Gestão da Qualidade Ambiental em uma Indústria de Cerâmica Vermelha

Gestão da Qualidade Ambiental em uma Indústria de Cerâmica Vermelha

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1 INTRODUÇÃO

Entre as principais preocupações relacionadas às questões ambientais por parte das empresas e organizações na atualidade, está o desenvolvimento e fornecimento de produtos ou serviços que evitem impacto negativo sobre o meio ambiente natural e que sejam seguros em sua utilização. Estes produtos e serviços devem apresentar melhor rendimento em termos de consumo de energia e recursos naturais, que possam ser reciclados, reutilizados ou cuja disposição final não venha oferecer riscos para o meio ambiente. Como também no caso da extração de recursos naturais que constituem matéria-prima para obtenção de determinados produtos, que possa apresentar um sistema que venha garantir certo nível de sustentabilidade.

Para tanto, as políticas de desenvolvimento sustentável buscam nortear as empresas de forma a participarem ativamente na implementação de seus programas. As políticas da indústria e do comércio, incluindo as empresas multinacionais, têm um papel fundamental na redução do impacto no meio ambiente e no uso dos recursos naturais.

Contudo, a presente pesquisa tem como objetivo um estudo de caso que compreende o setor de mineração de uma indústria de cerâmica vermelha e o seu processo produtivo. A metodologia utilizada irá envolver a exploração de conteúdo bibliográfico, pesquisas relacionadas, descrição de fatores que compreendem a atividade, levantamento de dados e informações através de entrevistas com proprietário e colaboradores. Objetivam-se também, a busca de documentos que possam receber tratamento analítico, como licenças ambientais, planos de gerenciamento ambiental e registros relacionados ao sistema e processos administrativos e produtivos da empresa.

Através de visitas técnicas às áreas de extração da matéria-prima e ao setor produtivo, se pretende descrever os processos e ilustrar as etapas da produção. A pesquisa estará voltada para o planejamento da gestão de melhoramento da qualidade ambiental, priorizando o levantamento dos impactos e resíduos gerados pela organização e quais as ações estabelecidas para minimização desses impactos. Tendo como ponto de vista a relação de modelos de gestão com um enfoque estratégico aplicado ao desenvolvimento sustentável, formação de recursos humanos em nível técnico de gestão ambiental e as leis de políticas ambientais.

Com base no que será apurado dentro da pesquisa, co-relacionado as informações e os métodos de conduta direcionados para a qualidade do meio ambiente aplicados ao setor em âmbito geral, pretende-se sugerir e recomendar à empresa estudada, formas e alternativas, se assim couber, de melhorar o nível de qualidade ambiental em seus processos de extração e de produção.

A efetivação deste trabalho com tais modelos, necessita de ações coletivas entre a organização, o profissional qualificado encarregado desta função e o órgão regulamentador e fiscalizador.

A aplicação de modelos de gestão ambiental, porém, não deve ser encarada como uma mudança a ser estabelecida com data de início e fim, por que é um processo contínuo com intensa participação de todos os níveis da organização, partindo de seus cargos mais altos até os mais baixos.

Atualmente muitas empresas são impelidas a se adequarem as novas normas e estabelecerem padrões que venham amenizar e até mesmo extinguir determinados impactos negativos ao meio ambiente, seja ele natural ou social. O estudo pretende contribuir para o desenvolvimento da atividade englobando os fatores de qualidade ambiental e estabelecendo iniciativas sócio-econômicas adequadas às exigências atuais.

1.1 TEMA E PROBLEMA

O tema aqui relacionado trata da Gestão da Qualidade Ambiental (GQA) na indústria de cerâmica vermelha, considerando as normas vigentes na política nacional de meio ambiente.

Quanto ao problema levantado, considerando os requisitos de gerenciamento ambiental, ecológico e de desenvolvimento sustentável, o que a indústria cerâmica poderá fazer para melhorar o nível da qualidade ambiental em seus processos?

1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo Geral

Identificar os procedimentos básicos, ferramentas e fatores de influência para a melhoria da qualidade ambiental, voltado para a extração de argila e de produção da indústria cerâmica.

1.2.2 Objetivos Específicos

• Caracterizar e descrever o processo da extração de argila e da produção da indústria de cerâmica vermelha;

• Identificar os requisitos legais pertinentes à atividade;

• Descrever as medidas que objetivam a melhoria da qualidade ambiental;

• Contribuir com sugestões para a melhoria da gestão ambiental da empresa em estudo.

1.3 JUSTIFICATIVA

A partir da primeira Conferência das Nações Unidas realizada em Estocolmo em 1972, a questão ambiental veio crescendo em importância, sendo um dos principais fatores a determinar as mudanças nas políticas de desenvolvimento econômico mundial. As principais recomendações registradas neste evento, serviram de base para a “Rio 92”, Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em 1992, e teve como resultado a Carta da Terra e a Agenda 21, documentos que respectivamente visam estabelecer acordos internacionais que respeitem os interesses de todos e protejam a integridade do sistema global e que se dedica aos problemas da atualidade e almeja preparar o mundo para os desafios do próximo século.

Na América latina, o problema ambiental não se limita a deteriorização dos recursos de ar e água, mesmo sendo substantiva. A prioridade em termos de problemas é a degradação passada e presente dos recursos da região, que têm sido sobreutilizados por uma exploração extremamente irracional e geralmente em benefício de grupos poderosos, sob o olhar complacente dos governantes, sendo que em muitos casos não há proveito em gerar desenvolvimento interno. (DONAIRE, 1995)

Localmente as empresas são norteadas pelas adequações às conformidades de acordo com as características da região e do meio ambiente que diretamente influenciam, para que deste ponto, individualmente as organizações possam contribuir para um bom desempenho ambiental regional, somando para o desenvolvimento daquilo que se espera de uma nação, alternativas para melhorar o mundo em que todos vivemos, buscando assim, corrigir ou prevenir impactos que possam debilitar ainda mais o nosso meio ambiente.

Para isso, segundo Andrade, Tachizawa e Carvalho (2000, p. 112), a abordagem de gestão ambiental proposta dentro dos contornos delineados pelo modelo de gestão ambiental, sistêmico e metodológico, requer o envolvimento de técnicos e gestores da organização, visando garantir maior eficiência na implementação das estratégias ambientais, pois, como conhecedores da realidade nos diferentes níveis da organização, tais profissionais permitem maiores ganhos quanto à seletividade dos dados, bem como quanto ao tempo despedido nas atividades de gestão ambiental/gerenciamento ecológico.

A proposta do presente trabalho está em sugerir alternativas que conduzam a uma melhoria na gestão ambiental da empresa Stein Indústria e Comércio de Cerâmica Ltda., conforme as necessidades atuais, contribuindo assim para a geração de uma consciência de maior compromisso com o meio ambiente, pela qual se consente a internalização das conseqüências negativas geradas pela sua atividade, buscando proporcionalmente assim, gerar vantagens sócio-econômicas para a empresa através da imagem de sua responsabilidade.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 GESTÃO ADMINISTRATIVA

Cada empresa ou organização que empenhe recursos para o seu crescimento e o desenvolvimento da sociedade, necessita a utilização de uma série de funções imprescindíveis para conduzir sua gestão administrativa. Com vistas ao objetivo do presente trabalho, apresenta-se de forma sucinta, alguma teoria relacionada com a prática da administração que veio estabelecer nos dias de hoje, mais do que nunca, um estreito relacionamento com o uso e aplicação racional dos recursos naturais pelos administradores dessas organizações.

Para a teoria neoclássica, conforme Chiavenato (2000), as funções do administrador correspondem aos elementos da administração, que Fayol (1841-1925) definira no seu tempo (prever, organizar, comandar, coordenar e controlar), mas com uma roupagem atualizada. De um modo geral, se aceita hoje o planejamento, a organização, a direção e o controle como as funções básicas do administrador e que constituem o chamado processo administrativo. Essas funções representam uma seqüência cíclica, pois elas estão intimamente relacionadas em uma interação dinâmica, de forma que quando consideradas como um todo formam o processo administrativo. E quando consideradas isoladamente constituem cada uma como uma função administrativa.

Para Floriano (2004, p.08), “planejar é, talvez, a principal característica que distingue as atividades humanas das dos outros animais”.

De acordo com Chiavenato (2000), o planejamento é a primeira função administrativa que determina antecipadamente quais são os objetivos que devem ser atingidos e como se deve fazer para alcançá-los. Trata-se, pois, de um modelo teórico para a ação futura. Começa com a determinação dos objetivos e detalha os planos necessários para atingi-los da melhor maneira possível. Planejar é definir os objetivos e escolher antecipadamente o melhor curso de ação para alcançá-los. O planejamento define onde se pretende chegar, o que deve ser feito, quando, como e em que seqüência.

Por ser racional, o homem pode analisar o que ocorreu em situações semelhantes para prever o que é necessário fazer no futuro, copiando o que deu certo e evitando os erros do passado; a este processo de organizar de forma prévia as atividades futuras com base no conhecimento do passado chamamos “planejamento”. (FLORIANO, 2004)

Conforme Chiavenato (2000), a Teoria Neoclássica nada mais é que a Teoria Clássica ampliada, revista e melhorada, baseada no princípio que a Administração é um processo operacional composto de funções, como o planejamento, organização, direção e controle. E como a Administração envolve uma variedade de situações organizacionais, ela precisa fundamentar-se em princípios básicos que tenham valor determinante e deve se apoiar em princípios universais. Como ciência ou arte, a teoria da administração não precisa atingir todo o conhecimento para poder servir de fundamentação científica dos princípios de administração. A abordagem neoclássica consiste em primeiro identificar as funções do administrador e, em seguida, destilar delas os princípios fundamentais da prática da administração.

Ainda segundo Chiavenato (2000), as principais características da teoria neoclássica são as ênfases na prática da administração, reafirmação dos postulados clássicos, nos princípios gerais de administração, nos objetivos e nos resultados e no ecletismo (reunião de elementos doutrinários de origens diversas).

Os objetivos das organizações podem ser visualizados em uma hierarquia que vai desde os objetivos globais da organização até os objetivos operativos ou operacionais que envolvem simples instruções para a rotina cotidiana, conforme ilustra o quadro 1 a seguir.

Vejamos o desdobramento dos objetivos de uma organização:

Quadro 1 – O desdobramento dos objetivos de uma organização Fonte: Chiavenato (2000, p.196)

Pode-se visualizar através do gráfico, que enquanto os objetivos organizacionais são amplos e genéricos, à medida que se desce em seus desdobramentos, a focalização torna-se cada vez mais restrita e detalhada. Com base no desdobramento de objetivos, relaciona-se o objetivo do presente estudo com os métodos a serem aplicados na empresa. Pois os métodos são planos prescritos para o desempenho de uma tarefa específica, detalha como o trabalho deve ser realizado, sendo necessária geralmente a utilização de fluxogramas para representar o fluxo ou a seqüência de tarefas e operações. Com base nesse fluxo ou seqüência das tarefas, podem-se ter conclusões mais precisas de como estabelecer as mudanças relacionadas com uma gestão ambientalmente correta da empresa em estudo.

Segundo Chiavenato (2000), além da hierarquia de objetivos, existe também a hierarquia do planejamento. Existem três níveis distintos de planejamento, são eles: 1- O Planejamento Estratégico: que vem ao encontro da realidade do presente estudo, pois é mais amplo e abrange toda a organização, pelo fato de ser projetado para longo prazo, tendo seus efeitos e conseqüências estendidos a vários anos pela frente, abrange todos os recursos e áreas de atividade, e preocupa-se em atingir os objetivos ao nível organizacional e é definido pela chefia da organização. 2- O Planejamento Tático: Que se trata do planejamento que abrange cada departamento ou unidade da organização, projetado para médio prazo abrangendo seus recursos específicos com a preocupação em atingir os objetivos departamentais. 3- O Planejamento Operacional: Se trata do planejamento que abrange cada tarefa ou atividade específica, caracterizando-se pela projeção para curto prazo envolvendo cada tarefa ou atividade isoladamente, preocupando-se com o alcance de metas específicas.

Planejamento é uma ferramenta de gestão. É um processo de organização de tarefas para se chegar a um fim, com fases características e seqüenciais que, em geral, estão na seguinte ordem: identificar o objeto do planejamento, criar uma visão sobre o assunto, definir o objetivo do planejamento, determinar uma missão ou compromisso para se atingir o objetivo do planejamento, definir políticas e critérios de trabalho, estabelecer metas, desenvolver um plano de ações necessárias para se atingir as metas e cumprir a missão e objetivos, estabelecer um sistema de monitoramento, controle e análise das ações planejadas, definir um sistema de avaliação sobre os dados controlados e, finalmente, prever a tomada de medidas para prevenção e correção quanto aos desvios que poderão ocorrer em relação ao plano. (FLORIANO, 2004)

O quadro 2 a seguir, demonstra o relacionamento do nível de detalhamento no planejamento com o ambiente, níveis organizacionais envolvidos e as responsabilidades em cada nível respectivo:

Quadro 2 – Relacionamentos entre responsabilidades, ambientes, níveis organizacionais e de planejamento Fonte: Floriano (2004, p.03)

Floriano (2004) explana sobre os níveis organizacionais com base no que está ilustrado no quadro 2.

A identidade da organização é a sua história, valores, filosofia e caráter. A primeira coisa que identifica a organização é o que ela fornece, ou o que ela produz. É o resultado da sua atividade. A seguir vem o relacionamento com os clientes, fornecedores e colaboradores e a maneira como a organização encara o ambiente é outro fator de sua identidade considerado relevante na atualidade.

As relações na organização envolvem os sentimentos, as expectativas, frustrações, simpatias, comunicação, liderança, integração interna e com o meio externo. As relações têm grande influência sobre os processos produtivos, pois é o nível das decisões táticas.

Processos são os fluxos existentes na organização, seja de material, de informação, de pessoal ou de dinheiro. Os processos são os sistemas de produção e todos os demais procedimentos adotados pela organização para que qualquer coisa seja realizada. Exemplos: Processo de transporte; pagamento e fabricação.

Os recursos de uma organização são o seu contingente de pessoal, instalações, equipamentos e capital. Os recursos da organização são os seus níveis de base e têm influência, principalmente, sobre a qualidade e produtividade nos processos de produção, que é o segundo nível da estrutura organizacional de baixo para cima.

No que diz respeito a um Planejamento ambiental, pode-se dizer que “é a organização do trabalho de uma equipe para consecução de objetivos comuns, de forma que os impactos resultantes, que afetam negativamente o ambiente em que vivemos, sejam minimizados e que, os impactos positivos, sejam maximizados.” (FLORIANO, 2004, p. 08).

Leva-se ainda em conta que toda a empresa existe dentro de uma complexa rede de forças ambientais. Todas as empresas são afetadas por tendências e sistemas político-legais, econômicas, tecnológicos e sociais. Juntos, esses elementos formam o macroambiente das empresas. Como essas forças são muito dinâmicas, suas constantes mudanças criam milhares de oportunidades e ameaças ou restrições para os administradores estratégicos. (WRIGHT, 2000)

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