Como sobreviver no mercado de trabalho

Como sobreviver no mercado de trabalho

(Parte 1 de 7)

Revisão: Tiny Machado de Campos

1ª EDIÇÃO ELETRÔNICA

SÃO PAULO CINTRA LEITE EDITORA – 2000

Autores: Roberto Cintra Leite e Gizelle Sanches

Não desista do seu emprego! Negocie! ¤ Fui despedido! Como é que eu fico?

¤ Em quais profissões você tem mais chances?

Você está tremendo na base e com medo porque sabe que a qualquer momento alguém o derruba ou você será chamado ao Departamento Pessoal para ser despedido(a). Nesta fase, sua adrenalina está em alta e quando o chefe pede para a secretária lhe chamar na sala dele, você imagina o pior! O telefone toca, você não quer nem atender, pois talvez seja a hora da verdade. Seus colegas já não vêm à sua sala nem passam na sua mesa. O serviço já começou a ser distribuído para outras pessoas e os documentos não mais circulam na caixa de entrada da sua mesa.

Meu amigo, você está na geladeira, como se diz nas empresas públicas. Se você agüentar a pressão, talvez possa até ganhar algum tempo para decidir o que vai fazer. Evite deixar as coisas chegarem a esse ponto, porque talvez não haja mais retorno. Quando você perceber que o canhão está virando na sua direção, adiante-se à catástrofe e vá conversar com o seu chefe, antes dele tomar a decisão. Antes de tentar qualquer coisa para salvar o emprego, verifique quais valores ou benefícios você poderia abrir mão em favor da empresa, calculando qual a retirada mínima que você poderia aceitar para somente sobreviver durante um certo período.

O primeiro passo é propor uma redução de salário, temporariamente, para dar um fôlego financeiro para a empresa. O segundo passo é propor a redução do período integral para meio período e, 50% (cinquenta por cento) do salário, ou trabalhar 3 ou 4 dias por semana em horários flexíveis com a redução equivalente do salário. O terceiro passo é baixar salário em 50% (cinquenta por cento) do valor de hoje e buscar o restante em remuneração variável por desempenho de tarefas, especificamente de vendas ou gestão de um projeto que possa a ser medido em dinheiro e em tempo.

O quarto passo é ver se a empresa tem um programa de participação nos lucros e apostar todas as fichas no sucesso dela. O quinto passo é propor o seu desligamento como empregado CLT, para economizar os encargos trabalhistas, impostos e taxas que recaem sobre os salários em carteira, mas continuar como autônomo, prestando o mesmo tipo de serviço.

O sexto passo é desligar-se da empresa como funcionário, economizando até o espaço físico, o cafezinho, a luz, os papéis e despesas de escritório, alimentação, vale refeição, vale transporte, e fazer um contrato de trabalho temporário, isto é, por um prazo determinado para você trabalhar na rua ou em casa, como se fosse um consultor ou prestador de serviços independente. Nos Estados Unidos se usa muito este modo de prestação de serviço de ex-funcionários, que conhecem muito bem o tipo de serviço, mas que trabalham em casa, em seu computador, coletando o serviço pela manhã através da internet, e devolvendo o trabalho, os relatórios ou seja lá o que for, ao final do dia, cobrando por hora/dia de serviço.

O sétimo passo é a chamada parceria, onde os riscos do negócio, suas despesas e receitas são divididas entre as partes, isto é, você e o seu ex-empregador. Você teria que abrir uma micro empresa e classificá-la na categoria fiscal no sistema M.E. – Micro Empresa ou Simples, para não pagar ou recolher menos impostos e tentar e contratar o seu primeiro cliente, com o ex-empregador ou seja, o seu ex-chefe. O oitavo passo é inscrever-se no Plano de Demissão Voluntária (PDV) antes de ser demitido obrigatoriamente. Dessa forma, talvez, você se saia melhor, do que se “saírem” com você.

O oitavo passo é inscrever-se no Plano de Demissão Voluntária (PDV) antes que você seja demitido. Peça ao seu atual empregador que lhe indique outras empresas que necessitem de seus serviços ou solicite a manutenção temporária dos benefícios já adquiridos, como o seguro saúde e de vida, vale transporte e alimentação (cesta básica), carro da empresa, ou outros. O nono passo é pedir transferência para a filial mais longe e mais difícil de trabalhar, pois ninguém quer sair da sede e perder as mordomias de estar perto ou na sala ao lado do chefe – lá, talvez, tenha vaga sobrando.

O décimo passo é pedir aposentadoria precoce, se você já tiver tempo de casa, ou de trabalho suficiente, nem que seja parcial, pois já é algum dinheiro para você se manter até arrumar outra coisa para fazer. O importante, nessa fase de negociação, é você estar disposto a fazer alguns sacrifícios para salvar o seu emprego, obtendo mais um fôlego para poder dar a volta por cima. Aceite qualquer variação sobre o mesmo tema, isto é, outras combinações entre os passos acima também poderão ser feitas e, com certeza, serão bem vindas.

1. Proponha uma redução de salário para desafogar o seu empregador 2. Reduza o tempo de trabalho

3. Aceite a remuneração variável por desempenho 4. Estude a possibilidade de participação nos lucros 5. Seja prestador de serviço autônomo para seu empregador

6. Faça um contrato temporário de trabalho 7. Seja um parceiro do seu empregador

8. Inscreva-se no PDV - Plano de Demissão Voluntária 9. Discuta a transferência de cargo e local de trabalho 10.Veja a possibilidade de aposentadoria precoce

Se você tentou negociar o seu emprego e não conseguiu, veja o que poderá fazer para arrumar um trabalho. A famosa terceirização está na moda. Já se fala em quarteirização o que é um pouco de exagero. A cada repasse, a empresa-mãe perde o controle da qualidade, mas é possível se fazer a terceirização de atividades inteiras, como por exemplo, os serviços de todo um departamento ou de uma área completa da empresa. O seu empregador sabe disso muito bem. Verifique quais são os objetivos da empresa, conforme abaixo.

O primeiro objetivo, no Brasil, é a redução de custos com pessoal, pois o empresário não agüenta mais pagar os salários e mais de cem por cento a mais de encargos trabalhistas. Isso nos parece óbvio, pois a empresa perde a competitividade com produtos e serviços a custos duas vezes superiores aos da concorrência internacional, não conseguindo exportar e também concorrer com as multinacionais. O segundo objetivo é reduzir o espaço ocupado pelo pessoal e diminuir os custos de locação, IPTU e condomínio, que muitas vezes inviabilizam a empresa. Daí o motivo pelo qual indústrias se transferem, inclusive com seus escritórios, para o interior do país e ainda obtêm incentivos fiscais das prefeituras e dos governos estaduais, tais como isenção temporária de impostos

(IPTU/ICMS/IPI) e outras taxas, porque interessa ao poder público viabilizar economicamente as atividades da empresa, para poder atraí-la e criar empregos na região. O terceiro objetivo é ganhar produtividade com custos menores, pois a atividade terceirizada é quase sempre uma especialidade na fabricação de componentes ou de uma prestação de serviços, de forma constante, onde o empresário terceirizado reduz os custos pois dispõe de instalações menores e consegue aumentar a quantidade de produtos e melhorar a produtividade. O quarto objetivo é forçar o empresário terceirizado a evoluir na aplicação de tecnologia de operações e know how de serviços, especializando-se cada vez mais, com o intuito também de reduzir os preços de venda de produtos e/ou serviços, para poder competir no mercado. O quinto objetivo é fabricar produtos e prestar serviços com a melhor qualidade devido à especialização, isto é, produzir mais com qualidade e menores custos. Qualidade total é o que o consumidor espera, portanto, só as empresas que se preocupam com qualidade vão sobreviver. O sexto objetivo transformar ex-empregados em empresários parceiros da empresa para o fornecimento de produtos e serviços especializados, tornando-os seus primeiros fornecedores e permitindo assim, que a empresa-mãe possa dedicar-se inteiramente à sua atividade fim.

O sétimo objetivo é enxugar os níveis hierárquicos da empresa, para agilizar a execução das tarefas e funções, podendo responder rapidamente às necessidades dos clientes.

QUAIS SÃO OS OBJETIVOS DA TERCEIRIZAÇÃO? · Redução de custos

• Diminuição de espaços • Ganho de produtividade

• Evolução tecnológica • Aumento da qualidade

• Enxugar níveis hierárquicos

Nós recomendamos a terceirização de atividades não essenciais ao processo de trabalho, para fabricar um produto ou prestar um serviço, sempre que os objetivos da terceirização estejam transparentes às partes. Por exemplo, na atividade industrial onde o equipamento fabricado pela empresa-mãe necessita de componentes, de subprodutos ou mecanismos que se completam e se encaixam no todo, o empresário pode terceirizar com total segurança. A equipe de funcionários experientes pode abrir uma ou mais empresas (micros ou pequenas) para fornecer aquelas peças ou conjuntos completos de uma máquina, como se faz na indústria eletroeletrônica no Japão. Da mesma forma, os serviços que podem ser feitos em casa e transferidos via e-mail, Internet ou Intranet, ou até mesmo a montagem dos componentes (por exemplo o kit de peças dos conjuntos), podem ser entregues na residência, no escritório ou na pequena fábrica, e recolhidos à noite já montados, para entrar na linha de fabricação da indústria-mãe no dia seguinte.

Hoje, a indústria automobilística já trabalha com esse conceito, só que como são atividades industriais mais complexas, elas cedem espaço físico para que os seus fornecedores possam estar a alguns metros de distância da linha de montagem, com o seu kit prontinho para ser montado na carroceria do veículo.

Em princípio todas aquelas atividades meio, que não são o objetivo final da empresa, podem ser terceirizadas. Em outras palavras, o início e o fim da linha de produção tem que ser de responsabilidade da empresa-mãe, mas tudo que estiver no meio da linha de produção pode ser terceirizado a um ou vários fornecedores. Todos serviços de apoio que são atividades meio, também podem ser repassados ao pessoal de fora da fábrica. Veja abaixo alguns exemplos de serviços que podem ser terceirizados.

Serviço de copa, cafezinho, lanches, restaurante, cesta básica, café da manhã, vale refeição, máquinas automáticas de bebidas, bolos, doces e sanduíches, bandejão, comida a quilo e outras similares.

SERVIÇOS DE TRANSPORTE Peruas e ônibus para passageiros e caminhões para carga, locação de veículos utilitários ou de passeio, para executivos, manutenção de frota, garagem, oficinas, estacionamento. SERVIÇOS JURÍDICOS E CONTÁBEIS Elaboração e acompanhamento de contratos, de legislação, de marcas e patentes, contabilidade, auditoria, procedimentos fiscais e tributários e seguros. SERVIÇOS DE DIVULGAÇÃO

Jornais internos, revistas, folhetos promocionais e de vendas, assessoria de imprensa, relações públicas, eventos, convenções de vendas, publicidade e propaganda, comunicação social.

SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E SERVIÇOS GERAIS Engenharia, arquitetura, manutenção de máquinas, equipamentos, pintura, hidráulica, elétrica, civil, ar condicionado, cabeamento lógico de computação e de telefonia, informática, assistência técnica e garantias de produtos, limpeza, segurança patrimonial, portaria, recepção, suprimentos de mercadorias nas gôndolas de supermercados, reposição de estoques automáticos, compras de matéria prima, importação e exportação.

Veja alguns exemplos de fabricação de produtos que podem ser terceirizados: Componentes eletro-eletrônicos Motores elétricos, componentes e sistemas elétricos que compõem uma máquina, sistema de medição e controle da fabricação.

Peças ou produtos semi-acabados

Peças de reposição por desgaste controlado e medido, produtos semi-acabados para finalização na indústria-mãe, conjuntos ou sistemas complementares de máquinas ou equipamentos mais complexos e subprodutos em geral.

Sistemas Hidráulicos e similares Peças e componentes de sistemas hidráulicos para bombas de maior poder, válvulas, hidrômetros.

Sistemas Mecânicos Peça de reposição e componentes de acoplagem, engrenagens mecânicas, peças fundidas, ferramental de suporte, medidores, contadores, kits completos e outros.

Se você está empregado em uma empresa industrial grande, ela necessitará desses serviços extras para a montagem do produto acabado, mas como esses serviços não são essenciais à produção, você tem uma grande chance de oferecer e executá-los como uma empresa terceirizada, tendo o seu cliente já!

Se você não conseguiu ser terceirizado pelo seu ex-patrão, não há outra alternativa para se colocar no mercado de trabalho. É preciso ir à luta fora da empresa.

Se você está em busca de trabalho e não mais de emprego que está difícil de achar ou a sua idade está alta, você precisa sair a campo de olhos bem abertos e antenas ligadas para identificar quais oportunidades existem no mercado e que você se sinta atraído ou capaz de executar. Para tanto, é necessário pesquisar e estudar muito, antes arriscar a sua indenização ou FGTS e perder tudo. Se tentar você consegue!

Você pode descobrir um novo uso para produto existente no mercado e se oferecer para ser representante. Exemplo: uso de borracha cirúrgica para fixar tapetes no chão.

Se você perceber quais produtos ou serviços o mercado está pedindo, poderá oferecê-los e, com certeza, vai achar clientes e outras oportunidades de negócios no mercado. Para perceber isto, faça uma pequena viagem para fora do país de preferencia. Sempre existem idéias novas para serem aplicadas aqui. Vá para o interior do país, se você não tiver disponibilidade financeira nesse momento. Você perceberá quais produtos e serviços as cidades menores não dispõem ou o quê as pessoas vêm consumir nas grandes capitais. Essas podem ser mais algumas oportunidades. Hoje, já existem empresas e associações de classe que organizam este tipo de viagem em que você visita empresas modernas e conversa com homens de negócio estrangeiros. A Internet também pode revelar produtos e serviços inéditos no país, sem custos adicionais. Veja nos sites de busca onde estão as empresas e o que elas fazem. Sinta se há viabilidade de implantar seus produtos/serviços lá. Converse com outras pessoas e profissionais. Levante informações nas entidades de classe, quais as tendências futuras naquele setor que você escolheu. Lembre-se também, que ao mesmo tempo em que você busca uma chance de sobrevivência no mercado de trabalho, ainda pode oferecer essas novas oportunidades na empresa em que está ainda empregado, podendo discutir suas idéias com seu chefe.

Se você escolher um produto ou serviço já existente no mercado em setores altamente competitivos, de nada adiantará. Tem que ser algo inovador, diferente, com preços baixos. E, não é nada fácil encontrar o caminho das pedras. Mas existe uma pesquisa que você pode fazer, que é identificar o que o consumidor quer.

Hoje, nas grandes metrópoles, as pessoas estão com medo de sair às ruas e sofrer agressões do meio ambiente hostil, da irritação causada pelo trânsito, das enchentes, das greves de ônibus e metrô que impedem a locomoção da população, da poluição sonora, visual e olfativa, dos altos custos de deslocamento, das refeições caras e nem sempre saudáveis e outros problemas mais graves, tais como: assaltos ou até mesmo seqüestros relâmpagos em caixas eletrônicos de bancos. Essa situação tende a aumentar e você pode achar uma nova oportunidade de trabalho. Veja abaixo como identificar novos negócios: Esse ambiente pouco amigável, está fazendo com que as pessoas fiquem, cada vez mais, fechadas em suas casas, rodeadas de guardas, porteiros ou circundadas por sistemas eletrônicos de segurança e grades de ferro para se proteger das ameaças.

A tendência é construir um ninho aconchegante e fortificado para poder usufruir de todos os benefícios e conforto que uma grande cidade pode lhes proporcionar. Aí é o momento certo para você oferecer o que as pessoas querem. Basta usar um pouco da sua imaginação para sentir quais são os produtos e serviços que você poderá oferecer aos potenciais clientes. Veja alguns nichos de mercado tais como:

1. Serviços de entrega em casa de produtos, refeições e outros; 2. Sistemas de alarme, segurança pessoal e patrimonial, treinamento em defesa pessoal, cursos de direção defensiva, até montagem de veículos especiais ou blindados;

3. Equipamentos e serviços de entretenimento, informação e comunicação em setores tais como: TV a cabo, informática, Internet, revistas especializadas, telefones celulares e outros ;

4. Produtos especiais para crianças, tais como: escolas, bufê infantil, serviço de babá e outros; 5. Produtos e serviços personalizados, individualizados, tais como: esportes especiais, personnal trainer, produtos sob encomenda como computadores pessoais configurados para você e outros;

6. Produtos sob medida para consumidores que estejam buscando alimento espiritual, ou de pessoas que formam grupos de interesses comuns, tais como: praticantes de esportes radicais, de auto-ajuda e outros grupos esotéricos; 7. Serviços de entretenimento tais como: viagens, turismo ecológico e lazer, pesque e pague ou pegue e solte, safaris fotográficos a santuários ecológicos e outros;

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