Procedimentos e cuidados especiais

Procedimentos e cuidados especiais

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Atenção!

As inserções e remoções de CVC-LP são consideradas pequenas cirurgias de caráter eletivo, sendo, portanto, pré-agendadas.

São capacitados para inserir Cateter Central de Inserção Periférica (CCIP):

• Enfermeiros que atendam ao determinado na Resolução Cofen n.º 258/2000 e ao Protocolo para Inserção e Manuseio de CCIP do HCI/INCA.

Procedimentos e cuidados especiais – Capítulo 8

Anexos › 567

• Enfermeiros com treinamento teórico-prático em inserção e manuseio de CCIP, sob supervisão e responsabilidade de um enfermeiro qualificado em CCIP.

• Enfermeiros e médicos residentes sob a supervisão de um enfermeiro qualificado em CCIP1.

Atenção!

A inserção de CCIP nunca será considerada como procedimento de emergência, situações para as quais existem CVC de média e curta duração.

São capacitados para manusear CVC-LP: • Enfermeiros capacitados em manuseio de CVC pela instituição.

• Enfermeiros residentes (R2) capacitados em manuseio de CVC por enfermeiros dos ambulatórios de cateteres.

• Enfermeiros residentes (R1) sob supervisão de enfermeiro efetivo ou R2 da unidade em que se encontra lotado.

• Médicos cirurgiões responsáveis pela colocação dos cateteres, quando solicitados a avaliar problema com o CVC.

• Médicos residentes em treinamento nos ambulatórios de cateteres, sob supervisão dos enfermeiros do referido setor.

O certificado e o título de qualificação em inserção e manuseio de CCIP deverá ser obtido através de curso de qualificação em CCIP fornecido por entidade de classe e que seja, preferencialmente, reconhecido e endossado pela Academia Brasileira de Especialistas em Enfermagem.

Procedimentos e cuidados especiais– Capítulo 8

‹ Bases do tratamento 568

Cateter venoso central de longa permanência totalmente implantado (CVC-LP-TI)

Descrição

São tubos flexíveis radiopacos feitos de silicone, poliuretano ou de teflon. Possuem uma câmara de titânio em uma das extremidades. A parte central dessa câmara é uma membrana de silicone chamada septo, na qual são realizadas as punções para acesso ao dispositivo.

Os cateteres podem apresentar características específicas de acordo com o seu fabricante, como por exemplo: modelos diferenciados, valvulados, não-valvulados, reservatórios revestidos com silicone, totalmente em titânio escovado, orifícios para fixação através de suturas, arredondados, ovalados, com maior ou menor área de punção, dentre outros, conforme mostra a figura 112.

São chamados de “totalmente implantados” por não apresentarem nenhuma parte exteriorizada após sua instalação. Na literatura internacional, faz-se referência a esse cateter como “PORT”. Embora proporcionem pouca interferência estética e maior liberdade a quem os utiliza, os CVC-LP-TI têm como ponto inconveniente o seu acesso através de punção com agulha – ponto relevante de possível desequilíbrio, que deve ser previamente avaliado pelo enfermeiro.

Figura 112 – Tipos de PORT dos CVC-LP-TI Fonte: Galênica (2004)

Indicações

Por ser um tipo de cateter que tem uma vida útil indefinida, a indicação deve ser direcionada principalmente ao tipo de tratamento proposto e às condições físicas do paciente.

Procedimentos e cuidados especiais – Capítulo 8

Anexos › 569

A utilização deste dispositivo está dia após dia se tornado uma rotina nos centros de tratamento oncológico, porém, embora apresente um custo maior em relação ao procedimento cirúrgico para implantação, quando comparado aos dispositivos semi-implantáveis, o custo mensal com manutenções é consideravelmente menor. O cateter totalmente implantado está indicado para implantes com objetivo de duração de mais de seis meses, muito embora seja fundamental que se leve em consideração todos os fatores individuais do paciente na escolha correta do dispositivo.

Segundo determinação da Comissão Interdisciplinar de Cateteres, deverão ser observados:

• Paciente com dificuldade de acesso venoso periférico.

• Necessidade de acesso venoso por longo período.

• Quimioterapia de longa duração: múltiplos ciclos; drogas vesicantes ou que levem à aplasia severa; tempo de infusão acima de 8 horas.

Contra-indicações

A falta de condições clínicas do paciente, do tipo baixa contagem de plaquetas, queda de estado geral e comprometimento de um ou mais órgãos nobres, seria um fator determinante de contra-indicação para a implantação desse dispositivo, uma vez que, em se tratando de uma cirurgia, embora pequena, o estado geral do paciente pode comprometer o procedimento e ainda mais a sua saúde. O mesmo se dá em relação à presença de infecção bacteriana/fúngica comprovada ou hemocultura positiva.

Outro fator que deve ser considerado é a presença de algum tipo de distúrbio de coagulação, já que isto é um determinante importante no desencadeamento de hemorragias pós-operatórias ou até desenvolvimento de trombose venosa.

Procedimento de implantação

A implantação deve ser realizada em sala de cirurgia, em condições de se fazer radioscopia para verificação do posicionamento correto da ponta do cateter na junção da veia cava superior com o átrio direito ou próximo a ele, como é observado na figura 113.

Geralmente, o procedimento de implantação desses cateteres em adultos é realizado sob anestesia local com sedação, se necessário. Porém, quando esse procedimento é realizado em crianças, é utilizada a anestesia geral.

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‹ Bases do tratamento 570

São necessários cuidados rigorosos de anti-sepsia e assepsia, com o objetivo de prevenção de infecção, que é a principal complicação pós-operatória e obriga, na maioria das vezes, à retirada do cateter.

Figura 113 – CVC-LP-TI em veia subclávia direita, com reservatório em hemitórax direito Fonte: BBRAUN (1999)

Sítios de implantação

Inicialmente, as veias de escolha são subclávia, cefálica, jugular externa e interna, devido à facilidade no acesso a esses vasos durante o procedimento cirúrgico, o que reduz o estresse do paciente e o tempo de exposição cirúrgica.

Como segunda opção, utilizam-se as veias braquial, safena e femural que, além do acesso ser mais difícil, o que torna o procedimento cirúrgico mais demorado e traumático para o paciente, também facilita o desenvolvimento de trombose.

O cateter venoso totalmente implantado pode ter várias localizações (figura 114):

• Venosa: para implantação em veias calibrosas da região torácica, dos membros superiores ou, em último caso, membros inferiores.

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Anexos › 571

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