apenas isso em consideração, teremos que o lapela é o melhor dos microfones, por conseguir captar a todo o espectro audível. Isso não é verdade, pois a comparação deve ser feita não só pelo tipo de captação a que se destina (no caso, vozes), mas também pelo formato (tipo) do microfone. Ou seja, o certo é comparar lapela com lapela, gooseneck com gooseneck, mic de mão com mic de mão.

Observe que os dois primeiros modelos (Shure SM-58 e LeSon SM-58Plus) são ambos microfones de mão, com a mesma tecnologia e formato. Aqui é possível fazer uma comparação, e descobrimos que o Shure consegue captar mais agudos que o LeSon. Isso se traduz que, usados para voz, o Shure terá um som mais rico em agudos que o LeSon. Isso é facilmente notado na prática, em uma situação real de uso.

Conhecer a resposta de frequência de um microfone é muito importante. No caso acima, se tivermos um cantor (voz masculina - mais grave) e uma cantora (voz feminina, mais aguda), um deles se beneficiará mais com um microfone que outro. A voz feminina soará muito melhor no Shure, enquanto a voz masculina terá sonoridades muito parecidas nos dois modelos.

Gráfico de resposta de frequência ou Curva de resposta de frequência. A partir dos dados de resposta de frequência obtidos, os fabricantes montam um gráfico (ou curva), mostrando que faixas de freqüências foram destacadas. A resposta de frequência deve sempre ser analisada junto com seu gráfico.

Um exemplo prático. Existem dois microfones muito semelhantes e parecidos em tipo, tecnologia, formato e destinação, que são o Samson C02 e o Behringer C2 (até os nomes são parecidos). Nos manuais, consta que a resposta de frequência do Samson C02 é de 40Hz a 20KHz, enquanto a resposta de frequência do Behringer C2 é de 20Hz a até 20KHz. Se simplesmente olharmos esses parâmetros, acreditaremos que o Behringer é um microfone melhor, capta mais graves.

Mas se observarmos as curvas das respostas, veremos o seguinte: o Samson tem o mesmo nível de som desde 100Hz até 4KHz, havendo um incremento na captação a partir dessa frequência. Já o Behringer só atinge a mesma captação que o Samson por volta dos 250Hz, para manter esse nível de captação até os 4KHz, quando há também um incremento na captação. Ou seja, mesmo tendo uma resposta de frequência mais limitada, o Samson capta mais graves que o Behringer.

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Essas diferenças observadas no gráfico é que fazem dois microfones de respostas de frequência semelhantes apresentarem diferentes sonoridades. Um pode ter mais "peso" (mais graves), outro pode ser mais "encorpado" (mais médios) e outro ter mais "brilho". Por isso um pode ser melhor para um tipo de voz que para outro.

Gráfico de linearidade (esquerda) e padrão polar (direita) de um microfone.

Sensibilidade: som é energia. Da mesma forma que energia elétrica é medida em Watts, som tem sua unidade de medida, chamada de decibéis, cujo símbolo é o “dB”. Alguns microfones conseguem transformar melhor o som captado – energia acústica – em energia elétrica. Quanto mais próximo de 0 dBv (decibéis Volts)* melhor será essa transformação de energias, e significa que o microfone terá um som mais alto e/ou mais longe ele conseguirá captar os sons que outros com sensibilidade mais baixa. Veja:

• Microfone de mão Carol MUD-515 – Sensibilidade de –74dB • Microfone de mão Shure SM-58 – Sensibilidade de –56dB

• Microfone de mão Le Son SM-58Plus – Sensibilidade de –54dB

• Microfone de Lapela Le Son ML-70 – Sensibilidade de –38dB.

• Microfone gooseneck TSI MMF-102 – Sensibilidade de –34dB

Microfones que são utilizados próximos à fonte sonora (como os headsets, os earsets, alguns tipos de microfones específicos que são presos junto ao instrumento) podem ter baixa sensibilidade, por estarem sempre situados próximos à fonte sonora. Outros como os goosenecks e os lapelas podem ser instalados mais longe, a vários centímetros da fonte sonora, e por isso precisarão terão maior sensibilidade para alcançar o resultado desejado.

Entre o mesmo tipo de microfone, a diferença de sensibilidade pode ser notada da seguinte forma. Se você conectar dois microfones a um mesmo equipamento, com o mesmo volume e mesma equalização, e microfonar a mesma fonte sonora e à mesma distância (resumindo, tudo igual, só muda o microfone) – aquele que tiver maior sensibilidade conseguirá:

-um volume de som mais alto (precisará de menos ganho/volume na mesa)

-captar sons a distância maior

Repare, entre os microfones de mão, como o da marca Carol, como tantos outros de baixo custo, tem sensibilidade muito baixa. Isso na prática forçará ao operador de som a aumentar muito o volume, aumentando assim o risco de microfonia, ou então o usuário do microfone precisa “colar” a boca no mesmo para que a captação funcione a contento.

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Microfones de sensibilidade baixa (-50, -60, em diante) são chamados de “duros”. Os microfones de alta sensibilidade (-40, -30, etc) são chamados de “macios”. Esses termos são muito encontrados em revistas e livros sobre sonorização profissional. Microfones com sensibilidade muito baixa, de –70 a –80dB, devem ser evitados.

Excesso de sensibilidade também pode ser ruim. Microfones muito sensíveis, se usados muito próximos da fonte sonora, podem trazer efeitos indesejados. Por exemplo, ao captar uma voz, pode captar também a respiração da pessoa. Muitos microfones de estúdio possuem uma chave para alterar a sensibilidade de captação, reduzindo-a.

A sensibilidade dependerá do tipo e do uso do microfone. Entretanto, entre microfones de mesmo tipo e mesma função, quanto maior a sensibilidade do modelo, melhor. Podemos sempre diminuir o ganho/volume de um microfone muito sensível, mas aumentar por causa de um microfone pouco sensível é sempre mais complicado.

*0dBv não é zero absoluto. Corresponde a um nível de 0,775 Volts. Logo, podemos ter valores positivos e negativos na escala de decibéis, mostrando valores acima ou abaixo de 0,775 Volts. Por exemplo, +4dBv = 1,23V, e –10dBv = 0,32V.

Diagrama polar (ou padrão polar): é a forma de captação espacial (ângulo de captação, eixo de captação) de som que o microfone possui. Alguns microfones captam som de todos os lados (360º - ominidirecionais ou onidirecionais ou panorâmicos), outros captam som somente em uma direção (180º - cardióides), outros ainda captam som de um ângulo mais específico (140º - supercardióides), e outros de um ângulo mais restrito ainda (hipercardióides). Esses ângulos são tanto na vertical quanto na horizontal. Veja exemplos:

• Microfone de mão Carol MUD-515 – cardióide • Microfone de mão Shure SM-58 – cardióide

• Microfone de mão Le Son SM-58Plus – supercardióide

• Microfone de Lapela Le Son ML-70 – ominidirecional

• Microfone gooseneck TSI MMF-102 – cardióide

Tipos de captação de sons por microfones

Um bom operador de som tem que conhecer corretamente o diagrama polar dos seus microfones. Isso é essencial! O padrão polar influencia diretamente no resultado esperado e - principalmente - na ocorrência de problemas de microfonias e vazamentos. Esses aspectos são muito importantes e voltaremos a eles.

Por exemplo, um microfone ominidirecional, pode ser excelente para a captação de um coral, pois captará todas as vozes como se fossem uma só, gerando um resultado muito agradável. Mas se os cantores pedirem retorno de voz, o ominidirecional deixa de útil, pois fatalmente microfonará.

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Outro exemplo é se quisermos captar o som de um instrumento específico no meio de toda uma orquestra. Com certeza terá que ser um microfone supercardióide ou até hipercardióide, para evitar que o microfone capte também o som de outros instrumentos próximos.

Microfones super e hipercardióides exigem que as pessoas que os utilizam o façam na posição mais correta possível, com o microfone voltado diretamente para a fonte sonora. A variação de posição da fonte em relação ao microfone gera perda de captação. Na prática, são microfones que limitam um pouco os movimentos dos usuários.

Note que, à medida que a captação de resposta fica mais restrita para frente (supercardióide, hipercardióide), começa a aparecer uma pequena área de captação atrás do microfone. Saber isso é importante para evitar microfonias.

Microfones bidirecionais são raros em sonorização ao vivo, sendo mais comum em estúdios. Muitos microfones têm uma chave ou peça para variar o diagrama polar. Um bidirecional pode ter uma chave que o transforma em cardióide; um cardióide pode ser acoplado a uma peça que o transforma em hipercardióide.

Saiba que, na prática, cada tipo de utilização exigirá um tipo de diagrama polar diferente. Muitos problemas de microfonia acontecem por causa dessa escolha errada!

Impedância: o sinal elétrico também enfrenta uma resistência para conseguir sair da cápsula do microfone. Em geral, microfones profissionais têm impedância entre 300Ω e 600Ω

(considerados microfones de baixa impedância), alguns até 1KΩ. Esse fator não tem muita importância, pois quase todos os microfones que vemos no mercado, sejam bons ou ruins, de alta ou baixa qualidade, são de baixa impedância.

SPL máximo: SPL quer dizer "Sound Pressure Level", ou nível de pressão sonora, o volume de som que conseguimos ouvir. Todo microfone distorce quando o nível de volume da fonte sonora é muito alto. Essa distorção não tem nada a ver com mesas de som, amplificadores ou caixas acústicas, mas ela ocorre no próprio microfone, na captação do som, e não há como ser corrigida depois.

Um microfone pode ser excelente para ser usado em uma palestra ou outra atividade que exija volume de voz mais moderado, ou para instrumentos mais "fracos", como violinos e flautas. Mas o mesmo microfone pode distorcer quando usado para alguém cantando muito alto ou com um instrumento mais "forte" (saxofone, etc.). Isso é mais comum de acontecer com microfones de uso geral. Microfones de uso específico já são feitos para aguentar o SPL do instrumento a que se propõem a captar.

Infelizmente, esse é um dos aspectos técnicos menos citados nos manuais. A princípio, apenas os melhores fabricantes o fazem, e ainda assim somente nos melhores produtos. Entretanto, se você tiver na sua igreja um pregador ou cantor que fala ou canta muito, muito alto (mesmo que isso seja compensado na mesa de som depois), é interessante adquirir um microfone que suporte altos níveis de pressão sonora sem distorcer. Em geral, qualquer microfone que suporte 120dB SPL ou mais já atenderá bem, mas quanto mais alto for o valor, melhor.

Existem outros aspectos técnicos, mas apresentamos acima os essenciais para a escolha de um microfone. Esta escolha, inclusive, começa pelo seu manual técnico, eliminando-se os microfones de resposta de freqüência inadequada, preferindo-se os microfones com sensibilidade maior, adequando-se o diagrama polar à captação desejada, conferindo-se a

Sonorização ao vivo para Igrejas linearidade e termina com a audição dos mesmos, pois cada microfone tem a sua “alma”, que não vem escrito nos manuais, e o melhor instrumento para análise é o ouvido humano.

Fuja dos microfones que não vêm com manuais técnicos com pelo menos as especificações de sensibilidade, resposta de freqüência, linearidade e diagrama polar. Bons fabricantes sempre colocam essas informações nos manuais.

Agora vamos aprender sobre alguns conceitos que envolvem o trabalho com microfones: vazamento, microfonia, efeito de proximidade, sibilância e efeito PB.

6.1 - Vazamento de captação

posição do microfone e até dos músicos

é quando os sons de um instrumento ou de uma voz são captados pelo microfone de outro instrumento ou de outra voz. Acontece, por exemplo, quando microfonamos um violino (um instrumento que emite pouco som, logo precisa de um microfone bastante sensível) e ao lado do violino há um saxofone, (um instrumento que emite grande volume de som). Muitas vezes, o som do saxofone vaza para o microfone do violino, causando problemas e até impossibilitando a correta regulagem. A solução passa pela escolha melhor do diagrama polar do microfone (um supercardióide em vez de um cardióide) e também pela mudança de

Também pode acontecer vazamento quando um microfone capta o som proveniente de uma caixa de retorno de outro instrumento próximo. Um flautista que se senta próximo à caixa da guitarra poderá ter seu microfone “contaminado” pelo som da caixa de retorno.

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