Descrevendo as condições de vida de uma comunidade atendida pelo Programa de Saúde da Família em um bairro de Guarulhos

Descrevendo as condições de vida de uma comunidade atendida pelo Programa de...

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Santos GS, Santos AS. Descrevendo as condições de vida de uma comunidade atendida pelo Programa de Saúde da Família em um bairro de GuarulhosMonitoramento em saúde Santos GS, Santos AS. Descrevendo as condições de vida de uma comunidade

Os entrevistados foram os chefes de famílias cadastradas e acompanhadas pelo Programa de Saúde da Família de uma área adstrita no município de Guarulhos formando um total de 300 indivíduos. Os dados foram coletados através de um instrumento de coleta de dados com 16 questões das quais 14 eram fechadas e 2 abertas. A coleta de dados realizou-se de 01 a 30 de novembro de 2005, e os dados foram tabulados e analisados a partir daqueles de maior relevância, seguidos por comentários dos pesquisadores. O projeto foi avaliado pelo comitê de ética e pesquisa da UNINOVE, bem como autorizado pela Secretaria Municipal de Guarulhos. Os pesquisadores após orientação solicitaram assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido aos entrevistados.

RESULTADOS O estudo em questão revelou que: 45% dos chefes de famílias estão numa faixa etária de até 40 anos; grande participação da mulher como chefe de família (48%); 42% dos chefes de família vivem sem parceiros; 8% são analfabetos e 5% analfabetos funcionais (13%). Dos pesquisados, 57% têm até ensino fundamental incompleto; 63% dos pesquisados são negros e/ou pardos; 6% tem acima de 4 pessoas compondo o domicílio (16% acima de 7 pessoas); 17% dos domicílios tendo de 1 a 2 pessoas analfabetas ou analfabetas funcionais; 89% tem até 1 a 3 pessoas trabalhando, mas a renda familiar chega no máximo a 3 salários mínimos em 79% dos entrevistados, o que pode caracterizar subemprego ou emprego informal, já que também 40% estão desempregados; 6% são católicos e 34% são evangélicos, com 74% não praticantes; 80% com casa de tijolo, e mesmo que a qualidade de moradia destes não tenha sido avaliada, 58% dos pesquisados estão insatisfeitos com sua moradia; 56% sem nenhuma forma de lazer e na sua maioria não tendo nenhuma sugestão de implementação de formas de lazer.

A faixa etária representa uma variável importante, que pode influenciar a qualidade de vida dos indivíduos, pois está diretamente ligada à maturidade para cuidar da família e representar papeis dentro da estrutura familiar ou social.

O desemprego e o subemprego estão diretamente associados ao baixo grau de escolaridade, e não da para falar em desemprego sem falar em exclusão social, já que o desemprego é um dos maiores fatores de exclusão social.

O número de pessoas por domicílio é um fator relevante na qualidade de vida das famílias, inclusive quando se pensa na questão de distribuição dos recursos da família. No estudo em questão observou-se que muitas famílias são provenientes da região nordeste do Brasil, principalmente do Estado do Piauí, Bahia e Pernambuco com graus variados de parentescos.

Quanto ao número de pessoas que são analfabetas ou apenas sabem assinar o nome, corresponde a 13% dos pesquisados, mas com 17% das famílias com 1 a 2 pessoas analfabetas funcionais. Observa-se que o os indivíduos analfabetos corresponde em sua maioria às pessoas com mais de 60 anos, e a minoria é representada por indivíduos em idade fértil.

Em relação ao número de pessoas que trabalham verificou-se os seguintes resultados: 7% dos entrevistados responderam que nenhuma pessoa trabalha, de 1 a 3 pessoas trabalham em 89%; de 4 a 6 pessoas trabalham em 4%, dentre outros. É visível o alto percentual de indivíduos desempregados, ou vivenciando condições de subemprego. Se considerarmos que a renda familiar é um forte indicador de condições de qualidade de vida, percebe-se que a renda familiar dos indivíduos pesquisados é insuficiente para o sustento de toda a família. Talvez, o desemprego seja uma das mais graves formas de exclusão social. O município, por questões administrativas ou políticas, não consegue gerar emprego para seus cidadãos, deixa de lado assim, os menos preparados e os que já se encontram em uma zona menos privilegiada sem trabalho.

O número de famílias que residem em condições de submoradias, ultrapassa os dados levantados na pesquisa. Muitas famílias moram em áreas de invasão, casas de madeira com riscos de desabamento e ausência de instalações sanitárias. A precariedade habitacional, deterioração da qualidade de vida, impacto na saúde de ambientes insalubres e o distanciamento da comunidade científica da realidade comprovam a necessidade de aumentar a eficácia e eficiência das políticas públicas de saúde, que se comprometam a mudar essa realidade. As situa ções de submoradias, loteamentos clandestinos, aglomeração de pessoas em espaços reduzidos, são as principais causas que levam à insatisfação com a moradia.

Como ter acesso ao lazer, se as famílias moram em aglomerados com pouco espaço, as casas são construídas com madeiras e próximas de córregos sem canalização, baixo nível de escolaridade, renda familiar entre um e três salários mínimos, pessoas desempregadas no domicílio? Será que a falta de lazer já se tornou algo rotineiro na vida desses indivíduos, a ponto de não sentirem necessidade disso? Dentre as formas de exclusão social conhecidas, o lazer sem dúvida é uma delas. Nesse território, existe carência de opções de lazer, pois não tem praças, não tem parques, não tem quadra de esportes, não existe até o momento nenhuma iniciativa do município nesse aspecto, É possível que essa região seja apenas um exemplo, dentre outras diversas regiões desse município que comportam essa realidade. Não ter sugestão para melhorar as condições de lazer pode significar dentro de uma escala de necessidades a falta de outros bens básicos.

Com base nos resultados encontrados nessa pesquisa, podemos afirmar que as condições e qualidade de vida das famílias pesquisadas são inadequadas. Faz-se necessário, uma avaliação por parte dos gestores municipais, em parceria com a comunidade no sentido de criar canais de comunicação para troca de saberes e intervenções sociais, a fim de melhorar a qualidade de vida dessas famílias.

“EM RELAÇÃO AO NÚMERO DE PESSOAS QUE TRABALHAM VERIFICOU-SE OS SEGUINTES RESULTADOS: 7% DOS ENTREVISTADOS RESPONDERAM QUE NENHUMA PESSOA TRABALHA, DE 1 A 3 PESSOAS TRABALHAM EM 89%; DE 4 A 6 PESSOAS TRABALHAM EM 4%, DENTRE OUTROS”.

CONCLUSÃO Este trabalho, lev peito a qualidade no grande desafio ridos no PSF local vida desta comunidade.

Sem a preocu mesmo tempo a não só concebid de todo o Sistem de extrema carê va e numa persp apenas cuidar de sentados apontam cais onde o PSF gestores, profissio cas e sociais não alternativas conju dade de vida.

Agregar tais responsabilidades isto seria promoção fio, já que historicamente Miranda aponta namento de parte Assim, na verdad da USF local ond a unidade perspa setores sociais na

Anexo 1In

1) Idade: ( ) d ( ) d 2) Sexo: ( ) M 3) Estado Civil: 4) Grau de inst

5) Raça referid 6) Quantas pes 7) Quantas pes 8) Quantas pes 9) Em relação à ( ) 1 a 3 10) Quantas pe 1) Qual a relig 12) Quantas pe 13) Tipo de cas 14) Você consi 15) Quais form 16) Que suges

28 Saúde Coletiva 2007;03(13):25-29

Santos GS, Sa?Santos GS, Sa? Saúde Coletiva 2007;03(13):25-29 29

Monitoramento em saúde funcionais. Observa-se que o os indivíduos analfabetos corresponde em sua maioria às pessoas com mais de 60 anos, e a minoria é representada por indivíduos em idade fértil.

Em relação ao número de pessoas que trabalham verificou-se os seguintes resultados: 7% dos entrevistados responderam que nenhuma pessoa trabalha, de 1 a 3 pessoas trabalham em 89%; de 4 a 6 pessoas trabalham em 4%, dentre outros. É visível o alto percentual de indivíduos desempregados, ou vivenciando condições de subemprego. Se considerarmos que a renda familiar é um forte indicador de condições de qualidade de vida, percebe-se que a renda familiar dos indivíduos pesquisados é insuficiente para o sustento de toda a família. Talvez, o desemprego seja uma das mais graves formas de exclusão social. O município, por questões administrativas ou políticas, não consegue gerar emprego para seus cidadãos, deixa de lado assim, os menos preparados e os que já se encontram em uma zona menos privilegiada sem trabalho.

O número de famílias que residem em condições de submoradias, ultrapassa os dados levantados na pesquisa. Muitas famílias moram em áreas de invasão, casas de madeira com riscos de desabamento e ausência de instalações sanitárias. A precariedade habitacional, deterioração da qualidade de vida, impacto na saúde de ambientes insalubres e o distanciamento da comunidade científica da realidade comprovam a necessidade de aumentar a eficácia e eficiência das políticas públicas de saúde, que se comprometam a mudar essa realidade. As situações de submoradias, loteamentos clandestinos, aglomeração de pessoas em espaços reduzidos, são as principais causas que levam à insatisfação com a moradia.

Como ter acesso ao lazer, se as famílias moram em aglomerados com pouco espaço, as casas são construídas com madeiras e próximas de córregos sem canalização, baixo nível de escolaridade, renda familiar entre um e três salários mínimos, pessoas desempregadas no domicílio? Será que a falta de lazer já se tornou algo rotineiro na vida desses indivíduos, a ponto de não sentirem necessidade disso? Dentre as formas de exclusão social conhecidas, o lazer sem dúvida é uma delas. Nesse território, existe carência de opções de lazer, pois não tem praças, não tem parques, não tem quadra de esportes, não existe até o momento nenhuma iniciativa do município nesse aspecto, É possível que essa região seja apenas um exemplo, dentre outras diversas regiões desse município que comportam essa realidade. Não ter sugestão para melhorar as condições de lazer pode significar dentro de uma escala de necessidades a falta de outros bens básicos.

Com base nos resultados encontrados nessa pesquisa, podemos afirmar que as condições e qualidade de vida das famílias pesquisadas são inadequadas. Faz-se necessário, uma avaliação por parte dos gestores municipais, em parceria com a comunidade no sentido de criar canais de comunicação para troca de saberes e intervenções sociais, a fim de melhorar a qualidade de vida dessas famílias.

1. http://www.proguaru.net/hist_guarulhos4.asp/históriadeguarulhos Acessado em 06/06/2006. 2. Dantas RAS, Sawada NO, Malerbo MB. Pesquisas sobre qualidade de vida: revisão da produção cientifica das universidades publicas do Estado de são Paulo. Revista Latino-Americana de Enfermagem, vol. 1, n° 4, jul/ ago de 2003, p. 532-538. 3. Minayo MCS, Hartz, ZMA, Buss PM. Qualidade de vida e saúde: um debate necessário. Ciência e Saúde Coletiva, vol.5, no.1 2000, p.7-18. 4. Tobar F, Yalour MR. Como fazer teses em saúde publica: conselhos e idéias para formular e redigir teses e informes pessoais. São Paulo, 2001. 170p. 5. Miranda SMRC. Reflexões sobre saúde. Saúde Coletiva, v. 2, n.5, março de 2005, p. 29-34.

Referências

CONCLUSÃO Este trabalho, leva a uma reflexão abrangente no que diz respeito a qualidade de vida das famílias atendidas, em especial no grande desafio que terão de enfrentar os profissionais inseridos no PSF local para colaborar na melhoria da qualidade de vida desta comunidade.

Sem a preocupação de grandes generalizações podemos ao mesmo tempo afirmar que o PSF, ao longo do Brasil tem sido não só concebido como reestruturação da Atenção Primária e de todo o Sistema de Saúde, mas tem sido colocado em regiões de extrema carência, como estratégia de discriminação positiva e numa perspectiva que foge do olhar descomprometido de apenas cuidar de doenças. Isto posto, os resultados aqui apresentados apontam a realidade da população da maioria dos locais onde o PSF se encontra. Desta forma, se faz necessário que gestores, profissionais de saúde, populações e as agencias públicas e sociais não só reflitam sobre tais realidades, mas busquem alternativas conjuntas no sentido de melhorar condições e qualidade de vida.

Agregar tais responsabilidades aos profissionais de saúde (e isto seria promoção da saúde) é algo que pode ser outro desafio, já que historicamente “fazer saúde foi cuidar de doenças”. Miranda aponta que ao cuidar de doenças corrige-se o funcionamento de parte do corpo, que é positivo, mas não suficiente5. Assim, na verdade para que o setor saúde, e no caso específico da USF local onde esta pesquisa foi realizada, a questão de que a unidade perspasse o cuidado de doenças e se agregue a outros setores sociais na busca de possibilidades de melhorar a quali-

de, profissionais de saúde e os gestores do município

dade de vida e saúde é de fato um grande debate a ser realizado pelos atores envolvidos. Este trabalho pode servir de sensor para a busca de alternativas com os serviços sociais locais, comunida-

Alternativas quanto à inserção e ampliação da escolaridade, maior oferta de empregos, possibilidades do lazer e recreação, maior disponibilidade de equipamentos sociais e públicos nestes locais como: creches, escolas, centros de lazer e recreação, dentre outras, são medidas compensatórias e necessárias à realidade destas comunidades.

de uma melhor vida às populações
Anexo 1Instrumento de Coleta de Dados

Quanto às universidades compete também parceria e denúncia através de estudos e pesquisas que instrumentalizam a população e gestores públicos a decisões acertadas na busca

3) Estado Civil:( ) solteiro ( ) casado ( ) viúvo ( ) união consensual ( ) divorciado ( ) separado
( ) nível médio: ( ) completo( ) incompleto
( ) 1 a 3 ( ) 4 a 6 ( ) 7 a 9( ) acima de 10 salários mínimos
13) Tipo de casa (moradia):( ) tijolo ( ) madeira ( ) outros
14) Você considera sua habitação satisfatória?( ) sim ( ) não

1) Idade: ( ) de 15 a 20 ( ) de 21 a 25 ( ) de 26 a 30 ( ) de 31 a 35 ( ) de 36 a 40 ( ) de 41 a 45 ( ) de 46 a 50 ( ) de 51 a 5 ( ) de 56 a 60 ( ) de 65 a mais 2) Sexo: ( ) Masculino ( ) feminino 4) Grau de instrução: ( ) ensino fundamental: ( ) completo ( ) incompleto ( ) nível superior: ( ) completo ( ) incompleto ( ) analfabeto ( ) sabe ler e escrever ( ) universitário 5) Raça referida: ( ) branca ( ) negra ( ) mestiça ( ) amarela 6) Quantas pessoas compõem a família? 7) Quantas pessoas na sua família são analfabetas ou apenas sabe assinar o nome? 8) Quantas pessoas trabalham na casa? 9) Em relação às pessoas que trabalham, quantos salários mínimos ganham? 10) Quantas pessoas estão desempregadas? 1) Qual a religião predominante na família? 12) Quantas pessoas na sua família dizem ter religião e não praticam? 15) Quais formas de lazer que sua família tem acesso? 16) Que sugestões você daria para melhorar o lazer para sua família

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