Procedimentos e cuidados especiais

Procedimentos e cuidados especiais

(Parte 3 de 10)

• Arterial: destinada à infusão de quimioterápicos através de artéria próxima ao leito tumoral.

• Peritonial: a extremidade deve permanecer em região peritoneal.

• Intra-espinhal: destinada à administração de drogas analgésicas diretamente no espaço extradural.

O reservatório puncionável de qualquer tipo deve permanecer apoiado em uma protuberância óssea da região torácica alojada no tecido subcutâneo.

Figura 114 – Locais de implantação do PORT Fonte: Galênica (2004)

Liberação para uso e curativos de pós-operatório

A manipulação desse tipo de dispositivo está liberada de 24 a 72 horas após a colocação, devido à sensibilidade do paciente. Caso seja necessária a utilização imediata após a colocação, o dispositivo deve ser ativado no centro cirúrgico.

O primeiro curativo deverá ser realizado pelo enfermeiro no ambulatório de cateter, no primeiro ou terceiro dia de pós-operatório, quando o paciente é orientado a realizar esse procedimento no domicílio. Nesse dia, é agendada a retirada de pontos para o 15º dia de pós-operatório e são descritas no prontuário as condições da incisão cirúrgica. Nesse tipo de cateter, somente é necessária a permanência de curativo no pós-operatório até a retirada de pontos.

Procedimento realizado para se utilizar o cateter, isto é, fazer infusão de solução fisiológica a 0,9% por gravidade em equipos comuns ou com bureta, dependendo da finalidade da ativação.

Procedimentos e cuidados especiais– Capítulo 8

Antes do enfermeiro acessá-lo, devem ser avaliadas as condições do local: presença de hematomas ou equimoses, flutuação, edema, alta sensibilidade do paciente, sinais flogísticos e outros. Só então deverá ser realizado qualquer tipo de manipulação.

Vantagens e desvantagens

Logo após a indicação clínica de implantação desse dispositivo, é importante que seja observado se as condições sociais do paciente permitem que seja realizado esse procedimento.

Dentre as vantagens do cateter totalmente implantado, cabe ressaltar que esse tipo de dispositivo dispensa a realização de curativos, com exceção dos de pós-operatório, diminuindo o risco de infecção relacionada a isto. Seu período de manutenção é de até 30 dias, o que resulta num custo mais baixo para o paciente e em relação ao uso de materiais. Outro fato a ser observado é que não interfere nas atividades diárias do paciente, nem na auto-estima, uma vez que fica implantado no subcutâneo.

Outras vantagens:

• Dispensa curativos.

• Dispensa heparinizações freqüentes.

• Menor susceptibilidade a infecções.

• Mais estético.

• Não limita atividades físicas.

• Não exige treinamento do paciente e do familiar para o manuseio e é menos sujeito a acidentes (quebra, perfuração, corrosão e outros).

Dentre as desvantagens, cabe citar que, para a sua implantação e retirada, se faz necessário um procedimento cirúrgico, o que torna o custo mais elevado em relação aos outros dispositivos. Além disso, o seu acesso é realizado através de punções e para isso são utilizadas agulhas específicas. Outra ressalva se faz quanto à dificuldade para infusão de grandes volumes, em relação ao cateter semi-implantado.

Procedimentos e cuidados especiais – Capítulo 8

Anexos › 573

Escolha das agulhas

É necessária a utilização de uma agulha com bisel especial, que permite a penetração e remoção sem danos ao septo de silicone, conforme figura 115.

O risco na utilização da agulha comum ocorre por causa do bisel cortante lesar o septo de silicone, fragilizando o mesmo ou até liberando fragmentos desse na corrente sangüínea.

As agulhas indicadas são do tipo hubber ou do tipo “ponta de lápis”, figuras 117 e 118, e o uso das mesmas permite até 3.0 perfurações sem riscos de vazamentos. Tais agulhas estão disponíveis em diferentes comprimentos e diâmetros ou com placas de fixação, adaptadas às necessidades físicas do paciente e à solução a ser infundida.

Essas agulhas são comercializadas com variações, podendo ser retas, mais indicadas para heparinização e coletas de sangue, e curvas, mais apropriadas para infusões prolongadas. Porém, quando há previsão de permanência por mais de 12 horas, deve-se optar pelas agulhas que possuem extensão, que facilitam a manipulação e fixação, de acordo com a figura 116.

Figura 115 – Diferença entre o bisel hubber e o bisel comum Fonte: BBRAUN (1999)

Figura 116 – Tipos de Agulhas de Hubber Fonte: BBRAUN (1999)

Procedimentos e cuidados especiais– Capítulo 8

‹ Bases do tratamento 574

Fonte: BBRAUN (1999)Fonte: BBRAUN (1999)

Figura 117 – Agulha “Ponta de Lápis” Figura 118 – Bisel “Ponta de Lápis”

Cateter venoso central de longa permanência semiimplantado (CVC-LP-SI)

Descrição

São tubos flexíveis radiopacos, feitos de silicone, poliuretano ou de teflon (figura 119).

Apresentam-se de única, dupla e tripla vias, independentes entre si, de comprimentos e calibres variados.

São cateteres de longa permanência “semi-implantados”, uma vez que parte do mesmo é inserida em veia central passando por um “túnel” realizado no tecido subcutâneo, deixando uma parte exteriorizada, pela qual se realiza o acesso ao sistema venoso central para implementação da terapia intravenosa.

Na sua porção tunelizada, o cateter apresenta uma “manga” ou “bainha”, também chamada de cuff de dacron, em material poroso e biocompatível, idealizado para promover maior aderência de fibrina, ocluindo o túnel à entrada de patógenos e propiciando maior fixação do mesmo no tecido subcutâneo.

Seus modelos, apresentações, comprimentos, bem como algum dispositivo adicional, tipo válvula bidirecional em sua ponta proximal ou distal e diferenciação das vias por códigos de cores, variam de acordo com a empresa fabricante.

No INCA, são padronizados, apenas, os CVC-SI de uma e de duas vias. Para diferenciá-los, utilizam-se as siglas CVC-SI-1L (uma luz) e CVC-SI-2L (duas luzes).

Procedimentos e cuidados especiais – Capítulo 8

Anexos › 575

Figura 119 – Tipos de CVC-LP-SI Fonte: Galênica (2004)

Indicações

São indicados para pacientes de transplante de medula óssea, devido à facilidade para infusão de grandes volumes, dado o seu grande calibre. E também para pacientes de Pediatria e Hematologia, pois, ao dispensar o uso de agulhas, se torna menos traumático para crianças, além de diminuir o risco de sangramentos.

Contra-indicações

Esse tipo de dispositivo é contra-indicado nos casos de pacientes que não possuem condições de comparecer para fazer manutenção num prazo máximo de sete dias, para que não ocorra obstrução, ou com baixa condição de higiene, aumentando o potencial de infecção, uma vez que há uma parte do cateter exteriorizada, que necessita de cuidados higiênicos, além de curativos.

É contra-indicado também nos casos de metástases cutâneas, devido ao grande potencial de infecções.

(Parte 3 de 10)

Comentários