Safrinha - O que aprendemos com ela

Safrinha - O que aprendemos com ela

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As proteínas Cry são uma ótima forma de controle de insetos devido à sua especificidade, decorrência do seu modo de ação. Da forma como são produzidas pela bactéria, elas são inócuas. Para que atuem, há a necessidade da ingestão da proteína pela praga-alvo. Uma vez ingeridas, em contato com o fluido gástrico dos insetos, que tem pH básico, a proteína é quebrada em locais específicos, liberando a molécula inseticida. Esta molécula irá se ligar, então, aos receptores das paredes do intestino do inseto, inicialmente bloqueando a absorção de alimentos e, posteriormente, abrindo poros nas membranas celulares, que

Modo de ação das proteínas Cry levarão à disrupção (ruptura) do sistema gástrico e conseqüente morte do inseto.

É, por isso, que seu uso é altamente seguro. Primeiro, porque é necessária a sua ingestão por organismos que possuam fluido gástrico alcalino. Os mamíferos e aves têm fluidos gástricos extremamente ácidos. A proteína, ao invés de se quebrar nos locais específicos, é completamente desintegrada. Segundo, pela sua especificidade. Outros organismos que estejam presentes na cultura não são afetados porque em insetos, sem os receptores específicos, não ocorre a ligação com as membranas e a destruição do sistema digestivo, protegendo assim vários inimigos naturais.

No entanto, embora apresentem esses benefícios, as formulações comerciais de são pouco utilizadas comercialmente. Apenas uma formulação inseticida, utilizando o está registrada no Brasil para uso na cultura do milho. São dois os principais problemas: a fixação das proteínas nas plantas para serem ingeridas pelas pragas-alvo, uma vez que são moléculas relativamente grandes e facilmente lavadas pela chuva ou pela irrigação. Além disso, estas proteínas são sensíveis à luz solar, degradando-se facilmente quando expostas.

Uma resposta foi dada, quando a engenharia genética de plantas se tornou uma ciência prática. Se as próprias plantas

B. thuringiensis

B. thuringiensis

O milho geneticamente modificado para o controle de insetos

Milho Bt em sempre o que é bom para os Estado Unidos é bom também para o Brasil. É o caso das chamadas dietas de alto grão no confinamento de bovinos. A utilização de grandes quantidades de concentrado na dieta dos animais em confinamento, ou dieta de alto grão, é empregada há tempos nos EUA. Mas, no Brasil, as condições são diferentes.

A redução dos custos de alimentação é um dos aspectos mais importantes quando se adota o confinamento como estratégia na pecuária de corte. Apoiado por um técnico, o pecuarista precisa analisar todas as opções existentes para escolher a mais adequada para seu caso.

Nos Estados Unidos, as quantidades de ração ultrapassam 70% e podem chegar a 100%. A função do volumoso, quando empregado, é meramente a ação física no rúmen. Promove a ruminação e reduz distúrbios ruminais como a acidose e a laminite.

Em tese, a quantidade de volumoso pode ser muito baixa, pois a energia e a proteína exigidas pelo organismo do animal provêm quase totalmente do concentrado. O bagaço de cana hidrolisado, de fácil armazenamento, presta-se bem a essa finalidade. E começa a estar disponível em várias partes do Brasil graças ao crescimento da indústria sucro-alcooleira. A dieta de alto grão propicia altos ganhos de peso, melhor padronização e acabamento de carcaças e terminação mais rápida dos animais. Ademais, dispensa o investimento em maquinário e estruturas exigidas quando se trabalha com silagem como silos e ensiladeiras. Contudo, dependendo das quantidades emprega - das, exige investimentos em outro tipo de estrutura para recebimento, secagem e armazenamento dos grãos.

Os aspectos da dieta de alto grão são ainda reforçados pelo bom desempenho da agricultura brasileira. A produção nacional de grãos cresce ano após ano. O aumento da produtividade das principais culturas engrossa a oferta de grãos e de resíduos da industrialização destes como farelos, cascas, etc. Tais produtos são a base da composição de concentra - dos. Portanto, a oferta maior poderia resultar na redução do custo dos principais insumos para o confinamento. Seria mais um argumento a favor da maior participação de concentrados nas dietas para se obter o menor custo da arroba produzida.

Entretanto, a análise do emprego de dietas de alto grão em confinamento exige ainda algumas considerações. A primeira consiste em entender a razão de seu uso nos Estados Unidos. Naquele país a cultura do milho é fortemente subsidiada. E a produtividade média, superior a 10 mil kg/ha, é mais que o dobro da registrada no Brasil. Nos EUA é mais eficiente produzir grãos do que fibras (volumosos). Apesar da menor digestibilidade, lá é comum o uso de grãos inteiros na alimentação dos bovinos. Além de fornecer a energia exigida pelos animais, os grãos inteiros têm ação física no rúmen, substituindo o volumoso.

Lamentavelmente, no Brasil alguns pecuaristas e até mesmo técnicos incluem grãos inteiros em dietas com significativa proporção de volumoso. Mas, isso é um contra-senso porque gera perdas absurdas e rentabilidade duvidosa. Se a dieta inclui volumosos, não há razão para utilizar grãos inteiros, abrindo mão de parte do poder nutritivo destes.

A expectativa de redução dos preços dos grãos (milho e soja) e farelos, em razão da maior produção, está se esvaindo. Estudos do departamento de Economia Global da Pioneer indicam que, além da produção de etanol, nos Estados Unidos, haverá maior demanda de milho para rações em países asiáticos como a China. Em 2007, segundo o estudo, o etanol consumirá mais de 30% da área de milho dos EUA. Em 2011, quase a metade da área se destinará às destilarias de álcool. Com isso, as exportações de milho daquele país, que já chegaram a 15 milhões de toneladas, ficaram abaixo de 5 milhões em 2006. A China, em 2009, será um importador líquido de milho.

N Prof. Dr. João Ricardo Alves Pereira ¹

O pecuarista que deixa de lado os preconceitos e implanta uma lavoura de milho em conjunto com a engorda do boi só tem a ganhar

Volumoso vantajoso

As dietas chamadas de alto grão, além das restrições técnicas, podem significar também um aumento no custo de produção em relação à silagem de boa qualidade

Com mais plantas por hectare há uma redução do custo final. Os custos operacionais (plantio, colheita, compactação e retirada) são diluídos porque independem da produtividade. Portanto, uma quantidade maior de massa verde (MV) por hectare resulta em custo menor por tonelada colhida, como se vê na Tabela 2.

No exemplo da lavoura de 50 t/ha, mostrada na Tabela 2, pode-se aumentar a produtividade para 60 t de massa verde por hectare. Para isso, acrescentam-se 25% no custo das sementes e 10% na despesa com fertilizantes. O custo final será de R$ 36,0 por tonelada de silagem, ou seja, 10% inferior aos R$ 40,0/t da Tabela 2.

O estudo diz ainda que a soja dos Estados

Unidos deverá perder 5% da área para o milho. A redução da oferta levará à valorização da soja no mercado internacional. A se confirmar tal cenário, mesmo que apenas parcialmente, há tendência de aumento das exportações brasileiras de grãos com preços mais atraentes. A previsão é boa para os agricultores, mas poderá tornar inviável o uso de grãos em dietas para bovinos.

Existem insumos alternativos como a polpa cítrica, a casca de soja e o caroço de algodão. Contudo, por serem substitutos do milho e da soja, seus preços costumam acompanhar as cotações desses grãos. No caso da polpa de citros a situação é ainda mais difícil. Havendo bom preço no exterior, a oferta no mercado interno tende a se reduzir com aumento do preço. É possível, portanto, que, em pouco tempo, o principal componente do custo desses insumos deixe de ser o frete como ocorreu até o ano passado.

A falta de opções eficazes na redução do custo com alimentação leva o pecuarista a procurar por outros produtos como resíduos, varreduras, descartes, etc. Com raríssimas exceções, a análise do custo por unidade de energia e proteína em base seca mostra que tais insumos custam o mesmo ou até mais que o milho, a soja e o caroço de algodão.

Em busca de bons resultados econômicos, muitos pecuaristas usam aditivos para melhorar o desempenho dos animais. Há produtos de eficácia cientificamente comprovada, mas não são a maioria. Muitos, quer pela composição, quer pela quantidade recomendada, não têm ação biológica alguma. O pecuarista fica à mercê do crescente segmento de produtos milagrosos para a engorda dos bovinos. E estes, na verdade, apenas contribuem para o aumento dos custos.

Na análise das opções para engorda em confinamento, o produtor também tem de considerar a eficiência real dos animais submetidos a dietas ricas em concentrados. O gado zebuíno foi selecionado pela natureza em regiões nas quais as pastagens são predominantes. Sob dieta de alto grão, é comum a redução do consumo. Também são freqüentes os casos de acidose ruminal e laminite. Existem produtos que controlam, de modo eficiente, os distúrbios do rúmen, mas seu custo é significativo.

Muitos pecuaristas e técnicos consideram a silagem de milho uma opção de custo muito alto no confinamento de gado de corte. Alguns até a julgam inviável. Como todas as culturas, o milho tem o risco de frustração de safra. Contudo, sob condições climáticas favoráveis, responde diretamente, e com grande eficiência, na conversão de insumos em produtividade. E esse é o ponto mais crítico na determinação do custo final e na qualidade da silagem de milho.

É freqüente o pecuarista não investir o suficiente na lavoura destinada à silagem. Economiza em adubos, sementes e defensivos e dá pouca ou nenhuma atenção às operações de colheita e armazenamento.

O potencial produtivo da lavoura de milho, no caso de bons híbridos, é muito superior ao que se colhe na maioria das lavouras destinadas à silagem. Técnicas como adensamento do estande, com a redução do espaçamento entre linhas de plantio, permitem substanciais aumentos de produtividade. São práticas já adotadas em várias propriedades, de eficácia comprovada. A Tabela 1 mostra exemplos de produtividade de alguns híbridos.

32R21¹ 30F53¹ 32R21¹ 30P34¹ 32R21¹ 30P34¹ 30R50¹ 30F90²

30S40² 1 - Região da Castrolanda - Castro, PR 2 - Região de Orizona - GO

TABELA 1 - Produtividade de híbridos de milho para silagem em algumas propriedades

Espaçamento(cm)Área(ha) Plantas/ha MV(kg/ha) MS(kg/ha)Híbrido

1- De acordo com a produtividade mais a extração de NPK decorrente da remoção da palhada 2- Plantadeira, pulverizador, distribuição de calcário e fertilizantes 3- Ensiladeira de duas linhas, carreta com trator e compactação

TABELA 2 - Custos de produção de silagem de milho com híbridos de diferentes produtividades

Produtividade de Massa Verde (kg/ha) Produtividade de Matéria Seca (kg/ha) (34% MS) Custo/hectare Semente Fertilizantes¹ Defensivos Plantio² (máquinas e mão-de-obra) Financeiros, remuneração da terra, assistência técnica

Ensilagem (R$/ha) (máquinas e mão-de-obra)³

Custo/tonelada de Massa Verde (R$) Custo/tonelada de Matéria Seca (R$)

Custo total de implantação Custo total da silagem

Aplicando as informações de mercado

Diante de um cenário mundial tão favorável para as nossas principais culturas, fica a grande pergunta: "O que devo plantar?" Esta resposta não é tão simples quando lembramos do endividamento, da alta dos fertilizantes, da logística deficitária e da extensão continental que tem o nosso país. Mas, algumas dicas e reflexões podem nos auxiliar nesta decisão. 1. Vale lembrar que a evolução genética do milho foi muito superior à da soja nos últimos anos, tanto que no passado comparávamos 50 sacos de soja com 100 sacos de milho. Hoje, os parâmetros mudaram, e comparamos 60 sacos de soja com 140 a 150 sacos de milho. Mas, lembremse: uma cultura depende da outra. A decisão mais coerente é aquela com base em aspectos técnicos como a rotação de culturas, combinados e ajustados com os aspectos econômicos. 2. Não existem mais para se produzir milho em regiões mais tropicais e abaixo de 700 m. Hoje, com o melhoramento genético totalmente adaptado e o manejo perfeitamente ajustado, atinge-se, com relativa facilidade, produtividades superiores a 140 ou 150 sacos ou mais em um único hectare. Com a soja ocorre o mesmo desde que em ambos os casos sejam adotadas adequadas práticas de manejo atualmente disponíveis. Assim, o aumento da produtividade é ainda o melhor caminho para se reduzir o custo por unidade produzida e aumentar as margens de lucro. 3. Para as regiões com alta vocação para safrinha como PR, MT, GO, MS e SP, o cenário é ainda mais favorável porque podemos perfeitamente fazer um planejamento para produzir acima de 5 sacos de soja por hectare e buscar produtividades acima de 80 a 90 sacos de milho por hectare. Mas, mesmo nestas áreas, o plantio de milho verão apresenta-se como uma excelente alternativa econômica, principalmente para quem busca restabelecer o equilíbrio da rotação de culturas. 4. O complexo de carnes, especial - mente os setores de aves e suínos, estão plenamente aquecidos e as exportações fecharam em 25% acima para aves e 35% acima para suínos, quando comparamos o primeiro semestre de 2007 com o mesmo período em 2006, lembrando que quase 80% do consumo de milho no Brasil vem do complexo de carnes. Em algumas regiões produtoras de leite, o milho utilizado para produção de silagem com alto volume e qualidade pode deixar essa atividade ainda mais rentável. 5. Historicamente, o Brasil foi mundialmente conhecido como o país da soja, e os nossos produtores, devido ao foco e a alta concentração de plantio de soja, como sojicultores. Agora chegou a hora de mudar, consolidar -se como agricultor , plantando milho e soja, e consagrando-se como um bom gestor com foco na sua atividade.

gargalos técnicos

Com um PIB médio acima de 9% nos últimos 5 anos, a mudança de hábito alimentar faz deste país, hoje, um pequeno exportador e um importador em potencial;

- Brasil - Devemos ocupar facilmente a terceira posição dentre os exportadores, atingindo um número recorde de 10 milhões de toneladas, caso mantenha o ritmo apresentado até julho último. O ano de 2007 deve ser um marco na cultura do milho no Brasil, pois deve atingir na sua segunda safra, um recorde de produção acima de 14.5 milhões de toneladas, que somadas à primeira safra permitirá um total de produção estimado em 51 milhões de toneladas;

- EUA - Como o maior produtor e maior exportador de milho do mundo, os EUA são o grande balizador dos preços e, em 2007, plantaram a maior área desde 1944, superando os 36 milhões de hectares e com uma expectativa de produção acima de 330 milhões de toneladas.

Olhando dessa forma, a conclusão do produtor é imediata, levando-o a crer que haverá uma superoferta de milho e que os altos preços apresentados atualmente não são sustentáveis. Ledo engano! Apesar de toda esta superárea e superprodução, os EUA também apresentam um superconsumo, especialmente para produção de etanol. Estima-se que quase 30% do milho produzido poderá ser destinado para produção de etanol. Os EUA estarão com 197 usinas prontas até o final de 2007, sendo 119 já concluídas e 78 em construção, além de 8 em expansão. Dessa forma, a relação estoque/consumo deve situar-se em torno de 1%, abaixo de 14,8%, que é a média histórica dos últimos 10 anos.

¹ Gerente de Negócios e Treinamentos da Pioneer Sementes caso da soja pesa, negativamente, o fato de o Brasil ser um grande exportador de grãos de soja, diferente da Argentina, que agrega valor ao produto, exportando óleo e farelo. Desta forma, somos do câmbio e do efeito que quando negativo, impacta de forma devastadora na remuneração do nosso produtor.

Para o milho, o cenário é ainda bem mais favorável. Faz tempo que o milho deixou de ser coadjuvante do agronegócio brasileiro. Hoje, ele é o ator principal. O mundo todo consome milho e só 4 países exportam: EUA, China, Argentina e Brasil. Por isso, ao analisar o mercado mundial de milho precisamos focar nos números destes 4 países:

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