Safrinha - O que aprendemos com ela

Safrinha - O que aprendemos com ela

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- Ca/Mg 3 em áreas acima de 3 anos de cultivo, com níveis médios de cálcio e magnésio, usar calcário em que a relação Ca/Mg seja próxima a 3/1;

- Relação Ca/Mg de áreas novas e/ou com valores muito baixos, usar, preferencialmente, calcário dolomítico.

As relações entre os nutrientes passam a ser cada vez mais importantes quanto mais estes estiverem no limite.

No caso da utilização do método SMP existe uma tabela específica para o cálculo da quantidade de calcário a ser aplicada.

O pH do solo serve como um indicativo da situação do solo.

A faixa de pH ideal pode ser considerada entre 4,5 a 7,5, sendo que valores abaixo ou acima desta faixa, podem causar danos à cultura.

Solos com pH abaixo de 4,5, provavelmente, possuem baixos teores de Cálcio e Magnésio, altos teores de Alumínio, e grande capacidade de fixação de Fósforo. Solos com pH acima de 7,5 possuem altas restrições quanto à disponibilidade de micronutrientes.

Há ainda o pensamento errôneo de que devemos procurar híbridos que se adaptem a pH baixos, quando o correto é resolver este problema por meio da correção do solo através da seleção do corretivo.

Considerando-se os teores de matéria orgância e os teores de Nitrogênio do solo, a regra básica é que a quantidade necessária de nitrogênio a ser aplicada para a produção de um saco (60 kg) de milho, varia entre 0,75 kg de N até 1,2 kg de N por saco produzido. Nos casos de plantio de milho após feijão, soja precoce bem adubada ou coberturas de solo que forneçam Nitrogênio para o sistema, como por exemplo o nabo forrageiro, e em condições favoráveis de precipitação e temperatura, a quantidade de Nitrogênio aplicada poderá ser mais baixa.

Nos plantios de milho após gramíneas como aveia e trigo, este nutriente terá uma baixa disponibilidade no solo, sendo neces- sária a aplicação de doses mais altas. Isso, principalmente, porque durante as fases iniciais de desenvolvimento da cultura do milho, os microorganismos se utilizarão do Nitrogênio contido no solo como fonte de energia para decompor essa aveia ou trigo concorrendo, assim, com a cultura do milho - Processo de imobilização do N.

Podemos considerar um valor médio, a aplicação de 1 kg de N por saco de 60 kg que se deseja produzir. Na prática, o que ocorre é que a necessidade de Nitrogênio aumenta com o acréscimo da produtividade. Assim, a cultura necessita cerca de 0,7 kg a 0,8 kg N por saco de grãos produzidos para produtividades até 6.0 kg por hectare. Ao redor de 0,8 a 1,0 kg N por saco de grãos para produtividades entre 6.0 e 7.500 kg por hectare, e assim por diante. Entretanto, estas taxas de absorção por nível de produtividade não fixas podem variar conforme o híbrido, manejo, condições ambientais, etc. Mas, servem como parâmetro básico.

Já no caso da safrinha, devido às peculiaridades de clima e aos residuais deixados quando o milho safrinha é plantado após a cultura da soja, a quantidade de Nitrogênio necessária é geralmente menor, cerca de 0,3 kg de N por saco de milho que se deseja produzir. Porém, num patamar de produtividade menor quando comparado com a safra verão.

Ao se interpretar a análise de solo para o cálculo de quantidade de Fósforo, devem ser observados alguns fatores: a) Qual o extrator utilizado: Mehlich ou Resina? Os valores de interpretação da análise são diferentes para os diferentes extratores. Caso isso não seja observado, pode-se classificar o teor de Fósforo errôneamente; b) Quantidade de argila; c) O histórico da área quanto à aplicação de fosfatos naturais. Caso o produtor tenha aplicado fosfatos naturais recentemente, os teores de Fósforo podem ser superestimados quando o extrator utilizado for o Mehlich. Isto também ocorre quando a saturação de bases é elevada.

Após observados esses fatores, podese utilizar tabelas estaduais para o cálculo da recomendação de Fósforo de acordo com a produtividade desejada.

O Potássio não é retido pela matéria orgânica, não é fixado no solo como o

Fósforo (com exceção de alguns solos do Rio Grande do Sul que possuem argila 2:1), não lixivia como o Nitrogênio e está disponível no solo na maioria dos casos.

Assim, podemos tratá-lo como prontamente disponível. Na CTC a pH 7,0, o ideal é que a quantidade de Potássio apresente 5% de saturação.

Alguns técnicos consideram que se a

CTC a pH 7,0 for maior que 8,0 cmolc/dm , a quantidade ideal de Potássio deve ser de 3% a 4%. Caso a CTC a pH 7,0 for menor que 8,0 cmolc/dm , a quantidade ideal é de 5%.

A dinâmica do Enxofre no solo é bastante similiar à do Nitrogênio e os níveis críticos, geralmente, estão nas camadas inferiores entre 20 a 40 cm. Apesar de o milho não ter alta necessidade de Enxofre, é importante observar os teores deste nutriente, uma vez que teores muito baixos podem apresentar restrições a produtividades mais altas.

Já os Micronutrientes requerem uma amostragem bastante representativa no solo. Alguns técnicos recomendam que a melhor forma de se visualizar realmente a quantidade de Micronutrientes em uma área é através da análise foliar. No caso dos Micronutrientes, o extrator utilizado também é muito importante no resultado final da análise.

Sugerimos que, nesses casos, informese de como devem ser retiradas as amostras e, também, sobre a qualificação do laboratório. Hoje, no Brasil, existem laboratórios de análise de solo credenciados por meio de um selo de qualidade. Informe-se antes.

Para mais informações a respeito da interpretação regional de Fertilizantes e Corretivos você pode consultar os seguintes :

6. Interpretação do valor do pH do solo

7. Nitrogênio 8. Fósforo

9. Potássio

10. Enxofre e Micronutrientes sites http://sistemaproducao.cnptia.embra pa.br/FontesHTML/Milho/CultivodoMilho/f ertilsolo.htm http://www.cnpms.embrapa.br/public acoes/publica/comuni82.pdf http://www.ipni.org.br/ppiweb/brazil. nsf/87cb8a98bf72572b8525693e0053ea 70/d5fbc829a2f54298832569f8004695c 5/$FILE/Milho.pdf

11¹ Engenheiro Agrônomo, M. Sc. Gerente de Produtos e Tecnologia Região Centro da Pioneer Sementes

O que aconteceu nas diferentes regiões de safrinha

No e , a área plantada com safrinha vinha oscilando ao redor de 200 mil hectares e era altamente influenciada pelo regime de chuvas e da área plantada com soja precoce.

sudoeste de Goiás norte do Mato Grosso do Sul

Os melhores resultados vieram dos produtores que adotaram a estratégia do junto com práticas adequadas de manejo. Tiveram sucesso aqueles que utilizaram híbridos caracterizados por precocidade, potencial produtivo e defensividade em diferentes proporções, de acordo com o nível tecnológico e época de plantio como forma de amenizar os riscos inerentes ao plantio de safrinha. Assim, quanto mais tardio o plantio, maior defensividade se procurava no híbrido.

Não foi diferente com as demais regiões de safrinha como o , e . Diante da instabilidade climática ocorrida nessas regiões, as lavouras que obtiveram os melhores resultados, mais uma vez, foram aquelas que utilizaram no plantio o junto com determinadas práticas de manejo. Houve planejamento do plantio do milho safrinha após soja precoce, observando-se aspectos de residual de herbicida, com adequada população e, em alguns casos, somado ao espaçamento reduzido. Esse conjunto de procedimentos adotados está possibilitando que muitos produtores dessas regiões, mesmo que tenham sofrido com certa instabilidade climática, colham uma média superior economicamente viável e que o estado do MT colha um volume ao redor de 5 milhões de toneladas.

De uma maneira geral, nas áreas de safrinha, o aumento de pragas como percevejos e sugadores tem sido uma realidade. Independente da região, o tratamento de sementes vem sendo considerada uma prática quase que obrigatória com a proposta de assegurar o estande das lavouras. Nessas regiões de safrinha, devido ao uso mais intenso das áreas, o ataque de pragas de solo e de fases iniciais tem sido cada vez mais intenso e tem comprometido o estabelecimento da cultura e da produtividade final das lavouras.

Outro fator de extrema importância, independente da região, é o aumento da pressão de inóculo de algumas doenças como a ferrugem polissora, faeosféria ou mancha branca, cercosporiose e helmintosporiose, entre outras, que se tornam cada vez mais intensas e requerem algumas medidas adicionais de controle que

Sistema de Combinação de Híbridos sudoeste Goiano norte do MS MT

Sistema de Combinação de Híbridos

Os problemas merecem atenção

Ricardo B. Zottis ¹ Paulo E. Pinheiro ² Rafael B. Seleme ³ Itavor Nummer Filho

Na Safrinha de 2007, como o regime de chuvas se antecipou e havia a expectativa de preços de milho crescente, houve a elevação da área plantada em aproximadamente 50%, gerando uma diminuição do plantio de sorgo para apostar no milho, ocasionando plantios de milho safrinha fora da época ideal.

Nesta mesma região, as condições climáticas de safrinha foram muito instáveis com má distribuição das chuvas, gerando perdas de até 60% na produtividade esperada em algumas regiões. No final, o aumento da produção não acompanhou os índices de aumento de área, o que gerou, em números absolutos, um incremento de 150 a 200 mil toneladas de milho em comparação à última safrinha de 2006, cerca de 1.190.0 toneladas de grãos no total.

No e , a Safrinha 2007 começou muito bem, com uma excelente distribuição de chuvas nos meses de janeiro e fevereiro, mas as altas temperaturas e estiagens registradas em março propiciaram um aumento na incidência de ferrugem polissora ( ) e o surgimento de um surto de pulgão no milho ( ).

No final do mês de maio ocorreram geadas que afetaram as lavouras em diferentes intensidades, pois os plantios se estenderam até final do mês de março e havia lavouras em diferentes estágios de desenvolvimento. De maneira geral, a oeste do Paraná sul do Mato Grosso do Sul

Puccinia polissora Rophalosiphum maydis expectativa inicial de produtividade foi reduzida em mais de 20%, nestas regiões.

No estado do a safrinha de milho 2007 foi responsável por ocupar 1,3 milhão de hectares, praticamente o dobro da área cultivada no ano anterior. Com a cultura do milho em expansão e sua utilização cada vez mais difundida na alimentação animal e nas exportações, o plantio do milho dentro de um sistema de cultivo assume, além de importância técnica, importância econômica nunca antes experimentada pela cultura neste estado, impondo aos produtores o desafio de profissionalizar o cultivo do milho.

A defensividade foi determinante em situações onde ocorreram geadas mais fortes ou surto de ferrugem polissora como foi oc asod o e

. Estas condições provocaram elevados índices de quebramento devido ao gasto excessivo de reservas armazenadas no colmo para o enchimento de grãos e híbridos mais defensivos puderam suportar melhor as condições de estresse.

De forma geral, nessa região, produtores que optaram por híbridos com mas com baixos níveis de , como estratégia para fugir dos riscos climáticos, não obtiveram bons rendimentos.

Mato Grosso oeste do Paraná sul do MS precocidade defensividade

Híbridos defensivos combinados com práticas de manejo o longo dos anos, a observação do comportamento dos híbridos de milho, plantados nas diferentes regiões de Safrinha do Brasil, tem revelado que a opção por tem sido a decisão técnica e econômica mais correta em função da instabilidade climática que ocorre nestes ambientes. E, na Safrinha deste ano, não foi diferente.

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