Safrinha - O que aprendemos com ela

Safrinha - O que aprendemos com ela

(Parte 6 de 17)

- Argentina - Tem grande vocação para produzir milho, mas baixíssima capacidade de consumo, e exporta 70% do milho produzido;

- China - Historicamente, sempre foi o segundo maior exportador de milho, tanto que em 2001 seu estoque era maior do que o que existe em todo o mundo hoje.

reféns prêmio

Lendo o mercado

Há muito tempo é cobrado dos agricultores que a busca pela informação seja feita de forma incessante. E isto nunca esteve tão em pauta quanto nos dias atuais. Constantemente, ouvimos que

. Esta nova expressão nos mostra claramente a dimensão que o agronegócio brasileiro vem tomando ao longo dos últimos anos no cenário mundial, em especial em 2007. Este ano deveremos atingir o primeiro lugar em exportação mundial de soja com um volume previsto muito próximo de 30 milhões de toneladas. Além disso, nos consolidaremos como o terceiro maior exportador de milho com chances reais de exportarmos 10 milhões de toneladas (ou mais), ficando atrás somente dos EUA e da Argentina, superando a China, que durante muitos anos se manteve em segundo lugar.

E o que é mais impressionante nisso tudo é que podemos visualizar um futuro com perspectivas de ocupar o lugar da Argentina num intervalo de tempo infinitamente inferior ao período que demoramos para chegar ao terceiro ou, até mesmo, a sermos considerados exportadores.

Para isso, temos que superar problemas de logística e infra-estrutura. O gasto do Brasil neste setor é equivalente a 16% temos que ser eficientes também do porto pra fora

Francisco Sampaio ¹

Interpretando o mercado

O mundo hoje vive uma profunda discussão sobre as conseqüências da competição entre a produção de alimentos e a bioenergia. Discussão esta profundamente válida, mas que deveria sair dos patamares ideológicos e partir para um ponto de vista economicamente realista. Pensando nisso, tentaremos fazer uma interpretação racional dos números do mercado. 1. Todo e qualquer produto que apresenta mecanismos específicos de formação de preço, não foge do fundamento mais elementar, que é a lei da oferta x demanda.

2. A relação oferta x demanda nos direciona para uma conseqüência inevitável, que é a relação 3. O mundo vem produzindo mais grãos ao longo dos últimos anos, especialmente milho e soja. Mas, a leitura não pode ser unilateral. É preciso cruzar estas informações com o consumo e, finalmente, fazer-se uma avaliação mais coerente, chegando ao conceito correto de relação estoque/consumo. Esta expressão é que deve ser a base prioritária para análises e discussões.

O mundo apresenta hoje a relação estoque/consumo mais baixa dos últimos 34 anos, onde só em 1974 tivemos uma relação inferior a 14% assim como hoje, contrariando a média histórica de 20,4%. No caso específico da soja, temos que essencialmente olhar o mercado de quatro países - EUA, Brasil, Argentina e China -, lembrando que os 3 primeiros representam cerca de 85% de toda a soja produzida no mundo e a China representa sozinha 45% de toda a soja importada do mundo. Para a safra 2007/2008, com toda a redução de área de soja nos EUA, onde esta ficou em torno de 26 milhões de hectares, sendo a mais baixa dos últimos 12 anos, estamos diante de uma previsão de relação estoque/consumo nos EUA abaixo de 10%, o que nos leva a acreditar numa sustentação de preços bem acima da média histórica de US$ 6,2/bushel e com chances reais de superar a marca dos US$ 10,0/bushel, como ocorreu na safra 2003/2004. No estoque x consumo. do PIB nacional, enquanto que, em países mais desenvolvidos, este custo não passa de 10%. Ainda transportamos 70% da nossa produção agrícola por caminhões, 23% através de ferrovias e apenas 7% por hidrovias. Tudo isso diminui a nossa competitividade e diminui a renda do produtor, mas não diminui o nosso desejo genuíno de superação e busca pela produtividade. Desta forma, podemos naturalmente nos colocar junto com a China na condição de , onde os chineses serão cada vez mais a e nós seremos cada vez mais a .

locomotiva do agronegócio locomotiva do consumo locomotiva da produção

Lendo, interpretando e aplicando as informações de mercado

As Tabelas 3 e 4 mostram, de modo simplificado, uma comparação entre duas dietas de confinamento. Uma destas utiliza silagem de milho de qualidade. A outra usa bagaço de cana como volumoso e alta participação de concentrado (72%). As tabelas exibem a quantidade de ração concentrada para que um boi de 400 kg ganhe 1,3 kg/dia e uma estimativa dos custos de alimentação.

Os custos com alimentação podem ser bem menores quando se reduz a porcentagem de concentrado na dieta. Também se reduz a incidência de acidose e laminite. Mas, esta participação depende da qualidade do volumoso. No caso da silagem de milho a qualidade relaciona-se com a maior proporção de grãos. Silagens com mais grãos são obtidas em lavouras de maior produtividade, justamente as que têm menor custo por unidade de matéria seca e energia (NDT) produzidas.

Assim, sem expectativa de adquirir soja e milho e outros grãos a baixos preços, a viabilidade econômica das dietas de alto grão está comprometida. Pode continuar sendo uma opção conveniente para confinamentos com grande número de animais, em regiões de elevado custo da terra, e que dispõem de grande e constante oferta de insumos alternativos como a polpa cítrica. Em tais casos, ainda que o custo de produção da arroba seja maior, há vantagens no frete e no melhor preço da arroba em razão da proximidade de grandes centros consumidores ou canais de exportação.

Essa conjugação de fatores favorece, sobretudo, os frigoríficos. Estes vêm se tornando cada vez mais eficientes na transformação e na agregação de valor a cada kg de boi abatido, desde o couro até a produção de biocombustíveis, como o biodiesel feito com sebo bovino. Para o pecuarista, porém, a rentabilidade se baseia quase exclusivamente no valor recebido pela arroba.

O pecuarista que deixa de lado os preconceitos e implanta uma lavoura de milho em conjunto com a engorda do gado só tem a ganhar. Por meio de parcerias ou arrendamentos firmados em contrato, pode-se ter lavouras produtivas dentro da propriedade, dispensando investimentos em maquinário. E o pecuarista contará com alimentos de qualidade enquanto promover a recuperação ou o aumento da produtividade da área de pastagens. A lavoura de milho para silagem ocupa o terreno por 130 dias, deixando a área disponível para outra atividade o resto do ano.

Terceirizar a colheita é uma opção muito conveniente na produção de silagem. Além de dispensar a imobilização de capital com máquinas que ficarão paradas a maior parte do ano, permitirá ao pecuarista, estabelecer critérios de qualidade no trabalho como tamanho de corte, processamento do grão, etc.

¹ Professor-Adjunto do Depto. de Zootecnia. Curso de Zootecnia UEPG/Castro (PR) (jricardouepg@uol.com.br)

Concentrado: 85% de MS (32% polpa cítrica; 46% milho; 19% farelo de soja e 3% de uréia, além de minerais)

Fontes para preços: silagem de milho (Embrapa, 2005); bagaço hidrolisado e concentrado (iFNP, novembro de 2006)

TABELA 4 - Estimativa de custo com alimentação em cada dieta

Volumoso Silagem de milho Bagaço de cana

MS total do volumoso (kg) Total de volumoso (kg) Custo do volumoso (R$) Total de concentrado (kg) Custo do concentrado (R$)

Custo final da alimentação (R$)

* A dieta com bagaço de cana avaliada compõe-se de 72% de concentrado e 28% de volumoso

TABELA 3 - Quantidade de concentrado necessário com diferentes volumosos

Volumoso Silagem de milho Bagaço de cana

NDT (%) Exigência do boi em NDT (kg) Consumo de MS no volumoso (kg) Consumo NDT no volumoso (kg) Déficit de NDT (kg) Concentrado necessário (kg)*

interpretação das análises de solo e o cálculo da adubação para a cultura do milho podem variar de acordo com o método de análise e com os procedimentos de interpretação utilizados. Os níveis de nutrientes detectados e os coeficientes utilizados em cada análise dependem grandemente da região do país, do tipo de solo analisado, e da metologia de análise utilizada pelo laboratório.

Assim, é muito importante que você sempre consulte um profissional da região e obtenha informações junto a entidades de pesquisa, universidades locais, cooperativas, empresas de consultoria técnica ou o Engenheiro Agrônomo de sua confiança.

Neste artigo, sugerimos dez passos para a correta interpretação e decisões com base na análise de solo. Partimos do presuposto de que as amostras de solo foram retiradas de maneira correta, seguindo todos os requisitos técnicos para que representem, de maneira adequada, o estado nutricional em que o solo se encontra naquele momento. Para mais informações sobre a coleta de amostras para análise de solo, veja o quadro informativo na matéria "Preparo de solo e melhor uso de corretivos", publicada no Boletim Informativo nº 21, páginas 6 e 7, que pode ser encontrado na área Informações Técnicas do

Portal Pioneer (). w.pioneersementes. com.br

1. Conferir o cabeçalho

2. Verificando a CTC a pH 7,0

3. Verificar a saturação de bases (V%) deste solo

Para que se faça uma interpretação detalhada da análise, é importante verificar o local em que foi retirada a amostra, a data da análise e o laboratório em que a análise foi realizada.

Devido às rotinas do laboratório, podem ocorrer equívocos quando um produtor envia para um laboratório local amostras retiradas em propriedades localizadas em outra região ou estado.

A data da análise é importante, pois caso tenha havido um novo plantio após a retirada da amostra, o resultado dessa amostra se torna inválido, uma vez que os nutrientes presentes no solo já terão sofrido alteração. É recomendado que se realize uma análise química de solo por ano, ou no máximo, uma a cada dois anos. As análises de textura de solo, podem ser mais espaçadas, uma vez que a variação é pequena.

Quanto verificamos a CTC (capacidade de troca catiônica), indiretamente, estamos medindo a e a presente no solo, e principalmente, a quantidade e qualidade da deste solo. É recomendado que você saiba quais são os valores médios da CTC a pH 7,0 da sua região, para que possa ter um padrão de comparação.

Existem controvérsias a respeito do valor considerado ideal para a saturação de bases na cultura do milho. Na prática, percebemos que o valor que apresenta menor possibilidade de erros, é V% = 60. Para o cálculo da quantidade percentual atividade quantidade de argila matéria orgânica de Cálcio e Magnésio, que deve ser utilizada na correção do solo, é importante considerar as pesquisas regionais e que se leve em conta também: a CTC a pH 7,0, quantidade de argila e, principalmente, a matéria orgânica do solo.

Por exemplo, nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, onde a CTC é elevada, os solos são menos intemperizados, ou seja bastante ativos. Nestes solos, grande parte do alumínio existente pode passar para a fase disponívelfacilmente. Desta forma, nestes solos, favorecidos pela pequena redução de pH/aumento de H+ no solo, podemos trabalhar com saturações de bases mais elevadas.

Já no caso de solos do Cerrado, saturações de base mais elevadas (acima de 50%) podem contribuir para a indisponibilização de micronutrientescomo o Mn, Zn, Fe e o Cu.

É importante que, antes de se fazer o cálculo da calagem, se verifique os valores absolutos e relativos (%) de Alumínio presentes no solo.

No Rio Grande do Sul e Santa Catarina existe grande quantidade de Alumínio no solo. Desta forma, mesmo com saturações de bases acima de 60%, o excesso de Alumínio ainda pode prejudicar o crescimento das raízes do milho. Em solos mais intemperizados, como é o caso do Cerrado, quando a saturação de Alumínio está próxima a 40%, geralmente este mineral já se encontra indisponível, não causando problemas para a cultura. Nos solos com histórico de plantio direto, com alto teor de matéria orgânica, é comum encontrarmos altos teores de Alumínio trocável, porém, sem causar danos às raízes, uma vez que o mineral se encontra complexado pela matéria orgânica.

Nos locais em que se utiliza o método de saturação de bases para o cálculo da quantidade de calcário, uma regra simples é: Se o V% (saturação de bases) for inadequado para a região, recomenda-se a calagem.

A quantidade de calcário a ser aplicada é calculada utilizando-se a seguinte fórmula:

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