Manual de Primeiros Socorros - FIOCRUZ

Manual de Primeiros Socorros - FIOCRUZ

(Parte 3 de 6)

No desmaio / síncope as pulsaçıes diminuem. AtravØs do pulso ou das pulsaçıes do sangue dentro do corpo, Ø possível avaliar se a circulaçªo e o funcionamento do coraçªo estªo normais ou nªo. Pode-se sentir o pulso com facilidade: •Procurar acomodar o braço do acidentado em posiçªo relaxada.

•Usar o dedo indicador, mØdio e anular sobre a artØria escolhida para sentir o pulso, fazendo uma leve pressªo sobre qualquer um dos pontos onde se pode verificar mais facilmente o pulso de uma pessoa.

•Nªo usar o polegar para nªo correr o risco de sentir suas próprias pulsaçıes.

•Contar no relógio as pulsaçıes num período de 60 segundos. Neste período deve-se procurar observar a regularidade, a tensªo, o volume e a freqüŒncia do pulso.

Existem no corpo vÆrios locais onde se podem sentir os pulsos da corrente sanguínea.

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Capítulo I Geral

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Recomenda-se nªo fazer pressªo forte sobre a artØria, pois isto pode impedir que se percebam os batimentos.

O pulso radial pode ser sentido na parte da frente do punho. Usar as pontas de 2 a 3 dedos levemente sobre o pulso da pessoa do lado correspondente ao polegar, conforme a figura abaixo.

Figura 1- Pulso radial e carotídeo

O pulso carotídeo Ø o pulso sentido na artØria carótida que se localiza de cada lado do pescoço. Posicionam-se os dedos sem pressionar muito para nªo comprimir a artØria e impedir a percepçªo do pulso (Figura 1).

Do ponto de vista prÆtico, a artØria radial e carótida sªo mais fÆceis para a localizaçªo do pulso, mas hÆ outros pontos que nªo devem ser descartados. Conforme a Figura 2.

23 Figura 2 - Local de localizaçªo de pulso

Capítulo I Geral

Manual de Primeiros Socorros Respiraçªo

A respiraçªo Ø uma das funçıes essenciais à vida. É atravØs dela que o corpo promove permanentemente o suprimento de oxigŒnio necessÆrio ao organismo, vital para a manutençªo da vida.

A respiraçªo Ø comandada pelo Sistema Nervoso Central. Seu funcionamento processa-se de maneira involuntÆria e automÆtica. É a respiraçªo que permite a ventilaçªo e a oxigenaçªo do organismo e isto só ocorre atravØs das vias aØreas desimpedidas.

A observaçªo e identificaçªo do estado da respiraçªo de um acidentado de qualquer tipo de afecçªo Ø conduta bÆsica no atendimento de primeiros socorros. Muitas doenças, problemas clínicos e acidentes de maior ou menor proporçªo alteram parcialmente ou completamente o processo respiratório. Fatores diversos como secreçıes, vômito, corpo estranho, edema e atØ mesmo a própria língua podem ocasionar a obstruçªo das vias aØreas. A obstruçªo produz asfixia que, se prolongada, resulta em parada cardío-respiratória.

O processo respiratório manifesta-se fisicamente atravØs dos movimentos ritmados de inspiraçªo e expiraçªo. Na inspiraçªo existe a contraçªo dos mœsculos que participam do processo respiratório, e na expiraçªo estes mœsculos relaxam-se espontaneamente. Quimicamente existe uma troca de gazes entre os meios externos e internos do corpo. O organismo recebe oxigŒnio atmosfØrico e elimina dióxido de carbono. Esta troca Ø a hematose, que Ø a transformaçªo, no pulmªo, do sangue venoso em sangue arterial.

Deve-se saber identificar se a pessoa estÆ respirando e como estÆ respirando. A respiraçªo pode ser basicamente classificada por tipo e freqüŒncia. O Quadro I apresenta a classificaçªo da respiraçªo quanto ao tipo.

A freqüŒncia da respiraçªo Ø contada pela quantidade de vezes que uma pessoa realiza os movimentos combinados de inspiraçªo e expiraçªo em um minuto. Para se verificar a freqüŒncia da respiraçªo, conta-se o nœmero de vezes que uma pessoa realiza os movimentos respiratórios: 01 inspiraçªo + 01 expiraçªo = 01 movimento respiratório.

A contagem pode ser feita observando-se a elevaçªo do tórax se o acidentado for mulher ou do abdome se for homem ou criança. Pode ser feita ainda contando-se as saídas de ar quente pelas narinas.

A freqüŒncia mØdia por minuto dos movimentos respiratórios varia com a idade se levarmos em consideraçªo uma pessoa em estado normal de saœde. Por exemplo: um adulto possui um valor mØdio respiratório de 14 - 20 respiraçıes por minuto (no homem), 16 - 2 respiraçıes por minuto (na mulher), enquanto uma criança nos primeiros meses de vida

40 - 50 respiraçıes por minuto.

Capítulo I Geral

Quadro I - Tipos de respiraçªo

Fatores fisiopatológicos podem alterar a necessidade de oxigŒnio ou a concentraçªo de gÆs carbônico no sangue. Isto contribui para a diminuiçªo ou o aumento da freqüŒncia dos movimentos respiratórios. A nível fisiológico os exercícios físicos, as emoçıes fortes e banhos frios tendem a aumentar a freqüŒncia respiratória. Em contra partida o banho quente e o sono a diminuem.

Algumas doenças cardíacas e nervosas e o coma diabØtico aumentam a freqüŒncia respiratória. Como exemplo de fatores patológicos que diminuem a freqüŒncia respiratória podemos citar o uso de drogas depressoras.

Os procedimentos a serem observados e os primeiros socorros em casos de parada respiratória serªo estudados a frente.

Pressªo Arterial

A pressªo arterial Ø a pressªo do sangue, que depende da força de contraçªo do coraçªo, do grau de distensibilidade do sistema arterial, da quantidade de sangue e sua viscosidade.

Embora nªo seja recomendÆvel a instruçªo a leigos da mediçªo da pressªo arterial com o aparelho, para nªo induzir a diagnósticos nªo autorizados após a leitura, julgamos necessÆrio descrever de maneira sucinta as características da pressªo arterial e a sua verificaçªo.

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No adulto normal a pressªo arterial varia da seguinte forma: •Pressªo arterial mÆxima ou sistólica - de 100 a 140 m Hg (milímetros de mercœrio).

•Pressªo arterial mínima ou diastólica - de 60 a 90 m Hg. A pressªo varia com a idade, por exemplo: uma pessoa com a idade entre 17 a 40 anos apresenta a pressªo de 140 x 90, jÆ entre 41 a 60 anos apresenta pressªo, de 150 x 90 m de Hg.

A pessoa com pressªo arterial alta sofre de hipertensªo e apresenta, dentro de certos critØrios de mediçªo, pressªo arterial mínima acima de 95 m Hg e pressªo arterial mÆxima acima de 160 m Hg. A pressªo muito baixa (hipotensªo) Ø aquela em que a pressªo mÆxima chega a baixar atØ a 80 m Hg.

No Quadro IV apresentamos exemplos de condiçıes que alteram a pressªo arterial:

Quadro IV - Condiçıes que levam à alteraçªo na pressªo arterial

É importante perguntar à vítima sua pressªo arterial e passar essa informaçªo ao profissional que for prestar o socorro especializado.

Uma pessoa com hipertensªo deverÆ ser mantida com a cabeça elevada; deve ser acalmada; reduzir a ingestªo de líquidos e sal e ficar sob observaçªo permanente atØ a chegada do mØdico. No caso do hipotenso, deve-se promover a ingestªo de líquidos com pitadas de sal, deitÆ-lo e chamar um mØdico.

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Mediçªo da pressªo arterial

Posiçªo da pessoa: Sentada, semi-sentada (reclinada) ou deitada (esta Ø a melhor posiçªo):

Material: Esfigmomanômetro e estetoscópio TØcnica: a) Tranqüilizar a pessoa informando-a sobre a mediçªo de pressªo. b) Braço apoiado ao mesmo nível do coraçªo para facilitar a localizaçªo da artØria braquial. c) Colocar o manguito ao redor do braço, a cerca de 4 dedos da dobra do cotovelo. Prender o manguito. d) Fechar a saída de ar e insuflar atØ que o ponteiro atinja a marca de 200 m Hg. Pode ser necessÆrio ir mais alto. e) Posicionar o na artØria umeral, abaixo do manguito e ouvir se hÆ batimentos. f) Abrir a saída de ar lentamente e ouvir os batimentos regulares g) Anotar a pressªo indicada pelo ponteiro que serÆ a Pressªo Arterial MÆxima. h) A pressªo do manguito vai baixando e o som dos batimentos muda de nítido desaparecendo. Neste ponto deve-se anotar a Pressªo Arterial Mínima. Às vezes o ponto de Pressªo Mínima coincide com o desaparecimento do som dos batimentos.

Sinais de Apoio

AlØm dos sinais vitais do funcionamento do corpo humano, existem outros que devem ser observados para obtençªo de mais informaçıes sobre o estado de saœde de uma pessoa. Sªo os sinais de apoio; sinais que o corpo emite em funçªo do estado de funcionamento dos órgªos vitais.

Os sinais de apoio podem ser alterados em casos de hemorragia, parada cardíaca ou uma forte batida na cabeça, por exemplo. Os sinais de apoio tornam-se cada vez mais evidentes com o agravamento do estado do acidentado. Os principais sinais de apoio sªo: •Dilataçªo e reatividade das pupilas

•Cor e umidade da pele

•Estado de consciŒncia

•Motilidade e sensibilidade do corpo

Dilataçªo e Reatividade das Pupilas

A pupila Ø uma abertura no centro da íris - a parte colorida do olho - e sua funçªo principal Ø controlar a entrada de luz no olho para a formaçªo das imagens que vemos. A pupila exposta à luz se contrai. Quando hÆ

Capítulo I Geral

Manual de Primeiros Socorros pouca ou quase nenhuma luz a pupila se dilata, fica aberta. Quando a pupila estÆ totalmente dilatada, Ø sinal de que o cØrebro nªo estÆ recebendo oxigŒnio, exceto no uso de colírios midriÆticos ou certos envenenamentos.

A dilataçªo e reatividade das pupilas sªo um sinal de apoio importante.

Muitas alteraçıes do organismo provocam reaçıes nas pupilas (Quadro V). Certas condiçıes de "stress", tensªo, medo e estados de prØ-choque tambØm provocam considerÆveis alteraçıes nas pupilas.

Devemos observar as pupilas de uma pessoa contra a luz de uma fonte lateral, de preferŒncia com o ambiente escurecido. Se nªo for possível deve-se olhar as pupilas contra a luz ambiente.

Quadro V - Alteraçıes orgânicas que provocam reaçıes nas pupilas

Cor e Umidade da Pele

A cor e a umidade da pele sªo tambØm sinais de apoio muito œtil no reconhecimento do estado geral de um acidentado. Uma pessoa pode apresentar a pele pÆlida, cianosada ou hiperemiada (avermelhada e quente).

A cor e a umidade da pele devem ser observadas na face e nas extremidades dos membros, onde as alteraçıes se manifestam primeiro (Quadro VI). A pele pode tambØm ficar œmida e pegajosa. Pode-se observar estas alteraçıes melhor no antebraço e na barriga.

Quadro VI - Alteraçıes orgânicas que provocam modificaçıes na cor e umidade da pele salipupsadoªçartnecnocuooªçatalidmacovorpeuqseıçaretlAs alipupsadoªçartnecnocuooªçatalidmacovorpeuqseıçaretlA salipupsadoªçartnecnocuooªçatalidmacovorpeuqseıçaretlA salipupsadoªçartnecnocuooªçatalidmacovorpeuqseıçaretlAs alipupsadoªçartnecnocuooªçatalidmacovorpeuqseıçaretlA ssertSe uqohcedodatseedaicnŒnimI acaídracadaraPo ªçacixotnI sagordedosubAs ocitóimuosocitÆirdimsoiríloC ocilÆfecne-oenârcomsitamuarT elePadedadimUeroCe lePadedadimUeroC elePadedadimUeroC elePadedadimUeroCe lePadedadimUeroC oªçaretlAo ªçaretlA oªçaretlA oªçaretlAo ªçaretlAa icnŒrrocOa icnŒrrocO aicnŒrrocO aicnŒrrocOa icnŒrrocO )adaluzaelep(esonaiC .etrom,euqohcedodatse,airótaripser-oidracadarap,oirfoaoªçisopxE zedilaP oªsnetamertxe,oirfoaoªçisopxe,airótaripser-oidracadarap,aigarromeH

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Estado de ConsciŒncia

Este Ø outro sinal de apoio importante. A consciŒncia plena Ø o estado em que uma pessoa mantØm o nível de lucidez que lhe permite perceber normalmente o ambiente que a cerca, com todos os sentidos saudÆveis respondendo aos estímulos sensoriais.

Quando se encontra um acidentado capaz de informar com clareza sobre o seu estado físico, pode-se dizer que esta pessoa estÆ perfeitamente consciente. HÆ, no entanto, situaçıes em que uma pessoa pode apresentar sinais de apreensªo excessiva, olhar assustado, face contraída e medo. Esta pessoa certamente nªo estarÆ em seu pleno estado de consciŒncia.

Uma pessoa pode estar inconsciente por desmaio, estado de choque, estado de coma, convulsªo, parada cardíaca, parada respiratória, alcoolismo, intoxicaçªo por drogas e uma sØrie de outras circunstâncias de saœde e lesªo.

Na síncope e no desmaio hÆ uma sœbita e breve perda de consciŒncia e diminuiçªo do tônus muscular. JÆ o estado de coma Ø caracterizado por uma perda de consciŒncia mais prolongada e profunda, podendo o acidentado deixar de apresentar gradativamente reaçªo aos estímulos dolorosos e perda dos reflexos.

Motilidade e Sensibilidade do Corpo

Qualquer pessoa consciente que apresente dificuldade ou incapacidade de sentir ou movimentar determinadas partes do corpo, estÆ obviamente fora de seu estado normal de saœde. A capacidade de mover e sentir partes do corpo sªo um sinal que pode nos dar muitas informaçıes.

Quando hÆ incapacidade de uma pessoa consciente realizar certos movimentos, pode-se suspeitar de uma paralisia da Ærea que deveria ser movimentada. A incapacidade de mover o membro superior depois de um acidente pode indicar lesªo do nervo do membro. A incapacidade de movimento nos membros inferiores pode indicar uma lesªo da medula espinhal.

O desvio da comissura labial (canto da boca) pode estar a indicar lesªo cerebral ou de nervo perifØrico (facial). Pede-se à vítima que sorria. Sua boca sorrirÆ torta, só de um lado.

Pedir à vítima de acidente traumÆtico que movimente os dedos de cada mªo, a mªo e os membros superiores, os dedos de cada pØ, o pØ e os membros inferiores.

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Quando um acidentado perde o movimento voluntÆrio de alguma parte do corpo, geralmente ela tambØm perde a sensibilidade no local. Muitas vezes, porØm, o movimento existe, mas o acidentado reclama de dormŒncia e formigamento nas extremidades. É muito importante o reconhecimento destas duas situaçıes, como um indício de que hÆ lesªo na medula espinhal. É importante, tambØm, nestes casos tomar muito cuidado com o manuseio e transporte do acidentado para evitar o agravamento da lesªo. ConvØm ainda lembrar que o acidentado de histeria, alcoolismo agudo ou intoxicaçªo por drogas, mesmo que sofra acidente traumÆtico, pode nªo sentir dor por vÆrias horas.

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