Procedimentos e cuidados especiais

Procedimentos e cuidados especiais

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Procedimentos e cuidados especiais – Capítulo 8

Anexos › 561

Para este capítulo, foram selecionados dois importantes métodos utilizados com grande freqüência para agilizar o tratamento e oferecer maior conforto ao paciente oncológico, os cateteres venosos centrais (CVC) e a estomaterapia.

Em relação ao CVC, os benefícios se refletem na minimização da dor e da ansiedade nos pacientes que são submetidos a repetidas punções ou dissecções venosas periféricas para receber a terapia indicada. A uniformidade e consenso dos profissionais nas ações padronizadas desses cuidados são de suma importância para o paciente, contribuindo, assim, para maior liberdade, segurança e qualidade de vida.

Dentre os vários procedimentos e cuidados especiais que são aplicados durante o tratamento do paciente oncológico, a estomaterapia é um método que precisa ser planejado e deve obedecer a critérios de processualidade, cujo enfrentamento obedece a quatro fases distintas: pré-operatória, pós-operatória, alta hospitalar e, finalmente, fase de reinserção ativa, ou seja, quando o paciente inicia a retomada de sua vida social, familiar, laborativa e sexual.

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Anexos › 563

Cateter venoso central de longa permanência (CVC-LP)

Considerações iniciais

Mais de 500 anos se passaram desde a descoberta da circulação até os avanços que se conhece hoje em relação ao uso dos cateteres. A história contou com a contribuição de engenheiros, médicos e arquitetos. Durante as últimas décadas, tem-se observado um grande aumento na administração intravenosa de soluções e drogas. Desta forma, cada vez mais são exigidos acessos vasculares como parte essencial do plano terapêutico, principalmente em se tratando de pacientes em tratamento oncológico, que fazem do acesso venoso de uso prolongado uma opção freqüentemente requerida para quimioterapia, hemotransfusão, nutrição parenteral, reposição eletrolítica, coleta de sangue para exames, antibioticoterapia e para suporte em pacientes terminais.

Os enfermeiros consideram que o cateter venoso central de longa permanência (CVC-LP) proporciona um acesso venoso seguro, pois, quando corretamente instalado e manuseado, permite a realização de terapias intravenosas, utilizando drogas e soluções com extremos de pH e osmolaridade, sem risco de lesão do endotélio venoso ou de necrose tissular por extravasamento venoso, quando da administração por via periférica. Acrescenta-se a isto a redução do estresse da equipe, já que se elimina a necessidade de obtenção de acessos periféricos constantes para a implementação da terapia intravenosa prescrita.

Para o paciente portador de um CVC, os benefícios se refletem na minimização da dor e da ansiedade, acarretadas por repetidas punções ou dissecções venosas periféricas para receber a terapia indicada, e na maior liberdade e segurança para desenvolver suas atividades diárias, mesmo portando um dispositivo de acesso venoso, contribuindo, portanto, para a melhoria da sua qualidade de vida.

A padronização das ações e o treinamento constante dos enfermeiros qualificam o cuidado prestado e são de suma importância para que haja uniformidade e consenso dos profissionais.

Os cateteres venosos centrais de longa permanência são tubos flexíveis, compostos de silicone ou poliuretano, com uma variedade de diâmetros interno e externo. Todos fabricados em material radiopaco, com o objetivo de permitir uma fácil visualização radiológica ou fluoroscópica.

A escolha do tipo de cateter é baseada na indicação terapêutica e limitação para o paciente, além da idade, clínica e situação socioeconômica, visando a reduzir o risco de complicações.

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Comissão interdisciplinar de cateteres

Histórico

Com o crescente número de pacientes adultos e, principalmente, crianças em curso de quimioterapia no Instituto Nacional de Câncer (INCA) houve a necessidade da criação de uma comissão, a Comissão Interdisciplinar de Cateter Venoso Central de Longa Permanência, com o objetivo de normatizar todos os procedimentos relacionados a esses dispositivos, como: avaliação e padronização do material utilizado, indicação, colocação, manipulação, manutenção, levantamento estatístico, retirada, avaliação e tratamento de complicações e treinamento médico e de enfermeiros. A referida comissão foi criada em 12 de junho de 1990, sendo composta por médicos e enfermeiros dos setores diretamente relacionados com os pacientes portadores desses dispositivos.

Como iniciativa dessa comissão, foi criado, em agosto de 1994, o “ambulatório de cateter”, no Hospital do Câncer I (HCI), gerenciado por um enfermeiro para atendimento específico e direcionado aos pacientes portadores desses dispositivos, fornecendo-lhes consultas médicas e de enfermagem, com orientações a pacientes e acompanhantes/responsáveis quanto aos cuidados pré e pós-implantação, ativação, desativação, manutenção, curativos, avaliação e tratamento de complicações relacionadas a esses dispositivos.

O objetivo do ambulatório de cateter, que é submetido às normas técnicas e administrativas estabelecidas pela Comissão Interdisciplinar de Cateteres Venosos Centrais, é a centralização das atividades relacionadas aos cateteres, visando a assegurar a qualidade da assistência para a continuidade do tratamento, aumentando, com isso, o tempo de permanência, redução das complicações e riscos de infecções.

Depois de dado o ponto de partida, foram criadas, em 1996, nas outras Unidades Assistenciais do INCA (Hospital do Câncer I – HCI, Hospital do Câncer II – HCII, Centro de Transplante de Medula Óssea – CEMO e Hospital do Câncer IV – HCIV, na época denominado Centro de Suporte Terapêutico Oncológico – CSTO), salas de atendimento aos pacientes portadores de cateteres, todos submetidos às mesmas normas técnicas e administrativas, dessa vez abrangendo também os cateteres venosos centrais de média permanência, ampliando tanto as atividades desenvolvidas por esses setores como os locais de referência para esses pacientes. Foi, então, denominada de Comissão de Estudo e Controle de Cateteres Venosos Centrais. Atualmente, o INCA conta com seis salas de atendimento a cateteres, sendo que, dessas, duas estão localizados dentro do HCI. Em 1999, o ambulatório de cateter do HCI sofreu uma divisão, separando seus atendimentos entre adultos e crianças.

Os setores/unidades que atualmente compõem a comissão de cateteres são: HCI (Oncologia Clínica, Hematologia, Cirurgia Pediátrica, Central de Quimioterapia, Comissão de Controle de

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Infecção Hospitalar - CCIH, Radiologia e Pediatria); HCII; HCIII; CEMO; HCIV; Divisão de Assistência Técnica e Seção de Compras.

Atribuições da comissão

• Qualificar e padronizar o material utilizado. • Normalizar as técnicas.

• Confeccionar e aprovar protocolos.

• Implantar e retirar cateteres.

• Avaliar e tratar as complicações.

• Treinar e reciclar o pessoal.

• Confeccionar material gráfico.

• Informar e orientar os pacientes portadores e acompanhantes/responsáveis.

• Realizar levantamentos estatísticos.

A visão estratégica da comissão é ser referência nacional nos procedimentos ligados diretamente aos cateteres venosos centrais de média e longa permanência, normatizando o seu uso, com o objetivo de melhorar o atendimento aos pacientes, aumentando a vida útil dos cateteres, diminuindo as complicações, gerando informações com o menor custo para o paciente, instituição e sociedade.

Capacitação profissional

É necessário que o profissional que realiza qualquer atividade relacionada aos CVC participe de um curso de capacitação, uma vez que essas atividades demandam conhecimento técnicocientífico no trato específico com cateteres venosos centrais de longa permanência.

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O curso para capacitação de enfermeiros para manuseio de CVC deverá ter duração mínima de 8 horas de teoria e 40 horas de prática.

São capacitados para indicar CVC todos os enfermeiros e médicos assistenciais, efetivos ou residentes.

Atenção!

Para a indicação de um determinado tipo de CVC, o profissional deve conhecer as características e o método para indicação de cada tipo de CVC, bem como realizar a avaliação global e apurada das condições do paciente, concluindo ser ele apto e livre de riscos para portar o tipo de cateter determinado.

São capacitados para inserir/remover cirurgicamente CVC-LP: • Médicos cirurgiões capacitados e designados pela instituição para realizar tais atos.

• Médicos cirurgiões do Serviço de Cirurgia Pediátrica.

• Médicos residentes de Cirurgia, sob a supervisão de cirurgião responsável para realizar tais atos.

• Médicos cirurgiões do Serviço de Emergência, quando caracterizada situação emergencial.

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