Manual de Primeiros Socorros - FIOCRUZ

Manual de Primeiros Socorros - FIOCRUZ

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›comas (perda da consciŒncia);

›convulsıes (agitaçıes psicomotoras);

›envenenamento (intoxicaçıes exógenas);

›diabetes mellitus (comas hiper e hipoglicŒmicos);

›infarto do miocÆrdio; e

›queimaduras em grandes Æreas do corpo. 3.Toda lesªo ou emergŒncia clínica ocorrida dentro do âmbito da

Instituiçªo deve ser comunicada ao NUST - Nœcleo de Saœde do trabalhador / DIREH, atravØs de uma ficha de registro específica e anotada no "livro de registro de acidentes". 4.É importante ter sempre disponível os nœmeros dos telefones e os endereços de hospitais e de centros de atendimento de emergŒncia;; socorro especializado para emergŒncias cardíacas; plantªo da Comissªo Nacional de Energia Nuclear; locais de aplicaçªo de soros antiveneno de cobra e de outros animais peçonhentos e centro de informaçıes tóxicofarmacológicas.

Capítulo I Geral

Manual de Primeiros Socorros Resumo

Para o bom atendimento Ø imprescindível: 1.Manter a calma. Evitar pânico e assumir a situaçªo. 2.Antes de qualquer procedimento, avaliar a cena do acidente e observar se ela pode oferecer riscos, para o acidentado e para vocŒ. EM HIPÓTESE NENHUMA PONHA SUA PRÓPRIA VIDA EM RISCO. 3.Os circunstantes devem ser afastados do acidentado, com calma e educaçªo. O acidentado deve ser mantido afastado dos olhares de curiosos, preservando a sua integridade física e moral. 4.Saiba que qualquer ferimento ou doença sœbita darÆ origem a uma grande mudança no ritmo da vida do acidentado, pois o coloca repentinamente em uma situaçªo para a qual nªo estÆ preparado e que foge a seu controle. Suas reaçıes e comportamentos sªo diferentes do normal, nªo permitindo que ele possa avaliar as próprias condiçıes de saœde e as conseqüŒncias do acidente. Necessita de alguØm que o ajude. Atue de maneira tranqüila e hÆbil, o acidentado sentirÆ que estÆ sendo bem cuidado e nªo entrarÆ em pânico. Isto Ø muito importante, pois a intranqüilidade pode piorar muito o seu estado. 5.Em caso de óbito serªo necessÆrias testemunhas do ocorrido. Obter a colaboraçªo de outras pessoas dando ordens claras e concisas. Identificar pessoas que se encarreguem de desviar o trânsito ou construir uma proteçªo provisória. Uma ótima dica Ø dar tarefas como, por exemplo: contatar o atendimento de emergŒncia, buscar material para auxiliar no atendimento, como talas e gaze, avisar a polícia se necessÆrio, etc. 6.JAMAIS SE EXPONHA A RISCOS. Utilizar luvas descartÆveis e evitar o contato direto com sangue, secreçıes, excreçıes ou outros líquidos. Existem vÆrias doenças que sªo transmitidas atravØs deste contato 7.Tranqüilizar o acidentado. Em todo atendimento ao acidentado consciente, comunicar o que serÆ feito antes de executar para transmitirlhe confiança, evitando o medo e a ansiedade. 8.Quando a causa de lesªo for um choque violento, deve-se pressupor a existŒncia de lesªo interna. As vítimas de trauma requerem tØcnicas específicas de manipulaçªo, pois qualquer movimento errado pode piorar o seu estado. Recomendamos que as vítimas de traumas nªo sejam manuseadas atØ a chegada do atendimento emergencial. Acidentados presos em ferragens só devem ser retirados pela equipe de atendimento emergencial. 9.No caso do acidentado ter sede, nªo ofereça líquidos para beber, apenas molhe sua boca com gaze ou algodªo umedecido. 10.Cobrir o acidentado para conservar o corpo quente e protegŒ-lo do frio, chuva, etc.

1.Em locais onde nªo haja ambulância, o acidentado só poderÆ ser transportado após ser avaliado, estabilizado e imobilizado adequadamente. Evite movimentos desnecessÆrios. 12.Só retire o acidentado do local do acidente se esse local causar risco de vida para ele ou para o socorrista. Ex: risco de explosªo, estrada perigosa onde nªo haja como sinalizar, etc.

A pessoa que estÆ prestando os primeiros socorros deve seguir um plano de açªo baseando-se no P.A.S., que sªo as trŒs letras iniciais a partir das quais se desenvolvem todas as medidas tØcnicas e prÆticas de primeiros socorros. Prevenir - afastar o perigo do acidentado ou o acidentado do perigo Alertar - contatar o atendimento emergencial informando o tipo de acidente, o local, o nœmero de vítimas e o seu estado. Socorrer - após as avaliaçıes

Funçıes, Sinais Vitais e de Apoio

Introduçªo

A atividade de primeiros socorros pressupıe o conhecimento dos sinais que o corpo emite e servem como informaçªo para a determinaçªo do seu estado físico.

Alguns detalhes importantes sobre as funçıes vitais, os sinais vitais e sinais de apoio do corpo humano precisam ser compreendidos.

Funçıes Vitais

Algumas funçıes sªo vitais para que o ser humano permaneça vivo.

Sªo vitais as funçıes exercidas pelo cØrebro e pelo coraçªo. Mas para exercerem suas funçıes, estes órgªos executam trabalhos físicos e químicos, transformando a própria vida em uma macro-representaçªo das atividades da menor unidade funcional do corpo: a cØlula.

Cada tecido Ø constituído por cØlulas, e Ø da vida delas que depende a vida dos seres vivos. As cØlulas tiram nutrientes para sua vida diretamente do meio onde se encontram, devolvendo para este mesmo ambiente os

Capítulo I Geral

Manual de Primeiros Socorros produtos finais de sua atividade metabólica. A captaçªo e liberaçªo destas substâncias sªo reguladas pela membrana plasmÆtica, cuja permeabilidade seletiva e mecanismo de transporte ativo permitem à cØlula trocar com o meio somente o que deve ser trocado. Muitos processos dependem de um adequado diferencial de concentraçªo entre o interior e exterior da cØlula.

Para permitir igualdade nas concentraçıes dos componentes do líquido intersticial, os tecidos do organismo sªo percorridos por uma densa rede de vasos microscópicos, que sªo chamados de capilares.

O sangue que chega aos capilares traz nutrientes e oxigŒnio que sªo passados continuamente para os tecidos. O sangue arterial Ø rico em nutrientes. O sangue venoso Ø mais pobre e transporta gÆs carbônico e catabólitos.

O sangue nªo se deteriora graças à atividade de órgªos vitais como os pulmıes, rins e aparelho digestivo, que permanentemente recondicionam o sangue arterial. Os rins participam do mecanismo de regulaçªo do equilíbrio hidroeletrolítico e Æcido-bÆsico e na eliminaçªo de substâncias tóxicas.

O aparelho digestivo incrementa o teor sanguíneo de substratos orgânicos, íons e outros agentes metabólicos, como as vitaminas, por exemplo. O fígado age como órgªo sintetizador e como modificador da composiçªo do sangue, participando nos mecanismos da excreçªo de substâncias tóxicas.

Os pulmıes e a porçªo condutora do aparelho respiratório tŒm como funçªo principal fornecer oxigŒnio e remover dióxido de carbono resultante da reaçªo de combustªo nas cØlulas. O pulmªo nªo Ø apenas um órgªo respiratório. Ele desempenha uma funçªo importante no equilíbrio tØrmico e no equilíbrio Æcido-bÆsico. Os movimentos ventilatórios sªo controlados pelo Sistema Nervoso Central e estªo parcialmente sob nossa vontade. A respiraçªo, no entanto, Ø um mecanismo involuntÆrio e automÆtico.

As funçıes vitais do corpo humano sªo controladas pelo Sistema

Nervoso Central, que Ø estruturado por cØlulas muito especializadas, organizadas em alto grau de complexidade estrutural e funcional. Estas cØlulas sªo muito sensíveis à falta de oxigŒnio, cuja ausŒncia provoca alteraçıes funcionais. Conforme serÆ advertido outras vezes neste manual, chamamos a atençªo para que se perceba que:

O prolongamento da hipóxia (falta de ar) cerebral determina a morte do Sistema Nervoso Central e com isto a falŒncia generalizada de todos os mecanismos da vida, em um tempo de aproximadamente trŒs minutos.

Capítulo I Geral

Para poder determinar em nível de primeiro socorro, como leigo, o funcionamento satisfatório dos controles centrais dos mecanismos da vida, Ø necessÆrio compreender os sinais indicadores chamados de sinais vitais.

Sinais Vitais

Sinais vitais sªo aqueles que indicam a existŒncia de vida. Sªo reflexos ou indícios que permitem concluir sobre o estado geral de uma pessoa. Os sinais sobre o funcionamento do corpo humano que devem ser compreendidos e conhecidos sªo: • Temperatura,

• Pulso,

• Respiraçªo,

•Pressªo arterial. Os sinais vitais sªo sinais que podem ser facilmente percebidos, deduzindo-se assim, que na ausŒncia deles, existem alteraçıes nas funçıes vitais do corpo.

A mediçªo e avaliaçªo da pressªo arterial sªo excelentes fontes de indicaçªo de vitalidade do organismo humano.

Este assunto nªo serÆ tratado neste manual, pois sua verificaçªo exigirÆ conhecimento e instrumental especializado, o que dificulta a sua utilizaçªo ao nível de primeiros socorros.

Temperatura Corporal

A temperatura resulta do equilíbrio tØrmico mantido entre o ganho e a perda de calor pelo organismo. A temperatura Ø um importante indicador da atividade metabólica, jÆ que o calor obtido nas reaçıes metabólicas se propaga pelos tecidos e pelo sangue circulante.

A temperatura do corpo humano estÆ sujeita a variaçıes individuais e a flutuaçıes devido a fatores fisiológicos como: exercícios, digestªo, temperatura ambiente e estado emocional (Quadro I). A avaliaçªo diÆria da temperatura de uma pessoa em perfeito estado de saœde nunca Ø maior que um grau Celsius, sendo mais baixa pela manhª e um pouco elevada no final da tarde. Existe pequena elevaçªo de temperatura nas mulheres após a ovulaçªo, no período menstrual e no primeiro trimestre da gravidez.

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Nosso corpo tem uma temperatura mØdia normal que varia de 35,9 a 37,2”C. A avaliaçªo da temperatura Ø uma das maneiras de identificar o estado de uma pessoa, pois em algumas emergŒncias a temperatura muda muito.

O sistema termorregulador trabalha estimulando a perda de calor em ambientes de calor excessivo e acelerando os fenômenos metabólicos no frio para compensar a perda de calor. Graças a isto, o homem Ø um ser homeotØrmico que, ao contrÆrio de outros animais, mantŒm a temperatura do corpo constante a despeito de fatores externos.

Quadro I - Variaçªo de temperatura do corpo

Perda de Calor

O corpo humano perde calor atravØs de vÆrios processos que podem ser classificados da seguinte maneira:

Eliminaçªo - fezes, urina, saliva, respiraçªo. Evaporaçªo - a evaporaçªo pela pele (perda passiva) associada à eliminaçªo permitirÆ a perda de calor em elevadas temperaturas.

Conduçªo - Ø a troca de calor entre o sangue e o ambiente. Quanto maior Ø a quantidade de sangue que circula sob a pele maior Ø a troca de calor com o meio. O aumento da circulaçªo explica o avermelhamento da pele (hipermia) quando estamos com febre.

Verificaçªo da Temperatura

Oral ou bucal - Temperatura mØdia varia de 36,2 a 37”C. O termômetro deve ficar por cerca de trŒs minutos, sob a língua, com o paciente sentado, semi-sentado (reclinado) ou deitado.

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Nªo se verifica a temperatura de vítimas inconscientes, crianças depois de ingerirem líquidos (frios ou quentes) após a extraçªo dentÆria ou inflamaçªo na cavidade oral.

Axilar - Temperatura mØdia varia de 36 a 36,8”C. A via axilar Ø a mais sujeita a fatores externos. O termômetro deve ser mantido sob a axila seca, por 3 a 5 minutos, com o acidentado sentada, semi-sentada (reclinada) ou deitada.

Nªo se verifica temperatura em vítimas de queimaduras no tórax, processos inflamatórios na axila ou fratura dos membros superiores.

Retal - Temperatura mØdia varia de 36,4 a 37,”C. O termômetro deverÆ ser lavado, seco e lubrificado com vaselina e mantido dentro do reto por 3 minutos com o acidentado em decœbito lateral, com a flexªo de um membro inferior sobre o outro.

Nªo se verifica a temperatura retal em vítimas que tenham tido intervençªo cirœrgica no reto, com abscesso retal ou perineorrafia.

A verificaçªo da temperatura retal Ø a mais precisa, pois Ø a que menos sofre influŒncia de fatores externos.

O acidentado com febre, muito alta e prolongada, pode ter lesªo cerebral irreversível. A temperatura corporal abaixo do normal pode acontecer após depressªo de funçªo circulatória ou choque.

Febre

A febre Ø a elevaçªo da temperatura do corpo acima da mØdia normal. Ela ocorre quando a produçªo de calor do corpo excede a perda. Tumores, infecçıes, acidentes vasculares ou traumatismos podem afetar diretamente o hipotÆlamo e com isso perturbar o mecanismo de regulagem de calor do corpo. Portanto, a febre deve ser vista tambØm como um sinal que o organismo emite. Um sinal de defesa.

Devemos lembrar que pessoas imunodeprimidas podem ter infecçıes graves e nªo apresentarem febre.

A vítima de febre apresenta a seguinte sintomatologia: •InapetŒncia (perda de apetite)

•Mal estar

•Pulso rÆpido

• Sudorese

•Respiraçªo rÆpida

Capítulo I Geral

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•Hiperemia da pele • Calafrios

•CefalØia (dor de cabeça)

Primeiros Socorros para Febre

Aplicar compressas œmidas na testa, cabeça, pescoço, axilas e virilhas (que sªo as Æreas por onde passam os grandes vasos sanguíneos).

Quando o acidentado for um adulto, submetŒ-la a um banho frio ou cobri-la com coberta fria. Podem ser usadas compressas frias aplicadas sobre grandes estruturas vasculares superficiais quando a temperatura corporal estÆ muito elevada.

O tratamento bÆsico da febre deve ser dirigido para as suas causas, mas em primeiros socorros isto nªo Ø possível, pois o leigo deverÆ preocupar-se em atender os sintomas de febre e suas complicaçıes. Drogas antipirØticas como aspirina, dipirona e acetaminofen sªo muito eficientes na reduçªo da febre que ocorre devido a afecçıes no centro termorregulador do hipotÆlamo, porØm só devem ser usadas após o diagnóstico.

Devemos salientar que os primeiros socorros em casos febris só devem ser feitos em temperaturas muito altas (acima de 400C), por dois motivos jÆ vistos: ›a febre Ø defesa orgânica (Ø o organismo se defendendo de alguma causa) e ›o tratamento da febre deve ser de suas causas.

Pulso

O pulso Ø a onda de distensªo de uma artØria transmitida pela pressªo que o coraçªo exerce sobre o sangue. Esta onda Ø perceptível pela palpaçªo de uma artØria e se repete com regularidade, segundo as batidas do coraçªo.

Existe uma relaçªo direta entre a temperatura do corpo e a freqüŒncia do pulso. Em geral, exceto em algumas febres, para cada grau de aumento de temperatura existe um aumento no nœmero de pulsaçıes por minuto (cerca de 10 pulsaçıes).

O pulso pode ser apresentado variando de acordo com sua freqüŒncia, regularidade, tensªo e volume. a) Regularidade (alteraçªo de ritmo)

Pulso rítmico: normal Pulso arrítmico: anormal b) Tensªo c) FreqüŒncia - Existe uma variaçªo mØdia de acordo com a idade como pode ser visto no Quadro I abaixo.

Quadro I - Variaçªo da freqüŒncia

Pulso filiforme (fraco): anormal

d) Volume - Pulso cheio: normal

A alteraçªo na freqüŒncia do pulso denuncia alteraçªo na quantidade de fluxo sanguíneo.

As causas fisiológicas que aumentam os batimentos do pulso sªo: digestªo, exercícios físicos, banho frio, estado de excitaçªo emocional e qualquer estado de reatividade do organismo.

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